segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O País onde começa o Mundo


O que aconteceu no fim-de-semana foi histórico.
Foram assumidos objectivos claros no que respeita ao futuro político e, sobretudo, militar no Afeganistão, assim como uma estratégia ambiciosa para a manutenção da paz naquele território.
Os actos demonstraram um caminho pacífico para acabar com um eventual perigo mundial vindo da Rússia.
E é com orgulho e alguma vaidade que podemos dizer que a esse fim-de-semana que ficará para a História, princípio de um trajecto mundial comum, ficará associado o nome de Lisboa, Portugal.
Além do conteúdo dos acordos alargados feitos em Lisboa, a organização da Cimeira da NATO, com a presença dos mais importantes lideres políticos mundiais, foi um verdadeiro sucesso, facto que foi sublinhado por alguns desses líderes.
Foi uma demonstração clara do excelente trabalho diplomático português que melhorou ainda mais a imagem externa de que temos uma grande capacidade para organizar este tipo de eventos.
Deste texto, curto mas incisivo, não poderia faltar o elogio às forças de segurança nacionais que estiveram à altura do evento, antevendo perigos, precavendo-se deles e controlando a situação, garantido a segurança de todos os intervenientes.
É sobretudo nestas alturas que devemos valorizar o facto de vermos o nosso nome bem falado em todo o mundo, confundindo-se com os caminhos da História. E tão bem que sabe ver, entre as mais poderosas imagens da História, a bandeira portuguesa.
E, nesse sentido, podemos mesmo dizer, genericamente, que o povo português está de parabéns.
Estivemos à altura das circunstâncias, conscientes de que Portugal é e quer continuar a ser o País onde começa o Mundo.

Falemos de restauração


Sim, eu sei que é complicado montar uma equipa capaz quando se tem um grupo de defesas que defende mal, um grupo de avançados que não marca golos, um conjunto de médios cuja bola queima, um conjunto de jogadores que desperdiça energias atirando, com estrondo, as bolas ao poste.
Sim, eu também sei que é difícil motivar jogadores que vêem a sua carreira arrastar-se no clube, com melhorias significativas e sucessivas do ordenado, ainda por cima com uma estrutura pouco competente, amadora, incapaz de motivar a equipa seja para o que for.
Mas uma equipa que luta por títulos não pode sentar-se à sombra de uma vantagem mínima, tremendo como varas verdes em hora de ventania, como aquela criança que chora de noite, desesperada, porque tem medo de tudo e mais alguma coisa.
Não se fazem omoletes sem ovos. Ovos até têm havido, mas são desperdiçados, integrados numa lógica derrotada e conformista. São poucos mas, bem cozinhados, até poderiam dar para enganar a fome.
Porventura, gastaram-se recursos com ovos podres. E, ainda por cima mal cozinhados, sem sal quanto baste, o cozinhado tem saído insonso. Dá azia e dores de barriga.
O objectivo do Sporting, a menos que tenham enganado os sócios, era ser campeão nacional. Era ganhar a Taça de Portugal e fazer uma boa campanha europeia.
Não se percebe que se deixe de responsabilizar aquele que trouxe ovos podres. Mais aqueles que deixaram apodrecer umas certas e determinadas maçãs do pomar de Alcochete.
Mas se os condimentos eram suficientes para uns, também deveriam ser suficientes para outros. Se falta o sal, se falta pulso para mexer na colher de pau e se o cozinhado sai insonso, então deve-se substituir o cozinheiro.
Mudar de fornecedores, alterar o ministro comprador, substituir o cozinheiro, acabar com o amadorismo, profissionalizando-se e especializando-se numa receita bem condimentada e à portuguesa. É isso que o Presidente Bettencourt tem de fazer, com espírito de sacrifício, para que a ementa seja mais saudável e para que, depois da primeira refeição, venha mais gente ao restaurante. É que, francamente, para ficar com dores de barriga, a clientela vai continuar a ficar a casa. E, com este jejum, não se admirem que, dentro de muito pouco tempo, possamos todos morrer de fome.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Um grande, grande amor


