domingo, 31 de julho de 2011

O leão branco

Perante quase 49 mil pessoas, surgiu ontem um leão branco no relvado de Alvalade.
Chamava-se "sonho".
Nessa altura, o speaker do estádio disse, a propósito do nome do leão que "diz a tradição que só em sonho se vê um leão branco e é o nosso sonho e convicção que o Sporting será campeão".
Foi a grande surpresa de uma noite em que o Sporting desceu à terra, entre alguns outros bons momentos, como aquele em que Inácio entrou no relvado para dar a braçadeira de treinador a Domingos Paciência.
O pior, ou o melhor, surgiu depois, no jogo que se seguiu à apresentação, onde apenas o Valência esteve à altura do convite que lhe foi feito. Fez uma exibição de grande classe, de cinco estrelas.
O Sporting perdeu e perdeu bem. E, dos vários erros, há pontos positivos.
Desde logo, se havia quem pensasse que o Sporting poderia não precisar de, pelo menos, mais dois jogadores, espero que não tenha de esperar pelo jogo frente ao Málaga para os procurar.
Quanto ao resto, há que trabalhar.
Rinaudo, por exemplo, tem ganhar o ritmo europeu. Tem de se mecanizar o ataque. De acrescentar qualidade à ala direita do meio-campo e rigor no eixo defensivo.
Com Carrillo, Capel e Rodriguez em vez de Izmailov, Djaló/Pereirinha e o americano, o Sporting pode ter uma equipa mais capaz.
Esperemos ainda que Turan demonstre as capacidades necessárias para pôr Evaldo no banco, que Djaló possa ter uma equipa que potencie as suas qualidades, que Luis Aguiar perca quilos, que Wolkswinkel se encaixe melhor na equipa, que Rubio junte a velocidade à garra que demonstrou ter e que Marcelo possa ter mais discernimento na hora em que for chamado.
Não estamos ainda ao nível das melhores equipas da Europa, mas não se fazem milagres em três semanas. Apesar da derrota e do banho de bola, acredito no trabalho de Domingos e na forma como Duque e Freitas podem ainda vir a acrescentar qualidade ao plantel do Sporting.
Para perder por 3-0, ontem foi o dia ideal. O Torneio da próxima semana será mais duríssimo teste à capacidade do novo Sporting, mas o que interessa é o início de época. E, nesse sentido, faltam ainda 15 dias.
Contra a Olhanense, os argumentos terão de ser outros.
Estou convicto de que, nestes 15 dias, o Sporting saberá transformar os três golos sofridos na apresentação em três pontos na primeira jornada. Isso é o que verdadeiramente interessa!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Oeiras - passado, presente e futuro!


