terça-feira, 9 de julho de 2013

Brumices


Faz capas de jornais, é tema para páginas e mais páginas de um folhetim diário, é o assunto na ordem do dia das televisões sempre que falam do Sporting. Falo do Bruma, da novela. 
Imaginem o que seria, se o Sporting não quisesse ficar com o jogador. Imaginem o que seria, se o Bruma não adorasse o clube e não quisesse mesmo ficar.
Todos sabem que o melhor, para Bruma, é ficar em Lisboa, vestindo de verde e branco. Sabe Bruma. Sabe o Sporting. Sabe o único clube que verdadeiramente acredita nas suas potencialidades, que oferece milhões (três Nolitos e meio, três David Villas) para que o jogador fique emprestado no Sporting. Sabe o seu empresário e sabe o seu advogado, pobre incompetente que pensa ter descoberto o  petróleo.
Penso que a novela, que existe, terá um fim. Bruma fica no Sporting, potencia-se, assume o lugar de Nani na selecção, dá o salto a troco de uma pequena, mas justa, fortuna, e vai assumir-se como um dos grandes jogadores do mundo.
A outra possibilidade seria a de Bruma sair já, para um clube onde não será titular, perdendo o combóio do Mundial e correndo o risco de, tal como Paim, ter de se dedicar aos saltos para a piscina.
Mas o que registo, que é apenas o que pressinto saber, é que Bruma, em Portugal, só jogará de verde e branco, jogando, em Alvalade, pelo menos mais um ano.
Registo ainda outras coisas.
O caso Bruma irá resolver-se em benefício para todas as partes, mas há outros Brumas, Brumas verdadeiros em Portugal, que estas falsas peripécias ligadas ao verdadeiro Bruma têm escondido.
Quantos Brumas existem no FC Porto? É mais provável Atsu jogar no Sporting ou no Benfica do que ficar no Porto. É um bom jogador, que sairá pela porta dos pequenos, vendido por uma pechincha. E Rolando? O tal que o Porto tenta oferecer ao seu rival? Ninguém fala dele? 
Mas não é só na invicta que há brumices. Em Lisboa, também as há.
Imaginem, agora, que Bruma tinha feito mais do que meia dúzia de jogos. Que era uma peça fundamental. Que tinha sido a terceira contratação mais cara da História do clube. Que era o grande goleador. Aquele que resolvia. Que tinha marcado, em jogos oficiais, na equipa principal do clube, mais de uma centena e meia de golos. Imaginem que o clube queria despachar esse jogador, detentor de um pé esquerdo que decidia jogos, um dos melhores avançados da Liga, um dos melhores goleadores da história do clube.
Imaginem, já agora neste "suponhamos", que o clube punha, no mercado e em desespero, o passe do jogador. E que o mercado, sorrindo, nada dizia, apenas se oferecendo propostas irrisórias por esta peça fundamental, vindas de um clube recém-promovido em Inglaterra e de um clube de um campeonato secundário que está impedido de ir às competições europeias.
Nós, no Sporting, não temos 105 jogadores, estamos em fase de uma reestruturação que reduzirá orçamentos, mas temos dinheiro para ir fazer um estágio lá fora. Não somos uma empresa de compra e revenda de jogadores, nem uma empresa de televisão. Não ganhamos, também, à conta da fruta, do chocolate ou da meia de leite.
Temos, para resolver, a situação de Bruma. Iremos resolvê-la. E fá-lo-emos no devido tempo, provavelmente numa altura em que o Atsu estará, lá para Gaia, a correr sozinho e numa altura em que Cardozo continuará vinculado a um clube, que não o quer, e onde aquele, de todo, também não quer ficar.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Seja, então, o tempo novo!


Quando foi divulgada, nos órgãos de comunicação social, a notícia da demissão de Paulo Portas, tive a clara percepção de que o país, finalmente, caíra no precipício.
No decorrer de um plano de assistência financeira, tive a sensação de que o país, após dois anos de políticas de empobrecimento, não tinha soluções. Pensava, aliás, que Portugal se confrontava com o pior de todos os mundos, numa conjuntura particularmente adversa, em que, perante a, na altura, provável queda do Governo, tinha a pior oposição desde que Portugal se democratizou, tendo, simultaneamente, o pior Presidente do Portugal democrático.
Compreendi os motivos que levaram à carta de demissão de Portas que, imprudentemente, foi tornada pública. Revi-me na forma como entendeu ter chegado o tempo para uma mudança de políticas, mais orientadas para o crescimento económico, de forma a dar um novo impulso às famílias e empresas, eventualmente descendo alguns impostos, sem comprometer os objetivos propostos e as receitas fiscais.
Uma pessoa engole um sapo. Engole dois. Engole até três, quatro, dez, vinte ou cem. Fá-lo com a consciência de que, a cada sapo engolido, contribuía para a solidez de um governo que, caso caísse, levaria Portugal para uma situação semelhante à grega, em que, numa fase de desespero, se mostrava ingovernável aos olhos dos portugueses e dos credores.
Não acredito que Paulo Portas tivesse a certeza absoluta de que a sua saída seria irrevogável. Pelo contrário. Creio que sabia que colocaria a batata quente nas mãos de um Presidente que, rapidamente, a iria passar para uma Assembleia da República sem propostas ou para um Primeiro-Ministro forçado a ceder. Terá sido esse o contexto em que Portas escreveu ao Primeiro-Ministro, sem conhecimento de mais ninguém, nem mesmo do próprio partido que liderava e lidera.
Numa altura em que o risco é total, há que jogar todas as cartas. E foi isso que Portas fez, desiludindo, pelo menos momentaneamente, aqueles que votaram em si.
O governo demorou tempo a remodelar-se, nas políticas, nos ministros. Era tarde para que surgisse, novamente, com a cara lavada, com uma nova energia para uma segunda fase do mandato em que, a um ano da saída da Troika, se começa a discutir o Portugal pós-Troika.
Não sei, se Portugal assistiu, na semana passada, a uma brincadeira de miúdos, a que muitos chamaram de garotos. Não sei. Pelo menos, pareceu.
Partilhei o nervosismo que assolou a casa de quase todas as famílias portuguesas. Partilhei o sentimento de condenação perante aquilo que considerei ser a imprudência de Portas, a falta de flexibilidade e diálogo de Passos e a inação permanente de um Presidente da República, que não ajudei a eleger, e que nunca exerceu, pelo menos de uma forma inequívoca e visível, os poderes que lhe estão legalmente confiados, incluindo na Lei Fundamental.
Hoje, tenho uma percepção diferente. Como teria sido com outro que não Portas? Como teria sido com outro que não Cavaco?
Sem Portas, Portugal estaria sem governo, com um governo minoritário ou com um governo maioritário mas sem comunhão de ideias.
Sem Cavaco, Portugal estaria a caminho de eleições (estando, pelo menos durante dois meses, sem governo) ou com um governo de iniciativa presidencial numa coligação alargada ao Partido Socialista, o que, em caso de fracasso, poderia pôr em causa o fraco, mas necessário, sistema partidário existente.
Talvez Portas tenha agido bem. Talvez a inação de Cavaco tenha, finalmente, dado frutos. Hoje, em vez da ansiedade, temos esperança. Numa maioria refrescada, num governo onde todos estão em sintonia, numa política diferente que permita, ao país, dar uma nova resposta perante as dificuldades.
O tempo novo chegou a Portugal. E oxalá que, daqui em diante, se ponha o interesse nacional à frente de um compromisso que nos tem levado à miséria, castrando o nosso futuro. Renegoceie-se a dívida, peça-se o perdão de parte dela, ressuscitem-se os portugueses, dando-lhes um pouco mais de ar.  
A partir de agora, apenas pedimos, e mesmo por favor, que sejam responsáveis.