Pegando em questões fracturantes e fazendo pequenos espectáculos de rua, enxovalhando o próprio país e a classe política, o Bloco de Esquerda foi crescendo como partido de contra-poder, das pequenas minorias e foi por elas que lutou, fingindo um traje intelectual que escondia o facto de ter, na sua génese, ideias há muito derrotadas no tempo.
Afirmou-se como esquerda moderna e seduziu, desde logo, a esquerda socialista, cegamente apaixonada pelas ideias bloquistas. Mas que dizer? Quem feio ama, bonito lhe parece.
No período socrático até 2009, o PS cedeu às ideias modernistas da esquerda, tendo tido diversos casos extraconjugais, bonitos porque isso é moderno, e o Bloco, que se assumia como um feroz adversário dos socialistas, aceitou essa relação, que nunca assumiu. E não assumir uma relação também é bom porque é moderno.
Foi este relacionamento escondido entre o Bloco e o PS que foi destruindo o país. Da economia aos valores. Foi tudo responsabilidade directa de um PS que se aliou com a mais ordinária, radical e anarquista das esquerdas, que é uma esquerda exclusivamente citadina, que não conhece o país rural que também foi esquecido, e que, em vez de se preocupar com as contas públicas e com a criação de riqueza, andou a discutir atentados à vida humana, casamentos de homossexuais entre si e se prepara para pôr os transsexuais na agenda política e legislativa, ao mesmo tempo em que mergulhou o país num mar de endividamento, falências, desemprego, pobreza e fome.
Foi este Bloco de Esquerda que, na sua relação extraconjugal com o PS, foi dando cobertura à ideia, moderna porque o moderno é gastar o que não se tem, de que Portugal deveria avançar, cegamente, para investimentos megalómanos. E para muitas coisas mais.
Manuel Alegre confirma o que já todos sabiam. O PS traiu-se a si próprio. E tem uma relação escondida com o Bloco de Esquerda de há algum tempo a esta parte. Traiu os valores nacionais, os pilares da sociedade portuguesa, afundou o país num mar de endividamento e miséria. Esta relação escondida justifica, sobretudo, o desmoronamento da sociedade portuguesa. Foi esta relação fez o PS cometer verdadeiras loucuras. Mas quem é que afinal nunca cometeu loucuras por amor?

Assim é que eu gosto!


Este foi um dos textos mais difíceis de escrever, porque é difícil, quase impossível, escrever sobre o que é perfeito.
Valeu a pena ir ao estádio da Luz para ver esta selecção portuguesa dar uma lição de segurança e magia, de confiança e irreverência, de arte, coragem e ambição. Fê-lo sem ter de carregar muito no acelerador, goleou os campeões da Europa e do Mundo com uma naturalidade que conforta todos aqueles que estiveram no estádio.
Paulo Bento pôs, em campo, o melhor onze que podia. Não inventou. Simplificou a estratégia e, sem arriscar, montou uma equipa para defender bem e atacar ainda melhor. E foi com toda a naturalidade deste mundo e do outro que Portugal, pé ante pé, foi subindo em campo e marcou cinco bons golos. Um deles teria ficado para a História deste desporto, não fosse o árbitro ter preferido estar à altura daqueles que preferiram deixar despidas as bancadas, quando deveria ter preferido estar à altura dos artistas que estiveram em campo, artistas que, na sua maior parte, porque são espanhóis, valorizaram ainda mais esta grande vitória portuguesa.
Não me lembro de nenhuma altura em que gostei tanto de ver a selecção nacional. E tenho dificuldade em encontrar, no baú das recordações das centenas de jogos de futebol que já vi ao vivo, uma exibição tão categórica que deu numa vitória que não deixa margem para dúvidas.
O espectáculo de ontem foi tanto melhor pela presença de milhares de espanhóis, que quase transformaram o estádio da Luz num campo neutro. Golo após golo, olé após olé, não houve ontem qualquer sinal de desrespeito pelos nossos vizinhos e amigos que ontem eram adversários, mas que são nossos parceiros numa candidatura conjunta à organização de um Campeonato do Mundo.
O fair-play de ontem também ajudou a essa mesma organização. E isso importa porque o jogo de ontem terá sido visto por largos milhões de pessoas, por todo o mundo.
Mas quanto ao jogo, porque foi um espectáculo único, as palavras têm dificuldade em aparecer. Talvez o melhor seja gravar este jogo, guardar a gravação, ir vendo, ir mostrando às pessoas e dizer, com a mesma satisfação com que estive e saí do estádio da Luz, que eu eu estive lá quando goleámos os campeões do mundo, que vi ao vivo aquele lance de arte, um dos melhores golos de sempre, que foi limpo e que não contou. Mas isso só valorizou os outros quatro e engrandeceu ainda mais a vitória esmagadora da selecção de todos nós, portugueses.
Foi, de facto, uma noite de sonho.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A boa e a má moeda