A inércia incomoda-me.
Mais me incomoda quando surge conjugada com uma indiferença coadjuvante.
Oeiras, a nível político, exige uma clarificação, porque, quando olhamos para as fronteiras entre o PPD/PSD e o movimento de Isaltino Morais, verificamos algo que se assemelha ao Espaço Schengen, onde a mobilidade não tem restrições, onde não se conseguem descortinar diferenças.
Independentemente do êxito, que, na generalidade, reconheço à meritória gestão de Isaltino Morais à frente da Câmara Municipal de Oeiras, incomoda-me a inexistência de uma oposição, mesmo que essa oposição seja, por diversos motivos, parceira de quem tem, legitimamente, o poder.
Há duas coisas que reconheço: o passado político-partidário local pode justificar a confusão existente entre aquilo que é PSD e aquilo que é IOMAF; Oeiras é um concelho-modelo, que teve, ao longo de trinta anos, uma gestão que foi (e talvez continue a ser) bastante boa. Mas há coisas por fazer, disputas por travar, desafios por enfrentar, combates por fazer. E, por isso, a menos que se assuma que PSD e IOMAF são a mesma coisa, o PSD deve, responsavelmente, fazer oposição ao Executivo Camarário, separando as águas, mostrando que é diferente aos olhos do eleitorado.
Não vou comentar possibilidades que ultrapassam o campo daquilo que é político. Mas o PSD deve estar preparado para exigir que Oeiras não condene o seu futuro, podendo vir a dar legitimidade a quem não a terá.
O que digo ultrapassa esse campo das eventualidades futuras.
Se o PSD em Oeiras fosse responsável, saberia, pelo rua-a-rua, que há muito por fazer. Há locais onde, sem motivos, os moradores são prejudicados, por exemplo, no que toca ao estacionamento, ao qual me tenho referido ao longo dos últimos anos.
Se o PSD em Oeiras fosse diferente (do IOMAF), saberia, pela força inegável de factos, que existem despesas desnecessárias sobretudo ao nível de empresas municipais igualmente desnecessárias, esbanjando-se verbas que poderiam e deveriam ser canalizadas para investimentos públicos ou incentivos sociais.
Se o PSD em Oeiras fosse competente, social-democrata e português, saberia reconhecer que foi feito, ao longo de décadas, um trabalho notável ao nível da integração de comunidades imigrantes, oriundas dos PALOP, primeiramente residentes em bairros de lata e, actualmente, alojadas em habitações dignas, criando-se condições para que as novas gerações, já portuguesas, descendentes dessas comunidades possam ter uma vida de oportunidades. Mas poderia e deveria ficar perplexo face à cada vez menor "Portugalidade" de Oeiras.
Por exemplo, e para não me afastar muito de causas a que me tenho referido, a Festa Brava faz parte histórico-culturalmente de Oeiras, concelho que teve, entre 1895 e 1974, uma Praça de Toiros em Algés, demolida por falta de condições, num espaço que, hoje, envergonha quem, vindo do Restelo, chega, de Lisboa, ao Concelho de Oeiras. Esse espaço é hoje um descampado mal cuidado, facto que não se justifica ainda que se fale de um espaço que é privado.
E por que não pensar em investir no regresso da Festa Brava a Oeiras, num local digno, mesmo que não seja naquela rotunda descuidada ou noutra freguesia que não seja Algés?
Se a ideia é descabida ou se deixa de o ser, esse é um facto que deixo à consideração dos leitores. É um exemplo. Mas há outros.
Veja-se a Ribeira de Algés, que continua sem solução.
Veja-se a descontinuidade entre Lisboa e Oeiras no ponto em que o Tejo abraça o Mar, não havendo, desde que se entra em Oeiras, continuidade para quem passeia ou pratica desporto naquele local único.
A Praia de Algés, que poderia ser ponto estratégico, agora vizinha da Fundação Champalimaud, exige outro tipo de atenção.
O Estádio Nacional, localizado no concelho de Oeiras, pode estar em vias de perder o mais bonito jogo de futebol em Portugal. A Câmara continua indiferente, quando deveria apostar, por via de protocolos, nesse complexo desportivo enquanto símbolo de um concelho que inclui o desporto como um dos direitos dos seus munícipes.
Apesar de não estar mal servida no que respeita aos transportes públicos, Oeiras deveria ser parceira do município de Lisboa no sonho de alargar as linhas de Metro, chamando a atenção ao Poder Central para a necessidade que o turismo sente em fazer o Metro chegar a pontos turísticos lisboetas como o Museu dos Coches, Padrão dos Descobrimentos, Jerónimos ou a Torre de Belém, permitindo-se a conexão, subterrânea ou não, com o concelho de Oeiras, de modo a potencializar Oeiras enquanto destino turístico, promovendo investimentos na hotelaria, apresentando as suas praias como factor determinante, assim como a localização estratégica.
São exemplos entre muitos outros. E são visíveis aos olhos de todos.
Há muito por fazer.
E, a menos que se clarifiquem as diferenças, ou a falta delas, continuo a defender que o PSD Oeiras (se é que continua a existir, em quem comanda politicamente o partido em Oeiras, resquícios daquilo que é e sempre foi o PPD/PSD) deve assumir as suas diferenças, apresentando as suas próprias propostas e os seus próprios projectos, destacando-se como o grande partido da oposição, preparado para assumir funções de poder no concelho a qualquer momento.

terça-feira, 26 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O caso Portucale


