sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz Ano Novo!

Temos o dever de acreditar, e de fazer acreditar, que 2012 não será tão mal como se prevê. Desejo-vos, por isso, um Feliz Ano Novo!
Até para o ano!

O melhor do ano


Apesar das dificuldades, ou talvez porque as coisas boas despertam mais a minha atenção, 2011 trouxe muitas e boas notícias, nomeadamente no desporto (com vários títulos europeus e mundiais, incluindo no futebol), mas também em outras áreas, como na televisão. 
Para mim, o melhor do ano, para fugir um pouco à política, ao desporto e aos assuntos de que falo com maior frequência, escolho duas coisas.
A primeira, o Fado, considerado património imaterial da humanidade.
A segunda, as entrevistas do Daniel Oliveira. É um dos melhores portugueses vivos a fazer televisão, com entrevistas emocionantes e absolutamente imperdiveis. Deveria merecer outro horário. Mereceria outro reconhecimento.
Houve certamente, em 2011, outros aspectos positivos, que são partilhados por todos. Pessoalmente, apenas preferi destacar o trabalho feito por Daniel Oliveira na SIC, absolutamente extraordinário.

O pior do ano


Alberto João Jardim, o buraco escondido, a sua reeleição pelo povo madeirense, a distância entre o PSD Madeira e o PSD Nacional. Pela total impunidade, demasiada leviandade e nenhum sentido de responsabilidade e solidariedade nacional. E pelo custo acrescido que representa para cada um dos portugueses.
Em período de sacrifícios extremos, é inacreditável como, na Madeira, continua a ser carnaval o ano inteiro.

O filme do ano


Não gosto de circo, mas gostei da história, dos actores e do filme.
Para mim, Water for Elephants foi o filme do ano, por uma razão que não poderia ser mais simples: foi o filme que mais gostei de ver.

O momento do ano - Portugal


Quando, ainda em 2010, José Sócrates pediu publicamente a sua demissão de Primeiro-Ministro de Portugal, tendo anunciado a sua recandidatura, não era certo que deixasse de governar depois da Primavera de 2011. Essa certeza só se consolidou em Março, quando um grupo de jovens mobilizou a sociedade civil para uma manifestação com precedentes distantes.
A mensagem passou, e chegou a casa das famílias portuguesas. Foi nesse dia que Sócrates perdeu as eleições.
Mas a manifestação da geração à rasca foi inédita por outras razões: relegou para segundo plano as manifestações sindicais, com menor adesão e sucesso, mas também as juventudes partidárias, que, verificando a sua derrota junto da sociedade civil, se juntaram a esta numa manifestação que, pelas bandeiras que tinha, era transversal.
Cantores, actores, escritores, políticos, sindicalistas, gente de todas as profissões, faixas etárias, de todos os sectores da sociedade juntaram-se numa manifestação de protesto contra políticas irresponsáveis e geradoras de pobreza, fazendo toda a sociedade reflectir sobre o futuro das gerações que começam a entrar agora no mercado de trabalho.
Foi um momento único, de verdadeira democracia.
Foi, na minha opinião, o momento do ano, em Portugal, no ano que agora termina.

O momento do ano - PSD


A vitória nas eleições legislativas, ou a noite da vitória, foi claramente o momento do ano para o PSD, um partido de poder, que estava há seis anos na oposição.
Não está ainda esclarecido qual foi o factor que mais pesou nessa vitória: terá sido um cartão encarnado ao governo socialista e a Sócrates, terá sido mérito de Passos Coelho, terá sido uma conjugação dos dois?! Tendo a inclinar-me para esta terceira possibilidade de resposta, sem, contudo, ter grandes certezas.
O que é certo é que essa noite marca o ano de 2011.
Herdando uma situação financeira desastrosa e um memorando de entendimento com o triunvirato, Passos Coelho está ainda numa fase embrionária da sua governação, merecendo, para já, a total confiança dos portugueses. A falta de liderança e de sentido de responsabilidade no Partido Socialista ajuda à confiança que os portugueses continuam a depositar no novo Primeiro-Ministro.
Mas há uma pergunta que não tem resposta. O que é feito do PSD? Existe, não existe, faz, não faz, mexe ou não mexe? O PSD pensa, não pensa, reflecte, não reflecte? Não sei. Parece-me adormecido à sombra da bananeira do poder.
Neste período, e do ponto de vista interno, parece-me que os militantes, apesar de confiarem e apoiarem o Governo de maioria liderado pelo PSD, estão desmobilizados. As estruturas locais perderam o peso. Não se discute, entre militantes, o futuro nas autarquias locais. Não se esboça ainda uma candidatura presidencial para o pós-Cavaco. 
Se, por um lado, é um facto que o partido se fechou para a sociedade civil, deixando de realizar aqueles debates abertos aos intervenientes sociais de relevo, por outro, o partido parece fechado, sem ideias, caminhando atrás de um Governo que também não tem folgas nem margem de manobra.
Esperemos que 2012 mantenha a união, acabe com o adormecido e que faça nascer novos debates internos dentro do PSD.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O momento do ano - Sporting



