terça-feira, 30 de março de 2010

Dos homens livres


Acho curiosa a tentativa feita com frequência de dividir o PSD em grupos, em facções.
Há os barões e as bases.
Há os conservadores e os liberais.
Há os populistas e os elitistas.
Há os da direita, os do centro e os de centro-esquerda.
Há os barrosistas, os cavaquistas, os menezistas, os santanistas, os mendistas, os passos-coelhistas.
Há os do Norte, os do Centro, os do Sul, os dos Açores e os da Madeira.
É curioso porque, nestes primeiros anos de militância, ainda não me apercebi da existência de nenhum desses grupos, de nenhuma dessas facções.
Creio até que nenhum desses grupos existe.
O que posso dizer que existe no PSD é um grupo de homens e mulheres livres, que se batem por causas, valores e ideais e que se movem em função de convicções.
Esse é um grupo que existe. Essa é uma "facção" que conheço. Porque é a ela que pertenço. E é a ela a que sempre permanecerei fiel.

Pedofilia na Igreja


Sempre estudei em escolas e colégios católicos.
Aliás, ainda hoje, que frequento o curso de Direito, faço-o na Universidade Católica Portuguesa.
É sobretudo pela educação que tive, pela educação que tenho, que me sinto especialmente triste nesta Semana Santa, com as sucessivas notícias que apontam para casos de pedofilia na Igreja, ocultados por motivos de imagem.
A pedofilia é um dos piores crimes, senão o pior.
Se a prática desse crime só responsabiliza quem o pratica, o mesmo não se pode dizer sobre o modo como a Igreja quis ocultar essa realidade. Ainda para mais, por motivos de imagem.
Numa altura delicada, como aquela em que vivemos, não só em Portugal, mas em todo o Mundo, em que a sociedade global vive uma enorme crise de valores, era fundamental que a Igreja permanecesse como um pilar, como o grande exemplo de bons comportamentos.
Independentemente das crenças individuais, quase todos reconhecemos, na Igreja, um instrumento muito forte para a preservação de alguns valores fundamentais.
Mas o que aconteceu não pode ser tabu, só porque toca no que deve ser intocável.
O que aconteceu afasta os crentes e, pior do que isso, retira à Igreja a imagem exemplar que esta deveria ter.
Numa semana de Esperança e Sacrifício, espera-se que a Igreja não fuja às suas responsabilidades, que faça o sacrifício de apurar o que deve ser apurado, de fazer o que deve ser feito, para que aqueles que nela acreditam possam recuperar a esperança no caminho do Bem e da Verdade.
Porque esse é o caminho que seguimos todos. Esse é o caminho da vida. Ao qual a imagem não se pode nunca sobrepor.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O regresso do incrível


A sete jornadas do fim do campeonato e com o título decidido, eis que os amantes do futebol em Portugal podem finalmente ver e apreciar o talento daquele que será, porventura, o mais espectacular jogador a actuar na liga portuguesa.
Admiro o Hulk como todos os outros bons jogadores de futebol.
A isso muito se deve o facto de Hulk ter conseguido ser ele e mais onze num jogo em Alvalade, em que o FC Porto conseguiu vencer sem margem para dúvidas. Este ano, para bem do Sporting, a ausência do Hulk em Alvalade foi uma pequena ajuda para que a vitória leonina tivesse sido esclarecedora.
Notava-se, porém, que faltava qualquer coisa dentro do campo. E isso, para quem gosta de bom futebol, é sempre muito negativo.
Ora, o incrível Hulk está de volta. Com um grande golo e duas assistências...que deviam ter sido três. Porque o quarto golo do FC Porto foi mal invalidado.
Com o título entregue ao Benfica, o futebol português começa a voltar à normalidade. Já só falta o regresso de Vandinho, essencial na estratégia do Sporting de Braga, para que os amantes do futebol em Portugal possam ver todas as equipas na sua plenitude.
Já faltou mais.

sábado, 27 de março de 2010

Campeonato do Túnel


Um árbitro não pode validar um golo que seja marcado por um jogador dentro da pequena área, quando existe contacto entre o guarda-redes e o jogador adversário. Paulo Paraty, contudo, validou um golo marcado nessas circunstâncias. Fê-lo contra a lei. O campeão teria sido outro, se aquele golo não tivesse sido validado.

Um árbitro não pode marcar um penalty quando a bola bate no peito de um jogador, menos ainda quando é fora da área. Contudo, Lucílio Baptista expulsou o jogador cujo peito tinha tocado na bola e assinalou penalty. Do penalty nasceu o golo do empate, a pouco mais de dez minutos do fim do jogo. Porque se jogava a final de uma Taça da Liga, o vencedor dessa competição teria sido outro, se o penalty não tivesse sido inventado.

Aqui estão dois exemplos de lances que alteraram o vencedor de competições nacionais nos últimos minutos de jogos decisivos. Foram erros inacreditáveis dos árbitros, contra as normas e todos os princípios aplicáveis naquelas circunstâncias.

Mas um árbitro erra. Apesar de manifestamente não ter acontecido nestas duas hipóteses, poderia ter acontecido que o árbitro tivesse sido induzido em erro e ter julgado mal pela dificuldade que é decidir num espaço de muito poucos segundos. Ou poderia ter acontecido que o árbitro tivesse tido um ataque de cegueira ou uma ilusão de óptica.

Muito pior do que isso é um juiz enquadrar um facto num tipo em que o facto não é sequer susceptível de ser enquadrado, com violação clara de dois princípios fundamentais e elementares.

Foi isso que aconteceu relativamente aos processos disciplinares aos atletas do Futebol Clube do Porto, Huk e Sapunaru.

Aliás, eu próprio alertei para essa situação, tanto em comentários que fiz noutros blogues como num artigo que aqui publiquei.

