sexta-feira, 30 de abril de 2010

O meu boicote

A última vez que comprei um jornal desportivo foi no dia 11 de Março.
Foi na ida do Sporting a Madrid, numa estação de serviço em território português, por volta das 7 ou 8 da manhã. Dei alguns cêntimos para, conjuntamente com o Henrique e o Gonçalo, dois amigos meus, comprarmos um dos poucos jornais desportivos que restava.
Comprámos para irmos lendo na viagem e nenhum de nós queria dar mais do que trinta cêntimos por aquele jornal desportivo. Por aquele e por nenhum outro que fosse desportivo. Até porque o menos mau dos jornais desportivos já estava esgotado. E não estava à venda o jornal “Sporting”.
Pude ler no jornal que comprei o que disse o enviado-especial a Madrid sobre o Atlético. Um texto pobre, que menosprezava o Atlético, que definiu como se fosse a plebe, enquanto valorizava a mobilização dos madrilenos em torno do outro clube da cidade.
Onde deviam estar palavras sobre a onda inédita de sportinguistas que foi ao Vicente Calderón ou sobre a forma de jogar da equipa comandada por Quique Flores, onde, de resto, joga um dos melhores jogadores do mundo, um jogador importante da selecção portuguesa, um espanhol em boa forma que foi jogador do Benfica, um ex-jogador do Porto, um avançado que é um grande finalizador e um conjunto de jogadores jovens com potencial, só faltou o jornalista dizer que o Sporting tinha a obrigação de ganhar o jogo, tão fraca que era a equipa do Atlético.
Quando li, fiquei estupefacto com a ignorância do jornalista e com uma espécie de anti-patriotismo parolo, porque o Atlético de Madrid, não estando nos seus melhores anos, é um clube histórico do futebol espanhol, com alguma representatividade na comunidade de Madrid, uma das importantes capitais do mundo.
Ontem à noite, esse jornalista engoliu um sapo. Porque a plebe chegou à final da Liga Europa, eliminando um Liverpool que humilhou o Benfica. Os festejos em Madrid provam que tudo o resto que esse jornalista escreveu não correspondia, de todo, à realidade.
Este é apenas um caso que me fez aderir ao boicote. Não compro jornais desportivos. Porque tudo serve para atacar o Sporting. Tudo.
Aliás, não só não compro jornais desportivos como também deixei de visitar um site onde um cronista pegou em pequenos casos de uma minoria insignificante de sportinguistas e generalizou, insultando o Sporting, os seus associados e a sua massa adepta. Ora, partindo do mesmo princípio, poderíamos dizer que os benfiquistas são um povo drogado, que invade o campo para agredir fiscais de linha, que rouba e esfaqueia. Mas ninguém diz isso. Nem ninguém diz que, pelo facto de um membro de uma claque do Benfica ter morto um adepto do Sporting numa final do Jamor, os benfiquistas são assassinos. Não são.
Não me queria alongar muito sobre este tema. Porque estes são apenas dois casos. Que são confirmados no dia-a-dia, com especulações sem fundamento, críticas e insultos constantes ao meu clube.
Não vou contribuir para que paguem ordenados a esta série de jornalistas e cronistas imbecis, muito menos nesta altura onde 10,5% da população activa está à procura de trabalho.
Não vou mesmo. Por isso, aderi ao boicote. E esta minha posição só se poderá alterar no dia em que o jornalismo desportivo demonstrar mais educação, mais competência, mais fundamento, mais substância, mais rigor, mais respeito, mais elevação. Até lá, nem mais um cêntimo, nem mais um tostão.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

As obras públicas e o Estado Social


Creio que já é pacificamente aceite a teoria de que Portugal não deve, neste momento, avançar para novas obras públicas megalómanas, como o novo aeroporto internacional de Lisboa, o TGV, entre outras.
Não deve avançar por uma única razão: o país não tem dinheiro para as pagar.
Dada a situação actual do país, da Europa e do Mundo, é desaconselhável pedir dinheiro emprestado, ao exterior, a quem o país já tanto deve. Até porque pagaria muito caro esse empréstimo.
Seria um bom sinal para os investidores e um excelente exemplo para os cidadãos, forçados a um novo e violento aperto de cinto, que o Estado voltasse atrás nesta questão.
Mas o que diz o Governo e o PS? Dizem que é mesmo para avançar. Com o argumento de que o país não pode faltar com os seus compromissos. Argumento suportado pelos valores das indemnizações que seriam consequência do incumprimento com o que o Estado se comprometera.
Se tivessem sido seguidos os conselhos feitos pelo PSD em tempo útil, ou seja, se o Governo não se tivesse comprometido com o avanço para obras inviáveis no presente e no curto-prazo, o país podia não avançar, por agora, para essas mesmas obras. Dando o exemplo aos cidadãos que já perderam a "tanga" e a confiança necessária aos investidores, aos credores e aos agentes económicos.
O Governo e o PS mantiveram a sua teimosia e a opção de avançar para obras públicas faraónicas, ao mesmo tempo em que aumenta impostos, corta nas pensões e se farta de pedir sacrifícios aos portugueses.
Ou seja, o Governo e o PS, que rejeitam uma revisão constitucional que possa mexer no Estado Social, prova, na prática, que se "está completamente cagando" para esse mesmo Estado Social. Em detrimento de um Estado pobre, que, irresponsavelmente, cultiva uma imagem de "novo-rico".

Podia comentar

Mas não o vou fazer.
As nomeações, de Olegário para o Porto-Benfica, e de João Ferreira para o jogo do Braga, decisivos para a atribuição do título nacional ao Benfica, falam por si.

Sim, foi possível!