“Imaginem o que é alguém que tem dez horas por dia os militantes que consegue fazer. Conseguindo fazer cem militantes, ganha facilmente uma secção. E não temos à frente da secção o melhor, mas temos muitas vezes aquele que tem mais disponibilidade para o chamado “cacique”, e portanto isso é uma lógica adversa (…) temos dez militantes, o pior vai liderar a secção, aquele que seria melhor vai-se embora porque não está para aquilo. Temos muitos exemplos de pessoas muito boas na JSD que têm que influenciar por fora, criando associações, através de blogues, e portanto vão sempre ficando os piores. Há a tal ideia da moeda má poder expulsar a moeda boa”.


Cito Tiago Mendonça, numa entrevista que deu ao Tibério Dinis e que foi agora novamente publicada no blogue Zona de Decisão.
Apesar de apenas falar da JSD, realidade que melhor conhece, essa realidade de que fala é a mesma fora da JSD. É assim que funciona no PSD, no PS, no País.
E é esta realidade, de expulsões sucessivas da moeda boa pela moeda má, que explica com rigor a desqualificação da classe política e a situação política, financeira, económica e social do país.
Mérito do Tiago.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O caminho

Crónica escrita por mim e publicada no site Sporting Apoio.


Escrevo porque me chateia a insistência em referir os problemas, em vez de se procurarem e discutirem as soluções.

Vulgarizou-se, recentemente, a ideia de que o Sporting está condicionado ao seu passivo.

Pensa-se que o Sporting, apesar de ter a melhor academia de futebol da Europa, de lançar os melhores jogadores do mundo, de ter um estádio com as cinco estrelas da UEFA, vive mal por causa do passivo que resultou desse investimento.

Eu não penso dessa maneira. Não havia alternativa quando, há já mais de uma década, foi apresentado um projecto para a construção de um novo estádio que viesse substituir o antigo, que já não oferecia condições de segurança.

Terá sido desse projecto sportinguista que o Governo português, aliado com a Federação Portuguesa de Futebol, resolveu promover a construção de vários outros estádios de modo a organizar um Campeonato da Europa como recompensa a uma geração de ouro do futebol português.

O Sporting fez bem em construir um novo estádio. Não havia sequer outra alternativa.

Mas, sendo o Sporting um clube vocacionado para a formação dos melhores jogadores de futebol do mundo, aproveitou-se essa década de investimento para construir uma das melhores academias do mundo, para melhorar as condições de trabalho das suas grandes promessas.

Fez-se bem.

Mas desses dois investimentos resultou a grande parte do passivo do Sporting. Foi essa a via escolhida pelos sócios. E, creio eu, foi escolhida a via certa.

O problema do Sporting não está, porém, no seu passivo. Porque o passivo corresponde a uma modernização e profissionalização do clube. O problema é que a esse investimento de modernização e profissionalização, estendido recentemente à gestão financeira e, digamos assim, administrativa do clube não se juntou a profissionalização da gestão desportiva.