Para lá remeto, no que diz respeito à interpretação do que é um interveniente do jogo. Um assistente de recinto desportivo não é interveniente do jogo. Não é, ponto final. E não há interpretação, jurídica ou não, que possa levar a entendimento diferente.

Aplicou-se, assim, uma norma diferente da que se deveria ter aplicado.

O que aconteceu equipara-se com o caso em que António agride o barbeiro Bento e a sentença aplica o atentado ao Presidente da República em vez do regime geral do crime de ofensa à integridade física simples.

Julgará o leitor que esta comparação é absurda. Ficará o leitor a saber que, tendo em conta a proporcionalidade das sanções, é maior o erro da CD da Liga do que o que aconteceria neste exemplo que dei.

Foi um erro grosseiro, a que ainda se junta o desrespeito pelo princípio “in dubio pro reu” que nos diz que, em caso de dúvida, se deve aplicar o que for mais favorável para o réu.

Como consequência deste erro grosseiro e do desrespeito pelo princípio “in dubio pro reu”, verificou-se uma violação clara de um outro princípio fundamental: o princípio a imparcialidade.

Compreendo que, em razão da paixão clubística, muitas vezes defendamos os interesses dos nossos clubes. Isso acontece comigo, que sou sócio do Sporting. Pode acontecer com todos os adeptos. E com aqueles que contratualmente se obrigam a defender os interesses dos clubes. Mas um juiz não pode ser azul, verde, encarnado, preto, branco ou amarelo. Tem de ser cinzento, porque essa é a cor do Direito, e deve agir, no exercício das suas funções, com a máxima imparcialidade.

Neste caso, isso não aconteceu. E, tratando-se de um juiz, não podemos recorrer às justificações que visam encobrir os erros de árbitros parciais.

Falo de juiz porque, na verdade, o Presidente da Comissão Disciplinar da Liga exerce essas funções. E a Comissão Disciplinar da Liga pode ser considerada como um tribunal desportivo de primeira instância.

Consequências desta sanção e medidas preventivas? O FC Porto, que gastou dinheiro com a contratação do atleta, ao qual não deixou de pagar os salários a tempo e horas, viu-se obrigado a competir com desigualdade em relação a todos os outros clubes da Liga Sagres, da Taça de Portugal e da Taça da Liga e não pôde contar com aquele que será, porventura, o seu melhor jogador em plenas condições físicas na Liga dos Campeões.

Não sabemos se, com Hulk, o FC Porto seria campeão nacional e venceria a Taça da Liga. Do mesmo modo que não sabemos se, com Hulk a cem por cento, o FC Porto poderia ter feito algo mais na Liga dos Campeões.

No momento do castigo, falava-se que Hulk poderia ser chamado por Dunga para ir ao Mundial da África do Sul. Não sabemos se Hulk iria mesmo ao Mundial da África do Sul, onde se poderia valorizar e trazer um significativo encaixe financeiro ao FC Porto.

E essas dúvidas persistirão para sempre.

Com esta decisão da Comissão Disciplina da Liga, o FC Porto foi manifestamente prejudicado, desportiva e financeiramente. E, tendo em conta o recurso, não compreendemos por que razão foi aplicada medida preventiva diferente entre as agressões de Hulk a um steward e de Javi Garcia a um companheiro de profissão em pleno relvado do Estádio da Luz.

Este é o campeonato do túnel. Do Túnel da Luz.

E é assim que vai ser recordado até haver memória.

Provavelmente, quando formos velhinhos só nos lembraremos do Túnel. E iremos esquecer algumas agressões, algumas grandes penalidades, variadíssimas expulsões e ainda mais simulações.

Curioso, que acaba quase tudo em “ões”. Um campeonato assim só pode ser ganho por “lampiões”.

Há outra coisa de que talvez não nos iremos esquecer com facilidade: a afirmação do Presidente da Comissão de Arbitragem da Liga de que os árbitros, neste campeonato, foram parciais.

Foram.

Até o jogo do título, entre Benfica e Braga, será arbitrado por um sócio do clube da casa. E a casa é o Estádio do Benfica, o Estádio da Luz, o Estádio do túnel.

Vai tudo parar aí.

É que há, e tem havido, sempre uma Luz ao fundo do túnel…

Mudar.

Entre outras coisas, o Sporting precisa de mudar de treinador.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Eu voto no Paulo Rangel


Vou votar no Paulo Rangel na próxima sexta-feira por três razões básicas: sou jovem social-democrata, sou militante do PSD e sou cidadão português.

Se voto em Paulo Rangel, não o faço por exclusão de partes. Votaria sempre nele, independentemente de quem fossem os outros candidatos, porque considero que é, entre todos os que militam no Partido Social Democrata, aquele que está em melhores condições para derrotar José Sócrates e liderar um Governo capaz de libertar o futuro de Portugal e dos portugueses.

Sou um jovem social-democrata. E, como tal, vários são os factores que me levam a votar Paulo Rangel, que vão muito mais além do facto de ser o candidato mais jovem ou de manter uma relação estreita com a JSD. De resto, essa relação estreita terá mesmo sido fundamental para a confortável vitória nas Eleições Europeias.

Paulo Rangel não se limita a deixar umas ideias perigosamente avulsas nem a dizer muito vagamente que quer liderar uma alternativa "não socialista" aos socialistas. Pelo contrário. Tem um um projecto denso, integrado, credível, coerente e mobilizador para o país.

Por exemplo, Rangel tem uma visão muito clara sobre uma reforma necessária na Educação, no sentido de fundar, em Portugal, uma sociedade do conhecimento e da inovação, incutindo uma cultura de autoridade, rigor e disciplina nas escolas, que passarão a assumir um ensino focado na mobilidade social.