O mundo inteiro assistiu à ansiedade e nervosismo dos catalães que desejavam que o Barcelona fosse a Madrid para se sagrar campeão europeu.
Queriam ser bi-campeões da Europa, na capital de Espanha, em pleno Santiago Bernabéu, depois de já terem ido a Madrid vulgarizar um Real cheio de estrelas.
Com a saída de Laporta da presidência do clube que representa a região, com o anúncio de que irá assumir funções ao mais alto nível na Catalunha e de que a maioria dos catalães querem ser independentes de Espanha, facto que foi revelado durante esta semana, esse cenário seria ouro sobre azul para os catalães, mas seria um desastre para a Espanha e um péssimo sinal para outros semelhantes pequenos conflitos existentes um pouco por toda a Europa. E no próprio País Basco.
O mundo inteiro viu o Inter de Mourinho fazer uma reviravolta de 0-1 para 3-1 em Milão. E viu que o Inter, jogando com 10 jogadores durante uma hora completa de um jogo onde não chegou a rematar à baliza, foi capaz de eliminar um Barcelona que tem uma equipa digna de entrar nas melhores equipas da história do futebol mundial.
Messi, indubitavelmente o melhor jogador do mundo, voltou a ser anulado e, até hoje, não conseguiu marcar um único golo a “Mourinho”.
Xavi, pensador de um estilo de jogo ofensivo, demolidor e fascinante, não teve sequer espaço para pensar.
A missão de Mourinho foi difícil. Muito difícil. Mas ninguém esperava que fosse fácil. E poucos pensavam que pudesse ser possível.
Mas foi. E, enquanto os catalães se vão deitar com um vazio na barriga e um sabor ácido no esófago, o resto dos espanhóis suspira de alívio. Um pouco por todo o resto do mundo, mesmo aquelas pessoas que torciam pelos blaugranas, entre várias dúvidas, têm uma certeza: Mourinho é especial.
Hoje a pergunta que nos colocávamos foi respondida.
Sim. Com Mourinho, foi possível. Com Mourinho nada é impossível.
Que grande exemplo representa José Mourinho para os portugueses!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Algumas notas para memória futura


Apesar do encontro do líder do PSD com o Primeiro-Ministro, realizado por iniciativa de Passos Coelho, e da cooperação que é estratégica para os interesses do país, há algumas notas que não podem caír no esquecimento.
A primeira nota está ligada à responsabilidade pelo actual momento. Se Portugal vive dias complicados, essa responsabilidade é exclusiva do Governo e do Partido Socialista que não agiram atempadamente e do modo que se lhes exigia.
A segunda nota tem que ver com a manifesta incompetência do Governo e do Partido Socialista para governar o país. O PSD alertou a tempo, o PSD apresentou medidas, o PSD criticou o atraso e o PSD criticou as medidas. Se fosse o PSD a governar, a situação previsivelmente seria outra, bem melhor.
Desta segunda nota sai uma terceira: só depois de verificar o impacto estrondoso na nossa economia é que os socialistas (sobretudo os socialistas que estão no Governo) a assumiram como real. Foi preciso que os mercados reagissem de uma forma esclarecida, avassaladora e negativa e foi preciso que fosse revelada a real situação da nossa economia para que os socialistas tomassem consciência do que estava em causa e das medidas difíceis que têm de ser tomadas. Em nenhum momento o PS assumiu as suas responsabilidades. Ora, nesta terceira nota realça-se a irresponsabilidade socialista.
Uma última nota, tem que ver com a coincidência de interesses. Em todos os momentos, os interesses do PSD coincidiram com o interesse nacional. E em todos os momentos, os socialistas moveram-se seguindo os seus instintos e aquilo que melhor servia os seus interesses legítimos, mas partidários e eleitorais. Que nunca coincidiram, ao longo desta fase, com os interesses do país.
O PSD continuará a servir o país e a colocar o interesse nacional em primeiro lugar. Mas mais do que se insistir na ideia do Bloco Central (que é um bloco central de interesses), devem ficar registadas estas notas. Estas quatro notas. Para que possamos usar delas em tempo oportuno.
E daqui para a frente, o PSD, em vez de esperar a recompensa por parte dos eleitores, recompensa que seria justa, deve juntar forças, unir os seus militantes e mobilizar o eleitorado para que Portugal seja capaz de combater e ultrapassar esta crise deixada por um governo socialista incompetente e irresponsável chefiado pelo engenheiro Sócrates.

Nota complementar: para explicar a fotografia. Depois do encontro entre José Sócrates e Passos Coelho, parece questionável a minha opção para a imagem. Parecerá. Mas, na vida, é importante dar tempo ao tempo. E o tempo deu razão a Ferreira Leite. Que, ao contrário de vários Sócrates que por aí andam, nunca faltou à verdade, nunca mudou de pensamento nem de atitude por motivos eleitorais. É pena que, 36 anos depois, os portugueses ainda não queiram ouvir a verdade e que cedam à demagogia facilista e irresponsável, porque isso demonstra a pouca maturidade da nossa democracia.

O cantinho do Morais



Grande, tão Grande, como os Maiores da Europa.
O sonho era esse.
E concretizou-se.
Foi no dia 15 de Maio de 1964, na finalíssima da Taça dos Vencedores das Taças, frente ao MTK.
Com um golo de "cantinho do Morais".
"Nesse instante peguei na bola, acariciei-a como se fosse uma amante e disse-lhe baixinho que ela entraria directa na baliza do húngaro..."
A família sportinguista está hoje de luto.
E nunca irá esquecer o campeão Morais que se despediu de nós e conquistou o Reino dos Céus.

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril...sempre?