O país mediático vive da (compra e) venda de escândalos. O problema surge quando a sociedade actual, que devora todo o tipo de escândalos, os começa a exigir em alturas de mar chão. Para continuar a vender, e porque não há escândalos, desce-se um escalão e é daí que surgem os "casos". São os casos que sustentam televisões, jornais e rádios. São os casos que suportam estratégias de publicidade comercial. De um ponto de vista mais amplo, podemos mesmo dizer que são os casos que alimentam o quotidiano das pessoas.
Se repararmos, as empresas, os clubes e os partidos com maior sucesso têm, todos eles, um caso mediático. Casa Pia, Escutas, BPN, Face Oculta, Apito Dourado, Submarinos, entre tantos outros, nenhum deles teve o tratamento necessário por parte de uma Justiça que, ela própria, apenas serve para suportar uma sociedade que vive em torno de casos, uns bem graves e carentes de punições duras, outros apenas fruto da imaginação de meia dúzia de semi-conspiradores.
Um desses casos, que não tem fim, que continua a prender os jornais e as televisões é o caso Portucale, que surge ligado ao Grupo Espírito Santo, a pessoas responsáveis do CDS/PP, num Governo de maioria PSD.
Este caso, que só existe por envolver dinheiro e política, é um caso político, dirigido, que volta ao de cima sempre que é preciso condicionar eleitores ou mesmo os envolvidos no processo judicial. Obviamente, a questão de proteger os ideais ambientalistas é meramente secundária, acessória face às intenções principais.
De facto, por aquilo que é de conhecimento público, foram abatidos alguns sobreiros. Mas não foram abatidos para fins políticos. Antes o foram para que, do investimento inicialmente feito, saia um retorno grande através da utilização dos campos de golfe (em que o poder político está estratégica e obviamente interessado) e da venda de mais de 350 unidades de habitação. A herdade dispõe de vários sobreiros, alguns possivelmente plantados após o abate, bem tratados.
Ou seja, esta não é só uma questão judicial. É também uma questão política. E temos, enquanto sociedade, representada pelos políticos e pelos juízes, de decidir de uma vez por todas o que mais nos interessa. Da minha parte, e apesar de ser sempre, a priori, contra o abate de árvores, entendo que deve prevalecer sempre o interesse colectivo. E o interesse colectivo é que haja grandes investimentos, com retorno, feitos por privados e geradores de riqueza para o país e de postos de trabalho, desde que, como aconteceu naquela herdade, não se comprometa, com excessiva onerosidade ambiental, o espaço.
Estarão, por esta altura, alguns dos leitores ainda pouco receptivos às ideias que acima expus. Mas eu concluo, dizendo que, a pouca distância dessa herdade, o Estado (sim, o Estado) abateu centenas ou milhares de sobreiros, para que, dentro de várias herdades, passasse uma auto-estrada que "vai de nada a coisa nenhuma" num investimento sem retorno, descaracterizando ambientalmente o espaço em causa.
Pergunto: como pode o Estado (pela via política) decidir abater sobreiros para construir uma auto-estrada e, ao mesmo tempo, querer condenar os privados (pela via judicial) que abateram alguns sobreiros, ali a cerca de um quilómetro, para fins que interessam ao próprio Estado (poder político)?
De uma vez por todas, tem de haver um entendimento. Porque os juízes aplicam a justiça em novo do povo e os políticos devem representar, também eles, o interesse do povo. Se os responsáveis pelo abate de sobreiros num local devem ser condenados, então os outros também terão de o ser.
Concluindo, há duas saídas para esta historieta que alimenta muita gente: ou se punem os responsáveis pelo abate na Portucale e, nesse sentido, tem de se destruir a auto-estrada, repondo-se os sobreiros que o Estado abateu e devolvendo as terras aos antigos proprietários, ou então enterra-se esta história e permite-se que, ali, se possa continuar o projecto, realizando-se mais dinheiro, ficando o Estado a ganhar pela via fiscal. Uma espécie de clique poderá desbloquear o processo e repor, ali, a economia a funcionar numa altura em que país necessita de investimentos.
Também se trata, aqui, de uma questão de "soberania", porque, numa fase em que chamamos investidores estrangeiros, vindos cada vez mais de ex-colónias portuguesas, podemos desbloquear um investimento português em terras portuguesas com um impacto local que pode voltar a impulsionar a região, perto de um local onde se prevê que, a médio/longo-prazo, possa ser construído (espero eu que seja por fases) o novo aeroporto de Lisboa.
Há apenas um "senão": o país, que devora e sobrevive à base de casos, perde um caso. Mas casos podemos arranjar. Investimentos e riqueza, sobretudo nesta altura, é que é mais complicado...
Não podemos continuar a rejeitar os investimentos e a riqueza para fins políticos e mediáticos.
E atenção: "Portugal não pode falhar!"