Além da aposta estratégica na escola e num novo modelo educativo, centrados no aluno(e não noutros agentes educativos), Rangel vê também na formação profissional, ensino superior e investigação científica, recursos que Portugal terá de melhor aproveitar para a modernização do país, tornando-o mais competitivo, numa linha de plena integração e convergência com a União Europeia.

Assume, ainda, as energias, o ambiente e o combate às alterações climáticas, questões que preocupam as gerações mais novas, como suas grandes bandeiras.

Mas além de ser jovem e de, por isso mesmo, ter uma preocupação naturalmente acrescida com a educação, a formação profissional e o emprego, sou um cidadão português preocupado com as assimetrias regionais, com a desertificação do interior, com o empobrecimento das classes mais baixas, com o agravamento das más condições de vida, com o endividamento do país, com o sufoco da classe média, com a "extinção" da agricultura, com o estado actual da Justiça,...

Ora, também para responder a essas preocupações, claramente definidas na sua Moção de Estratégia, Rangel é o homem certo. Tem uma visão global, muito concreta e acertada com as necessidades e desafios que se colocam agora a quem vier a ser Primeiro-Ministro.

Um exemplo desses referidos desafios passa necessariamente pela Justiça. Como princípios orientadores e sumários, Rangel traça a garantia de maior independência da Justiça e a recredibilização da mesma como meios fundamentais para que os cidadãos nela possam confiar. Outro ponto, que sublinho na sua Moção de Estratégia, é a necessidade de se legislar no sentido de dar maior celeridade aos processos judiciais.

Outro sector em que visa apostar é o da agricultura, tido como estratégico para o combate à desertificação do interior, para a promoção da qualidade de vida em regiões rurais e não apenas nos grandes centros urbanos. Nesse sentido, a aposta estratégica na agricultura ganha contornos de justiça social, até porque, para Rangel, aos agricultores é reconhecida uma função social de grande relevância, na medida em que "ocupam e cuidam de um território em risco de desertificação", cuidam do ambiente e das próprias tradições locais, criam postos de trabalho e, assim sendo, promovem a qualidade de vida das pessoas.

Além de tudo isso, Paulo Rangel tem conhecimento no terreno, que permitirá, por exemplo, uma melhor aplicação dos fundos comunitários, nomeadamente para a agricultura, fundos esses que vêm sendo muitíssimo desperdiçados no passado recente.

Como princípios orientadores de um ponto de vista económico e social, Rangel quer um Governo que promova uma maior mobilidade social e fomente uma classe média forte.

É, sobretudo, neste ponto que se assume como grande prioridade a libertação do peso de uma dívida que compromete as futuras gerações, mais ainda do que já compromete as actuais. Rangel manteve sempre uma posição clara e coerente no que respeita, por exemplo, às novas obras públicas megalómanas, que o país não tem como pagar, e que terão que ser, por esse motivo, reavaliadas.

Libertar o futuro começa aí. A ruptura também. Ruptura com as desastrosas governações socialistas. Ruptura que terá de envolver uma maior transparência e de acabar, de uma vez por todas, com a promiscuidade existente entre os poderes, pondo fim a esta enorme confusão entre o interesse público, o interesse partidário e os interesses privados, legítimos ou não.

Rangel tem um projecto claro, denso, estruturado, concreto, mobilizador.

Mas todo este projecto não seria possível, se não fosse viável de um ponto de vista eleitoral. Ora, Paulo Rangel, além do projecto, tem a chama, a dinâmica, a fibra, o carisma e tudo o mais que pode fazer com que o PSD, novamente, volte a ganhar eleições. Rangel garante o que nenhum outro pode garantir: tem capacidade para unir e mobilizar o partido, tem a força capaz de trazer alguns socialistas reformistas desiludidos com o PS, tem a capacidade para atraír algum eleitorado não-fixo, tanto do centro como, sobretudo, da área do CDS/PP.

Assim sendo, Paulo Rangel tem todas as condições para ganhar as eleições legislativas. Mais do que isso, tem, mais do que qualquer outro, argumentos para pedir fundamentadamente uma maioria absoluta aos portugueses.

Em suma, Paulo Rangel reúne as condições para cumprir o sonho do nosso Fundador, Francisco Sá Carneiro.

"Uma maioria, um Governo, um Presidente".

Esta é uma oportunidade única de realizar Sá Carneiro.

Votando Paulo Rangel, votamos em alguém que tem capacidade para liderar um governo reformista, em alguém capaz de puxar pela sociedade civil, de superar as adversidades actuais e de garantir a estabilidade política em Portugal por muitos e bons anos.

Eu voto no Paulo Rangel. Pelo PSD. E por Portugal.

terça-feira, 23 de março de 2010

Manuela Ferreira Leite


O grande político é aquele que antecipa cenários, é aquele que consegue prevenir o país de grandes estragos, é aquele que propõe medidas quando elas devem ser propostas.
O grande político é aquele que fala claro, que fala verdade e sem demagogia.
O grande político é aquele que é capaz de recredibilizar o que, até então, não era credível.
O grande político é rigoroso, não promete o que não pode cumprir.
O grande político põe os interesses nacionais à frente dos seus próprios e sempre legítimos interesses.
Muitas vezes, os cidadãos não gostam de ouvir verdades indesejadas. Optam impulsivamente por promessas impossíveis.
É por esse motivo que, muitas vezes, o grande político não ganha eleições.
Mas o tempo dá-lhe sempre razão.
Foi um privilégio enorme ter como Presidente do meu Partido, nos meus primeiros anos enquanto militante, uma pessoa que é uma grande política e uma grande mulher.