Eu não vivi no Portugal antes de Abril.
Nem sequer vivi o 25 de Abril de 1974. Só nasci 14 anos depois.
E a mim, confesso, pouco me diz esta cerimónia de um país que demonstra estar preso ao seu passado, incapaz de aceitar um período significativo da sua História, sempre demasiado preconceituoso.
Não vivi o Império Português. Não sei como era. Nunca me foram explicados quais foram os erros. O Portugal em que vivi e continuo a viver é um país pobre, pequeno, sem qualquer poder no mundo, sobretudo no mundo português. Aliás, vivo num Portugal que cede ao resto do mundo português.
Não vivi num país que tivesse como base uma educação exigente. O Portugal em que eu vivi era e continua a ser um país facilitista, incapaz de dar oportunidades aos que frequentam a sua Escola. Vivo num país onde não existe autoridade nas escolas.
Não vivi num Portugal que promovesse o culto ao país e que assentasse em valores sólidos como "Deus, Pátria e família". Vivo num Portugal sem valores, que despreza o papel da Igreja, que está contra a família tradicional e que, pelo fracasso das políticas de educação e pela inexistência de políticas de cultura, não incentiva o orgulho em sermos portugueses.
Não vivi num Portugal sem a Coca Cola. Sempre bebi Coca Cola. E que bem sabe a Coca Cola. E, neste país onde se tem o privilégio de se poder beber Coca Cola, a esmagadora maioria das empresas (sobretudo as PME's) não tem qualquer hipótese de se mostrar competitiva no mercado.
Vivi sempre num Portugal integrado na Europa. Mas num Portugal que nunca soube aproveitar essa integração.
Vivi sempre num Portugal em crise.
Vivi e continuo a viver num país que não dá oportunidades, que não cria empregos, que não produz riqueza, que é corrupto, onde a Justiça não funciona, em que o jornalismo não é independente dos interesses políticos e partidários.
O Portugal em que sempre vivi tem sido sempre um péssimo juíz, um político incompetente, um polícia inconsequente, um médico apenas anestesista, um legislador desastrado, um professor sem autoridade, um funcionário completamente desqualificado, um jornalista (relativamente) livre mas conivente...
Tem sido um país sem visão, que não faz ideia do que é ordenamento do território, que viveu sempre acima das suas possibilidades.
Este é o Portugal em que vivi.
E, presos aos seus preconceitos, os políticos não sabem dizer aos portugueses que se pudessem voltar a 1973, 1974, mesmo a 1975 ou daí para a frente teriam feito muitas coisas diferentes.
O 25 de Abril serve apenas, repito, para renegar um período significativo da História de Portugal. E para ocultar os erros cometidos desde que esse período da História passou a ser só História. Além do que se quis, de facto, fazer no 25 de Abril.
Quando olho para este país, vejo que continuam a existir, ainda que de forma travestida, várias daquelas que eram as características do Estado Novo.
Hoje, 36 anos após o 25 de Abril, deparo-me com um regime onde existem protegidos e com um país pobre, pequeno, endividado externamente, onde, de forma sumária, se pode dizer que tudo está por fazer, onde a democracia continua a não funcionar plenamente.
Mais do que ajustar contas com o que aconteceu há mais de 36 anos, Portugal precisa hoje de perceber o que, nos 36 anos já passados, correu mal. Porque, não sendo politicamente correcto dizê-lo, o Portugal de hoje, 36 anos anos depois de Abril, está péssimo. E ninguém pode fugir às suas responsabilidades.
Na minha opinião, não fazem, portanto, qualquer sentido estas comemorações do 25 de Abril. Ainda para mais porque a democracia e a liberdade dever-se-iam festejar num outro 25, dia em que a liberdade e a democracia foram verdadeiramente repostas.

25 de Abril de 2010: agora é mesmo oficial!

Está tudo louco!

sábado, 24 de abril de 2010

A importância da voz

Queria ter escrito este texto no dia 16 de Abril, que foi Dia Mundial da Voz.
Ter voz é uma das coisas mais importantes da vida. Daí que, quando decidir criar este blogue, decidi dar-lhe o nome de "voz própria".
Há quem a use para cantar, há quem a use para discursar, há quem a use para defender e para atacar, há quem a use para comunicar.
Há quem a use para insultar. De resto, no Dia Mundial da Voz, o Primeiro-Ministro de Portugal, em plena Assembleia da República, recorreu a esse instrumento para insultar um deputado democraticamente eleito.
Mas há vozes que servem para coisas maiores. Como a de Amália. Ou como a de Jorge Perestrelo. Porque essas vozes confundiram-se com momentos da nossa vida e, não raras vezes, uniram-nos a todos, por algum tempo. Foram a voz, a voz própria, de Portugal.
Num momento delicado, em que os portugueses se sentem enervados pela imprevisibilidade do futuro, nada melhor do que ouvir uma das vozes que mais nos uniu. E que, relatando uma conquista desportiva de quem representou este país, que só foi possível quando juntos demos as mãos puxando no mesmo sentido, termina com aquilo que mais interessa: "Viva Portugal".

O estado da Justiça numa semana


Juízes contra advogados. Advogados contra juízes.
A televisão a lavar a roupa suja de um caso que recentemente transitou em julgado.
Um camarada socialista a recusar-se a responder a uma Comissão de Inquérito, assumindo, em directo nas televisões, que tinha medo de se auto-incriminar.
Caso pouco claro, confirmador de uma promiscuidade enorme entre poder político e judicial, com escutas polémicas à mistura.
Nas revistas, passa-se a ideia (errada ou verdadeira, não sei) de que, ao ser-se membro de uma seita, passa-se a ser impune.
Que péssimo serviço estão os agentes responsáveis pela credibilidade da Justiça (que não são apenas os agentes judiciais) a prestar ao país...
Quando o país precisa que se trabalhe com audácia para mudar a situação actual, quando precisa que os investidores apostem em Portugal, o que se verifica é que a Justiça tem sido o obstáculo primeiro à recuperação do país.

Acordar tarde


O PSD perdeu as eleições legislativas de 2005 e 2009 porque falou verdade aos portugueses.
Em 2005, estiveram em discussão, entre outras coisas, a possibilidade de aumento de impostos, o aumento da idade de reforma e a colocação de portagens nas SCUT's.
Julgava o PSD, há cinco anos atrás, que essas três medidas seriam importantes para o reequilíbrio das contas públicas.
De 2005 a 2009, o PS incumpriu várias promessas de 2005, aumentando os impostos e a idade de reforma.
Foi preciso chegar a 2010, numa altura em que Portugal é um problema sério que a Europa tem para resolver (frequentemente comparado à Grécia), para que Sócrates rompesse com uma das suas promessas de 2005 e colocasse portagens, sem critérios, nas SCUT’s.
Parece-me evidente que estas medidas não seriam as únicas que poderiam evitar o mergulho de cabeça nesta crise económica com precedentes distantes em Portugal. Teriam de ser acompanhadas por reformas de fundo, como aquela de que ouço falar desde que sou vivo, na função pública.
5 após a primeira vitória de Sócrates, em 2005, os portugueses têm agora duas certezas: não podem voltar a caír na tentação de votar em quem promete as facilidades e que, se tivesse sido o PSD a governar desde 2005, o país estaria bem melhor.
Pois que apliquem na prática as certezas que tivemos e que desafiem o PSD a voltar ao Governo do país. Para resolver o caos que os socialistas, faltando à verdade, nos deixaram.
Como em 2005 e em 2009, o interesse nacional volta a impor um Governo social-democrata.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Conheça melhor o novo treinador do Sporting.


