
sábado, 29 de outubro de 2011
O Vitória

quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Seguro, mas pouco.

terça-feira, 25 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Simão

terça-feira, 18 de outubro de 2011
A Ermelinda

A Ermelinda (nome fictício) é uma pessoa humilde que deixou a sua terra perdida num norte deserto, entre a beleza das paisagens e a vida extremamente pobre das pessoas, para casar, trabalhar, dar uma vida de oportunidades à sua filha.
Não vive melhor do que viveria, se tivesse ficado. Fê-lo por amor e, sobretudo, pelo amor à sua filha. Vive numa moradia nos arredores de Lisboa, que talvez lhe faça lembrar o cantinho onde nasceu e onde passou a infância. Recebe pouco mais que o salário mínimo. Mas talvez não ganhe mais do que isso, se tivermos em conta as despesas que tem com o transporte e estacionamento para o local de trabalho.
A Ermelinda paga os seus impostos, todas as suas despesas. Passa mal para poder pagar as centenas de euros (duas, pelo que me disse) em manuais escolares para a filha.
É, repito, uma pessoa humilde. Humilde e trabalhadora. Por assim ser, tem muitas vezes razão naquilo que diz.
No outro dia fui falar com ela. Perguntei-lhe o que achava das medidas do Orçamento de Estado. Disse-me que eram mesmo muito duras. Aliás, a sua expressão mudou significativamente desde esse dia.
Nunca lhe perguntei se votava. Nunca lhe disse para ir votar. Nunca fiz, com ela, qualquer tipo de campanha. E nunca o fiz porque sempre tive a consciência de que ela, pelas dificuldades por que passou ao longo da vida, sempre quis, certamente mais do que eu, mudar para melhor.
Falei-lhe, para meter conversa, dos destaques que tinham acabado de passar nas televisões sobre as medidas: mais meia hora de trabalho diário, despedimentos de milhares de pessoas, cortes totais nos subsídios de férias, etc.! Falei-lhe ainda das consequências que essas medidas irão ter na economia e na vida das famílias. As pessoas vão viver pior.
Concordou comigo. Era, de facto, um cenário penoso. Para mim, para ela, para toda a gente. Mas acrescentou duas coisas: que alguns políticos, banqueiros e outras pessoas com poder na nossa economia deveriam ser responsabilizadas; que, acima de tudo, tinha medo dos assaltos e da criminalidade.
Confesso que estranhei.
Em primeiro lugar, porque a Ermelinda nunca tinha falado da responsabilização dos políticos. Mas não era só dos políticos. O que ela queria, e com legitimidade reforçada depois do anúncio das medidas, era a condenação de todos os que, criminosamente, arruinaram a nossa economia. Porque a Ermelinda trabalhou toda a vida, ela e o marido, para que a filha, pelo menos ela, pudesse ter uma vida com uma dignidade maior.
Em segundo lugar, porque sempre pensei nas dificuldades que os doentes irão ter na compra de medicamentos, que os pais irão ter para manter os filhos nas escolas, que as empresas vão sentir para se manter em actividade, que as famílias vão passar para sobreviver. Mas ela falava-me dos assaltos e da criminalidade que estava para chegar.
Também aí tinha toda a razão.
Uma pessoa aguenta as dores de barriga, pode esperar um pouco mais por uma operação, pode recorrer a métodos artesanais, pode passar fome para poder estudar, pode comer um pouco de pão que, com água, sobrevive. As empresas podem viver com aquilo que têm. Podem reinventar-se, assim como os desempregados. As pessoas podem acautelar-se nas alturas em que sabem que a justiça não funciona. Mas os assaltos (mais do que os cortes e os impostos) tiram-nos tudo aquilo que juntámos ao longo da vida. E, numa altura destas, não temos, de um ponto de vista factual, maneira de reaver o fruto do trabalho que nos é, ou pode ser, furtado ou roubado. A criminalidade tira-nos tudo. Pode, inclusivamente, tirar-nos a vida. E sem vida não há nada.
Hoje, junto à Universidade Católica, lembrei-me da Ermelinda porque vi um cenário nunca visto nos tempos da licenciatura nem no primeiro mês do mestrado. Havia uma série de automóveis com os vidros (do lugar do morto) partidos. O porta-luvas estava remexido. Em plena tarde, alguém tinha assaltado aqueles automóveis. Ganhei o dia quando vi os vidros do meu automóvel intactos.
Eu, um outro rapaz e uma rapariga ficámos incrédulos quando chegámos ao pé dos nossos automóveis e vimos aquilo. Porque a situação do país tinha chegado ao que acaba por ser o centro das nossas vidas. Estacionamos ali todos os dias. Vamos ali, pelo menos, cinco dias por semana.
Ligámos para a polícia, ninguém nos atendeu. Nem da polícia, nem da chamada de emergência.
Pode haver défice, dívida, cortes, sacrifícios, pobreza, miséria, fome. Mas tudo isso são causas. A criminalidade é a consequência. E, enquanto alguns "só sabiam da missa a metade", a Ermelinda já via o filme todo. Nesta conjuntura (de pobreza crescente), os primeiros problemas que assolarão país serão os assaltos e a criminalidade.
Pelos vistos, estão cada vez mais próximos de nós.
E atenção! Esta é só uma chamada de atenção para o tempo que aí vem.
Chegámos ao momento onde nunca pensámos chegar.
Será, certamente, o pior momento de todos aqueles que temos vida.
O alarme soou. O país parou. O Estado fechou.
Se fechou, o melhor é pôr trancas à portas.
Não vão por mim. Vão por ela. Porque ela, pelas batalhas que disputa diariamente desde que nasceu, é que conhece o seu mundo, o seu país. Conhece-o melhor que ninguém. Não é velha, mas é das antigas.
E, como é das antigas, é normalmente ela que tem sempre razão.
Esta história é só uma prova disso.
Nota: Exceptuando o nome, todo o resto desta histórica é rigorosamente real.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
"O Sporting é a minha vida"

sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Portugal, ontem, hoje e amanhã!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Coragem!

Sem um núcleo que é fundamental, a selecção portuguesa tem dois grandes jogadores: Ronaldo e Rui Patrício.
Se Portugal tivesse jogado com outros dois jogadores, teria sido humilhado por 5-0 e estariamos em estado de choque a pôr quase tudo em causa.
Defensivamente, esta equipa precisa de Carvalho, de Pepe, de Bosingwa e de Coentrão.
No miolo, Hugo Viana e André Santos, em papéis diferentes, têm qualidades que Martins não teve, não tem, nunca terá.
Na frente, precisa-se de alguém que marque golos, que não destrua o jogo dos extremos, que não nos faça perder tempo e jogadas com sucessivas faltas e foras-de-jogo.
Postiga é uma nódoa. Nuno Gomes, sendo útil, já não tem a velocidade para ser titular a este nível. Hugo Almeida é sempre uma incógnita.
Há quem fale de João Tomás. Seria merecido. Mais merecido do que Postiga. Mas há um avançado português, da liga portuguesa, que não destrói jogo e marca golos.
Chama-se Wilson Eduardo. Está no Olhanense, por empréstimo do Sporting. Já deu provas de que pode merecer a confiança do seleccionador.
Dito tudo isto, creio que a palavra "coragem" tem andado fora do dicionário de Paulo Bento e dos portugueses.
Há que ter coragem de pedir que Carvalho reconsidere.
Há que ter coragem de chamar Bosingwa.
Há que ter coragem de preterir titulares de grandes clubes, dando confiança a suplentes desses grandes ou ao Hugo Viana, que joga no Braga.
Há que ter coragem de assumir que, sem a defesa na sua máxima força e sem o onze-base, temos a selecção mais banal dos últimos anos.
Há que ter coragem de abdicar da falta de jeito de Postiga, da falta de velocidade de Nuno Gomes, da falta de consistência do Hugo Almeida.
Há que ter coragem de chamar, para titular, um avançado da Olhanense.
Essa é a minha opinião.
Com coragem, multiplicada seis vezes, talvez possamos chegar ao Europeu com as legítimas ambições que tivemos em 2000, em 2004 e em 2008.
Independentemente do que acontecer, só faz sentido viajar para o leste no próximo ano com a convicção de que, depois da final, regressaremos com a taça.
Se for só para marcar o ponto e para jogar um futebol morno, então que volte o derrotado e conformado Carlos Queiroz.
domingo, 9 de outubro de 2011
Puro Sangue Lusitano, decisão no precipício
Nós, que não somos gregos, podemos imaginar o seu estado de espírito quando a possibilidade de vender as suas ilhas foi noticiada pelo mundo fora. Numa lógica de vender os anéis para ficar com os dedos, os gregos terão sentido esse peso como ninguém. A responsabilidade era deles. Essa possibilidade só a eles se devia. E, para o povo que inventou a democracia, sentir que iria ficar sem um dos seus mais importantes cartões de visita deve ter sido sentido como uma machadada quase definitiva na identidade de um povo com muitíssimos séculos de História.
O Estado Português vive uma situação financeira dramática com um impacto enorme a nível económico e social. A situação financeira, tenhamos coragem de dizê-lo, deve-se a um conjunto de medidas desgovernativas do período traumático que se seguiu à revolução de Abril. E, apesar de nos devermos assumir como europeístas praticantes, houve também uma (ir)responsabilidade da União, que foi decisiva na forma como o país foi vivendo mortes lentas nos mais diversos sectores.