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Agradecimento

Depois de trinta e oito cadeiras, de centenas de milhar de páginas lidas, de horas e horas de estudo, de nervos, de concentração, e também de ansiedade, de muitas conversas, debates, discussões, de nove orais, de centenas de casos práticos resolvidos, terminei hoje a minha licenciatura em Direito, dia em que realizei a minha prova oral de Direito Internacional Privado.

Não poderia deixar de, nesta data especial, deixar um agradecimento aos Professores da Universidade Católica e a todos os responsáveis pelo curso de Direito, nomeadamente à Isabel e ao Luís Belo, que me aturaram em vários dos requerimentos que fiz; aos meus colegas, que me impressionaram pelos conhecimentos e que tiveram, sobretudo nesta fase final, um papel determinante; aos meus pais, por me terem dado a honra de ter adquirido conhecimentos com alguns dos melhores professores de Direito do País e que, em casa, me proporcionaram todas as condições para que, com calma e concentração, pudesse fazer o meu trabalho; à minha família, que foi crescendo, porque é um pilar insubstituível na vida de qualquer pessoa; à Mafalda, minha namorada ao longo de todo o curso, pela companhia, pela amizade, pelo amor e pela paciência que teve; a Deus, que sempre pratiquei à minha maneira, que me amparou quando estive próximo da queda, que me segurou quando fraquejei, que sempre me deu Luz quando, na escuridão do caminho, a energia escasseou e o cansaço se apoderou de mim, por me ter ouvido quando, sussurrando baixinho e a horas tardias da noite, pedi que iluminasse o trajecto.

Estando de consciência tranquila, própria de quem sente que cumpriu com os seus deveres, não poderia deixar de dizer e reconhecer que, sem a cooperação e ajuda das pessoas e entidades referidas no parágrafo anterior, eu não teria conseguido.

Muito obrigado.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A escolha, no PS, depois de Sócrates


Eu não sou do Partido Socialista, não desejo sucesso às ideias defendidas pelos socialistas, mas nem por isso deixo de querer que o PS tenha uma liderança forte, de modo a aquecer o debate político, debate que se deseja vivo, saudável, responsável e sempre leal.
Não sendo militante, nem sendo, longe disso, socialista, não deixo de ter opinião relativamente aos dois candidatos. Se eu pudesse escolher, escolheria Francisco Assis.
E escolheria Francisco Assis porque é, e sempre foi, um verdadeiro soldado, um soldado corajoso, um soldado de ideias, um soldado que viu as tropas irem virando costas ao combate e, quase sozinho, deu sempre o corpo às balas, por si, pelo seu exército.
Creio que, nesta altura difícil do país e da Europa, Francisco Assis poderia injectar alguma pujança à esquerda moderada e moderna. Poderia ser um parceiro de uma coligação de direita, rasgando com a falta de sentido de Estado de um PS que nada quer para o país e apenas deseja o poder.
Pelo contrário, Seguro é um homem apagado, supostamente intocável, nada tendo feito além da ascensão silenciosa pela via partidária. Será, certamente, mau para o país quando, a partir das próximas eleições socialistas, o PS mostrar uma liderança apagada, silenciosa, com medo de arriscar para o bem do país, uma liderança sem sal.
Nestes tempos difíceis, em que os jovens estão, como nunca antes, atentos e participativos em relação à política, Francisco Assis poderia, em conjunto com Passos Coelho e com os outros partidos, ajudar a reformar o sistema político e partidário, abrindo-o à sociedade civil, apelando, com isso, a uma mais estreita participação dos mais jovens.
Mas a mais do que provável vitória de Seguro demonstra bem aquilo que é, ou aquilo em que se transformou, o PS. É um partido sem convicções, que se move em função de quem ganha, de quem pode ganhar. Há um mês choravam com a despedida de Sócrates. Agora, esfregam as mãos com a possível vitória de uma liderança transitória, de um líder que sempre esteve na sombra do poder, manifestando-se, silenciosamente e sempre com preocupação de não criar nenhum rasgo, como o opositor mudo de José Sócrates.
Não podemos dizer que o mundo mudou em 15 dias. Mas podemos, com toda a convicção, dizer que os últimos 15 anos, de maiorias socialistas, quase mataram o PS. Vamos ver se ainda será possível que os partidos não-socialistas do centro e direita vão a tempo de impedir que o mesmo aconteça, também, no país.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O(s) Primeiro(s) Passos