E nunca se esqueçam que, sem dinheiro e sem economia, não se pagam dívidas. 

sábado, 15 de junho de 2013

O circo que cheira a fruta


Há quem pense que as migalhas tiram a fome, que o circo, quando montado, desconcentra o povo e que, para que o circo possa entreter seja forçosamente necessário haver palhaços.
A questão é que só é palhaço quem quer, que a vida não pode ser só circo e que é muito mais provável que, à fome, morra a cigarra cantadeira que a formiga trabalhadora e silenciosa.
Querem fazer com que o Presidente do Sporting seja visto como um Vale e Azevedo, pensando que os benfiquistas se confortam com esse facto, aliado ao lugar que o Sporting obteve na época que terminou. Não vale a pena tentarem fazer isso. O Sporting já teve o seu Vale e Azevedo. Ou até teve vários. Cometeram loucuras financeiras, desconhecendo a mística que identifica o clube e o distingue dos outros. Estiveram no Sporting, não para ajudar o clube, mas para se governar, a si e aos seus, em lógicas de compadrios (a que, educadamente, alguns quiseram chamar de reinado).
Querem, também, pisar o Sporting, algo típico daqueles burgessos do FC Porto, clube que teve décadas de vitórias desportivas que nós, sportinguistas, não reconhecemos por não terem sido obtidas com mérito.
É verdade. O Sporting, no tempo dos Vale e Azevedos, fez maus negócios com o FC Porto. Esses negócios fazem parte de uma história que nos envergonha, mas que está ultrapassada e perfeitamente enterrada. 
O Sporting voltou a ser o que sempre quis ser desde 1906, pioneiro na luta pela verdade desportiva. Nesse sentido, não temos relação com o clube da fruta, assumindo, porém, a fraqueza, por não termos capacidade de conviver saudavelmente com gente deseducada, filha da podridão e do dinheiro, sem qualquer tipo de categoria e carácter.
Não queiram, porém, fazer esquecer que, no momento do desentendimento público, se realizou uma final entre equipas dos dois clubes. Mandaram-nos passear. Chamaram-nos bananas. Perderam. E, no que depender de nós e do nosso trabalho, sem fruta nem chocolate, vão mesmo ter de se habituar a perder.
Quiseram dar uma bicada, como se fossem abutres, dizendo que se reforçaram com um jogador da cantera. Como foi que disseram? Um dispensado que fez alguns jogos de juniores e uma série de jogos na equipa B que não se contam com dedos de mais de uma mão?
Que vão passear. Que se divirtam com os milhões. Que continuem a esbanjá-los em jogadores da nossa formação e a pagar favores, a árbitros, empresários e prostitutas!
Se querem que o circo continue, pois então que prossiga o espectáculo. Mas substitua-se o palhaço. Ponham, nesse papel, o homem dos gases, o tal papa das brasileiras, o bimbo cujas chamadas telefónicas a deturpar a veracidade no desporto chegam, diariamente, a nossa casa através do novo canal do Correio da Manhã!
Já não se aguentam as historietas compradas dos pasquins que muita gente ainda compra ao engano, escritas por gente que, por estarem entre o homem e o animal, não sabe para mais do que para escrever a história da carochinha.
A propósito destas imitações ranhosas das maravilhosas fábulas de La Fontaine, já enjoa o que se tem escrito sobre a constituição do plantel do Sporting para a próxima época. Por que não dizem que o treinador do Sporting era aquele que estava contratado (!) pelo FC Porto? 
Quanto ao defeso, admito que tenho as minhas expectativas, próprias de quem se revê numa lógica de premiar o profissionalismo dos atletas, mas também olha para a próxima época como um ponto de partida em que se deve jogar com jogadores próprios para fazer um campeonato que nos catapulte, de novo, para as grandes lides europeias.
Acho, por isso, que o Sporting deve vender jogadores. Entre Schaars, Rojo, Boulahrouz e Capel, acho que o Clube pode, e deve, fazer dinheiro. Acho, também, que Rui Patrício deve sair. Para seu bem. Merece lutar para ser campeão numa das melhores ligas do mundo. Admito a possibilidade de venda, mas admitiria também a possibilidade de ser emprestado, fazendo dinheiro com outros jogadores.
Preocupa-me, apenas, um jogador. Labyad. O talento deve valer mais do que o dinheiro. Deveria ficar.
Quanto a Bruma, é um talento, um craque em potência, para ser lançado, rentabilizado e, talvez depois, transferido. Estou certo de que será o que vai acontecer, independentemente do que for sendo escrito naquele desperdício de recursos a que, talvez apenas por cortesia, chamamos de jornais.
Ilori é outro nome, envolvido na mesma história, talvez por ser do mesmo empresário. O que se escreve dá jeito ao empresário, mas não interessa a mais ninguém, até porque Ilori, mesmo tendo apenas como concorrente o Nuno Reis e o Rojo, ou mesmo o Boulahrouz ou o Onyewu, que ainda pertencem ao clube, não seria titular de caras. Se não o é no Sporting, quem acredita que o seria num outro clube, de um outro campeonato, com um outro tipo de poderio financeiro neste momento?
De qualquer forma, parece-me que Ilori será, também, jogador para ficar, pelo que as páginas que se têm escrito sobre ele serão para guardar e utilizar, em estado de necessidade, quando faltarem acendalhas para a lareira que nos aquecerá no próximo inverno.
Não me parece, por isso, que os sportinguistas possam deixar de estar suficientemente entusiasmados. Não podemos negar as dificuldades com que vivemos, mas, pior do que não ter dificuldades, por muito grandes que sejam, é não viver. E, estando vivos, vale a pena fazê-lo de acordo com uma identidade centenária, confiando num Presidente que, não se deixando iludir, tem perfeita consciência de que, apesar da humildade e espírito trabalhador que nos caracteriza, no Sporting, temos a obrigação de pensar em grande. No mercado e na competição.
Para o ano, estamos de volta. Seremos nós, novamente. Com dificuldades acrescidas, por força dos tentáculos do polvo que tudo comanda. Mas não vamos competir em duelos de lama nem nos vamos bater apenas pela honra. Essa, por muito que nos queiram tirar, ficou eternamente gravada na nossa História. Vamos lutar para ganhar. Jogo a jogo. Com brio. 
Estão autorizados para continuar o circo. Mas não ousem sequer tentar domar os leões. Basta brincarem aos palhaços, às aves raras e amestradas, que assistência continua a aplaudir.
Pode ser que, um dia, caia a máscara, a corda estique demais e o artista caia no chão.
Pode ser que, um dia, a tenda venha abaixo. 
Saber esperar é sinal de sapiência.
Pois, então, aguardemos.
Viva o Sporting!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Todos com Passos Coelho