sábado, 20 de março de 2010

O homem em quem confio para libertar o futuro


"(...)em 2009 foram visíveis alguns sinais de esperança, assim como assistimos a algumas surpresas e revelações. Para mim, a personalidade que mais sobressaiu em 2009 foi, sem qualquer dúvida, Paulo Rangel. Que começou o ano como líder parlamentar, função que desempenhou de forma exemplar, que foi escolhido (contra a vontade de muitos) para encabeçar a lista do PSD às eleições europeias, eleições que venceu com cinco meritórios pontos de avanço.
Pela sua frontalidade, pela sua dinâmica, pelo seu espírito de trabalho, pela sua competência, pelo seu carisma e pela força das suas convicções, Paulo Rangel acaba o ano forçado a dizer que não quer ser candidato à liderança do PSD. Pessoalmente, gostaria muito que se candidatasse à liderança do Partido, porque não tenho dúvidas de que é o homem certo para retirar o país do pântano onde nos deixaram os socialistas e apontar um caminho novo.
Se vier a ser líder do PSD, será, creio e desejo eu, Primeiro-Ministro. Contra si apenas tem o facto de ser um Homem Bom, que precisa de uma grande equipa atrás de si para não ser assassinado politicamente como foram os poucos homens e mulheres de bem que passaram pela vida política portuguesa.
Paulo Rangel conseguiu, em 365 dias, passar de surpresa a revelação, de revelação a confirmação e isso deixa-nos um pouco mais esperançados em relação ao futuro do PSD e do País."


Escrevi isto a 30 de Dezembro de 2009, num balanço que fiz sobre esse ano. Escrevi-o, portanto, muito antes de se saber que seria candidato. Achei oportuno recorrer ao arquivo, porque hoje tenho a mesmíssima opinião: Paulo Rangel é o homem certo para liderar uma força de mudança em Portugal, de ruptura com as desastrosas governações socialistas, para libertar o futuro de Portugal e (sobretudo) dos (jovens) portugueses.

São Sete Voltas



Faria muito mais sentido um hino português. E sem sotaque. Para a selecção de todos nós.

A rolha socialista

Se não podemos dizer que existe, neste momento, um ambiente explosivo no país, o mesmo não se pode dizer sobre o clima que se vive dentro do Partido Socialista.
A saca-rolhas, jornalistas e fotógrafos, que cumprem a função pela qual recebem o ordenado ao fim do mês, vão-nos informando da existência desse clima.
No que respeita ao PEC, conhecemos as posições dos vários militantes do PSD, porque, neste partido, o debate político é feito de forma transparente.
O mesmo não acontece no Partido Socialista. Sabemos que existem divisões sobre esta questão, tanto no partido como no Governo. Mas ninguém fala.
Se isto não é a aplicação na prática de uma lei da rolha socialista, então digam-me o que é.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Neste partido não há rolhas



Com o objectivo de encobrir algumas mentiras que podem levar à queda do actual Governo, voltaram as agências de comunicação. E enquanto o país discute uma norma completamente secundária, que resulta de alteração feita aos Estatutos do PSD, aqueles que querem que tudo continue como está vão ganhando tempo.

A esmagadora maioria das pessoas, dentro do PSD, move-se por convicções. Quando discutimos internamente, na maioria das vezes, discutimos ideias e projectos. Discordamos muitas vezes uns dos outros. Mas, se o fazemos, fazemo-lo na convicção firme de que defendemos o melhor para o Partido e o país.

Há gente medíocre no PSD, como em todo o lado. Que, em vez de discutir ideias, discute nomes de pessoas. Que persegue, que difama, que injuria e que não sabe que, agindo dessa forma, está a ter um comportamento criminoso.

Mas nós, no PSD, não somos inimigos uns dos outros, nem queremos expulsar-nos uns aos outros, como sugere o Partido Socialista e as agências de comunicação “situacionistas”.

Como em todos os partidos, muita gente também já saiu do PSD. Fê-lo segundo as suas ideias e pelo seu próprio pé. E, ao contrário do que acontece noutros partidos portugueses, nunca ninguém foi empurrado para fora ou, como já foi Manuel Alegre, convidado a sair.

Apenas foram expulsos, segundo o que sei, aqueles que se candidataram contra as listas do partido. E essa expulsão justifica-se pela incompatibilidade de interesses.

O PSD é um partido livre, onde não há tabus nem dogmas que levem a que as pessoas tenham obrigatoriamente de concordar com aquela que é a posição oficial do partido. Em todas as questões, incluindo as mais fracturantes, é conferida aos militantes a possibilidade de pensar, falar e decidir de acordo com a sua consciência.

No PSD não tem havido, nem deve haver, disciplina de voto. Cada um deve agir de acordo com a sua firme convicção do que é melhor para o partido, do que é melhor para o país.

A maioria dos militantes deste grande partido não pertence nem se revê em qualquer grupo ou seita organizada que vise apenas a satisfação de interesses pessoais e económicos.

Somos um grande partido, transversal na sociedade portuguesa. Por sermos tão grandes, por representarmos tanta gente, muitas vezes divergimos uns dos outros. Mas sempre soubemos unir-nos quando o país mais precisou e chamou por nós.

Divergir é diferente de odiar. E ter uma opinião própria em nada se assemelha com a intenção de queremos expulsar quem pensa e decida de forma diferente.

Jamais passaria pela cabeça de um social-democrata militante a ideia de querer expulsar outro social-democrata militante, a menos que exista uma manifesta incompatibilidade. No PSD, sempre foi assim. Sempre assim será. Porque o que nos move a todos é algo maior do que qualquer um de nós, muito maior do que nós todos juntos: o interesse nacional.

E, nesse sentido, todos somos poucos. Viva o PSD.

A nobreza das coisas...