Ou seja, o Sporting tem todas as condições materiais para competir de igual para igual com os melhores clubes do mundo. Tem jogadores profissionais e um Presidente que faz da presidência do clube a sua profissão.

Falta a profissionalização da gestão desportiva que, para colher frutos, terá de estar ao nível de tudo o que falei até aqui.

O Sporting precisa de um director-desportivo profissional de grande nomeada. Daí que defenda, por exemplo, a hipótese Luís Figo.

A gestão desportiva do futebol profissional do Sporting não tem estratégia. Não é completa, porque se resume à autoridade de um homem só. E não joga nos bastidores, não se sente que haja ali nenhuma equipa, capaz de sonhar alto, de jogar com a sua influência e de pensar a médio e longo prazo.

Esta gestão desportiva vende as coqueluches e vai buscar jogadores em fim da linha, amigalhaços e reservas de outros clubes. Isso não serve. E destrói todo o trabalho e todo o investimento que está por trás do Rui Patrício, do Daniel Carriço, do Cedric Soares, do André Santos, do Yannick Djaló, entre outros.

Porque tem sido assim a gestão desportiva do futebol, o Sporting soma prejuízos, perdeu a sua identidade centenária e a sua veia devoradora de títulos.

Penso eu, contrariamente à generalidade das pessoas, que o Sporting não se caracteriza pela palavra passivo, mas pela palavra “refugo”. É isso que mostra a grande monstra desportiva do clube. E é aí que reside o problema central do clube.

Voltando atrás, o Sporting, apesar do investimento feito na sua profissionalização, caminha numa estrada que o leva a um perigoso precipício. O estádio não foi feito para estar vazio. E a academia não foi feita para formar atletas que, desmoralizados pela falta de sonho e profissionalismo da gestão do futebol, reforçam os nossos rivais ou saem a troco de meia dúzia de trocos.

O investimento que foi feito não tem tido retorno, porque só foi feito em metade. Falta o essencial. Investir num grande director-desportivo e numa estrutura de futebol fortíssima, que possa trazer um grande treinador e grandes jogadores de futebol.

Se assim for, a academia vai render muito dinheiro, o estádio vai estar cheio, as pessoas vão comprar o merchadising do Clube. O investimento terá retorno e não será necessário nenhum milionário árabe ou chinês para conseguir salvar, desapaixonadamente, aquele que é o amor comum de todos nós, sportinguistas.

A Ordem!


Há gente que fala alto, muito alto, que interrompe os outros para se fazer ouvir.
Fala com os termos grosseiros, de café, num populismo incompreensível para quem tem o dever de prosseguir os interesses de uma determinada Ordem profissional. Uma Ordem nobre, ainda por cima!
Acho que falta, em Portugal, alguma coragem para falar das verdades. Mas uma das verdades é que a corrupção, os interesses e os negócios de um determinado grupo de poder, a liberdade de expressão e as contas públicas são coisas para ser discutidas e resolvidas pela classe política. E não pela Ordem dos Advogados.
Os advogados defendem os interesses dos seus clientes, o Bastonário da Ordem dos Advogados defende, ou deve defender, os interesses da Ordem e dos Advogados.
Marinho Pinto não é a explicação do caos a que chegou a Justiça em Portugal. Longe disso. Mas a sua personalidade não ajuda à resolução desse caos e complica acordos necessários para que a Justiça, que é pilar do Estado de Direito, volte a concretizar-se neste país.
É absolutamente incompreensível que o mesmo homem que critica uma espécie de escravatura nos escritórios de advogados de Lisboa defenda, ao mesmo tempo, uma restrição ao livre exercício de uma actividade profissional por jovens que, depois de vinte e quatro ou vinte e cinco anos de idade, já são mestres e querem ser advogados. É a favor dos "interesses instalados" dos escritórios e também é contra eles. É a favor dos jovens advogados mas tudo faz para impedir que entrem novos advogados no mercado de trabalho.
Não está em causa o respeito que o dr. Marinho Pinto merece. Nem a sua dignidade. Mas os advogados, creio eu, também merecem esse respeito e essa dignidade. E o dr. Marinho Pinto, se tem ambições políticas, motivações legislativas, se tem um projecto político, então que se candidate para Primeiro-Ministro, Presidente da República ou Deputado e deixe a Ordem dos Advogados em paz.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Luís Figo para o Sporting