Clique aqui e leia um post completo sobre a carreira de Paulo Sérgio, escrito por Tomás Pipa, no Settore Ofensivo.

O melhor treinador do mundo


Ainda não vou falar do Paulo Sérgio.
Lá iremos com mais calma. Noutra ocasião.
Mas ficou, hoje, confirmado o que, ontem, disse Guardiola: Mourinho é o melhor treinador do mundo.
Sei que ainda não passou. Que vai ser muito, muito difícil estar na final da Liga dos Campeões. Até porque basta um abrir e fechar de olhos para que o Barcelona marque dois golos.
Mas Mourinho conseguiu o que nenhum outro treinador conseguiu, o que nenhum outro treinador conseguiria: afastou, sem espinhas, o Chelsea, líder da Liga Inglesa, que foi, recentemente, ganhar a Old Trafford.
Fê-lo num jogo inteligente em Milão, onde ganhou vantagem. E num segundo jogo, que foi perfeito, em Londres, onde não se limitou a guardar a vantagem. Ampliou-a.
Hoje Mourinho ainda fez melhor. Recebeu a melhor equipa do mundo (que é uma das melhores equipas de todos os tempos) e venceu-a com uma margem (ainda muito perigosa) de dois golos de diferença.
Pode perder a Serie A para a Roma, pode ser eliminado na Catalunha ou perder a Champions League em Madrid, pode ser empurrado para fora da Taça de Itália. Pois pode. Há mais probabilidades, do ponto de vista matemático, que Mourinho, esta época, não ganhe nenhuma competição.
Mas quem viu o Porto e o Chelsea de Mourinho e quem vê este Inter em campo, sobretudo nestes jogos mais difíceis, só pode ter respeito e admiração por este treinador. Porque tem tentado desmentir a matemática. E tem sido inacreditavelmente bem sucedido.
Por alguma razão, os ingleses lhe chamaram o "special one".
É que Mourinho é o rei da táctica. É o mestre do banco. É mesmo o melhor treinador do mundo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Blackout

Tinha escrito um texto enorme sobre o Sporting, para ser publicado hoje, que já se sabe a classificação final da equipa de futebol em todas as competições.
Fiz um balanço da época e falei de tudo o que aconteceu.
A miserável exibição desta noite e a notícia (ainda não confirmada) de que já há novo treinador trocaram-me as voltas.
Sobre o Sporting, e como o Sporting, estou em blackout.
Até ver.

sábado, 17 de abril de 2010

Football


Um derby jogado à luz do sol.
Grandes artistas, grandes equipas, grandes treinadores.
As famílias, em massa, correspondem, enchendo os estádios com as cores dos seus clubes.
Tenho dito que a Premier League é cinema.
Quase que é.
Mas não.
É football. Com tudo o que de melhor o football pode oferecer.
O Manchester City - Manchester United foi a prova disso mesmo.
Sem casos, sem simulações, sem túneis, sem confusões.
O jogo, de football, decidiu-se dentro do campo. No minuto 93, por um jogador que nada tem de velho. Paul Scholes não é velho. É antigo.
Até nesse aspecto, o football inglês é diferente dos outros.
Daí que seja visto por centenas de milhões de pessoas. Um pouco por todo o mundo.
Há coisa mais fantástica do que ver o antigo Sir Alex Ferguson festejar efusivamente uma vitória que alimenta as poucas esperanças que ainda alimentam o seu Manchester United de chegar ao título?
O jogo acabou. E, em Manchester, as pessoas, umas mais felizes que as outras, vão juntas, conviver com os amigos e com a família e aproveitar ao máximo o resto do fim-de-semana.
No resto do mundo, que se manteve durante hora e meia ligado ao que se passava em Manchester, as pessoas voltam, também elas, à sua vida.
Isto não é futebol.
É football. Em todo o seu esplendor!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O exemplo que vem de cima



- "Manso é a tua tia, pá".
(José Sócrates, Primeiro Ministro de Portugal, a 16 de Abril, na Assembleia da República)

A tolerância de ponto


Tenciono ir ver o Papa.
Se tivesse aulas, faltava.
Na Universidade Católica, nos dias em que o Papa irá estar em Portugal, as actividades vão estar suspensas.
Foi uma decisão sensata. Porque, na Católica, a maior parte dos alunos irão querer ir ver o Papa.
O que acontece é que, para podermos não ter aulas nesses dias, tivemos menos férias na Páscoa.
Ou seja, uma coisa compensou a outra e ninguém irá ficar prejudicado. Nem os que querem ir ver o Papa, nem aqueles que, pelo facto de o Papa vir a Portugal, temiam ter menos aulas e ficar atrasados na matéria.
Ora, Portugal, mesmo sendo um Estado laico, é um país com uma maioria de católicos. E isso, a priori, justificaria a tolerância de ponto.
Ainda assim, abre portas para que pessoas com outras religiões exijam o mesmo direito (de poder faltar ao trabalho) nas mesmas circunstâncias.
Entra-se, assim, na polémica questão da igualdade. Porque esse precedente ficou aberto. É que, se uma pessoa com outra religião quiser faltar ao trabalho invocando os mesmos motivos, não o poderá fazer sem ficar prejudicada. Pelo menos, levará, no fim desse mês, menos dinheiro para casa.
Eu sei que, conceptualmente, a tolerância de ponto não significa que se pode faltar ao trabalho. Mas todos sabemos que aqui em Portugal, na prática, significa.
E irá custar caro às empresas e ao Estado.
Daí ter falado do modo como a minha Faculdade tratou este assunto: numa lógica de compensação.
Assim, aplicando-se a toda a gente, as pessoas poderiam ir ver o Papa. Mas compensariam, trabalhando noutro(s) dia(s).
Ninguém ficava a perder. As empresas e o Estado não desperdiçavam dinheiro, os crentes poderiam ir ver o Papa e os que não são católicos continuariam a poder ir trabalhar nesses dias.
Este princípio poder-se-ia aplicar a pessoas de todas as religiões, dando-se cumprimento ao princípio constitucional da igualdade. Que proíbe tratamentos diferentes por motivos religiosos.
Compreendendo que existe uma maioria de católicos entre aqueles que têm fé, o Estado não lhes deve negar a possibilidade de cultivar a fé nos dias históricos em que o Papa irá estar no nosso País. Mas a tolerância de ponto, que é, na prática, generalizada, é uma facilidade e um facilitismo num tempo que não está, de todo, nem para facilidades nem para facilitismos.