...encontra-se nos pormenores.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ouçam esta música


João Só e Abandonados - A Marte


(Boa música. Boas canções. É o que se continua a fazer em Portugal. Não é preciso ir a Marte. Mais uma? Mais uma? Mais uma? Cliquem aqui.)

Aparte



Os Gato Fedorento já tinham avançado vários nomes pelos quais o nosso Primeiro-Ministro é conhecido nas ruas.
Desde Sócras a Socrátes, de Sócrates a Socas.
Antes disso, muita gente dava, ao Primeiro-Ministro, a alcunha de Pinóquio ou Pinócrates.
Eis que surge uma nova alcunha: José Trocas-te. (Está bem vista!)
Ora, este conjunto de nomes impõe uma questão, de resposta difícil.
Qual será, então, a alcunha que mais se ajusta à realidade?

Sobre Simão Sabrosa


"Formámos o jogador, não formámos o homem." (Manolo Vidal)


Incoerência



Passos Coelho discorda da alteração estatutária, rotulada, por partes interessadas em tirar proveito dela, de "lei da rolha".
Passos Coelho quer revogá-la no próximo Congresso.
Se está contra, se a quer revogar, se tinha direito ao voto,
por que razão se absteve?

terça-feira, 16 de março de 2010

Telhados de vidro


Leia-se o Artigo 94.º dos Estatutos do Partido Socialista.

Artigo 94º
(Das sanções disciplinares)

1. Os membros do Partido estão sujeitos à disciplina partidária, podendo ser-lhes aplicadas as seguintes sanções:
a. Advertência;
b. Censura;
c. Suspensão até um ano;
d. Expulsão.

2. Três advertências equivalem automaticamente a uma pena de suspensão de três meses.

3. A Comissão Nacional de Jurisdição pode converter em pena de expulsão a terceira ou subsequentes penas de suspensão, para o que o processo lhe é obrigatoriamente remetido com os necessários elementos de instrução.

4. Fora do caso previsto no número anterior, a pena de expulsão só pode ser aplicada por falta grave, nomeadamente o desrespeito aos princípios programáticos e à linha política do Partido, a inobservância dos Estatutos e Regulamentos e das decisões dos seus órgãos, a violação de compromissos assumidos e em geral a conduta que acarrete sério prejuízo ao prestígio e ao bom nome do Partido.

5. Considera-se igualmente falta grave a que consiste em integrar ou apoiar expressamente listas contrárias à orientação definida pelos órgãos competentes do Partido, inclusivé nos actos eleitorais em que o PS não se faça representar.


Quem tem telhados de vidro...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Também sobre o Congresso

Os ex-líderes falaram do país.
Rangel e Aguiar Branco também falaram.
A actual líder idem.
Castanheira Barros disse que Portugal não vive nenhuma crise.
Mas também conta. E também entra no grupo dos que fizeram duras críticas ao Primeiro-Ministro e ao Governo socialista.
Passos Coelho, com os mesmos truques socratistas, falou...dele próprio.
Fugazmente ainda se referiu excepcionalmente à Madeira. Para não deixar dúvidas: tem o mesmo egocentrismo de Sócrates e revê-se, como nenhum outro no PSD, em algumas opções estratégicas do Governo Socialista.

Confusão no PSD


Sim, fez-me confusão.
Ver um ex-Presidente do PSD apoiar Passos Coelho no Congresso. Desde logo, fez-me confusão ver esse ex-Presidente no Congresso. Porque tinha dito que o Congresso só seria positivo para hotéis e cafés de uma cidade do país.
Sim, também me fez confusão.
Ver uma ex-Presidente da Distrital de Lisboa do PSD apoiar Passos Coelho. Até porque se sentou na mesma fila do ex-Presidente do PSD, sobre o qual tinha dito publicamente que, se esse senhor vencesse as directas (na altura, contra Marques Mendes), iria causar "a debandada das elites" do PSD.
Mas fiquei ainda mais confuso quando, depois de, no passado, ter sugerido que iria entregar o cartão de militante, vi Paula Teixeira da Cruz ouvir Menezes a dizer que jamais entregaria o seu cartão de militante do partido numa fila onde essa afirmação foi aplaudida efusivamente.
Conclusão? Há muita gente confusa no PSD.

domingo, 14 de março de 2010

XXXII Congresso


Uma das mais de duas mil e quinhentas assinaturas para a realização do Congresso extraordinário que hoje terminou foi a minha.
Mais do que em quaisquer outros dias, os dias de ontem e de hoje justificaram esse meu acto.
Mesmo no decorrer de uma disputada campanha para eleição de um novo líder, o PSD, depois deste fim-de-semana, é um partido mais forte.
Essa força, sentida pelos militantes, traduz-se numa maior confiança dos cidadãos em relação ao nosso Partido. E, se assim é, muito devem os militantes e os cidadãos a Pedro Santana Lopes.

