terça-feira, 31 de março de 2009

A bandalheira


Eu acho piada às pessoas que dizem que José Sócrates é corajoso. Dizem que é mentiroso, que não cumpriu, que governou mal, que deixou as reformas a meio, que exerceu o poder com autoritarismo, que exerceu enormes pressões, que quis controlar a comunicação social, mas que é corajoso. A sério que acho piada. Porque ao que algumas pessoas chamam de coragem, eu defino como desvergonha.
Hoje, temos uma suspeita generalizada sobre a pessoa do nosso Primeiro-Ministro e atrevo-me a dizer que existe apenas uma maioria absoluta, que é a dos portugueses que desconfiam, ou pelo menos duvidam, de José Sócrates.
O Caso Freeport pode vir a ser, na minha opinião, a última cena de um sistema político perversamente controlador de tudo e de todos, querendo imiscuir-se no que pertence ao poder judicial. A ideia que todos temos é que nos querem esconder alguma coisa: que a investigação só existe por força do trabalho da Justiça britânica, que todos querem encobrir qualquer coisa, que se pretendem esconder os elementos que podem, ou devem, levar a que Sócrates seja constituído arguido. Todos nós já vimos diversos casos em que pessoas já foram constituídas arguidas por menos. Será que os elementos que temos, pelo menos os que foram conhecidos via comunicação social, não são suficientes?
De uma vez por todas, devemos perceber que elementos determinantes para uma sentença não podem ser juridicamente irrelevantes. Porque a prova deveria ser, supostamente, tudo aquilo que permite concluír se uma pessoa é culpada ou inocente. Ou pelo menos se é, ou deve ser, ou não, constituída arguida.
Até quando é que o Partido Socialista vai poder confundir as pessoas? Até quando é que se vai conseguir iludir as pessoas? Até quando é que o país aguenta isto?
Mas há outros exemplos desta bandalheira.
Será normal vermos um Ministro de Estado, semanalmente, a falar num canal de televisão, como comentador político, sobre o processo Freeport? Será normal que esse ministro, no Governo apenas sirva para fazer a propaganda? Será normal um ministro, que é sociólogo, dizer a um advogado que este não percebe nada do que é um Estado de Direito? Mas o que é isto? Onde é que queremos chegar?
Por fim, gostava de dizer que outra coisa a que acho piada é ao facto de todos ficarem espantados e divulgarem os artigos de Mário Crespo. Todos conhecemos, uns melhor e outros pior, esse jornalista. E o que Mário Crespo escreve é o normal. Fá-lo de forma independente e pauta-se pela verdade dos factos. Só que se não é o único verdadeiramente independente e verdadeiro, está entre um grupo restrito de jornalistas que segue os ideais do que deve ser uma imprensa livre. Por isso, damos-lhe muita importância. Porque é um. Que não é da bandalheira. Nem se revê nela. E ainda a critica, com a agressividade devida.
A propósito das perguntas, há três, muito simples, que eu gostava de fazer: Será que poderemos aguentar muito mais tempo um país em que ninguém acredita nem confia na Justiça? Será possível o conformismo perante uma comunicação social visivelmente dominada por uma enorme máquina de interesses? Será que é viável um país em que existe uma desconfiança generalizada de que somos governados por corruptos?



NOTA: O link para o artigo de Mário Crespo é de um blogue e não do jornal onde o jornalista escreveu o referido artigo, dado que o JN, na página onde deveria estar o artigo vinha escrito que "Lamentamos, mas ocorreu um erro que nos impossibilita de mostrar a página pretendida". Coincidência ou mais um sinal da bandalheira?