Portugal visto de fora

Vale mesmo a pena ler este artigo, onde Portugal é apontado como o próximo problema global.

As sondagens são como os chapéus


As sondagens são como os chapéus.
Há muitas.
Para todos os tempos e para todos os gostos. Com todos os feitios.
Há, também, sondagens, que, como os chapéus, são feitas à medida.
E, como os chapéus, nem todas as sondagens cabem na minha cabeça.
Esta, que dá uma diferença de oito pontos entre PS e o PSD, é apenas a verificação prática daquilo que acabei de dizer.
Mas não tenhamos dúvidas.
Estas sondagens, como alguns chapéus, já estão fora de moda.
Vamos dar tempo ao tempo.
Até porque o tempo tem estado cinzento.
E é preciso mudar de chapéu.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Alice, volta à terra!


O PS foi adiando a sua decisão sobre um candidato presidencial até não poder mais e esse adiamento dividiu os socialistas a um ponto em que vários notáveis do partido têm perdido as estribeiras ultimamente, com afirmações públicas que extravasam os limites do razoável. Porque está em causa o candidato do partido.
Este problema podia ter sido resolvido com facilidade. Não conheço as regras internas do PS. Mas os seus dirigentes poderiam, porque tiveram um mandato presidencial inteiro para o poder fazer, alterar as regras internas, de modo a que o nome do candidato presidencial fosse sufragado internamente pelos seus militantes. Era uma solução e o problema estaria resolvido.
Aliás, essa seria uma solução muito interessante e, apesar das diferenças (que são de regime), tem muitas semelhanças com o que acontece nos Estados Unidos.
Ouvi ontem um socratista fanático falar desta situação. O socratista fanático chamava-se Emídio Rangel e falou ontem à noite num programa de debate político semanal da RTP N.
Tentando disfarçar o que é indisfarçável, Rangel (Emídio, para não deixar dúvidas!) elogiou a forma como o PS organizou o seu tempo. Pelo meio, ainda deixou uma crítica ao líder do PSD por ter escolhido, supostamente antes do tempo, o candidato presidencial do partido.
Ora, vamos, primeiro, a esse ponto.
O PSD teve eleições directas, em que, entre algumas diferenças, sobressaiu um enorme consenso, tanto entre os candidatos a líder como entre os militantes, à volta do candidato presidencial do partido.
Candidatando-se, Cavaco Silva teria sempre o apoio do partido, qualquer que fosse o líder saído das eleições directas.
Recandidatando-se, Cavaco Silva vai ter o apoio entusiástico do PSD.
O problema, se é que houve algum problema, está resolvido. Está e esteve sempre desde o dia em que Cavaco foi eleito para o seu primeiro mandato como Presidente da República.
Nem sempre concordámos com Cavaco, mas não havia sequer condições para se decidir de forma diferente.
Assim sendo, arrumada que está a questão, o PSD está focado em fazer uma revisão constitucional e promover as reformas necessárias para que o país possa rapidamente recuperar de treze anos, quase consecutivos, de desastrosas governações socialistas.
Pelo contrário, o PS, além de não ter o problema presidencial já resolvido (até lá vai correr ainda muita tinta), vai ter de discutir esse tema num período de grande divisão interna, e vai continuar a não estar disponível para fazer aquilo para o qual foi democraticamente legitimado: governar.
Ou seja, a realidade é exactamente o contrário do que disse ontem o Emídio Rangel e do discurso oficial do Partido Socialista.
É curioso, e bom para o país, que, tendo em conta o desastrado partido que está no Governo, se possa encontrar uma solução de estabilidade, de boa gestão do tempo e de Governo no principal partido da oposição.
Mas é preocupante que o partido que tem mais condições para governar seja aquele que teve um mandato dos portugueses para estar mais três anos e meio na oposição.
Ao contrário do que apregoam os socialistas, Portugal está muito longe de ser o País das Maravilhas. E, mesmo tratando-se de um candidato-poeta, não há tempo a perder...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Este é especial


Este, da fotografia, é especial.
Porque só vê depois dos 90 minutos.
E consegue ouvir, nos 90 minutos, como nenhum outro.
É diferente dos outros.
Porque Paraty viu e fez que não viu.
Lucílio fez que viu o que não existiu.
Este é diferente.
O Benfica ganhou este campeonato no jogo da Madeira, em que este senhor expulsou um jogador que nada fez.
Expulsou-o por palavras.
Foi o ponto de partida para uma das goleadas que o Benfica deu nesta época.
Daquelas que, além da expulsão de jogadores adversários, o Benfica teve direito a penalty e tudo!
Este senhor, o da fotografia, foi o que elaborou o relatório do Hulk.
É o homem do túnel.
Viu e ouviu o que quis ver e ouvir.
Não viu e não ouviu o que não dava jeito.
Do que quis ver e ouvir, fez um relatório. O que privou o Porto de Hulk e a Liga Portuguesa de um dos seus grandes jogadores.
Pergunto agora, sobre o jogo de hoje:
Vai pôr no relatório que Javi Garcia tentou dar um pontapé no João Moutinho?
Vai pôr no relatório as sucessivas simulações de David Luiz, Aimar e Cardozo, que não puniu?
Vai pôr no relatório o murro que Luizão deu no Tonel, num canto, no ângulo de visão do árbitro e do fiscal de linha?
Vai explicar, nesse relatório, por que razão não expulsou, como tinha expulsado o jogador do Marítimo, o Carlos Martins, que protestou de joelhos, e o Di Maria?
Vai pôr no relatório que, depois de ter dado um murro no Tonel, o Luizão entrou de carrinho, por trás, com o jogo parado e sem bola sobre o Liedson e que apenas levou o cartão amarelo? Menos grave foi aquela falta do João Pereira, junto à linha lateral, em que o jogador do Sporting foi expulso, por um desses senhores que apita, logo aos dois minutos...
E não, senhor João Ferreira, o Luizão não escorregou!
Vai pôr no relatório que Coentrão, que fez uma entrada por trás, apenas levou o cartão amarelo?
E dizer, nesse mesmíssimo relatório, que o pontapé que David Luiz deu ao Matias Fernandez passou impune?
Este árbitro entrou em jogo quando o Sporting dominava, foi conivente com as simulações, agressões e faltas grosseiras, e empurrou, daí para a frente, o Sporting para trás. Tal e qual como disse o João Moutinho.
Obviamente, enquanto sportinguista, creio que o Sporting não deve falar com este tipo de gente. Este campeonato, desde a primeira jornada, que foi uma vergonha. Tal e qual como disse o Costinha.
Não fui à Luz porque o árbitro era este senhor e porque o Sporting não podia jogar com o Izmailov. Que fez menos do que o Luizão fez hoje. E não jogou hoje porque foi expulso pelo sócio do Benfica, Pedro Proença.
O senhor da fotografia, tal como o Pedro Proença, o Lucílio e alguns outros, numa liga normal, não voltavam a apitar um jogo de futebol.
Cá em Portugal, não só apitam como são determinantes. Porque decidem campeonatos.