À conquista de Madrid


A 11 de Março de 2010, Madrid cheirou a Lisboa e, nunca tanto quanto naquele dia, jamais tinha sido uma cidade tão verde.
Mesmo sem contar com Paulo Futre, Madrid deparou-se no passado dia 11 com uma invasão de 5 mil portugueses. Pretos, brancos, amarelos, ciganos, estudantes, doutores, professores, funcionários públicos, patrões e trabalhadores, advogados, médicos, taxistas, arquitectos e ex-jogadores de futebol, pessoas do Alentejo, do Algarve, de Braga, das ilhas, do Porto, de todo o país, emigrantes portugueses vindos de vários países da Europa, gente desde a extrema esquerda à extrema direita, todos de verde num dos mais memoráveis dias de convívio sportinguista.
Madrid foi invadida por portugueses, por portugueses do Sporting. Numa invasão que aconteceu, num primeiro momento, em plena Plaza Mayor, local onde turistas estupefactos, pela surpresa em ver tanta gente, não hesitavam em guardar o momento em filmes e fotografias.
Tal era a multidão que, muito antes da hora prevista, a Polícia se viu obrigada a ter de encaminhar aquela gente toda para o Vicente Calderon. O trajecto até ao estádio foi um dos momentos mais inesquecíveis que vivi enquanto sportinguista. Porque os espanhóis e espanholas que encararam aquela invasão olhavam para nós com um misto de choque, surpresa e pânico, que nos fez crer que, também para eles, o dia 11 de Março de 2010 será recordado pelo verde das ruas, pelo ruído dos tambores e das milhares de vozes, pelo movimento das bandeiras. Não é para menos. Porque não é todos os dias que vemos, mesmo em frente das nossas casas, dos nossos locais de trabalho, das ruas que mais frequentamos, um mar verde a passar, acompanhado pela polícia, em carrinhas, a pé e a cavalo. O trânsito esteve também ele parado durante largos minutos no centro da capital espanhola.
Só me consciencializei do que estava a viver quando olhei para trás, no primeiro cruzamento no trajecto até ao estádio, e vi que lá ao fundo havia ainda uma quantidade enorme de gente a sair da Plaza Mayor. Aquilo estava a acontecer numa quinta-feira à tarde, a centenas de quilómetros de Lisboa.
Foi a resposta aos que tentaram fazer comparações e pôr em cima da mesa a grandeza do Sporting. Ora, o Sporting, no dia 11, foi demasiado grande, mostrou não ter limites e qualquer comparação onde se queira incluir o Sporting é comparar o incomparável.
Não há palavras capazes de descrever o trajecto até ao estádio. Nem me vou esforçar por tentar sequer chegar perto de uma descrição, porque, como se dizia entre aquela gente, “só visto”. Só estando lá.
Como aquele grupo de sportinguistas chegou às imediações do Vicente Calderon, quase todos chegaram a tempo de assistir à simbólica entrega de uma coroa de flores em memória das vítimas mortais de um inqualificável atentado terrorista, o de 11 de Março, em Madrid. Esse gesto foi aplaudido de pé por todo o estádio, sendo que também no minuto 11 do jogo se registou um aplauso, pelos mesmos motivos.
Sobre o jogo, visto ao vivo por Maradona e Luís Figo, o resultado diz quase tudo. O Sporting teve, a partir da meia hora, um jogador a menos. E acabou com nove jogadores em campo. Ainda assim, perante um ataque bastante poderoso (que é a melhor coisa que o Atlético tem), o facto de ter sido defendido por mais 5 mil pessoas, além dos 9 jogadores, terá sido determinante para que o Sporting conseguisse não sofrer golos e trazer a decisão final para Lisboa. Nessas 5 mil pessoas esteve também o Sá Pinto, três filas em cima de mim, a apoiar incansavelmente a equipa.
É, de facto, de enaltecer o apoio de todos os adeptos que nem chegaram a sentir o frio, quase gelado, que se diz que por ali se sentia. Só foi pena que, ao contrário da comunicação social espanhola, os “media” portugueses não tenham dado, ao que se passou em Madrid, a cobertura adequada.
No fim do jogo, o agradecimento natural dos jogadores e dirigentes que sentiram o peso que os adeptos deram ao Sporting naquele dia. Os próprios jogadores do Atlético Madrid (a maioria deles), à saída do estádio também olharam com simpatia para a bancada norte do estádio.
Saímos do estádio a tempo de tirar uma fotografia e de fazer uma caminhada até ao autocarro, que era um entre “uma data deles”.
Na rádio, diziam os espanhóis, depois das críticas a Pellegrini, que o Atlético de Madrid nunca tinha sido superior ao Sporting. Isso, de certo modo e tendo em conta as ocorrências do jogo, confortava-nos.
Podem ler-se, em vários sites espanhóis, referências de jornalistas e comentadores ao Sporting, em que revelam a simpatia necessária para que alguns digam que nunca seremos esquecidos no Calderon e que leve outros a prometerem a compra de uma camisola leonina para o próximo verão.
Acabo este texto com uma frase curta, dita por um rapaz que estava à frente de mim na camioneta e que fez, como eu também fiz, mais de mil quilómetros durante o dia de ontem. Estávamos a regressar e parámos numa estação de serviço, esse rapaz ia a dormir no banco à minha frente e acordou com o acender as luzes, com os gritos brincalhões de um outro rapaz e, quando a porta do autocarro se abriu, entra um frio quase gelado por ali dentro. Foi então que ele se virou para trás com um ar ensonado e disse: “só mesmo pelo Sporting”.
Só mesmo.