Pedro Passos Coelho, quando chegou a Primeiro-Ministro, fê-lo em circunstâncias adversas num ambiente em que se projetavam, logo aí, grandes dificuldades para os portugueses, com a quebra da atividade económica, com os portugueses obrigados a viver com a corda ao pescoço e com as empresas em sérias dificuldades para continuar a laborar. Esse cenário, que se antecipava com certezas absolutas na altura das últimas eleições legislativas, foi resultado de um redondo fracasso de intermináveis anos de governação socialista.
Os portugueses fazem, hoje, o seu balanço sobre a primeira metade do mandato deste governo de coligação, que, para muitos, não pode ser positivo tendo em conta que, para muitos cidadãos, não há, sequer, poder de compra. Nem muito, nem pouco. Contam-se os cêntimos para chegar até final do mês e será certamente curioso saber qual foi a percentagem de portugueses que viram o seu saldo bancário baixar para valores negativos.
Se, numa empresa, é possível que o ativo possa, momentaneamente, ser inferior ao passivo, sem que isso baste para pôr em causa a sua solvabilidade, o mesmo não se pode dizer para as famílias, que têm forçosamente de pagar as contas e ter, após esse pagamento, pelo menos uma margem mínima para poder sobreviver. 
Como jovem, licenciado, trabalhador por conta de outrem mas também por conta própria, como alguém que sempre olhou para Portugal como um país em crise, onde seria difícil reunir as mínimas e necessárias condições para poder construir uma vida sustentável, vejo que existem pontos deste governo que são positivos.
Independentemente do memorando, foi o Governo de Passos Coelho aquele que, após quase quarenta anos de democracia, pôs fim ao Estado Gordo, aquele que sustentou a geração que me antecedeu, aquele que todos viam como o guarda-chuva a que, gratuitamente, se recorria em casos de necessidade. 
Foi o Governo de Passos Coelho que olhou para o Estado Social com o intuito de o tornar sustentável, controlando custos, restringindo-o a funções básicas e constitucionais do Estado, salvaguardando a sua existência. 
Durante anos, referi-me a um país que teria de se fazer profundas alterações na sua estrutura, criando condições para que pudesse crescer. Falei de problemas como a desertificação do interior, a saturação das grandes cidades, facto que viciou a nossa economia. Novos serviços, demasiada competitividade, baixa exagerada dos preços, mas menos poder de compra, menos receitas, prejuízos, necessidade de despedir. Este flagelo urgia ser combatido e certo é o facto de que está mesmo a ser.
O tempo soube trazer um novo tipo de empreendedorismo. Este não é só o tempo para que aqueles que pouparam invistam. É também o tempo dos visionários, daqueles que conseguem ver novos modelos de negócios e dos que, não se encaixando nesse perfil nem tendo trabalho, possam rumar a novos espaços do país, reabitando-os, cultivando as terras, criando gado, invertendo o ciclo que parecia estar a levar o país rural para um buraco sem saída. 
Não conheci os governos antes daquele que foi liderado por Cavaco Silva, mas, entre aqueles que vi, não consigo lembrar-me de outro que, ainda para mais perante as circunstâncias com que se depara o Estado Português, tenha feito tanto no incentivo aos jovens ou novos agricultores.
O país está a assistir a um momento de viragem neste aspeto, que não pode ser apenas interpretado na mera lógica de combate à desertificação do interior. Relançar-se-á, a médio prazo, a economia local, contribuindo para o crescimento do produto interno produto, combatendo o desemprego e sustentando a balança comercial a favor do país.
Mais do que algumas reformas setoriais, Portugal tem assistido a uma verdadeira mudança de paradigmas. É um ciclo que se inverte.
No meu entendimento, parece-me que, no futuro próximo, nada fará baixar o desemprego. Pelo contrário. As empresas, sobretudo as grandes (que ainda têm lucros) estão cheias de gente com vícios, gente dos direitos adquiridos, que, por não contribuírem para a construção de riqueza, terão forçosamente de ser despedidas.
Esse fenómeno, que não tem que ver apenas e diretamente com o atual governo, ao qual já estamos a assistir – a que as empresas, com a natural falta de coragem para chamar os bois pelos nomes, têm chamado de reestruturações – tem ocorrido também na função pública, que, tantos anos depois, está verdadeiramente a ser reformada. E, neste aspeto, revejo-me integralmente na lógica de requalificação dos quadros, na tentativa de pôr fim à velha e viciada visão de funcionalismo público, bem como na tentativa de rescisão por mútuo acordo.
Enfim. Apesar de não haver ainda grandes resultados, por força da conjuntura, é inegável a ideia de que o atual governo está a levar a cabo reformas que são cruciais. O erro crasso deste governo prende-se com a política financeira, que está muito ligada ao memorado de assistência financeira assinado pelo governo anterior.
Parece-me evidente que não há país que resista a tanta austeridade, e a tanta austeridade durante tantos anos. Parece-me, também, que é inevitável fazer-se um acordo com os credores no sentido de permitir que, económica e financeiramente, o país possa recuperar, bem como outros países da União Europeia que passam por dificuldades semelhantes, facto que contribui para que o projeto europeu esteja a fracassar a olhos vistos.
Com esta carga fiscal, não há economia que possa funcionar. É preciso aliviá-la, criando, dessa forma, condições para que o país possa voltar a ser suficientemente aliciante até para que consiga captar investimento externo, muito necessário.
Nesse sentido, creio que é inevitável começar a romper com a política financeira de Gaspar, aproveitando-se a oportunidade para alterar o ministro das finanças e fazer uma remodelação governamental, não meramente cirúrgica, mas que permita dar um novo fôlego ao governo.
Estamos a meses de eleições autárquicas, que exigiam atenção acrescida, visto que muitos dos históricos autarcas do PSD não podem, do ponto de vista legal, voltar a recandidatar-se. O PSD, que tinha todo o tempo do mundo, não aproveitou o mesmo para se preparar devidamente para estas eleições.
Cometeu o erro de afrontar decisões judiciais apenas por ter uma interpretação diferente de uma lei que o próprio partido ajudou a fazer aprovar.
A meu ver, o PSD agiu mal. Este era o tempo para abrir o partido à sociedade civil, renovando os quadros e os candidatos ao poder local, criando ainda as condições necessárias para aquelas sucessões que, do ponto de vista da sociedade civil, pareciam naturais.
É inconcebível que o PSD tenha perdido a oportunidade de apoiar candidatos como Rui Moreira ao Porto ou Marco Almeida a Sintra. Foi um erro que, certamente, sairá muito caro ao partido, por serem candidaturas fortes que irão forçar a dispersão dos votos.
Concretamente, prefiro não me pronunciar sobre outras candidaturas, umas que são mais do mesmo, outras apenas tiros ao lado, sendo que as demais são autênticos tiros nos pés.
De qualquer forma, não podemos, como militantes do PPD/PSD que somos, dar como perdidas as próximas autárquicas, apesar da impopularidade do Governo e da falta de preparação do próximo ato eleitoral.
Numa altura de sacrifício nacional, chegou o momento de voltar a mobilizar os militantes, chamando, a esta onda de mobilização, o eleitorado social-democrata e cidadãos independentes.
Parece-me, por isso, que o PSD deveria fazer um Congresso antecipado, ou um ato institucional semelhante em que vários militantes pudessem participar, de forma a limpar a imagem, renovando-a, e chamando todos os militantes para o combate nesta hora difícil do país, mas, necessariamente, também, do partido.
Este é o momento do relançamento. Do arejamento. Do apelo à unidade, ao sentido patriótico e de Estado. Este é o momento de dar um novo e necessário alento a este governo.
Se não for agora, o PSD arrisca-se a discutir-se num momento em que, liderando um governo frágil, pode sair esmagado das autárquicas, entregando, ao fim de décadas, o poder local aos socialistas.
Num período crítico da vida deste governo, num momento em que o país enfrenta uma crise com precedentes distantes, Portugal não pode continuar a ter um PSD apagado e frouxo. Pelo contrário, exige-se um partido interventivo e impulsionador do movimento de mudança que se quer assistir no país, assumindo, todos os militantes, total solidariedade com o Primeiro-Ministro e a missão espinhosa que tem enquanto líder do Governo.