segunda-feira, 30 de março de 2009

(in)adapatados


Para quem não tinha, ainda, percebido, tornou-se evidente que, ao contrário do que aconteceu e acontece com vários treinadores, continua a ser quase proibido criticar e pôr em causa o trabalho de Carlos Queiróz, enquanto seleccionador nacional.
Eu não vi o princípio do jogo por duas razões: em primeiro lugar, esta selecção não me cativa minimamente, nem me atrai particularmente o futebol que pratica e, em segundo, às 20.30, fui ver o apagar de luzes em alguns monumentos de Lisboa, que aconteceu por força do Earth Hour.
Mas Portugal é o meu país e aquela equipa era a minha selecção. Às 20.45, quando finalmente se apagaram as luzes dos Jerónimos, fui para casa ver o jogo. Voltei a não gostar do que vi. Porque quando liguei a televisão, Portugal jogava com dez jogadores de campo e quatro deles jogam, nas suas equipas, a defesa central. Mas Carvalho, ali, jogava à direita. E Pepe era o trinco. Ora, era precisamente esta que devia ser a dupla de centrais de Portugal.
Depois, parece-me óbvio que Raúl Meireles não tem qualidade suficiente para jogar no lugar que poderia ser bem ocupado por Moutinho. Na frente, não percebi a ideia de se colocar Danny e Ronaldo a trocarem, assumindo, um deles, a posição de ponta-de-lança. Porque todo o Mundo sabe que Ronaldo é extremo direito e Danny gosta de jogar mesmo atrás do avançado.
Para passar este grupo, relativamente acessível, poderíamos ter optado por um jogador como João Pereira, dado que Miguel não está em forma. Pereira, jogador por quem não tenho muita simpatia, iria permitir um maior protagonismo a Ronaldo, como, de resto, acontece no esquema do United.
Não sei quantos jogadores foram utilizados ao longo destes jogos. Até agora, a única coisa que Queiróz fez foram experiências. Que, todas elas, deram resultados negativos.
A selecção é uma equipa de adaptados. Quando isso acontece uma vez com um jogador, às vezes corre bem. Mas da mesma forma que eu não posso fazer de médico, químico ou economista (porque não o sei fazer, nem gosto), Veloso não pode jogar à esquerda. Nem, numa equipa só, podemos ver um central a jogar à direita e outro a trinco, um extremo a fazer de ponta-de-lança e outro extremo a jogar a defesa esquerdo.
Assim, não dá. Não dá mais...
Devia ser outro o caminho a seguir. Mas vamos continuar a acreditar.

quinta-feira, 26 de março de 2009

7 Irmãos


Tenho estima e simpatia pessoal pela Maria João Lopo de Carvalho, assim como tenho uma enorme consideração e admiração pelo seu trabalho.
Ontem foi apresentada uma colecção de livros, chamada "7 Irmãos", de que Maria João é co-autora.
Aqui está um presente para dar aos nossos filhos, sobrinhos e a todas as crianças que conhecemos, porque o futuro constrói-se desde cedo e ler ajuda muito. Há que cultivar a leitura e cativar o interesse das crianças para os livros, com colecções como esta.
A colecção tem também uma página na blogosfera: http://7irmaos.blogs.sapo.pt
Maria João Lopo de Carvalho, como sempre, surpreendeu. Outra vez, pela positiva.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O Benfica e o mau perder




...Mas agora Rui Costa acha que o comportamento do Sporting foi excessivo e agora aquele senhor da conferência de imprensa diz que o Sporting tem mau perder.
Depois do Benfica - Nacional, foram 15 dias a pressionar nos jornais e nas televisões. O árbitro ficou vários meses sem apitar.
Na capa do jornal ABOLA do dia seguinte ao jogo, vê-se uma referência a uma afirmação de Katsouranis: "o árbitro roubou-nos".
Continuamos à espera de processos disciplinares. Ou então, também fora das quatro linhas, existem regras diferentes, conforme os clubes. E, nesse aspecto, o Sporting sai sempre, sempre, sempre, muito, muito, muito prejudicado.

Votação no site da Liga


A Liga colocou, no seu site, uma votação para eleger o melhor jogador da Taça da Liga, competição que o Benfica ameaçou falhar, caso não estivessem reunidas certas e determinadas condições.
Parece que essas condições ficaram reunidas e o Benfica venceu, irregularmente, a competição. E essa irregularidade deve ser motivo de preocupação, não só do Sporting, que foi directamente prejudicado, mas de todos os outros clubes que participaram numa competição decididade de forma que não é conforme com as leis do futebol.
Quando soube dessa votação, registei-me no site e votei. Em consciência. Como o voto deve ser secreto, o que posso dizer é que o meu foi uma forma de protesto. Espero que a Liga entenda esse protesto e que não esconda essa informação. Porque, neste momento, pelo que soube, o site está inoperacional.

terça-feira, 24 de março de 2009

A escolha do futuro Provedor


Aqui e ali, o Partido Socialista vai colocando os seus camaradas nos mais Altos Cargos do Estado. Não se entende esta obsessão autoritária de controlar tudo e todos. Agora, estamos perante uma situação nova, em que o PS quer, de forma muito pouco democrática, escolher quem quer como futuro Provedor de Justiça, tentando impor a sua vontade à oposição e ao País.
Soube agora, pela TVI 24, quais são as escolhas de PS e PSD para o cargo.
O PS quer Jorge Miranda, que foi meu Professor de Direito Internacional Público e que agora me dá a cadeira de Direitos Fundamentais.
A escolha do PSD seria Maria da Glória Garcia, que foi minha Professora de Fundamentos do Direito Público.
Apesar de ter uma posição bem definida sobre como deve ser feita a escolha, e qual a escolha que deve ser feita, não vou, publicamente, pronunciar-me sobre esta escolha, pelo enorme respeito e consideração que tenho por dois Professores, do curso de Direito, da minha Faculdade.
Apenas sublinho que esta questão, apesar de ser incompreensível, engrandece ainda mais a excelência do ensino da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, onde tenho o prazer e o orgulho de estudar.