Fotografia: A Norte de Alvalade

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sem assunto

Dei por mim a pensar num assunto para escrever um texto para publicar durante o dia de hoje.
Podia falar dos grandes jogos do Benfica, candidato à conquista da Liga Europa, campeão nacional 09/10. Mas não sou do Benfica, não gosto do Benfica e não vejo o campeonato, se é o Benfica que está por cima.
Podia falar da selecção nacional. Para criticar o público conimbricense, que inacreditavelmente gritou olés enquanto os jogadores da China trocavam a bola. E dizer que, em cada um desses gritos, davam facadas a um País que aqueles jogadores representavam.
Podia também criticar o seleccionador, que desiludiu na convocatória, na colocação de Hugo Almeida a extremo esquerdo e no onze da selecção. Mas cabe a cada português, no tempo que falta até ao embarque para a África do Sul (e daí para a frente), criar um clima favorável à selecção nacional.
Podia falar de política. Do Congresso e das Directas do PSD. Ou do Plano de Estabilidade de Crescimento. Mas o próximo Congresso vai falar por si, já todos sabem quem apoio para a liderança do PSD e o Plano de Estabilidade e Crescimento é só um plano. Onde é que está a estabilidade e o crescimento?
Podia voltar a criticar o Primeiro-Ministro. Mas qual Primeiro-Ministro? Se Portugal, como muitos dizem, está sem Governo, como pode, ao mesmo tempo, ter alguém para o liderar?
Podia a falar dos Óscares. Mas toda a gente já sabe quem os ganhou. Para que é que iria contribuir a opinião de um leigo na matéria? Ainda para mais, a decisão de ver os Óscares em directo foi a pior que já tomei nos últimos dias. É que em nenhum dos últimos dias me custou mais a acordar como no dia de hoje.
Enfim. Com tantas coisas sobre as quais poderia escrever hoje, no fundo o que aconteceu é que fiquei sem assunto. Daí o título deste post.
Que me desculpem os leitores, mas tenho tido pouco tempo. Ainda bem que tem sido assim. E, além do pouco tempo livre que tenho tido, vou a Madrid ver o Sporting. Vou na quinta às cinco e meia da manhã com várias centenas ou mesmo milhares de “fiéis” que querem invadir e conquistar Madrid. Em casa, na faculdade, em todo o lado onde estiverem pessoas minhas amigas, todos sabem que não penso noutra coisa. Ficam também agora todos os leitores com voz própria a saber. E não seria justo maçá-los com assuntos sobre os quais escreveria sem pensar primeiro.
Voltamos a encontrar-nos nos próximos dias. Com mais tempo. E, oxalá, com melhor tempo também.

sábado, 6 de março de 2010

Desproporcionalidades


Por estar a realizar um curso introdutório nesta área, que resulta de uma parceria feita entre a Universidade Católica e a European Law Students' Association, tenho tido um maior interesse em vários casos relacionados com o fenómeno desportivo.
Disse, há alguns dias, que a política jurídico-desportiva nacional tem de mudar radicalmente. Um dos motivos que me leva a pensar assim tem muito que ver com um artigo publicado no Sporting Apoio.
De resto, vale a pena consultar o site da Liga de Clubes para consultar as multas de que vários clubes e jogadores têm sido alvo, multas que acabam por sustentar uma Liga à qual deve ser reconhecido um esforço sério e de boas intenções no sentido de mudar o sentimento de falta de credibilidade que têm tido os portugueses em relação ao futebol profissional.
Mas há ainda um caminho muito longo pela frente porque quase tudo está por fazer: além daquelas situações fundamentais de que tenho falado, parece-me evidente que não existe proporcionalidade entre a violação de uma regra e a correspondente sanção.
Não é justo que um clube fique privado de um atleta fundamental por causa de uma interpretação muito duvidosa de uma norma jurídico-desportiva. A esse grande jogador tudo foi feito para que o seu comportamento correspondesse a um determinado tipo.
Mas este caso, que agora refere o Sporting Apoio, é também interessante. Trata de um adepto que entrou no relvado e agrediu o fiscal de linha, que é, esse sim sem margem para dúvidas, interveniente no jogo. A pena prevista seria a realização de um jogo à porta fechada. Mas o Benfica foi multado em 3500 euros. Cem euros mais do que o Sporting teve de pagar agora por não ter respeitado as instruções da Comissão Executiva da Liga na “autorização de acções de animação sem interferência no horário e início” do encontro que decorreu no Estádio de Alvalade.
Não quero, com isto, dizer que o Sporting foi prejudicado e que o Benfica foi beneficiado. Até porque já houve uma invasão de campo num Sporting-Benfica, por parte de elementos de uma claque. Faltaram, nesse caso, as agressões para que a situação fosse idêntica à ocorrida no estádio da Luz.
A conclusão que se tira é que, além da ausência de celeridade, falta, ao direito desportivo (ou a parte dele), a proporcionalidade. E isso, apesar de, nestes casos concretos, não pôr em causa a justiça na tabela classificativa, prova aquela ideia que expus há pouco, de que há ainda um caminho muito longo a percorrer e de que, apesar de um esforço que merece ser reconhecido, quanto a este tema, continua quase tudo por fazer. Porque os árbitros continuam a ser parciais, o direito continua a não ser proporcional e cego, como lhe deveria ser exigido, e, assim sendo, a Justiça desportiva continua a não ser uma balança equilibrada.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Milésimo primeiro post

Com um dos mil e um motivos que temos para ter um enorme orgulho no Sporting.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Milésimo post

Um agradecimento especial a todos os que por aqui passaram, com leituras ou comentários, tendo enriquecido o debate de ideias que espero ter ajudado a promover na blogosfera.
Outro agradecimento a todos os que, com sugestões e com as mais diversas acções, ajudaram este blogue a chegar ao post nº1000.
Venham mais 1000!
Obrigado a todos.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Ponto de vista - caso Hulk e Sapunaru.