Trocou o Barcelona por um rival a troco de um significado aumento de pesetas e não cumpriu a promessa de acabar a carreira no clube do seu coração. Preferiu a capital da moda à capital do seu país, preferiu os euros italianos aos portugueses. Festejou, incompreensivelmente e do banco de suplentes, um golo do Inter contra o Sporting.

Deixou a sua honra afectar-se por um pequeno-almoço mal explicado em véspera de umas importantes eleições e deixou ultrapassar-se por Rui Costa que, apaixonadamente, fez o contrário de Figo. Preferiu o seu Benfica ao seu Milão e abdicou de alguns euros, de viver na capital da moda, na zona mais rica de Itália, para vir para Portugal fortalecer o seu Benfica. Cumpriu o que prometeu.

Rui Costa, mais do que um símbolo do Benfica, é uma pessoa que merece respeito e admiração por parte dos adeptos de todos os clubes.

No que respeita à grande figura dessa geração, o que se pode dizer é que o Sporting chama, neste momento, pelo seu eterno número sete, aquele homem que tudo deu, em campo, pelo seu país. Chama pela sua influência, mais apagada em Itália. Chama pelo seu prestígio, resultante de uma carreira sempre ao melhor nível, homenageada com o estatuto de melhor jogador do mundo.

O Sporting tudo deu a Figo. Foi a catapulta da fama que tem, do dinheiro que tem, do respeito que merece.

E chegou a altura de Figo dizer se quer ser digno e poder fazer o mesmo ao Sporting do que o Sporting lhe permitiu a ele: ser grande, tão grande, como os maiores da Europa.

Esta é também a altura do Sporting começar a sonhar mais alto e de convidar Luís Figo para ser o homem forte da sua estrutura de futebol.

O Sporting precisa muito da influência de Figo. Mas Figo precisa de voltar ao Sporting e de ter sucesso no Sporting para limpar as nódoas que surgiram na sua imagem na fase final de uma carreira que foi exemplar e repleta de títulos.

Convidem-no!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lisboa ficou mais pobre


Lisboa acordou muito mais pobre.
Perdeu um dos seus bons amigos, que alegrava a vida de uma zona central da cidade e também no Restelo, aqui mais perto de minha casa.
Perdeu também a simpatia de um homem que tive a oportunidade de conhecer em pequenino e a quem acenei, várias vezes, estivesse com quem estivesse, fosse qual fosse o meu estado de espírito.
À sua simpatia, retribuíamos com buzinadelas. Fosse qual fosse a hora do dia ou da noite. Porque Lisboa, que dormia, não se importava e também gostava daquilo.
De hoje para a frente, quando passarmos por aqueles locais, vamos recordar o sorriso do senhor João Serra, e a simpatia com que ele nos dizia "adeus".
Eram gestos como aquele que davam vida e alegria à Cidade.
Ele dizia, pensando estar a ser honesto, que nunca trabalhou. Mas trabalhou, e muito, acreditando trazer felicidade aos lisboetas.
Resta-nos, agora, a todos aqueles que nascemos, que passamos por Lisboa ou aqueles que vivem nesta Cidade, recordar o Senhor do Adeus.
Adeus, João Serra, Senhor do Adeus.
Adeus e muito, muito obrigado.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Antes de ir


Antes de ir para a Golegã, participar numa festa em que várias casas agrícolas participam, cada vez com maior sacrifício, na defesa e promoção de algo que é tipicamente português, não poderia deixar de aqui fazer uma crítica dura aos partidos políticos portugueses.

É inconcebível que o PSD, o CDS e o PS estejam mais interessados em marcar posição e ganhar votos para umas eleições que, para bem da estabilidade nacional, nem sequer devem acontecer, do que em resolver os problemas da economia portuguesa e das finanças públicas. Não há neles qualquer solução para os problemas dos portugueses nem qualquer vontade para salvar o país de uma situação extremamente difícil.