Não temos nenhuma razão para sorrir. As pequenas e médias empresas vivem sérias dificuldades, multiplicam-se os despedimentos e os salários em atraso. Os jovens, sentindo os seus sonhos e horizontes castrados em Portugal, vão embora à procura da dignidade que este país deixou de lhes poder oferecer.
A economia parou. Parou por força das empresas públicas, parou por força da banca e dos grandes grupos económicos, parou pelas mais diversas circunstâncias. O que é certo é que a riqueza deixou de ser redistribuída pelo Estado (que, irresponsavelmente, suga aquilo que pode sugar), pelas empresas e pelos particulares. Portugal, diz-se por aí, faliu. E, como faliu, para já vivemos na lógica no ninguém paga a ninguém.
Ora, se ninguém paga a ninguém, se o Estado suga em vez de investir, se deixou de haver trabalho, se o consumo das famílias tem vindo a cair em flecha, podemos concluir que, no século XXI, trinta e sete anos depois do 25 de Abril, Portugal está a construir pobreza.
Chegámos ao precipício. E temos ainda muito a perder.
Perdemos a honra, a riqueza, a dignidade. Só não vamos perder o ouro que juntámos durante séculos porque não nos deixam, porque nos obrigam a ter de ficar com ele. Caso contrário, fá-lo-íamos, continuando a viver acima das nossas possibilidades.
Apenas não perdemos a História, porque essa perdurará até haver livros, documentos e memória.
Quanto às ilhas, há cada vez mais portugueses continentais que, no subconsciente, se querem ver livres do peso da dívida da Madeira.
Resta-nos o quê? Tendo em conta o facto de estarmos a auto-destruir as nossas humildes mas honrosas tradições e a beleza paisagística, praticamente o que nos resta é a Língua, é o Fado, é o Puro Sangue Lusitano.
A Língua Portuguesa sofrerá alterações na passagem do ano. Dir-me-ão que faz parte do desenvolvimento cultural. Tenho opinião, diversa, mas não discuto. Preocupa-me o facto de ver a nossa Língua sedeada noutro local fora deste país.
O triste fado que cantamos força-nos também a reflectir sobre o Puro Sangue Lusitano, que é, a par do Árabe e do Inglês, um dos três Puro Sangues que existem no mundo. É um cartão de visita, um produto português com certificado de qualidade.
Estamos a perdê-lo.
O centro da criação e do comércio deste Cavalo Nacional, se nada for feito, deixará de estar em território nacional. Corremos o risco de vê-lo situado numa qualquer fazenda brasileira. E, na Europa, o centro poderá passar a localizar-se na Bélgica ou França. Isso poderá demorar uns meses, uns anos talvez.
Mas a situação da Coudelaria de Alter, de 263 anos, está por dias. O Estado não tem dinheiro para a sustentar. Os animais deixaram de ser vendidos em leilões. Deixou de haver transparência na sua gestão. Diz-se, nos corredores da vida, que deixou de haver dinheiro para alimentar os animais, que a intenção governamental é, travestidamente, extinguir esta Instituição que faz parte do Património Histórico e Cultural do país.
O Serviço Nacional Coudélico, apesar de existir, por já não conseguir saber servir, não serve a ninguém.
Na Associação dos Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano não há paz. Tem vingado uma lógica pouco transparente nas relações entre os criadores, os consumidores de cavalos desta Raça, mas sobretudo entre os próprios criadores e a Associação.
A propósito, há uma história absolutamente dramática que merece ser contada.