terça-feira, 2 de abril de 2013

O regresso de Sócrates




É importante que ninguém se deixe confundir pela forma cirúrgica com que Sócrates gere os números que lança em debates e entrevistas sobre o tempo que comandou os destinos do país.

Sócrates governou seis anos. Quatro deles, fê-lo com maioria absoluta. E foi ainda no período da sua maioria absoluta que entrou no período mais negro da sua governação. O PSD, na altura com Ferreira Leite, teve uma postura crítica, uma visão drástica da realidade que se estava a aproximar, apresentou alternativas. Sócrates foi a votos e ganhou. Mas perdeu a maioria absoluta.

Sócrates não quis coligar-se. Não quis fazer acordos parlamentares. Ignorou todos os partidos, fazendo fé no sentido de Estado que o PSD sempre soube preservar.

Porém, forçado pela conjuntura pela qual era o principal responsável, pediu ajuda externa. Aliás, para contarmos toda a história, é importante relembrar que apresentou um PEC. Apresentou dois. Apresentou três. Até ao dia em que, sucedendo-se um PEC atrás do outro, rompeu a cooperação até então mantida institucionalmente com o Presidente da República, apresentando um quarto PEC sem o ter, previamente, debatido com o PSD.

Sócrates não foi demitido. Demitiu-se. Recandidatou-se. Perdeu as eleições.

Demitiu-se, depois, da liderança do Partido Socialista, encarregando-se a sua ala de tentar mostrar sinais de vitalidade com a apresentação da candidatura de Francisco Assis com o apoio inequívoco de António Costa e de outros camaradas próximos de Sócrates.

Enquanto Sócrates governava, ou desgovernava, o país, Seguro ia fazendo o seu trabalho de casa. Presente como deputado na bancada socialista, tornou-se mais severo na forma como distanciou de Sócrates. Esteve com os militantes, somou apoios e, na hora do Congresso, abriu as portas aos socráticos que nunca o haviam apoiado.

Nessas circunstâncias, Seguro ganhou o PS.

Seguro, porém, não revelou a liderança que se lhe devia exigir. Mais morno, menos convicto. Desconhece-se qualquer faceta do seu carisma. Não descolou nas sondagens.

Entretanto, aparece Costa, o tal candidato natural de poder do partido do poder depois do poder de Sócrates. Pareço repetitivo. É poder, poder e poder. E é assim mesmo, ou não fosse o PS o grande partido do poder em Portugal.

Costa encolheu-se. Fez as contas. Seguro tinha o partido consigo. E aquele teve medo de perder. Disse que ia, recuou, voltou a dizer que ia, voltou a recuar. Se bem me lembro, ainda deu um tempo a Seguro. Mas, seguro com Seguro, o PS não deu qualquer importância a Costa.