Um link


Para aqui.
E, já agora, outro link. Para aqui.
Estamos já em contagem decrescente.

O silêncio

Tem, por vezes, valor declarativo.
Por isso, há quem diga, e com toda a razão, que o silêncio é uma forma de expressão.
Todos os portugueses ouviram o que foi dito, com certos fins, num determinado momento.
E todos os portugueses devem estar a pensar em qual será a razão do silêncio depois desse determinado momento.

Força Pongolle!


Tem-me custado muito ouvir as críticas ao Pongolle, um jogador pelo qual o Sporting pagou mais de 6 milhões de euros.
Dizem que foi o grande flop da época, que foram milhões esbanjados num jogador que marca golos na própria baliza.
Não sei se Pongolle vai render o que o Sporting pagou por ele.
Mas, além de ser jogador, acima disso, o Pongolle é um homem comum, de carne e osso, com a cabeça no lugar, e é pai de duas filhas.
A filha mais velha do jogador, com quatro tenros anos de idade, vive uma situação de saúde dramática, estando em coma há já algum tempo.
As críticas feitas têm, portanto, um único fim: atacar o Sporting Clube de Portugal.
Porque toda a gente sabe da situação dramática que vive o Pongolle.
Qualquer pessoa, estando na posição do avançado do Sporting, não iria conseguir ter o mesmo rendimento, a mesma concentração, o mesmo empenho.
Eu, pelo menos, estaria inconsolável.
Há vida para além do futebol.
E o futebol deve ser uma coisa acessória, muito pouco importante na vida de qualquer um de nós.
Estou certo de que não só os sportinguistas, como todos os adeptos de outras equipas de futebol, estão absolutamente solidários com o jogador e desejam as rápidas melhoras à sua filha, para que Pongolle possa, o mais depressa possível, poder deliciar aqueles que gostam de ver bons jogadores e bons jogos de futebol.

Episódios iniciais de uma crise social

Basta sair de casa e dar uma pequena volta para perceber que o país começou já a sentir esta grave crise económica.
Basta olhar pela janela durante alguns minutos para perceber que a grave crise económica já ganhou contornos de uma ainda mais grave crise social.
Tenho ficado estupefacto quando, nos passeios com o meu cão, vejo os móveis desaparecerem da zona dos caixotes de lixo em poucos minutos.
No outro dia, bastou subir e descer do elevador para estar já um carro parado, onde estava uma senhora com um bebé ao colo, com o senhor a carregar uma máquina de vender tabaco que estava encostada, há poucos minutos, ao ecoponto.
Bastaram dez minutos para um móvel de televisão todo partido desaparecer do lixo onde estava. E vinte minutos para que umas tábuas de madeira fossem carregadas num pequeno carro branco. Até uma parte que restava de um vaso desapareceu com grande facilidade e rapidez.
Tenho visto algumas pessoas procurarem, no lixo, roupa velha e suja. Até já vi, várias vezes, pessoas procurarem restos de comida no lixo.
Hoje até me arrepiei quando vi uma senhora, aparentemente vulgar (cabelo loiro pintado e tudo!), a fazer de arrumadora de carros.
É óbvio que a crise social que Portugal vive vai muito além destes episódios, tristes e degradantes. Mas atrás das pessoas que vejo à procura do que está no lixo, atrás daquela senhora que hoje estava, desajeitadamente, a arrumar carros no Campo Grande, estão famílias que passam os momentos mais difíceis das suas vidas.
E esta situação agrava-se de dia para dia.
Sendo certo que o Estado não tem dinheiro para garantir mais poder de compra e oferecer mais e melhores meios às famílias, já deixou de fazer sentido falar-se apenas no endividamento destas. Já deixou de fazer sentido falar-se apenas na crise económica. Faz cada vez mais sentido falar-se em pobreza extrema e fome, aqui em Portugal. E a grande responsabilidade dos políticos, agora, é a de combater e ultrapassar a crise social que já assola este país. De uma ponta à outra.
Pouca sorte a dos portugueses que viveram numa altura em que o país foi (e continua a ser) desgovernado pelos socialistas António Guterres e José Sócrates.