A falta de vontade de diálogo e de compromisso, a falta de sentido de Estado de todos os partidos “de poder” tem feito muito mal ao país. E já nem os portugueses nem os mercados confiam neles!

Se o FMI vier para Portugal, isso dever-se-á ao falhanço da governação socrática, à falta de capacidade dos socialistas para substituírem Sócrates, mas também à falta de vontade à direita do PS de partilhar o governo com os socialistas, um governo para aplicar medidas duras, para dois, três, quatro ou mesmo cinco anos.

E o que critico em Sócrates, Passos Coelho e Portas vale também para Cavaco Silva, que deveria ter sido o promotor de uma união que, não sendo desejada pelos partidos, é aquilo que o país precisa.

Nesta situação de emergência, provavelmente o que ficará para a História é que, quando o país chamava por eles, nem o Presidente da República nem os principais partidos de poder foram capazes. E a desgraça do país será, provavelmente, justificada, a frio, pela “desgraça” dos principais agentes políticos.

E ainda nos disseram que esta é que era a boa moeda…

Até para a semana!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Curta pausa

Já começou mais uma edição da Feira Nacional do Cavalo, na Golegã. Por esse motivo, terei, até ao próximo domingo, pouca disponibilidade para, neste espaço, poder partilhar as minhas opiniões, até porque, além disso e estando ainda a meio da semana, tenho obrigações académicas que, obviamente, não poderei deixar de cumprir.
Resta-me desejar que esta semana seja mais calma para os portugueses, em relação às semanas mais recentes. E, obviamente, deixo aqui o convite a todos os amigos, interessados e curiosos para que nos visitem, no pavilhão da Coudelaria Lopes da Costa, na Feira Nacional do Cavalo deste ano.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Chega!


A 13 pontos do primeiro classificado, depois de falhar o apuramento para a fase seguinte na Bélgica e de perder em casa contra um medíocre Vitória de Guimarães, de que espera Bettencourt para despedir o treinador?
Por que razão o director para o futebol não explicou a Paulo Sérgio que o Sporting não é o Guimarães? Este clube é a segunda maior potência desportiva da Europa! Aqui, quando se está a ganhar 2-0, joga-se para marcar o terceiro!
Por que razão os jogadores do Sporting não estão, a esta hora, a dar voltas ao relvado?
E o Maniche? Não apanha castigo?
Quem contratou estes jogadores? Quem é o responsável por este plantel?
Quem é o culpado da impunidade com que os responsáveis do Sporting passam, com todo o descaramento, sem respeito pelos portugueses que vão à Bélgica apoiar a equipa e que saem do trabalho mais cedo, não vão buscar os miúdos à escola, não jantam em casa, para ir, à chuva, apoiar a equipa a Alvalade?
Os únicos que estão à altura são os que estão na curva sul. E alguns que, com enorme sacrifício pessoal e familiar, ainda mantêm uma Torcida...Verde!
Assumam responsabilidades! Tomem decisões! Isto não é o Braga nem o Guimarães!
Já não há desculpas.
O fio esticou. Demais. E já chega!

Substituir Sócrates!


Em qualquer outra democracia, na impossibilidade de mudar o Governo por via parlamentar e presidencial, discutir-se-ia a substituição de José Sócrates.

Agora que constatamos que, tanto os partidos representados na Assembleia como o próprio Presidente da República, parecem mais interessados em conquistar votos do que salvar o país, a substituição de Sócrates seria o único cenário possível e, por isso, o único que deveria ser discutido.

É óbvio que substituir Sócrates não resolvia o problema. Só resolvia parte dele. Uma parte pequena, mas muito importante, não só para os mercados, entidade aparentemente abstracta, culpada de tudo e de quem tanto se fala, mas também para a estabilidade política do país, para o interesse nacional. Sem Sócrates era mais provável um Governo de consenso nacional. Era mais fácil fazer aprovar um Orçamento e fazê-lo executar. Era tudo mais fácil.