Entretanto, há notícias relativas a chumbos do Tribunal Constitucional e de algumas divergências na coligação entre PSD/CDS relativamente à condução dos destinos do país e a uma eventual remodelação, de 
que há tanto se fala.

Como diz o outro, começou a cheirar a poder. O cheiro, e o poder, agitaram o PS. E foi assim que todos apareceram outra vez. Rejuvenescidos mas nervosos, ansiosos com aquilo que o novo vento trará.

Mas Assis está posto de parte, Costa teve medo, Seguro não convence. Podemos dizer até que Soares, sim Mário Soares, está demasiadamente velho para trazer o poder ao PS, e vice-versa.

Sem alternativas internas, mas também sem alternativas para o país, é neste contexto que surge Sócrates, trocando os números, pensando que o tempo nos levou a memória.

Podem dizer que é candidato a candidato a Presidente da República. Para se desforrar de Cavaco, para se 
vingar de Passos Coelho, para se manter acima de qualquer pessoa que, com ele, tenha disputado o poder.

Posso não ser bruxo, mas antevejo que Sócrates não será Presidente da República. E está a consciencializar-se disso. A menos que o PSD apresente um candidato claramente perdedor, Sócrates nunca conseguirá os votos da esquerda. Da esquerda tradicional, a que vale entre 10 e 15% dos votos.

Sócrates está aí, está de volta. Diz que não tem planos, mas tem. Quer ter poder. E, parecendo-me difícil que encare a possibilidade de terminar a atividade política com uma derrota nas presidenciais, não me admiro que lhe passe pela cabeça chegar-se à frente, querendo conduzir o PS ao governo de Portugal.

Se é estranho, talvez seja. Mas não me parece que a ideia seja descabida, porque, olhando para as sondagens e para a realidade política atual, não há qualquer outro militante do PS que ofereça garantias aos portugueses.

Mas o PS quer poder. Quer muito o poder e quer muito poder. E, não restando mais ninguém, só há uma possibilidade nesta altura.

Ele está aí. Está de volta. É José Sócrates.

quarta-feira, 27 de março de 2013

A narrativa do costume



Dizer que o Governo anterior teve responsabilidade na situação do país é um embuste. Correu tudo bem. Até trouxe o IKEA e a Pescanova. O que seria do país, se não tivesse trazido? A responsabilidade, claro está, é da crise internacional. Da crise internacional e do al, ala, pronto, alargamento. Bem, já tinha sido há algum tempo, mas também terá sido responsável pelo facto de Portugal estar despreparado para combater a tal crise que veio de fora e que atacou cá dentro.

Envolvi o PSD. Falei na véspera. Informei. E isso não é envolver? Ou será que, para envolver, é preciso discutir? O PSD não aceitou porque não quis. Se tivesse querido o PEC IV, tudo iria resultar. Era só uma questão de fé. E muita gente não tinha fé.  

Austeridade? Aaaaa, hmmmm, aaaa, mistificação! Hmmm, já tinha o apoio de Bruxelas, o que mais poderia faltar? E em Espanha também resultou…

O Presidente teve deslealdade institucional. Foi outro ataque pessoal. E Cavaco não tem moral. Faz parte de um grupo de conspiradores. É inconcebível que tenha dito aos jovens para se manifestarem. E não tinha que informar o Presidente da República sobre o PEC IV. Aliás, o Presidente da República, como cidadão que é, teve conhecimento do PEC IV ao mesmo tempo que todos os portugueses.

Foi um tempo do oculto. E Cavaco era a mão escondida atrás dos arbustos. Era a face ocult, hmmm, aaaa, a mão oculta que nos levou para uma crise política. Demiti-me por vontade d…, hmmm, do Presidente da República.

Opus-me sempre ao pedido de ajuda internacional. Bom, foi eu que fiz o pedido de …, mas está tudo muito mal, mal, hmmm, mal contextualizado. Não, não, ouça, desculpe, tenho muito respeito por mim próprio, respeito o Teixeira dos Santos, vamos lá ver, eram tempos muito duros, eram momentos críticos em que se construíram soluções com os parceiros e fomos obrigados a pedir ajuda externa.

Fui o único que lutou contra o pedido de ajuda externa. (Pausa para um suspiro romântico. Continuação de pausa para quase deixar cair uma lágrima). Havia gente que clamava por ajuda externa, os banqueiros, outros membros do Governo, a oposição também. Fui o patriótico, que quis defender Portugal. Uma espécie de orgulhosamente só.

Desculpe, ele disse. Bom, desculpe. Deixe-me dar o meu ponto de vista. A barreira dos 7 por cento. Bem, desculpe. Dei, bom, deixe-me falar. Eu fui o único…há só um ponto…há…

Fomos obrigados a isso. Tomei consciência disso. Por amor de Deus. Bom, está bem. Foi com uma conversa. Desculpe, não compreendo essa obsessão pelos pequenos detalhes. Eu, na altura, fui forçado, consciencializei-me. É sabido que não gostei, mas reconheci que a minha luta chegou ao fim.

(Tempo para fazer perguntas, passar para o papel de entrevistador e entrevistado ao mesmo tempo. Monólogo. Não sabemos os resultados. Perguntemo-nos agora. Não valia a pena ter ousado lutar pelo país?)

E já que chegamos a este ponto, há outro embuste na narrativa que tem sido contada ao país. Não é verdade que estas medidas sejam resultado do memorando do governo anterior. Este governo faz o dobro do mal que negociei. Este governo não quer assumir as responsabilidades. Agora é que descobrem? Eles nunca aplicaram o meu memorando!

Se o caminho tinha sido delineado? Bom, desculpe, isso é um embuste. Oponho-me! Não havia o corte no 13º mês, o aumento do IVA e dos impostos. Havia metas? O memorando não tinha medidas orçamentais? Embuste! Oponho-me! O que eu acho é que estavam medidas. Posso-lhe dar uma? Bom, estavam várias…

Tempo para inglês técnico. A recessão em V. Gestos.