Um Ferrari encarnado



A Ferrari é uma marca de top para qualquer automobilista.
Qualquer homem sonha ter um. Porque qualquer homem gosta de ter um carro maravilhosamente bonito por fora, com todos os extras por dentro. E sabemos que o Ferrari nos pode fazer concretizar esse sonho.
O que não sabíamos é que havia tantos ferraris no nosso Portugal. Há, pelo menos, um. Em Setúbal.
Na verdade, quem tem um Ferrari diz que o carro não anda. Voa. Como uma águia que voa pelos ares.
Na verdade, quem tem um Ferrari diz que o carro quase que se desloca sozinho, como se tivesse olhos.
Sendo um carro que vive no mundo dos sonhos, o Ferrari não vê o mundo real. Porque não vê um golo marcado com a mão, que tirou um campeonato ao Sporting. Mas, se não vê o óbvio, consegue ver muito para além da realidade. Por exemplo, consegue ver, a uma distância de 50 metros, um penalty fora da área, quando a bola bate no peito.
Talvez sejam só os Ferraris encarnados que têm esta característica.
Talvez. Não sei.
Mas, como todos os carros, um Ferrari também tem avarias. E quando essas são evidentes e tomam maiores dimensões, o Ferrari já não passa na Inspecção.
O que acontece é que o Ferrari chumbou, já, em várias Inspecções.
Talvez esteja na altura de se substituír este Ferrari.
Talvez.
Vamos ver se há coragem. E vergonha. Que tem faltado muitas vezes.

segunda-feira, 23 de março de 2009

A podridão


Luís Guilherme, presidente da APAF, veio hoje, publicamente, pedir à Liga para castigar os "excessos de linguagem" dos responsáveis do Sporting, porque esses actos não podem ficar impunes.
Com uma enorme naturalidade, disse que um pedido de desculpa deveria bastar. Numa situação em que nos foi retirada uma taça e uma verba muito significativa.
Contudo, Lucílio Baptista nem sequer pediu desculpa. Disse que tinha pena do erro.
O assistente, Pais António,que a 50 metros do lance e quando os jogadores estavam de costas para si confirmou que tomaria a mesma decisão.
Vamos ver o que a Liga decide. Se é que decide alguma coisa.
Mas as perguntas que faço hoje são: será que chega gritar no fim do jogo? Será que chega pedir a irradiação desta gente do futebol? Será que chega pedir a repetição do jogo? Porque estávamos a ganhar, a 17 minutos do fim.
Eu acho que não. Não chega mesmo. E devemos lutar pela verdade até ao fim. Ou então seguimos o conselho do presidente da Comissão de Arbitragem da Liga que diz que "se não acreditamos, não vamos mais ao futebol". Será que o futuro passa por deixar o estádio de Alvalade vazio?
No fim de contas, no meio de tanta podridão, há quem se continue a rir...

Para grandes males, grandes remédios


Posso estar enganado, mas para se marcar o penalty do Pedro Silva, teriam de estar reunidos 3 requisitos:
1) Pedro Silva teria de ter jogado a bola com a mão;
2) Teria de haver intencionalidade, porque mão na bola é diferente de bola na mão, e esse movimento, se tivesse acontecido, teria de ter interferido no seguimento da jogada;
3) Teria de ser feita dentro da área.
No estádio, do topo norte, tive uma dúvida: se era, ou não, dentro da área, porque me pareceu que era na linha. Muito dificilmente teria sido mão, porque o movimento do jogador não deixava dúvidas. Não tinha mesmo sido mão. E Pedro Silva não tinha intenção nenhuma de fazer penalty.
Hoje, o Leão da Estrela esclareceu-me. Não foi mão, não houve intencionalidade e foi ainda fora da área.
Por que raio Lucílio Baptista marcou penalty? Marcou, porque quis.
Assim sendo, o Sporting deveria devolver as medalhas, demonstrando que não reconhece o resultado. Deveria declarar a intenção de não participar, durante a próxima época, nesta competição. Deveria, ainda, declarar que vai ponderar sobre a sua continuidade na própria Liga. Quanto à arbitragem, o Sporting deveria pedir que Lucílio Baptista descesse de escalão, para apitar jogos de segundas e terceiras ligas, que são as melhor se adequam às suas capacidades enquanto árbitro. Deveria exigir a demissão de quem tem responsabilidades no Comissão de Arbitragem e exigir que a Liga pedisse desculpa ao Sporting e que tomasse as decisões necessárias para a reposição da verdade desportiva. Além de tudo isso, creio que deveria, publicamente, mobilizar os adeptos para iniciativas pela verdade desportiva e contra as fraudes no futebol português. Seja com lutos, seja com manifestações, seja com decisões ainda mais severas.
Nós somos pela verdade desportiva. E não poderemos continuar a ser brandos.
Para que não fiquem dúvidas, o Sporting Na Mente publicou uma imagem que não deixa dúvidas: não foi mão, não houve intencionalidade e não, também não foi dentro da área.