domingo, 11 de abril de 2010

XXXIII Congresso

Nos últimos tempos, pude ouvir Passos Coelho muitas vezes e pude ler algumas das suas ideias.
Enquanto lia, enquanto ouvia, pairava sempre em mim uma enorme esperança de ficar convencido.
Hoje esperei, mais uma vez, para ouvir Passos Coelho.
Tinha sido um Congresso chocho, com muitas ausências.
Não se ouviu Ferreira Leite, Santana, Marcelo, Mendes…
Não se viram várias pessoas importantes do partido.
O único ex-lider que falou veio dizer para Capucho fazer o que Capucho já tinha feito e que Passos Coelho não tinha aceite.
Foi um Congresso tão chocho que nem Fernando Costa conseguiu arrancar as gargalhadas que arrancou há poucas semanas.
Até as caras que apareciam, pouco conhecidas e reconhecidas, foram pouco sugestivas, apesar de haver algumas excepções.
Provavelmente, não contando com os ex-candidatos à liderança, a intervenção que mais me surpreendeu pela positiva foi a de Mendes Bota. Muito bem na defesa de valores que partilho.
Também gostei de ouvir outros discursos, como o de Pedro Rodrigues, que é uma grande referência para qualquer jovem social-democrata.
Terão havido outros discursos interessantes, com algumas ideias que importa debater, como o de Miguel Frasquilho.
Mas valeu a pena ter esperado um pouco mais pelo discurso de Passos Coelho, que foi certamente o melhor que dele pude ouvir. É certo que não apresentou uma ideia para a economia, para a educação, para a saúde e para todas as questões que verdadeiramente interessam aos portugueses. Mas não embaraçou quem milita neste partido. Sem aqueles truques que incomodam quem está na política por bem e para servir os portugueses. Foi um discurso de esperança, que tocou em alguns pontos interessantes, com o intuito claro (na minha opinião) de mobilizar o partido e o seu eleitorado potencial para os tempos difíceis que estão ainda para vir.
Certamente, Passos Coelho não poderá voltar a cair no erro de apresentar propostas avulsas e de entrar num jogo de truques precipitados.
Terá de disciplinar o partido, sobretudo aquelas pessoas que, falando em unidade, lançam farpas a companheiros e fazem ajustes de contas com o passado.
Apesar de não ter votado nele e de dizer, com toda a liberdade, de que voltaria a votar no Paulo Rangel, tenho esperança de que Passos Coelho, menos interessado com o aparelho e mais focado na oposição ao Governo socialista e em servir o país, poderá mesmo unir o partido. Para depois ambicionar uma esmagadora vitória eleitoral.
Como em tudo na vida, é preciso dar tempo ao tempo.
E oxalá que no futuro possamos dar as mãos com toda a força e trabalharmos em conjunto para fazer de Portugal um país melhor.

Jesus e a fadiga


Eu vi o Benfica antes do Jorge Jesus.
Vi o Benfica com o Jorge Jesus.
E espero vir a ver, o mais depressa possível, o Benfica depois do Jorge Jesus.
Não há nada mais injusto do que estas críticas ao treinador do Benfica.
Apesar do jogo psicológico, em que puxamos sempre para o que mais interessa à nossa equipa, Jorge Jesus fez, no Benfica, um trabalho notável.
E a derrota de Liverpool não desvaloriza o que foi feito. O Benfica perdeu, perdeu bem, porque não teve pernas. Mas toda a gente sabe que as equipas portuguesas, num determinado momento, não têm pernas. É normal.
Tudo ficou mais difícil, também, porque, em Liverpool, o Benfica teve mesmo de jogar contra onze jogadores (durante os 90 minutos) e não teve direito a nenhum penalty.
Faz todo o sentido que o Sporting tenha dado tempo de recuperação à equipa do Benfica. Mesmo que isso custe ao Sporting. Mesmo que custe muito. Seria uma cobardia, se o Sporting ajudasse a tirar o campeonato ao Benfica, jogando num sábado ou num domingo, com um Benfica a meio gás. Não seria sério. Não iria haver a mesma verdade desportiva.
Sou contra os jogos às segundas, às terças, às quartas, às quintas e às sextas-feiras, mas, neste caso, faz parte do espírito desportivo que se dê, mesmo aos nossos maiores rivais, o tempo necessário para que os protagonistas da festa e do espectáculo estejam a cem por cento.
Só pelo esforço dos jogadores, o Benfica já merecia a vitória neste campeonato do Túnel, decidido há já muito tempo.

Fazer o que ainda não foi feito



Pedro Abrunhosa & Comité Caviar - Fazer o que ainda não foi feito

Pellegrini a menos para Barça a mais


As diferenças entre Barcelona e Real Madrid são as que distinguem uma grande equipa de um conjunto de super-estrelas.
O Barcelona não só é muito melhor que o Real Madrid como será também a melhor equipa do mundo da actualidade. E uma das melhores equipas de todos os tempos.
Daí que se justifique com grande facilidade a vitória no Santiago Bernabéu, que foi um obstáculo ultrapassado para a conquista de mais um título por parte dos catalães.
Mas quem acompanha o Real Madrid deve estar a pensar que, se Pellegrini tivesse lido bem o jogo e o encarasse com coragem, o resultado poderia ter sido outro.
Van der Vaart (claramente, o patinho feio nesta noite) esteve demasiado tempo em campo, Guti e Raul entraram tarde demais, com o jogo decidido.
O Real Madrid fica, assim, praticamente arredado da possibilidade de conquistar um título nesta temporada. E tal feito não é responsabilidade de quem investiu 300 milhões para ter uma equipa capaz de competir com um Super-Barcelona. Pellegrini tem muitas responsabilidades. E foi determinante neste jogo, como também já o tinha sido na eliminação prematura, e em casa, da Liga dos Campeões e no afastamento da Taça do Rei, humilhado por um pequeno clube dos arredores de Madrid.
De todo o modo, a exibição de Xavi, o equilíbrio defensivo e as transições fizeram com que o Barcelona tivesse ganho o jogo (e talvez, também, o campeonato) com todo o mérito. Fê-lo com oito jogadores da formação e com um treinador da casa.
Talvez por isso se justifique aquela frase de que o Barca é muito mais do que um clube.

sábado, 10 de abril de 2010

O Pirolito


Na semana passada estive num dos paraísos que já conheci na Terra.
Fui dar um passeio no campo. O Pirolito foi comigo. Com o Rex.
Adoro aquele passeio, com o campo verde, ao som dos pássaros, a seguir as pegadas de javali, com uma barragem em pano de fundo.
O Pirolito e o Rex também adoravam aquele passeio. E eu, algumas vezes, parava para ver os dois a brincar.
Tudo aquilo era tão leve, tão puro, tão inspirador, tão reconfortante, tão calmo, que, muitas vezes, quando penso no paraíso, visualizo imagens como aquelas.
Longe estava eu de saber que aquele seria o último passeio do Pirolito, um Rafeiro Alentejano que vi crescer. Que fazia caminhadas de vários quilómetros, pelo campo ou pela estrada, para estar com aqueles que mais o estimaram.
O Pirolito morreu. Foi atropelado.
Mas deixará sempre recordações naqueles que mais gostaram dele.
Recordações e ensinamentos.
Posso não poder voltar a dar-lhe festas na barriga como ele tanto gostava. Mas vou continuar a lembrar-me sempre daqueles momentos e passeios.
Porque aqueles momentos e aqueles passeios fazem parte das coisas boas da vida.
A vida é mesmo algo muito fugaz.
E é uma grande oportunidade estar vivo.
Assim sendo, devemos aproveitar ao máximo esta oportunidade para viver as coisas boas que a vida nos pode oferecer.
Foi isso que o Pirolito me ensinou.
A felicidade são segundos. São momentos muito mais curtos do que a própria vida.
O Pirolito ajudou-me muito a ser feliz mais vezes.
Se, algum dia, a minha alma se cruzar com a dele, será isso que lhe vou agradecer.
Que aproveite bem este longo descanso.
Até sempre. Até um dia, amigo.