Os únicos que podem substituir Sócrates são os socialistas. Mas, porque estão há demasiados anos no poder (facto que se reflecte nesta crise financeira, económica e social), Sócrates não ouve o PS. O PS é que ouve Sócrates. O PS é que o sustenta, sabendo, de antemão, que, com Sócrates, é insustentável suportar o Governo durante muito mais tempo.

Os jornais, os deputados, o Presidente da República e os líderes partidários deviam deixar-se de palavras vagas e inconsequentes, que têm agravado a instabilidade que se vive, e passar aos actos. E, neste momento, o que deveriam estar a fazer, defendendo o interesse nacional, era pressionar, pressionar e continuar a pressionar os socialistas, numa pressão tão grande que obrigasse os socialistas a substituir Sócrates por outro, mais credível, mais competente e mais consensual, de modo a garantir que o país tenha um bom Primeiro-Ministro e um bom Governo, de unidade, que fosse capaz de garantir a estabilidade política em Portugal, garantindo ainda que o esforço que se exige aos portugueses não será em vão e aliviando, também, a pressão dos mercados e dos especuladores, que tem contribuído muito para a instabilidade e que têm feito com que não possamos saber o dia de amanhã.

Substitua-se Sócrates. Obrigue-se o PS a substituí-lo. Comece-se, desde já, a resolver o problema que tem sido este desgoverno que colocou o país nesta situação.

Faça-se isso "com toda a naturalidade do mundo".

Enquanto não se fizer isso e se continuar a caracterizar a conjuntura e a tentar adivinhar o futuro, o país estará apenas a…perder tempo!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

E ao ver-te Lisboa, Lisboa...(II)


Por princípio, sou a favor do avanço.

Para mim, as coisas têm de andar para frente.

Acho que, do Marquês de Pombal até ao rio, há ainda uma Cidade para ser sonhada.

Luz, movimento, vida. É o que falta naquela zona de Lisboa.

E, assim sendo, sou também a favor da reabilitação dos prédios, do repovoamento, do incentivo à economia. Aquela é a grande montra da Cidade e do País. E Lisboa, olhando para como ela está em algumas zonas, está a cair de podre.

É absolutamente inaceitável que se continue a permitir que em zonas simbólicas como estas, e também como em toda a Avenida da República, existam prédios ao abandono.

Aliás, se bem se lembram, esse trabalho, exigente mas que se exigia, começou a ser feito.

Porque estamos a falar da capital de um país, de uma capital histórica, muito sonho precisa de ser sonhado, muito dinheiro precisa de ser investido, muito trabalho há para ser feito.

No que respeita ao Hotel Internacional, à ideia de ter ali um hotel, por princípio eu também seria a favor. Mas aqueles prédios não são da CML nem da Sociedade Lusitana de Hotéis. Aqueles prédios têm proprietários, que assinaram contratos com fins específicos. E uma coisa é a Câmara ajudar no processo. Outra é, por baixo da mesa, ser cúmplice da quebra de um acordo, escrito e assinado para fins diferentes.

Tivesse isto acontecido noutra altura, e nem se falava do Orçamento de Estado. Falar-se-ia do escândalo do Hotel Internacional e da extravagância do Presidente da Câmara.

Agora não. Tudo passa entre os pingos da chuva. Mesmo até quando não chove.

Que orgulho!