Os assistentes de recintos desportivos, mais conhecidos por "stewards", estão nos estádios de futebol com uma única função: garantir a segurança e o conforto dos espectadores.
Desta nota inicial, surgem logo duas questões muito importantes.
Sendo essa a sua função, será que pode estar um A.R.D. num túnel que dá acesso aos balneários?
Se a sua função é garantir a segurança dos espectadores, o A.R.D. faz parte do grupo dos intervenientes do jogo?
Estas duas questões são fundamentais para perceber se foram justas as sanções disciplinares aos futebolistas do Futebol Clube do Porto, Hulk e Sapunaru. A Comissão Disciplinar da Liga deu resposta positiva a essas perguntas, o que, consequentemente, fez com que o que aconteceu no estádio da Luz preenchesse o requisito de tipicidade, que se exigia para os efeitos que acabou por ter.
Na minha opinião, não é certo que seja positiva a resposta a essas perguntas. Até me sinto inclinado para defender a tese contrária.
Ora, se a resposta fosse mesmo negativa, o facto deixaria de ser típico, pelo menos nos termos em que era. E, nesse sentido, a Liga, através da sua Comissão Disciplinar, teria cometido uma enorme injustiça e contribuído de forma decisiva para a viciação deste campeonato, retirando, ao Futebol Clube do Porto, a possibilidade de jogar de com os mesmos recursos dos seus adversários.
Parece-me também evidente que o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol não pode, neste momento, dar resposta diferente da que foi anteriormente dada pela Comissão Disciplinar da Liga. Iria entrar em guerra com a Liga de Clubes, fazendo com que a C.D. perdesse a confiança dos agentes desportivos e a legitimidade para continuar em funções, iria retirar legitimidade ao campeão nacional (se não vier a ser o Futebol Clube do Porto) e dar, uma vez mais, uma péssima imagem do futebol português e da Justiça Desportiva nacional ao exterior.
Daí o meu pressentimento de que o recurso para o Conselho de Justiça da FPF será sempre inconsequente, no sentido de que será irremediavelmente infrutífero do ponto de vista de quem defende os interesses do Futebol Clube do Porto.
De todo o modo, fica o registo de que, a somar à acusação de Presidente do Conselho de Arbitragem da Liga que disse que os árbitros têm sido parciais, esta é outra competição portuguesa, a somar-se a muitas outras nos últimos anos, que está ferida de morte.
No futuro, espero que tão próximo quanto possível, a “política jurídico-desportiva” nacional tem de mudar radicalmente.
Não há campeonato que sobreviva com castigos questionáveis aos seus melhores jogadores nem a este enorme conjunto de casos que tem assolado o futebol português, que vão muito para além do já de si muito deprimente “Apito Dourado”, que contribuíram para que a situação esteja sempre indefinida, sendo que as decisões relativas às despromoções de clubes para a Liga de Honra e as decisões que contribuem para a definição de quem vai ser o campeão nacional têm sido sempre feitas fora das quatro linhas, em locais onde não há relva nem jogadores nem bolas a rolar.

Pergunta e resposta

Truques, artimanhas, jogadas de conveniência e de oportunidade, golpes tardios, retórica?
Foi isso que andámos nós, que somos militantes do PSD, a combater nos últimos 5 anos.

terça-feira, 2 de março de 2010

Verdades inconvenientes


José Sócrates ainda é Primeiro-Ministro de Portugal por uma só razão: é conveniente.
Ainda não foi substituído por António Costa porque este não deseja ascender a líder do PS e, possivelmente, a Primeiro-Ministro até às presidenciais. Até lá, Sócrates vai andar entretido com as habituais novelas sobre os negócios onde foi parte, directa ou indirecta, sobre a sua licenciatura, sobre o seu carácter e sobre uma série de episódios tristes como esta nova tendência socrática para calar jornalistas, bloggers, cidadãos e controlar a comunicação social.
Além dessas novelas, Sócrates vai ter de resolver um problema, que é a escolha do candidato presidencial do PS. Só depois dessa escolha e depois das eleições presidenciais é que António Costa pode ascender.
Até porque Costa tem um trunfo que não pode deitar fora. Construiu a união possível com a esquerda em Lisboa, incluindo, na sua lista, a ala local alegrista. Daí que ser líder do PS antes das presidenciais é um cenário indesejável para o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
E Sócrates, para mal do país, vai ficando. Porque é conveniente. E vai ficar até que essa conveniência deixe de existir.
Posso estar enganado, mas com a mesma situação depara-se, agora, o PSD.
Há um candidato que, em vez de ter apoios de convicção, tem apoios de conveniência. De distritais que decidiram precipitada e definitivamente num cenário diferente daquele que é o “leque” de escolhas possíveis. De membros da Juventude Social Democrata que não querem deitar fora as suas legítimas aspirações políticas e pessoais. De uma série de gente que, sem argumentos, apoia quase intuitivamente. São os “apoios porque sim”.
Ainda ontem à noite, ouvi uma pessoa, notável e respeitável dentro e fora do PSD, dizer que apoia esse candidato porque se esteve a preparar, durante muito tempo, para ser líder. Ora, se todos os portugueses pensassem dessa forma, ainda hoje teria sido restaurada a Monarquia e D. Duarte Pio teria sido aclamado Rei de Portugal.
O PSD, como o PS, vive uma altura muito pobre, em que não tem ideias. Move-se pelo momento. Pela conveniência do momento.
Isso poderá ser fatal para o país. Porque o país deveria ver o PSD, que é a única alternativa possível ao governo socialista, unir-se à volta de alguém competente, carismático, com aquela coisa a que muitos chamam de “chama”. De alguém que se conseguisse distinguir no próximo Congresso e impor-se aos olhos de toda a sociedade portuguesa, assumindo-se como próximo Primeiro-Ministro de Portugal.
Mas, na minha opinião, Sócrates já não devia ser Primeiro-Ministro. Só é Primeiro-Ministro porque isso é o que convém ao PS. Não foi substituído porque isso não convém a António Costa. Não convém ainda. E não vão haver eleições antecipadas porque esse é um cenário inconveniente, neste momento, para Cavaco Silva, que espera ser reeleito no próximo ano, e para o PSD, que se prepara ainda para escolher o próximo líder.
E já que estamos a preparar-nos para escolher o próximo líder, pois então que escolhamos aquele que menos convém ao PS. Mesmo que isso não convenha ao grupo de militantes que acima fiz referência.
O candidato que menos convém ao PS, a José Sócrates, a António Costa e até mesmo a Manuel Alegre é Paulo Rangel. Que ninguém tenha dúvidas disso.