Em tempos, numa fase igualmente complicada da Coudelaria de Alter, houve um senhor que a ajudou, cedendo, ao Estado, por via dessa coudelaria pública, dois garanhões e um núcleo de éguas. Esse senhor, que Deus já tem, construiu uma das poucas linhas que existem de cavalos lusitanos, teve um contributo essencial na criação e desenvolvimento da Raça, ajudou o Estado Português, a Raça, os criadores.
Os herdeiros partilharam essa sua paixão pelo Cavalo Lusitano e continuaram a criar cavalos. Fizeram-no sem incentivos do Estado. Pelo contrário.
Por força de pontuações e resultados pouco rigorosos, um dos seus filhos sente-se forçado a vender algumas das suas éguas, do melhor que há no país e no mundo, para o talho.
Quem cria, com amor, trabalho, sacrifício e dedicação, cavalos Puro Sangue Lusitano, não pode ficar indiferente ao que se está a passar, até porque se trata de algo que é dramaticamente histórico.
É revoltante!
Não vou sequer falar da forma pouco responsável como a pessoa responsável a nível governamental, por desconhecimento de causa, pensa ter descoberto soluções para a Escola Portuguesa de Arte Equestre. A dignidade que merece a Escola e a própria Arte Equestre impede-me de descer a tão baixos patamares.
Mas a situação é séria. E, sendo séria, tem havido uma incapacidade de quem lidera no sentido de evitar e ultrapassar os problemas sérios e decisivos que se colocam hoje ao cavalo Puro Sangue Lusitano como produto português de excelência, à Coudelaria de Alter, aos criadores que estão associados numa Associação que tem pouca habilidade e visão para os desafios que se nos colocam a todos.
Tendo em conta a importância que o nosso cavalo tem na identidade portuguesa, assim como a relevância que poderia adquirir no futuro a nível económico e turístico, nesta altura, que é decisiva, não podemos baixar os braços.
Sem rupturas e guerras que possam deitar tudo a perder, com sentido patriótico e de Estado, temos a obrigação de corresponder a esta chamada de urgência, que é dramaticamente histórica, fazendo aquilo que for possível para salvar este património, material ou imaterial, que é parte integrante da nossa identidade enquanto portugueses.
Enquanto filho de um criador, sócio-fundador da Associação a que acima me referi, sou um apaixonado pelo Puro Sangue Lusitano. Por ele, faço o que posso, investindo nele tudo aquilo que me é possível investir, sempre de acordo com os poucos conhecimentos que tenho. Sei que o faço em conjunturas que não poderiam ser, e talvez até nunca tenham sido mais, adversas. Mas este é o grande desafio e esta é a minha causa.
Por uma questão de gratidão, de memória e de reconhecimento, por uma questão patriótica e de Estado, pelo amor a uma causa portuguesa e rural, por acreditar que se trata de uma questão de identidade nacional e com viabilidade aos mais diversos níveis, nenhum de nós pode deixar morrer a Coudelaria de Alter, as mais importantes Coudelarias privadas nacionais, a Escola Portuguesa de Arte Equestre e tudo aquilo que, surgindo ligado ao gado cavalar e ao Puro Sangue Lusitano, é de claro interesse público.
Fazer ou não fazer. Lutar ou desistir. Ter problemas e pegar nos problemas ou vender a alma ao diabo. Ganhar ou perder.
A escolha é de cada um.
A História responsabilizar-se-á de a julgar.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Uma vista de Lisboa