As capas dos jornais desportivos não dão a importância devida à vitória do Sporting de Braga em Belgrado. Mas a vitória de ontem marca um episódio histórico para o futebol português, já que foi a primeira vez que uma equipa portuguesa ganhou naquelas terras.
Mais do que isso, importa salientar que o futebol português tem, ao contrário do que vem sendo hábito, uma prestação notável nas competições europeias, sendo que quatro equipas vão continuar a competir nos palcos europeus no próximo mês de Fevereiro.
Ao Benfica, que venceu o Lyon, faltam-lhe dois jogos dos quais se esperam duas vitórias. Provavelmente, continuará na Liga dos Campeões.
Ao Braga, restam-lhe dois jogos difíceis, frente ao Arsenal e ao Shaktar, mas já garantiu que, na pior das hipóteses, competirá, em Fevereiro, na Liga Europa.
Ao Sporting e ao FC Porto exige-se que garantam, entre este jogo e o próximo, o primeiro lugar nos grupos respectivos.
De todo o modo, a prestação das equipas portuguesas nas competições europeias deste ano deve ser motivo de orgulho, não só para os adeptos destes quatro clubes, mas para todos os portugueses.
Além de Mourinho, Ronaldo, Pepe e Ricardo Carvalho do Real Madrid, de Nani do Manchester United, as campanhas vitoriosas dos clubes portugueses fazem com que dificilmente o cartão de visita europeu do futebol português pudesse ser melhor!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Brilhante!


De um dia para o outro, o Parlamento mudou radicalmente o tom da discussão sobre este Orçamento de Estado, mudança que se deve ao sentido de responsabilidade e de Estado, à humildade, à nobreza de carácter de uma senhora que sempre falou verdade aos portugueses e em quem votei, há pouco mais de um ano, para conduzir os destinos deste país.

Hoje, como há um ano e como sempre, Manuela Ferreira Leite revelou-se como um dos melhores exemplos para aqueles que, de uma maneira ou de outra, têm ou ambicionam ter responsabilidades políticas em Portugal.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Terror!



Que triste espectáculo estão a protagonizar os responsáveis políticos nacionais!
Que péssima imagem estão a dar ao exterior!
Querem, depois, que as pessoas se revejam naquilo?
É incompreensível esta crispação nesta altura extraordinária em que se deveriam procurar consensos.
É intolerável o tom utilizado, mas também o nível do conteúdo das intervenções parlamentares de hoje, na discussão do Orçamento de Estado.
Ninguém sai nada bem desta fotografia. Ninguém. Não há um único caminho, uma proposta de solução que saia dali.
Quanto ao resto, não estamos a resolver a crise financeira e já nos queremos meter numa crise política. Deve andar tudo louco!
Se calhar, anda mesmo tudo louco. Porque o louco diz o que quer, utiliza o nível que quer, no tom que quer. E não tem noção do disparate que faz.
Já vivemos a fase romântica e, depois, a cómica. Entrámos na fase trágica. E agora mudámos para a fase do terror...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Bonito.


A maior parte dos sportinguistas não sabia quem era o Marco Soares.
Nem sequer faziam ideia que a União de Leiria tinha um jogador com esse nome.
Provavelmente, depois do jogo de ontem, todos os sportinguistas irão esquecer esse jogador. É mais um, entre tantos que já passaram por Leiria e pelo futebol português.
O Marco Soares não tem nenhuma ligação com o Sporting. Nunca teve. E, provavelmente, nunca terá.
Mas não deixa de ser um profissional de futebol, que veio para Portugal tentar melhorar as condições da sua vida, fazendo aquilo para o qual tem mais talento.
No jogo em que foi adversário do Sporting, partiu a tíbia e estará parado quatro meses. Normalmente, quando acontece uma coisa dessas, os clubes adversários olham para a frente, com arrogância, esquecendo o profissional que, durante alguns meses, ficará para trás. Aconteceu a ele. Antes a ele do que a nós.
Mas os jogadores do Sporting, num gesto bonito, não se esqueceram de enviar uma mensagem de encorajamento ao atleta, com votos de rápidas melhoras.
Aconteceu-lhe a ele, mas poderia ter-nos acontecido a nós. E é assim que se deveria pensar e falar, daqui para a frente, no futebol português.
Esperemos que gestos como este, assim como alguns outros vindos sobretudo do treinador do Porto e do Olhanense, carregados de profissionalismo, se multipliquem daqui para frente.
O futebol português, para começar a ter credibilidade, precisa destes gestos. Por mais insignificantes ou secundários que nos possam parecer.