BASTA!

sábado, 21 de março de 2009

Roubaram-nos a taça

Vinha aqui a chegar ao apartamento onde estou, no Algarve, e na rádio, no trajecto desde o Estádio Faro-Loulé, ouvi um discurso único: de enorme revolta dos sportinguistas, de enorme indignação dos próprios repórteres.
Chego a casa e ouço Paulo Bento.
Como é possível rever-me nas afirmações de tantas pessoas?
Afinal de contas, o Benfica ganhou um penalty, ganhou uma expulsão, ganhou um golo ilegal. Não ganhou o jogo. Porque fomos melhores. E se a lei imperasse, eramos nós que tinhamos ganho. E teríamos ganho sem grandes dificuldades.
Amanhã, as capas dos jornais dirão que o Benfica é a melhor equipa do mundo e que a nação benfiquista está eufórica com os seus super-heróis. Porque é isso que vende.
Amanhã, Lucílio Baptista terá um domingo tranquilo e segunda-feira irá trabalhar. Porque arbitrar é a sua segunda profissão. E porque, em Portugal, esta VERGONHA passa toda impune.
Amanhã, não se vai dizer o essencial. Que a taça devia estar em Alvalade. Que o Sporting foi melhor. Mas que não ganhou porque foi roubado.
Acima de tudo, não se vai dizer que quem perdeu nesta noite amena no Algarve foi a verdade.
Talvez para o ano, o Benfica tenha a possibilidade de nos ganhar a sério.

quinta-feira, 19 de março de 2009

O maior de todos os crimes


Numa das minhas primeiras aulas do curso, da cadeira de Introdução ao Estudo do Direito, na altura leccionada pelo professor Germano Marques da Silva, aprendi uma coisa que dificilmente irei esquecer, por ser uma posição na qual me revejo.
Disse o professor, a meio de uma aula teórica, que o problema não são os criminosos que estão em liberdade, mas os inocentes que são presos. Eu vou mais longe. Digo que prender inocentes é o maior de todos os crimes que a Justiça pode cometer.
Um caso desses aconteceu em Inglaterra e um senhor esteve preso durante 27 longos anos. Será que alguém tem noção do que representam 27 anos? Será que alguém tem noção do impacto que estar preso durante 27 anos causa numa pessoa? Independentemente de serem 27, 20, 10, 5 anos ou até 1 dia, uma pessoa, que está inocente e se vê impedida de viver em liberdade, sofrendo, muitas vezes, pressões inqualificáveis no interior da prisão, torna-se diferente.
Também não me esqueço do que disse um conhecido meu. Afirmou que todos devemos passar pela experiênca de estar preso. Nem que seja durante apenas um dia. E uma noite. Para termos noção do que falamos, das opiniões que temos, do sistema penal que construímos.
Por isso, estou fortemente convicto de que o sistema jurídico-penal português, principalmente o direito que está escrito (e não aquele que não se aplica ou que demora a ser aplicado), é um exemplo, do qual nos devemos orgulhar muito. Porque, acima de qualquer outra coisa, no direito, sobretudo o penal, deve estar a intenção de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos.