quinta-feira, 6 de outubro de 2011
12 anos depois
"O Fado é tudo o que eu digo mais o que eu não sei dizer." (Letra de Aníbal Nazaré, cantava Amália Rodrigues)
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Dia do animal
A ambição de ser primeiro

Não são os jogadores que chegaram, internacionais das melhores selecções do mundo, cujo talento é reconhecido por todos. Não é a forma sábia como o nosso treinador lê o jogo. Não são as nossas exibições, solidárias a defender e avassaladoras a atacar. Não são as nossas vitórias. Não é nada disso que assusta os nossos adversários. É a paz que voltou, a esperança que voltámos a ter, a alegria que passámos a sentir. Isso é que os assusta!
E estejam preparados. Eles vão fazer tudo.
Vão continuar a sair notícias como as que têm saído. Vão tentar separar-nos. Vão inventar que há jogadores que querem pensões por invalidez, que a direcção se virou contra a claque, que o capitão é para sair por tuta e meia, que o nosso guarda-redes é um frango. Vão dizer que não temos preparação, que a luta é entre os outros dois, que somos uma espécie de Braga entre os grandes.
E vão continuar a marcar-nos fora-de-jogos que não existem, vão continuar a anular-nos golos limpos, vão fazer vista grossa em grandes penalidades a nosso favor, vão pôr em causa a integridade física dos nossos jogadores. Vão expulsar jogadores nossos por tudo e por nada. Vão castigá-los.
Será provável que, em qualquer um dos jogos decisivos, não tenhamos os onze jogadores que constituiriam idealmente o onze principal.
Vai valer tudo, como tem valido.
Responderemos sempre da mesma forma. Com superioridade nas palavras e nos actos. Com exibições de encher o olho. Com uma vontade enorme de entrar em cada batalha com o objectivo de ganhar a guerra.
Poderemos vencer, poderemos perder. Mas lutaremos. Passo a passo.
É também de grandes sonhos, de grandes equipas, de grandes ambições e de grandes vontades que, entre os pingos da chuva, podem vir a sair campeões nacionais.
Temos a alma limpa e a consciência tranquila de que, tivesse havido verdade desportiva, estariamos em primeiro lugar.
Mas, mesmo não havendo verdade desportiva (a nosso desfavor), queremos ser, ainda assim, primeiros no fim.
É por isso e para isso que estamos neste campeonato.
Não vai ser fácil.
Viva o Sporting!
A luta sindical

De facto, hoje, os sindicatos, sobretudo aqueles que são mais mediatizados, continuam presos a um passado ultrapassado. Nesse sentido, não acrescentam nada de construtivo ao diálogo social. Em vez disso, reivindicam direitos, que sentem como adquiridos.
Os jovens do meu tempo não podem perdoar isso aos sindicatos, porque é essa lógica, de direitos adquiridos, que fará com que a minha geração (e, porventura, a que a seguirá), querendo ficar em Portugal, não consiga ter, a nível laboral, os direitos mínimos de uma sociedade suficientemente desenvolvida do século XXI.
Falta, aos sindicatos, além de uma atitude construtiva, um mínimo de sensatez. Numa conjuntura económica como aquela em que o país se encontra mergulhado (muito por força de uma vida acima das possibilidades e de uma demasiada protecção a um conjunto de direitos dados por adquiridos), é preferível reduzir salários, despedir alguns trabalhadores numa lógica de reorganização e racionalização de recursos. Uma atitude em sentido contrário, que conduziria ao fim da empresa, teria efeitos ainda piores: para o Estado, para o empregador, para os trabalhadores e para os demais stakeholders.
Os sindicatos, que hoje se assemelham a partidos de esquerda anti-construtiva, podem reverter esta situação. Veja-se, por exemplo, a atitude de António Chora, homem de esquerda, na Autoeuropa. Veja-se o exemplo da postura dos trabalhadores dessa empresa. Vejam-se os casos em que os trabalhadores apresentam planos de recuperação das empresas, por exemplo, na área dos transportes. Esses, sim, são os exemplos a seguir.
A luta pela luta não nos leva a lado nenhum...