Vamos lá ver, se me pergunta uma coisa, deixe-me dar a resposta a outra pergunta (diferente daquela que fez). O país tem de parar com a austeridade! (Finge não ter ouvido a expressão “investimento público”). Parem de escavar! Parem com a austeridade. As metas? O memorando? Perguntou-me, desculpe, se nós continuarmos com o dobro da austeridade…

Veja os números. Não é esse ano, é o outro. 20, 30. Ouça, já lhe disse que não é esse ano. É o outro. Bom, mas a crise não é nesse ano. Duplicou?

Olhe, meu caro amigo, dá-me licença. Há um período antes da crise e outro depois da crise. Tenho ouvido essa narrativa. Subiram as dívidas de todos os países, a crise internacional. Bom, aaaa, digamos, hmmm, entre 2005 e 2008, bem, perdoe-me, entre 2005 e, bom, você está a comparar com esse ano? Desculpe! Isso é um embuste, estes números que lhe estou a dar estragam a sua narrativa!

Deixe-me comparar a despesa com a dívida e com o défice e, bom, ó amigo, deu no que deu, dê-me licença. Deixe-me retomar a pergunta que me colocou, não é essa, é a outra, deixe-me dizer o que se deve fazer!

Fiz o maior aumento de salários dos funcionários públicos da década, mas é fácil ver-se isso agora. Naquela altura, havia uma doutrina na Europa, havia uma crise enorme em todo o mundo. Resolvemos aumentar os salários no ano em que a crise bateu com estrond…sim, não tínhamos aumentado o salário nos anos anteriores, mas houve aumentos no petróleo, hmmm, aaa, as nossas expectativas, está bem, é mais fácil dizê-lo agora. É mesmo muito fácil falar depois. Se quiserem, o melhor é contratarmos bruxos.

Energias renováveis. Energias renováveis. Energias renováveis. Energias renováveis!! O maior crescimento da década! O país teve êxito, não entre o princípio e o fim do mandato, mas entre 3 dos 6 anos em que governei. Mas, ai, mas, desculpe, mas, é a minha tese …epá, desculpe, lembre-se do défice energético e o que você está a dizer, hmmm, não é possível comparar!

Quanto às PPP’s, desculpará, está aí uma história mal contada, outro embuste, esqueça essa narrativa. Eu na, na, na, não posso estar num debate. Os senhores comportem-se! Nas PPP’s…rodoviárias…temos 22, sou responsável por 8. Bom, na verdade, sou apenas responsáv…, desculpe, desculpe, está a mudar a narrativa, são encargos de apenas 19 mil milhões de euros. Apen…bom, foi apenas isso e você está equivocado.

Muita gente ficou a dever o seu emprego ao nosso programa de aguentar empregos. Bom, o erro mais visível, bom é mais fácil ver agora… Nunca deveria ter formado o segundo governo, minoritário. Se eu soubesse que iria haver uma crise nas dívidas soberanas, nunca teria formado gov…um governo minoritário.

Tempo para pose. Um pouco mais de pose. Postura melhorada. Sensação de sentido de Estado. É melhor não falar sobre cenários, sou apenas um ex-Primeiro-Ministro. Mudança de pose. Calimero. Pose de calimero. Pose de calimero preocupado. Quando eu falava, quando eu falava, quando eu falava, … Pose de determinação. Vítima. Calimero. Determinação.

Energias renováveis. Magalhães. Barragens. Novas oportunidades. Mas ninguém gosta?

Retórica. Retórica socrática. Filosofia. Dante. Onde é que está a esperança?

Tempo para falar da vida pessoal. Vitimização. Calúnia, calúnia, calúnia. Não tenho vida de luxo. Pedi um empréstimo à Caixa Geral para comprar um andar de luxo. Paguei. Pedi outro empréstimo ao mesmo banco para ir estudar para Paris sem estar a trabalhar. Desculpe, caro amigo, isso é ignóbil.

Lava-se roupa suja.

Acaba-se como se começou. Repete-se a palavra “liberdade”. E deixa-se, no ar, a sensação de que há mais narrativa para juntar à narrativa que se acaba de narrar, que não é mais do que a narrativa do costume.

Parte do país acredita, outra parte não acredita. E a maioria absoluta dos portugueses, enjoada, terminada que está a entrevista, pode, finalmente, vomitar!

sábado, 23 de março de 2013

Se quiseres, pode ser hoje!



Vai acontecer, porque tem de ser, e o que tem de ser tem muita força.
Se é para acontecer, pois que seja agora.
Quem decide é a vontade.
Seja agora. Que seja agora.
Saudações leoninas,

quinta-feira, 7 de março de 2013

Duas afirmações, uma pergunta

José Couceiro foi jogador, treinador-adjunto, treinador, director-desportivo, entre outras funções. Passou pelo Sporting, pelo Porto, pelo Alverca, entre outros clubes. Quantos títulos ganhou?