terça-feira, 17 de março de 2009

Entre o oculto e o que está mesmo à frente dos nossos olhos


Nos quatro anos que passaram, conhecemos muitas coisas, até então ocultas, sobre o nosso Primeiro-Ministro. Desde casas à licenciatura, passando por um outlet. Nada disto ficou esclarecido.
Sempre no seu estilo autoritário e arrogante, o Primeiro-Ministro decidiu dizer que esses casos, estranhos, que o envolvem, eram resultado de forças ocultas, ideia defendida por todos os socialistas (ou não vivesse o PS em clima de pensamento único!). A força oculta, no caso Freeport, chamava-se PSD. Um partido que, de resto, esteve sempre em silêncio sobre esta situação. E que não tem a mais pequena influência numa investigação a decorrer em Inglaterra.
Na semana passada, todos fomos surpreendidos por uma gigantesca manifestação contra as políticas do actual Governo. O caos tomou conta do trânsito da cidade, que assistiu à maior manifestação dos últimos tempos. Eram 200 mil pessoas. E o Primeiro-Ministro, entre o seu jogging matinal e a publicidade ao Magalhães, em Cabo Verde, voltou a ligar esta manifestação com forças ocultas. Porque, segundo o próprio, a manifestação tinha sido organizada pela CGTP, para servir os interesses do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. Repito, eram 200 mil pessoas. Do norte, do sul, do centro. De todo o país. Havia, com certeza, pessoas do Bloco de Esquerda e do PCP, como certamente haveria de todos os outros partidos, pelo que é estranha e limitada esta forma com que o Primeiro-Ministro olha para a realidade. E se não percebe o que vê, diz que é oculto.
No seguimento destas afirmações, Sócrates criticou duramente a CGTP. Porque esta está contra o Governo. Contra um Governo que governa mal. Que não tem nenhuma sensibilidade social. Mas elogiou a UGT, talvez por ser liderada por um socialista. O critério de distinção usado pelo Primeiro-Ministro é claro, mas limitado: o que é do PS e está com o Governo é bom, o que está contra é mau. Porque, para o PS, já só há um lado bom, só há uma verdade que deve ser imposta, só há um lado importante: o do Partido Socialista. O resto ou não presta ou, simplesmente, é campanha negra.
O mesmo discurso é utilizado em relação à comunicação social. Se há um canal que conta a história toda, se há um jornal que quer dizer toda a verdade, é porque se promove uma campanha contra a sua pessoa.
Casas, Freeports e licenturas à parte, ficámos a conhecer o lado de Sócrates que era oculto em 2005.
Mas, acima de qualquer outra coisa, ficámos a saber, passados quatro anos, que José Sócrates definitivamente não serve para governar o país. Porque quando teve essa oportunidade, com uma conjuntura que não poderia ser mais favorável (cooperação institucional do Presidente da República, maioria absoluta confortável, etc.), Portugal piorou em quase todos os indicadores. Perdemos quatro anos. E isso não é mesmo nada oculto. É uma realidade que está à frente dos nossos olhos, que não deixa dúvidas e que só não vê quem não quer.
Já não há dados, nem estatísticas nem nada que valha ao Primeiro-Ministro para que possa continuar durante muito mais tempo a ocultar a realidade aos portugueses.

domingo, 15 de março de 2009

(Pouco) futebol, (algumas) manobras, (demasiada) polícia, (muita) censura


Quando entrei em Alvalade, hoje, não sabia que ambiente se iria viver no estádio e foi com alegria que vi perto de 20 mil pessoas a apoiar a equipa, para que juntos conseguíssemos dar a volta por cima. Eu fui dos que bateram palmas. De pé. De incentivo. Não esquecendo, nunca, o que se passara na terça-feira, em Munique. Nem as afirmações de Miguel Veloso. Nem menos ainda a opção de Paulo em o pôr a jogar, como titular e à esquerda da defesa.
Afinal de contas, não eram só os jogadores, o treinador e os dirigentes do Sporting que precisavam de apoio. Nós, adeptos, feridos no nosso orgulho, também precisávamos de reagir. E reagimos, juntos, excepto uma dezena de rapazes que resolveu puxar a equipa para baixo.
Reagimos com uma vitória.
Mas não nos esqueceremos de uma altura em que estávamos a vencer, a ultrapassar a tragédia do meio da semana, e a jogar contra dez. Atenção, porque esta é uma altura decisiva, em que pode ficar decidido se vamos, ou não vamos, ser campeões, e em que todos os actos públicos dos sportinguistas, perante os responsáveis do clube, devem ser da máxima responsabilidade. Nessa altura, em que o Sporting recuperava do pesadelo, alguns adeptos resolveram, em dois pontos opostos do estádio, levantar faixas de insulto ao próprio Sporting. Refiro-me a uma faixa negra, em que palavras escritas em branco diziam "VASSOURADA". O clima exaltou-se, a polícia apreendeu (julgo eu, indevidamente) duas faixas e o pânico instalou-se no estádio, com muitas mulheres e crianças a terem de fugir das cenas de pancadaria que tomaram conta de uma bancada lateral do estádio.
Foi uma tentativa falhada, uma manobra de desestabilização do Sporting, com um intuíto bem claro: destruír, abrindo caminho a uma alternativa que tem medo de se apresentar publicamente.
Contudo, espero que fique claro que sou da opinião que todos os adeptos, num Estado livre, devem ser livres de dizerem o que quiserem e colocarem as faixas que quiserem, dentro ou fora dos estádios de futebol. Apesar de criticar esta opção, ainda por cima nesta fase.
Apesar de tudo, parece-me que a direcção do Sporting deveria estar já a fazer os contactos necessários para definir a próxima época. A primeira grande opção para treinador deve ser Jorge Jesus, que é o melhor treinador português e é sportinguista. Quanto ao reforço do plantel, há que estar de olho aberto e jogadores como Marquinho, do Vitória de Guimarães, Yazalde, do Rio Ave e Nené, do Nacional, poderiam ser reforços interessantes para a equipa, cuja principal prioridade deve ser a aquisição de dois laterais de valor indiscutível.
E sobre a próxima época, não seria resposável alongar-me muito mais, porque há que dar todo o apoio a quem representa o Sporting.
Uma última nota, para elogiar Fernando Mendes, que, pela conferência de imprensa justificou o porquê de ser o líder da JUVE LEO. E para dar um abraço a Quique Flores, pelo carácter que tem demonstrado e pela atitude de humildade, profissionalismo e solidariedade para com um treinador adversário, que era algo que faltava nos treinadores estrangeiros que comandam as equipas portuguesas. Hoje sou eu que estou solidário com ele.
Independentemente de tudo isso, de hoje a oito, espero estar no Algarve a festejar a conquista da Taça da Liga.