Quando, a 5 de Junho, se soube o resultado das eleições, todos já esperavam uma vitória social-democrata, que conseguiria, com quase toda a probabilidade, a maioria absoluta em coligação com o CDS/PP.

O novo Governo foi formado apressadamente, tomou posse em tempo recorde e, rapidamente, foi tomando conhecimento profundo das pastas, recebendo uma herança pesada, que não era desconhecida, de um Governo socialista arrogante, irresponsável, quase despótico.

Todos sabíamos que a margem era reduzida, mas sobravam algumas dúvidas relativamente à execução orçamental. Nesse sentido, para se acautelar de algum imprevisto, Passos Coelho fez bem em anunciar um conjunto de medidas que iriam além das medidas negociadas (leia-se, praticamente impostas) pelo triunvirato.

Do Presidente ouvimos que “Portugal não pode falhar”. Do Primeiro-Ministro ouvimos que “Portugal não falhará”. Se é certo que Cavaco tinha razão, também não deixa de ser evidente que tudo tem de ser feito para que as medidas de austeridade e a recessão económica não sejam em vão, com custos enormes e quase fatais junto de muitas famílias portuguesas. A austeridade, o esforço, o sacrifício têm forçosamente de ser recompensados com uma melhoria da situação nas finanças públicas.

Podemos dizer, de um modo sucinto, que Passos Coelho foi responsável, fez quase tudo bem.

Neste percurso, que ainda está muito no início, ninguém desmente uma série de intenções pouco consistentes, algumas delas, porventura, inconstitucionais. Mas o estado a que o Estado chegou e a necessidade de tomar algumas medidas que são extremamente duras, e que têm em vista a construção de um país que possa voltar a crescer, impõem a tal revisão constitucional, que não pode, ainda assim, ser conjuntural. Antes disso, terá de ser o ponto de partida para um Portugal de futuro.

Será lamentável que se reveja a Constituição para um determinado período de anos. A meu ver, quando se faz, quando se altera, quando se revê uma Constituição, a feitura, a alteração, a revisão tem de ser feita no sentido de projectar um Portugal novo, assumindo a utópica ideia de que será a Constituição ideal, para quase todos os tempos.

Digo isto porque não se pode rever uma Constituição, pilar do Estado Português, em função de um conjunto de circunstâncias que, a serem alteradas no futuro, exigirão nova alteração.

Podemos dizer, ainda assim que é quase unânime junto dos portugueses a ideia, partilhada pelo Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho de que Portugal precisa, com relativa urgência, de alterar a sua Constituição.

O outro ponto de que falta falar sobre os primeiros tempos de Governo, e que tem sido alvo de críticas, prende-se com a forma de equilibrar as finanças públicas. Até agora, sabemos que se irão aumentar as receitas. Não sabemos ainda como se irá reduzir a despesa. Não sabemos as medidas, mas já sabemos alguns dos caminhos possíveis. Reduzir o número de autarquias, reduzir a máquina do Estado, suspender alguns dos megalómanos investimentos públicos projectados pela governação anterior, eis três das várias intenções.