Pequeno pormenor



Xutos & Pontapés - Pequeno pormenor

Triste fado.


A cobertura televisiva a este Congresso do PSD, até agora, tem deixado muito a desejar.
Não consegui ouvir todos os discursos. Mas ouvi um discurso, de um jovem passos-coelhista, que me chamou a atenção.
Falava do amor que temos pelo país.
Falava da procura dos jovens em qualificarem-se.
Falava da fuga dos jovens qualificados, apaixonados por Portugal, para outros países. Porque Portugal não os tem querido. E não lhes tem oferecido as condições de vida que as suas qualificações já deveriam impor.
Esse discurso, apesar de ter sido feito por um passos-coelhista, vai ao encontro deste sentimento de desolação que tenho relativamente ao passado recente deste país.
Por exemplo, a primeira razão que me impede de votar em José Sócrates é o facto de estar convencido de que este não tem as qualificações necessárias para ser Primeiro-Ministro.
E não digo isto para ofender Sócrates. Nem todos temos que ser doutores. Não há nenhum mal nisso.
Não podemos ter medo das palavras.
Ou se tem experiência de vida ou não se tem.
Ou se tem um curso superior, tirado como deve ser, ou não se tem.
Ou se tem uma carreira profissional criada com trabalho e mérito fora da política, ou se precisa dos partidos e das politiquices para sobreviver. E, porventura, nalguns casos pouco claros, também para enriquecer.
As pessoas competentes afastam-se da política quando são amigas de outras pessoas de bem que, por estarem fora desse mundo de bem (no mundo da política, portanto), são imediatamente perseguidas. Têm medo. Não estão para isso!
E o PSD devia, então, dar um sinal. Um primeiro sinal. Interno.
Mudar por mudar não muda nada.
O PSD conseguiu construir um património de excelência. Aliás, se sou militante neste partido, é porque estou convicto de que o PSD é, por várias razões, a excelência da política em Portugal. Daí que se deva ter muito cuidado com quem se escolhe. E para onde se escolhe.
Porque se, quando chegar ao Governo, o PSD tiver a mesma lógica, a realidade para a qual o Vasco Campilho apontou vai agravar-se: as pessoas competentes vão continuar a afastar-se da política, os jovens qualificados vão continuar a ir-se embora…
Que fado tão triste!...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Os submarinos


Já chateia este caso dos submarinos.
Chateia este e chateiam todos os outros.
Porque não está em causa a necessidade do Estado os adquirir. Basta ir ao Alfeite, ver o estado dos submarinos de que dispomos, olhar para o potencial do mar português, para, desde logo, compreender e aplaudir a sua aquisição.
As notícias foram lançadas cirurgicamente, neste momento, após o CDS ter votado contra o PEC, numa altura de nova liderança social-democrata que tem fortes possibilidades de conduzir o PSD ao Governo num futuro próximo.
Não há novidades, sendo que este "novo" caso não se resume em mais do que notícias, que o eram há vários meses e imagens de arquivo.
Perguntamo-nos todos: porquê agora?
Lá está. É que mudaram-se os tempos, mudaram-se os ventos e Paulo Portas incomoda.
Porque Portas tirou a maioria absoluta a Sócrates. E futuros resultados eleitorais irão estar condicionados ao seu trabalho, mas também à imagem que tiver junto do eleitorado.
Tudo o resto é fruto de um trabalho demolidor das agências de comunicação.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Descubra as diferenças



Tão diferentes, mas tão iguais.
Uniram-se para tirar o FC Porto da Liga dos Campeões, num ano em que o FC Porto mereceu estar nessa competição.
Entretanto, as relações entre os dois clubes estreitaram-se.
Extinto que está o Alverca (por razões que nunca ninguém percebeu bem), o Vitória passou a ser o novo Alverca, o novo clube amigo do Benfica.
Aliás, há quem, na direcção do Vitória, seja mesmo sócio do Benfica. Com quotas em dia...
Por isso, não é de estranhar que, hoje, esses dois clubes prossigam fins comuns. Porque comuns são também os interesses. São e ultimamente têm-no sido sempre.
Os de Guimarães não querem que os de Braga sejam campeões. Os de Benfica também não.
Daí que descobrir as diferenças seja uma tarefa complicada. Guimarães não é Benfica. E D. Afonso Henriques foi e será sempre muito mais que uma águia. É aí que está a diferença: na imagem. Tudo o resto é, e tem sido, rigorosamente...igual.

Para já, duas perguntas.

Será assim tão difícil o Sporting fazer aquilo que deve ser feito?
Será assim tão difícil ter um mês sem palhaçadas, confusões e trapalhadas?

O hino oficial da selecção

Tenho lido alguns posts sobre uma música que aqui também publiquei no passado.
Como é evidente, os gostos não se discutem.
O que eu disse foi: seria muito mais interessante, se o hino da selecção nacional de futebol para o Mundial da África do Sul fosse em português de Portugal.
Digo isso porque a Língua Portuguesa é um dos nossos maiores patrimónios e, por ser das línguas mais faladas em todo o mundo, merece ser divulgada.
O Campeonato do Mundo não é apenas uma competição de selecções de futebol. É uma reunião, uma festa de vários povos, de todos os cantos terrestres. É um dos palcos onde as nações têm maior visibilidade.
Num Campeonato do Mundo, promove-se o turismo, publicitando-se tudo o que cada país tem para oferecer.
Há quem critique um grupo de pessoas que pensa que aquela música portuguesa deve vir a ser o hino de selecção.
Mas preferem o quê?
Que o nosso hino na competição seja cantado por norte-americanos, em língua estrangeira?
Que o nosso hino na competição seja a música de um anúncio publicitário?
Claro que o hino pode ser outro, de que todos possamos gostar mais.
Mas, em português de Portugal, só há um. Esse e "A Portuguesa"...não há mais!
Se querem outro, em vez de criticarem, façam-no vocês!

domingo, 4 de abril de 2010