sábado, 14 de março de 2009

PS TV


Continuo a falar sobre este assunto, porque continuo sem o compreender.
António Costa, outra vez, na Quadratura do Círculo, às onze da noite de quinta-feira. Esta semana, assumiu a posição de entrevistado, dando justificações sobre situações ocorridas em Lisboa, autarquia presidida pelo mesmo.
À mesma hora, outra vez, num canal da concorrência, o seu vice, da Câmara, falava também sobre política, não deixando os comentadores dos outros partidos falar. Chegou ao ponto de vermos os comentadores do Bloco de Esquerda e do PSD, pelos poucos minutos que vi do programa, a criticar "os gritos" de Perestrello, Vice-Presidente da Câmara.
Os dois programas acabaram precisamente ao mesmo tempo.
Ontem, sexta-feira, Expresso da Meia-Noite, outra vez na SIC Notícias. Os comentadores? Santos Silva, ministro e militante do PS. Oliveira e Costa, militante do PS. Um histórico apoiante do PS. O irmão do presidente da Câmara de Lisboa, militante e dirigente do PS. Até Nicolau Santos tentou, despercebidamente, defender o executivo socialista. Fora do PS, apenas uma pessoa: Paulo Rangel, líder parlamentar do PSD.
É claro que Santos Silva falou inimterruptamente durante longos minutos. O único convidado, que não era da área do PS, falou não mais de cinco. Santos Silva teve ainda a oportunidade de encerrar o programa. Às onze e trinta e cinco minutos, o irmão de António Costa insiste em falar do governo de Santana Lopes, como tem feito diversas vezes, ocupando os intervalos relembrando esse assunto. Não fosse Santana Lopes, neste momento, adversário do seu irmão...
É lamentável que a Entidade Reguladora se tenha mantido em silêncio até agora, assistindo calada a toda esta promiscuidade.
A cada dia que passa, mais me parece que deixou de haver vergonha. Mas o povo tem estado atento e respondeu à altura, organizando aquela que terá sido uma das maiores manifestações do Portugal democrático. E, no meio disto tudo, Sócrates foi a Cabo Verde disbribuír computadores.
Enfim, mais uma semana que passou.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Males que vêm por bem

Ontem, o Sporting jogava às sete e quarenta e cinco da tarde e, sim, eu já sabia que, em princípio, não iria poder ver o jogo. Tinha trabalho e planeava ir visitar a minha namorada, que foi internada durante a tarde de ontem.
Entretanto, o trabalho acumulou-se e saí já no decorrer da segunda parte do jogo. Senti a vibração do telemóvel sete ou oito vezes. Calculei que eram amigos a gozar com o resultado. Mas não as li, para ver se concluia o trabalho quanto antes.
Quanto o concluí, apanhei um taxi e liguei para a minha namorada, que me informou que as portas para as visitas estavam já fechadas e que já não a iria poder visitar, ontem. Segui, então, para casa.
Quando cheguei, pus a mão nos bolsos: tinha a carteira, o troco do táxi, o tabaco e o isqueiro. Mas não tinha o telemóvel, que, durante a viagem, deu, mais cinco ou seis vezes, o sinal de mensagem. Li uma ou duas por alto e apercebi-me que o Sporting estava a ser esmagado em Munique.
Liguei para o meu número, para as centrais de taxis de Lisboa e para a polícia e ninguém sabia nada do meu telemóvel. Foi, então, que me pus a caminho das Amoreiras, para pedir a segunda via do meu cartão.
Em suma, não fui ver a minha namorada ao hospital, não vi o jogo do meu Sporting e perdi o telemóvel. Em princípio, estas três notícias seriam péssimas. Mas não. Com isso, não vi a maior desgraça do meu clube desde que nasci e fiquei poupado de ler as várias mensagens que dezenas de amigos me enviaram a gozar com a exibição do meu clube. Afinal de contas, há sempre males que vêm por bem.