segunda-feira, 4 de março de 2013

Manifestando-me,


É verdade que estava muita gente, mas é mentira que tenham estado perto de um milhão de pessoas. O problema, que se realça, é que há gente, muita gente, que não foi à manifestação porque não pôde ir. O transporte sai caro, como caro também sai comer e beber num sábado em Lisboa, no Porto ou noutra cidade qualquer. Não tenho dúvidas de que boa parte das pessoas que censura as medidas deste Governo não foi à manifestação. Ficou em casa a fazer contas. Aos medicamentos, ao empréstimo, aos alimentos. A fazer contas à vida.
De qualquer forma, o que realço, também, é que não houve qualquer medida, qualquer alternativa, que tivesse saído das algumas centenas de milhar de pessoas que se manifestaram. Querem ter mais dinheiro, mas não sabem como. Querem outras medidas, mas não sabem quais. Querem fazer cair um governo, mas não sabem que outro o pode substituir.
Revejo-me em todas as frustrações dos manifestantes, partilho o mesmo sentimento de desentusiasmo, bem como as dúvidas. Mas não quero outro governo, não quero um programa de governo genericamente diferente do que está a ser implementado, não quero mudar por mudar, à pressa, e para qualquer outra coisa.
A verdade é clara. O país tem compromissos para cumprir e dívidas por liquidar. Tem de os cumprir, tem de as liquidar. A alternativa, que é aquela que indicam os manifestantes, é pior. É não pagar a dívida, como sugeria Sócrates numa conferência. É mandar embora a Troika. É mudar o governo.
O que significa isso?
Não pagar agora é não receber emprestado amanhã. E talvez valha a pena fazer o exercício de nos pormos no papel do credor, que emprestou mas precisa do dinheiro. Do dinheiro, e de todas as condições, em que acordou emprestar. As dívidas são para se gerir, mas têm de se pagar. Os compromissos, se é que os temos, são para se cumprir, como parte de bem, como pessoa de confiança.
Mandar a Troika embora, tal como sugerem os desempregados e pensionistas, é fazer com que, no dia 20 do mês seguinte, os funcionários públicos deixem de receber o seu salário. É deixar de pagar pensões. É, isso sim, enforcar, de vez, o Estado Social e as empresas, desde as pequenas e médias aos grandes grupos económicos.
Mudar o Governo, neste momento, só pode querer significar uma de duas coisas.
Uma, é dar a maioria absoluta ao PS, que nos desgovernou durante quase década e meia, com dois anos de interregno. É confiar naqueles que nos trouxeram até aqui, até ao memorando, até à perda de soberania, até às medidas que acordaram, passando pela fome por que passam milhões de pessoas que, por não ter dinheiro, nem sequer pode vir ao Terreiro do Paço cantar a música da revolução militar e, inerentemente, comunista.
A outra, é dar a maioria relativa ao PS. Que pode fazer com que o fenómeno italiano se verifique em Portugal, assumindo-se como um país ingovernável. Ou governável, caso o PS encontre parceiros de coligação, situação em que o Bloco de Esquerda seria chamado para funções executivas. Com todas as consequências que daí, necessariamente, advêm.
Digo, com tudo isto, que o protesto é legítimo. Digo, aliás, que também protesto. Pela pesada herança que o país me deixou. Pela castração dos sonhos. Pelo sacrifício e pelas contas que tenho de fazer. Mas o sentido de responsabilidade aborta qualquer ideia de que, neste momento, existam reais alternativas às deste governo. Não existem. Ou, se existem, são piores.
Com dificuldades, muitas dificuldades, espírito de sacrifício patriótico, mas com esperança, muita esperança, proponho que, coletivamente, nos nossos negócios, nas nossas empresas, na nossa vida, continuemos a puxar o país para a frente. Por Portugal e pelos portugueses. Sobretudo, pelos portugueses de amanhã. Dobraremos as Tormentas e transformá-la-emos em Boa Esperança.
Acredito muito nos portugueses e não tenho dúvidas de que, como sempre, vamos ser capazes.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A minha paixão egoísta pelo Sporting


Vivo o Sporting da mesma forma que vivo a vida. De forma apaixonada. Com uma paixão desinteressada, mas intensa. Penso, e sempre pensei, pela minha cabeça. E vivo o Sporting de uma forma exclusivamente pessoal e egoísta. Um golo sofrido é um murro no meu estômago. Um golo marcado é uma alegria demasiado grande para que não possa ser partilhada. 
A História do Clube, os títulos que ganhamos, os golos que marcamos não contribuem para mais do que para a minha vaidade pessoal. Ser do Sporting faz-me ser vaidoso. E a dimensão da História, que tomo como Herança, é de uma riqueza grande, mas tão grande, que se sobrepõe aos momentos pontuais em que o clube não é feliz.
Se estou preocupado com o futuro do Clube? Estou. Muito. Se acho que posso fazer alguma coisa para mudar? Posso. Aliás, sinto, até, que tenho ajudado com tudo aquilo que posso. Nos locais próprios. Junto das pessoas que têm responsabilidades.
Fui convidado para integrar uma lista ao Conselho Leonino. Não aceitei o convite por várias razões. Desde logo, não conhecia pessoalmente, nem as ideias, do cabeça-de-lista. Não era um lugar elegível. Não acredito no órgão. E sinto que a inexperiência e indisponibilidade temporal por motivos profissionais não fariam, de mim, uma mais-valia. Temos de reconhecer as nossas fragilidades.
De qualquer modo, e sempre dentro desta paixão fervorosa, razão desta taquicardia que me tira saúde e me dá enormes alegrias, vou votar nas eleições do próximo mês. Votarei, novamente, na mudança. Na ruptura. Votarei em quem for diferente de Godinho Lopes, de Bettencourt. Votarei para cortar com os tempos das falsas lendas. 
Por ser uma paixão egoísta, olho o Sporting como me olho a mim. E, se um dia morrer, quero morrer íntegro de carácter, fiel a quem sempre fui. Posso passar mal, mas não vendo a alma ao diabo, nem o corpo a quem dele quer usar e abusar. Viver calado, usado, injustiçado e conformado não é viver.
Não desejo isso do Sporting. Que não se ouve porque não fala. Que se prostitui de borla. Que vende o "carácter" centenário a troco de negócios pessoais. 
Como disse, olho o Sporting como me olho a mim. Desculpem-me por isso. Para o Sporting, eu quero o melhor. O melhor possível. E, se não aparecer ninguém melhor que Bruno de Carvalho, que me perdoem, mas votarei, sem complexos nem ilusões e de consciência tranquila, para que o Clube não cometa os erros que cometeu, induzido sistematicamente em erro, durante anos a mais. 
Votarei nele. Por egoísmo. Por amor ao Sporting.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dar Rumo ao Sporting

É o nome do movimento criado por dois sportinguistas. Que forçou o fim antecipado do mandato do pior Presidente da História do Sporting. Que mobilizou os sócios, a quem devolveu a palavra.
Tenho pena que não seja realizada a AG. Há assuntos que os sócios merecem discutir. Mas o Movimento conseguiu aquilo que quis.
Isto é o Sporting.
E, agora, o que se precisa é de Dar Rumo ao Sporting.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Franquelins

Os portugueses pagam, e caro, o buraco do BPN, onde Franquelim Alves esteve, como administrador, durante alguns meses.
Pagam caro, muito mais caro, pelos buracos, buraquinhos e buracões que os socialistas foram deixando um pouco por todo o país, por onde foram passando.
Pela mesma lógica seguida pela esquerda, não há socialista que possa exercer funções governamentais. Afinal, são os grandes responsáveis pelo Grande Buraco em que se encontra o país.
Podemos não acreditar em Franquelins. Mas que os há, há. Ai há, há. 
Olhando para os partidos à esquerda do PSD, num abrir e fechar de olhos, lembramo-nos logo de largas dezenas deles. Saltam logo à vista. Porventura, também, por andarem tão agitados...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A ditadura do silêncio