É natural que o novo governo esteja ainda a conhecer os dossiers. São precipitadas as críticas à não contenção da despesa pública, ainda para mais quando já se anunciou essa intenção, quando já se apresentou uma série especificada de vias.

Deixe-se o Governo governar. Trabalhe-se melhor, produza-se mais, poupe-se no que se puder poupar. Arrisque-se porque este é o tempo certo para construir negócios próprios. E seja-se mais solidário, porque a solidariedade nacional será fundamental para que Portugal não comprometa ainda mais o seu futuro, para que não continue a condenar gerações qualificadas, para que não continue a atentar à memória de quem, durante oito séculos e meio, fez, deste, um País Maior.

domingo, 10 de julho de 2011

O conluio e o Sporting


Houve muita gente que ficou incomodada com a contratação do capitão do AZ Alkmaar por uma verba muito baixa num negócio que só foi conhecido quando o jogador internacional holandês já estava em Lisboa, depois dos testes médicos, nas instalações do Estádio José de Alvalade, a minutos de ser apresentado como reforço do Sporting.
No mesmo sentido, os principais meios de comunicação social nacionais devem ter passado por alguns mal-estares de estômago quando, tal e qual aconteceu com Schaars, o Sporting só divulgou a contratação do avançado Wolkswinkel ou do norte-americano Onyewu quando quis, com os jogadores prontos a ser apresentados.
Esta humilhação foi ainda maior quando o Sporting, sem intromissões de bastidores, foi buscar o guarda-redes titular do Marítimo para ser suplente de Patrício, sendo que o primeiro órgão de comunicação social a noticiar a transferência do brasileiro foi um jornal regional madeirense.
Antes destas contratações, também Carrillo chegou a Lisboa e ao Sporting sem que ninguém soubesse.
É normal que quem tem de dar notícias para vender, e quando, por incompetência (bastava estar alguém com permanência no aeroporto para ver quem chega!), não consegue dar notícias, se sinta angustiado com este novo comportamento do Sporting.
Quanto aos outros reforços - Turan (internacional na selecção de esperanças francesa), Arias (promessa colombiana que lutará por um lugar no plantel), Rodriguez (que preferiu o Sporting ao Benfica), Rinaudo (a melhor contratação, a nível preço-qualidade, do defeso sportinguista), Luís Aguiar (determinante nas equipas de Domingos), Rubio (avançado emergente no futebol sul-americano) e Bojinov (estrela búlgara, que já passou pela Fiorentina, Juventus ou Manchester City, apesar de ter brilhado com maior fulgor no Lecce) - só souberam porque foi vontade do Sporting que os órgãos de comunicação social soubessem com antecedência.
Parece-me que o texto manhoso escrito por Querido Manha no Correio da Manhã, a crónica fedorenta de um Gato benfiquista no jornal Record, para não falar de jornais semi-oficiais de Benfica e Porto, que são ABOLA e OJOGO, revelam que a política de comunicação e de contratações do Sporting está a incomodar.
Mas olhemos para os nossos rivais.
No Porto, o treinador que estava na cadeira de sonho foi atrás dos milhões com medo da pressão que tinha, na cidade invicta, de superar José Mourinho, tendo, na mentalidade dos portistas, a quase-obrigação de vencer a Liga dos Campeões. Foi embora e deixou recado. Pinto da Costa, com medo de falhar a contratação dos treinadores que queria (Jorge Jesus ou Domingos Paciência), agravando a humilhação pública causada pela fuga de Villas-Boas, optou por pedir a Vitor Pereira, que está a milhas de qualquer um dos treinadores referidos neste parágrafo, para treinar a equipa.
No Benfica, Coentrão fez birra, declarou publicamente, longe do território encarnado, que queria ir embora. Quis e foi. O Real paga 30. O Benfica devolve parte e recebe uma reserva do Real com salário milionário, para fingir que foi por 30, só para não ficar mal na fotografia. Luizão já está, outra vez, a dizer que quer sair. Se não fosse o facto de Jesus e Vieira estarem com a corda demasiado esticada, o Benfica estava agora tão mal como na pré-época passada. Mas, um ano depois, as cenas são as mesmas, o dinheiro escasseia, os adeptos estão em brasa, Rui Costa está farto, Jesus tem medo de sair, Vieira joga a última carta antes de ser substituído pelos sócios. Por muitos Garays ou Witsels que apresentem, que chegam por preços bem caros, ninguém consegue esconder que, no Benfica, há um mal-estar evidente.
Esta é a conjuntura com que partimos para a nova época. E, tendo em conta as facadas nas costas no Benfica e no Porto, o alvo passa a ser, necessariamente, o Sporting. Porque fez tudo bem. Porque ninguém está no Sporting contra a sua vontade. Porque o Sporting se reforçou bem. Porque o Sporting fez o que nem o Real Madrid, o Chelsea, o Barcelona ou o Manchester United conseguiram fazer: convencer bons jogadores a assinar, sem jogadas de imprensa, sem a imprensa saber, a preços acessíveis.
Agora, a missão deste conluio anti-Sporting passa por tirar o fôlego, por apagar a chama que se sente entre adeptos. A Sporttv transmite jogos entre o Benfica e equipas amadoras de pessoas das localidades por onde o Benfica vai passar (daqueles feitos de propósito para o Benfica ganhar), mas não vai transmitir um único jogo do Sporting no estágio da Holanda.
Por obrigação, lá vai ter de transmitir o jogo de apresentação e do Torneio Ramón Carranza. Mas, segundo o que sei, nem sequer vai transmitir o Sporting-Juventus, jogo que se realizará no Canadá.
Eu não os critico por não o fazerem, como também não critico quem, parcialmente, escreve contra o Sporting. Nem sequer critico quem conta meia-verdade da história Villas-Boas, da história Coentrão, da história Luizão, da história Roberto e Júlio César/Luís Filipe Vieira/Jorge Jesus. Fazem o trabalho deles.
Limito-me a verificar factos e a tirar conclusões.
Concluo, por isso e com tudo isto, que estão com medo do Sporting. Vão estar contra nós no dia-a-dia nos jornais. E estejam prontos para que tenhamos de jogar contra 12, 13 ou 14 jogadores.
Mas nós estamos motivados. Ultrapassaremos obstáculos, barreiras e até fronteiras. Andaremos por todo o lado, de norte a sul do país, nas ilhas e por toda a Europa, a levar uma equipa ao colo, vestindo o verde da esperança e o branco da paz, nessa caminhada longa e dura que culminará com a conquista de títulos e, entre esses, com o estatuto de Campeão Nacional.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Maria José Nogueira Pinto