domingo, 8 de março de 2009

Matosinhos, 7 de Março de 2009


O FC Porto venceu tranquilamente um jogo que se antevia difícil diante o Leixões.
Voltou a ter mais um penalty porque um defesa do Leixões tocou propositadamente com a mão na bola.
O segundo golo resulta de uma entrega de outro defesa leixonense a um jogador do Porto. Depois, este, isolado, chutou a bola e o guarda-redes Beto, potencial reforço do FC Porto, pelas imagens que vi parece que deixou a bola entrar.
Estava 2-0, o jogo mais ou menos resolvido e não preciso dizer mais nada, porque tanto no terceiro como no quarto golo do Porto não vimos o tal super Beto de todos os outros jogos da Liga, porque ficou sempre parado a "vê-las passar". Ou talvez seja de deixar ainda uma última nota para lembrar o golo do Leixões em que, inacreditavelmente, o guarda-redes Helton largou a bola para que um jogador do Leixões não tivesse dificuldade em fazer o golo de honra.
Começa a perceber-se a política de contratações dos dragões. Cissokho assinou pelo Porto no jogo seguinte ao que a sua equipa jogou no Dragão. Miguel Lopes jogou contra o FC Porto quando já estava ligado contratualmente com os azuis e brancos. Varela, do Estrela, também já assinou pelo Porto. Beto parece também estar cada vez mais próximo de dar o salto.
Isto, já para não falar dos jogadores emprestados.
Enquanto para uns faltam nove jogos, para outros talvez faltem apenas nove jogadores para contratar...

sábado, 7 de março de 2009

Os meus óculos de sol


É verdade que são fait-divers. Mas na verdade para que servem os óculos de sol?
Os óculos servem, como todos sabem, para auxiliar a vista, para nos permitir ver ao perto ou ao longe quando a nossa visão não permita ver com verdade mesmo aquilo que está à frente dos nossos olhos. Não é bem verdade que só não vê quem não quer. Há muitas vezes em que não se vê porque não se pode.
A luz solar é, várias vezes, responsável por encadear a vista. Quanto mais forte e visível se torna e se coloca mesmo à frente do nosso raio de visão, não nos permite ver muitas coisas, sendo até uma das causas para vários desastres.
A combinação de óculos e a luz solar deu origem a que, na Alemanha em meados do século XIII, surgisse o primeiro par de óculos de sol.
Fiz uma pesquisa rápida sobre óculos de Sol e percebi que esse acessório é, inclusivamente, benéfico para a saúde, na medida em que bloqueiam os raios UVA e UVB, que podem atingir os olhos favorecendo o surgimento de catarata e de diversas lesões ou doenças oculares, além de que protegem os olhos contra o envelhecimento prematuro.
Na verdade, eu até achei alguma graça aos óculos de Sol de Manuela Ferreira Leite. Se outras vezes se utilizou a ironia, desta feita recorreu-se a uma metáfora, ou seja, a uma verdade em sentido figurado. Porque não há nada melhor para nos permitir ver a realidade, por muito que ela nos encadeie a vista.
E pelo sim pelo não, eu, a partir de agora, também vou ter sempre à mão os meus óculos de Sol.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Quinta-feira, à noite...

...Marcos Perestrelo, Vice-Presidente da Câmara de Lisboa, em directo no canal público de televisão.
Num canal de notícias, da concorrência, fala o Presidente dessa mesma Câmara. Tudo acontece exactamente à mesma hora.
Poderia concluir:
1) Que não há trabalho na Câmara, pelo que Presidente e Vice-Presidente podem ter um part-time como "comentadores" políticos na televisão;
2) Que há pessoas que não têm vergonha na cara, que já não há regras éticas na democracia, que existe clara colaboração de certos e determinados canais de televisão;
3) Que como não se pode resolver os problemas de Lisboa fora de casa dos lisboetas, existe uma intenção clara de tudo fazer para se entrar em casa dos munícipes, com o único objectivo de se fazer campanha eleitoral.
Mas, desta vez, não vou concluir nada. O silêncio também diz muita coisa. E não há nada melhor do que dar a oportunidade aos leitores, para que cada um vá tirando as suas próprias conclusões.

terça-feira, 3 de março de 2009

Imagens de Lisboa - frente ribeirinha

A dupla Costa-Sá Fernandes tem falado muito sobre a frente ribeirinha.
Falam, falam, falam.
Eu gosto muito de ir para lá passear com o meu cão, porque ali há poucas pessoas, há poucas crianças e posso soltá-lo para correr. É um dos poucos sítios onde o posso fazer.
E, enquanto essa dupla fala, a frente ribeirinha está assim:

segunda-feira, 2 de março de 2009

LISBOA vai GANHAR!