Se o problema do Sporting fosse um buraco financeiro visto a olho nú, ainda que aliado a uma crise de resultados sem precedentes, poderíamos viver relativamente descansados. O problema do Sporting não é esse, nem as maçãs, podres ou maduras, nem uma dúzia de ovos premeditadamente atirada por um grupo de jovens que se sentava na sala Artur Agostinho a cumprir ordens.
O problema do Sporting é o que está escondido, a falta de transparência dos últimos quinze anos, a pouca clareza numa gestão agressiva que furtou, ao Clube, largas dezenas de milhões de euros. Existe uma ditadura do silêncio desde o dia em que Godinho Lopes foi eleito, uma cumplicidade perigosa entre dois tipos distintos de criminalidade, que amedronta e ameaça algumas dezenas de sportinguistas.
Quem filma, morre. Toda a gente ouviu. E veja-se que nenhuma imagem apareceu na televisão. Essas imagens existem. Não sei se foram captadas pelos órgãos de comunicação social, directa e expressamente coagidos nesse sentido, mas as imagens existem.
O clima que se vive, e que não é de agora, não deixa espaço para brincadeiras. Vive-se, no Sporting, um tempo de terror. Terror. Com ameaças de morte e violência, sendo que há alguns sportinguistas a resguardar-se, na tentativa de salvaguardar a sua vida e saúde.
Há gente que não pode andar na rua, que deixou de poder ir ao estádio. Com medo. E com razões para ter medo.
Talvez faça sentido falar em refundação. Porque o Sporting, que vivia desde 1906, morreu há  pouco menos de 2 anos. Sim, o Sporting, tal como o conheciamos, deixou de existir. Com cunhas, dinheiro, sacos pretos, ameaças e violência, falta de transparência e de democracia, o Sporting, que herdámos quando o assumimos e quisemos dele ser parte, morreu. 
Ressuscitará. Como Sporting, como Clube de Portugal. Porventura, com outro nome. Mas com o ideal de sempre. 
Assumi-lo-emos. 
Sem medo, resistindo aos perigos que já nos ameaçam, com a mesma coragem dos nossos ídolos e com a esperança e sacrifício que, em 1906, fez fundar um Ideal Centenário.
Resistiremos. Avançaremos. Nada temeremos. 
Pelo Sporting. Até morrer.

SL

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Eles estão bem conscientes do que estão a fazer.

Já só falta vender o Ricky por quinhentos mil euros para ir buscar o Tozé Marreco à Naval, emprestado e com opção de compra de três milhões. Caros sportinguistas, continuem a dormir.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Abandonada, desordenada, suja e triste.

Só de pensar o que foste. O que poderias ter sido. E o que voltarás a ser. Custa-me ver como estás, minha Lisboa.

domingo, 6 de janeiro de 2013

O Vale e Azevedo II

Godinho Lopes fez muito pior ao Sporting do que aquilo que Vale e Azevedo fez ao Benfica. Aquele será lembrado por ter sido eleito por uma minoria de sócios. Depois de um "arranjo" de última hora. Levou o Sporting à falência desportiva e aumentou, em quase uma centena de milhões de euros, o buraco financeiro. 
Pior do que isso, Godinho Lopes colocou os seus interesses pessoais à frente dos interesses do Sporting. Desbaratou activos, diz-se que fez parte de um plano que visava deturpar a verdade desportiva. Estendeu a passadeira a Pinto da Costa e, se tudo continuar pelo mesmo caminho, deixará o Sporting na 2ªdivisão.
Não tem o apoio de ninguém e sairá de uma forma muito pior do que aquela em que foi, supostamente, "eleito".
Além de, há cerca de um mês, ter assinado para convocar uma AG extraordinária e de estar disponível para ajudar a financiar a mudança que urge no Sporting, o que posso dizer, agora, é que só os miseráveis e os filhos do dinheiro não percebem que o Sporting não é isto.
O Sporting não é isto. Nunca foi. E não voltará a ser.
Sejam quais forem os candidatos à Presidência do Sporting, não me passa pela cabeça votar em quem, entre um projecto desportivo e financeiro coerente, consolidado e ambicioso, não se demonstrar disponível para, em defesa da Honra e da História deste Grande Clube, apresentar uma queixa-crime contra Godinho Lopes pela prática de Gestão Danosa.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O Clode

Depois de vários meses sem escrever, talvez seja por impulso, quase como obrigação, ou necessidade, que volto a fazê-lo, no meu cantinho do costume, onde costumo deixar, entre outras coisas, reflexões e desabafos, textos sobre estados de espírito.
Conheci o Clode quando fui acolhido numa nova família, onde mantenho grandes amigos, a família de São João de Brito. Aliás, no dia em que soube da sua partida, eu estava praticamente apenas com amigos, amigos do Clode, pessoas dessa família.
No momento de uma despedida, ou depois desse momento, tendemos a referir-nos apenas aos momentos bons. Esquecemos os maus. Fazemos por isso. Do Clode não guardo um único momento desses. Era um rapaz simples, no dia-a-dia, na praia, na noite, no campo de futebol. Era sempre o mesmo, igual a si mesmo, estivesse onde estivesse, com quem estivesse. 
Daquele olhar, brilhante e risonho, era impossível descortinar qualquer desconforto que tivesse com a vida. Não conheço alguém que tenha alguma vez dito mal dele, pensado mal dele. Era consensual e positivo. Educado e divertido.
Foi com um sentimento de dor e vazio que soube foi fatalmente atropelado poucas horas depois da entrada no novo ano. Quase dois dias inteiros depois de ter recebido a notícia, e a poucas horas da última despedida, as palavras são substituídas pelo silêncio. Mas a revolta brutal que sentimos quando nos apercebemos que somos mortais só pode dar lugar à Esperança de saber que o Clode foi merecidamente acolhido. 
Há pouco tempo, com o seu irmão, numa curta estadia em Milão, lembro-me de termos falado sobre Deus. Com o Clode, o João, não me lembro de, algum dia, o ter feito. Mas, se há coisa que me conforta, neste momento incrédulo e de revolta, é que o Clode foi acolhido. Como merecia.
Está em Paz no mundo onde não se contam as horas, a olhar por nós, os que contamos os minutos de recordação e Saudade.
Pessoas como o Clode fazem cá muita falta.
Aos pais, irmãos, família e amigos, deixo um forte abraço.
E, um dia, iremos encontrar-nos.
Até sempre, Clode.