É um facto. Não há quem possa ser substituível.
O País perdeu uma Senhora, uma Grande Senhora, irredutível na defesa da cidadania, das causas sociais, do País.
É uma perda irremediável.
É, também, uma tristeza profunda num momento em que, por mérito próprio, Maria José Nogueira Pinto conquista o Reino dos Céus.
Aos seus amigos, que perderam uma verdadeira amizade (daquelas que praticamente estão em vias de extinção), sobretudo aos que partilharam, com a mesma grandeza de espírito, a defesa das mesmas causas e, nestes últimos momentos, as suas preocupações na luta pela vida, aqui deixo a minha solidariedade, os meus votos de pesar, o meu sincero abraço.
Este adeus deixa um vazio inocupável.
Fica o Exemplo. Fica a Inspiração.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Inspiração


"Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu."

(Francisco Octaviano)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Parabéns Sporting!


O melhor clube português faz hoje 105 anos de História.
Hoje, o maior museu desportivo nacional e o segundo maior da Europa estará, por isso, aberto aos sócios do Sporting.
Serão também gratuitas as visitas dos sócios com quotas em dia ao centro do império leonino, vulgarmente conhecido por Estádio José de Alvalade.
Se vives o Sporting com esta paixão, se olhas para o desporto com este sportinguismo doente e praticante, e ainda não és sócio, hoje (e só hoje!) podes fazer-te sócio sem pagar a inscrição.
Por 12 euros mensais passas a ser um dos nossos. E vale a pena. Porque tu, sendo sócio, és Sporting.
Parabéns Grande Sporting!
Saudações leoninas a todos os sportinguistas.