Tenho falado com muitas amigas e amigos, com os seus pais e familiares. Tenho contactado alguns conhecidos e ouvido algumas palavras de desconhecidos com quem me cruzo nas ruas.
O que ouço é que a cidade vai voltar a ter esperança, vai voltar a ter alegria, vai voltar a ter vida, vai voltar a ser feliz.
A conclusão que tiro é que a vitória de Pedro Santana Lopes vai ser, acima de qualquer outra coisa, uma enorme vitória para a cidade de Lisboa. A sua derrota não seria vitória de ninguém. Pelo menos para ninguém daqueles que ama a cidade, que vive, trabalha ou passa por ela.
Lisboa vai ganhar em 2009! Com Pedro Santana Lopes!

www.pedrosantanalopes.net

domingo, 1 de março de 2009

Big Show Sócrates


Em tempos de crise, foram muitas as bandeiras, os enormes cartazes e até houve direito a um gigantesco ecrã.
Muita propaganda, muitas promessas, muito marketing.
Que alternou entre o verde, o encarnado e o azul.
Porque, pensando unicamente em vencer eleições, o PS não se importa de ser o partido de todas as cores.
Até houve lugar a filmes e a afinadas cantorias.
Sobre o desemprego: ZERO.
Sobre a insegurança: ZERO.
Sobre a Justiça, excepto a campanha negra: ZERO.
Sobre as propostas da oposição, nomeadamente o pacote de medidas de combate à crise do PSD: ZERO.
Sobre a resposta à crise: ZERO.
Sobre outras áreas fundamentais: ZERO.
Sócrates foi o one man show, a vítima de tudo e de todos.
Atrás, um cartaz a dizer que o PS é o "Grande Partido da Esquerda Democrática".
Da esquerda, lembraram-se agora.
De democrático, (quando se diz que a JSD não deve ter independência e que não pode colocar, por sua iniciativa, as suas ideias, quando se critica violentamente aquela que é a liberdade de expressão e de imprensa, quando existe um pensamento único, quando existe o culto do chefe, quando se faz muita propaganda, quando se tenta vender aos portugueses que a oposição não apresenta alternativas quando, dias antes, a líder do principal partido da oposição apresentou um pacote de medidas para combater a crise, etc.) o próprio Congresso disse tudo.
Foi um Congresso de retórica, de truques, de artimanhas e de demagogia.
Falou-se pouco do país real e demais sobre o país cor de rosa. Ora, os portugueses vivem no primeiro.
E, se ainda alguém pensava que havia, nos socialistas, uma luz, até essa se apagou ontem à noite.
Para quem esperava ouvir debates úteis, para quem contava ver discutidos alguns temas importantes, este Congresso foi um vazio de ideias. Grande só mesmo o espectáculo.

Um jogo de Homens


Os jogos entre FC Porto e Sporting têm sido, nos últimos anos, os confrontos directos entre as duas melhores equipas portuguesas. Talvez por esse motivo, os resultados têm sido sempre imprevisíveis, repartindo-se as vitórias pelos dois emblemas.
Esta temporada, o Sporting jogou cinco vezes contra o FC Porto: ganhámos duas (2-0, Supertaça e 4-1 na Taça da Liga), perdemos outras duas (0-2, Liga, 0-0 com derrota nas grandes penalidades no jogo da Taça) e ontem empatámos.
Por estranho que pareça, é deste tipo de jogos que gosto de ver, entre o Sporting e uma grande equipa, por isso só posso estar satisfeito pelo facto de termos tido a sorte de defrontar o tri-campeão nacional por cinco vezes numa só temporada.
Ontem, foi mais um jogo equilibrado, de luta intensa pela posse da bola, com a agressividade que se exige a equipas que querem ganhar jogos e campeonatos. Foi diferente de qualquer outro jogo da Liga, porque foi um jogo de Homens, com H grande, sem medos, de combate em todos os lances.
Não houve jogadores no chão durante quatro minutos para ver se o tempo passava e se asseguravam o resultado, como noutro jogo desta jornada. Foi um jogo difícil para João Ferreira que, no meu entender, arbitrou de forma positiva, tentando aumentar o tempo útil de jogo, sem querer prejudicar qualquer das equipas, deixando, às vezes, por assinalar algumas, ou poucas, faltas e por mostrar alguns, ou poucos, cartões. Na dúvida, não quis ser protagonista, deixando esse papel aos jogadores, que deixaram tudo em campo.
O empate tem de ser positivo para o Sporting, dado que estiveram muitos jogadores ausentes: Rui Patrício, Veloso, Vukcevic, Postiga e, depois, Grimi. Para o FC Porto, o empate permite-lhe manter-se em primeiro lugar.
O término do jogo chegou rapidamente e é com alguma tristeza que, já em Março, podemos ter a certeza que não vai haver mais nenhum jogo entre Sporting e Porto.
Ficou mais uma vez claro, dentro das quatro linhas, que, neste momento, a luta pelo título será, este ano, entre Sporting, FC Porto, Braga e, talvez, também o Leixões. Qualquer outra equipa, este ano, não tem, do meu ponto de vista, a mais pequena hipótese.