O Sporting contou com vários treinadores, que montaram estratégias de jogo diferentes. Sempre tive a mesma opinião. Perdeu-se demasiado tempo para encontrar o parceiro ideal para Liedson quando, no meu entendimento, sempre acreditei que essa procura era sempre feita em vão. Nunca soube, se o problema era dos treinadores, que optaram por colocar dois avançados (Liedson e outro), se era dos companheiros encontrados para fazer "parelha" com Liedson, se era do próprio Liedson que, por ser diferente dos outros, remetia os companheiros para a sombra.
Essa é a dúvida que permanecesse num conjunto vasto de certezas, e uma dessas certezas era o empenho em jogo do Levezinho, que marcava, que defendia, que fintava, irritando os nossos adversários. Foi o símbolo de uma equipa que não conseguiu ser campeã nacional, mas que chegou a uma final europeia e venceu outras competições internas. Era o fio de continuidade de um jogo para o outro, de uma época para a outra.
Quando me disseram que iria sair do Sporting, para fins que, para agora, não interessam recordar, tive aquela sensação que se tem quando se perde um jogo decisivo nos últimos minutos. Se os adeptos estavam descrentes, aquele episódio determinaria o fim de um Sporting de muitos anos. Foi um sinal, difícil de aceitar, que poderia ser interpretado como a falência de gestão de um clube centenário que assumia o futebol como a sua montra principal. Era a assumpção de que o Sporting deixava de ser o candidato ao título que sempre foi, estando preso e sobrevivo por arames.
Por esse motivo, não fui a Alvalade no jogo da despedida. Sabia como iriam reagir os sportinguistas. Sabia como iria reagir o jogador. Se fosse, teria chorado compulsivamente, sentiria o orgulho sportinguista irremediavelmente abalado. Nesse jogo, estava na Chamusca, onde passei esse fim-de-semana e, desse jogo, vi apenas a primeira parte. Não consegui ver mais. 
E foi com algum esforço que evitei ligar a televisão em canais de notícias, ler as mensagens escritas no telemóvel, passar por papelarias que tivessem jornais à venda.
Só algum tempo depois pude ver as imagens que não demonstram mais do que aquilo que eu previa. Senti que fiz bem por não ter ido ao estádio, para a mesma cadeira de onde vi Liedson festejar golos atrás de golos. Como odeio despedidas, evito-as a todo o custo. E, tendo a consciência que se tratava da despedida definitiva do nosso artilheiro, fui cobarde e não compareci.
O que me afligia não era, todavia, a mera despedida. Sempre tive a opinião de que Liedson esteve em Lisboa durante demasiado tempo. Era, antes disso, a sua razão.
De qualquer maneira, enquanto sportinguista, esse foi o momento decisivo do ano. Nós não sabíamos nem podíamos prever o que nos traria o futuro. E foi por isso que doeu mais. 
Tempos depois e a frio, reconheço que poderia ter escolhido outros episódios como "momento do ano" do Sporting. Por exemplo, o dia das eleições, em que venceu uma lista que não apoiei e que tem feito um trabalho que supera as melhores expectativas; a contratação do portista Domingos para treinador; a reviravolta em Paços de Ferreira, que fez com que o meu coração saltasse como há muito não saltava. A partir daí, somam-se os bons momentos, muitas vitórias.
No fim de 2011, verifico que a despedida do Liedson foi o "pico negativo" entre o Sporting que era e o Sporting que viria a ser. Nesse dia, e por força dessa despedida, escreveu-se uma nova história, construiu-se um novo Sporting, muito mais parecido com aquele Sporting que era projectado e sonhado pelos primeiros sportinguistas. A despedida de Liedson foi o momento decisivo, o episódio determinante. Foi o momento do ano pelos piores, mas também pelos melhores motivos. Porque, nesse dia, virou-se uma página, fechou-se uma era, assumiu-se uma derrota de tal maneira monumental que empurrou candidatos para a presidência do Sporting, mobilizando sócios e adeptos chamados a reescrever uma história diferente.
Liedson está hoje na sua terra, com a sua família, onde se sente bem. É campeão nacional.
O Sporting, independentemente de se considerar que é, ou deixa de ser, candidato ao título, está de volta. Joga para a frente, tem uma equipa formada por grandes jogadores, tem um treinador que tem sido decisivo.
Depois da iminência de um divórcio definitivo, os sócios voltaram ao estádio, voltaram em massa e com alegria. De uma à outra parte, recuperaram-se os gestos de amor, de união e de força. Há um verdadeiro casamento entre o Clube e os sócios. Liedson torce, à distância, pelo seu Sporting. Os sportinguistas torcem, à distância, pelo Levezinho. Liedson, sem o Sporting, voltou aos títulos. O Sporting, sem o Liedson, voltou às vitórias.
Com a cara limpa das lágrimas, e saradas as feridas no nosso orgulho, ainda que escolhendo a despedida como o momento decisivo do ano, podemos, sem que o façamos na lógica de negar os factos, que, para todas as partes, foi mesmo melhor assim.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal


Desejo-vos a todos um Santo e Feliz Natal!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Grandes dias são para ser recordados



16 de Dezembro de 2001. O dia, a noite, o início de um período de orgulho e de alegria, de dinâmica, de esperança, de verdadeira mudança. Encheu-nos o peito e levantou a voz de Lisboa. Foi, e é, Pedro Santana Lopes.

Vale a pena ler.


O passado, o presente e o futuro do cavalo Puro Sangue Lusitano, numa entrevista de Fernando Palha à revista Equitação.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Está tudo explicado


Quando estavam no Governo, estavam a marimbar-se para as pessoas. Precisavam de alguém que financiasse as suas extravagâncias. E deixaram, para todos os portugueses, uma verdadeira bomba atómica.
Agora, afastados do Governo pelas pessoas e sentindo necessidade de recuperar o apoio destas, querem rebentar uma bomba atómica na cara dos franceses e dos alemães, estão a marimbar-se para os credores que financiaram as suas extravagâncias e a mensagem que deixam aos portugueses não podia ser mais clara. "Não pagamos"!
Coisas de criança, dirão uns. Estados de alma, dirão outros. O que é certo é que, para quem não percebia porque chegámos aqui, está, agora, tudo explicado.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Chamusca - Golegã


A competitividade, a concorrência e a rivalidade são três aspectos que fazem com que as coisas progridam. E quando falo em coisas refiro-me a tudo. Tudo. O partido que está no governo tem de conduzir bem os destinos do país, sob pena de ser substituído por um dos partidos da oposição. O jornal que não dá notícias com interesse perde os compradores para jornais concorrentes. As pessoas mudam de canal, se não virem novidades no telejornal. Se um clube não se reforçar bem e não tiver uma gestão desportiva rigorosa, vê o título fugir para um clube rival. Nós próprios, se não formos suficientemente bons naquilo que fazemos, somos substituídos pelos outros. Somos ultrapassados.
Não concebo, por isso, a vida sem essas rivalidades, que dela fazem parte. Nestes tempos novos, em que é preciso suar para "ganhar a vida", a ataraxia é meio caminho para a marginalização. E, chegado a esse ponto, é muito difícil recuperar.
Faz parte de mim defender, até aos limites, aquilo de que gosto. E, não tendo nascido nem vivido na Chamusca, sempre a olhei como a minha terra, como se fosse aquela onde estão as minhas raízes. Nesse sentido, vi sempre a Golegã, concelho vizinho, com aquele sentimento de rivalidade saudável, essencial para que um acabe por puxar pelo outro.
A Golegã, até há poucos anos, era a capital do cavalo e nada mais. Era conhecida apenas em virtude de realizar a Feira Nacional do Cavalo, que ainda é a principal atracção da vila. O Presidente da Câmara, José Maltez, eleito e reeleito pelo Partido Socialista, revolucionou positivamente o concelho. Aproveitando a notoriedade ganha com a realização da Feira, com a criação de cavalos e com o sucesso do seu mundo rural, hoje, a Golegã, é uma das "capitais do Ribatejo". Maltez não a descaracterizou. Aliás, são bem visíveis as estátuas e monumentos de homenagem ao passado local. Mas fez mais. Hoje, a Golegã, além da Feira de Novembro, tem outra em Maio. Na prática, tornou-se, efectivamente, na capital mundial do Puro Sangue Lusitano. Criou as condições e tem atracções durante todo o ano, como as feiras, as exposições, eventos desportivos, museus e por aí fora.
A Chamusca, a minha Chamusca, sendo, do meu ponto de vista, muito mais característica do que a Golegã e tendo muito melhores recursos que o concelho vizinho, parou no tempo. Na Chamusca, vila histórica à beira-rio, não há nada. Tinha ovos, mas não fez omoletes. Com os meios adequados para impulsionar o concelho, fechou-se para o mundo à boa moda comunista. Regrediu.
Com os meios adequados, que são únicos no país, não houve uma única política ou medida que tivesse em vista o impulso que o concelho precisa. Não há um museu, não há uma feira, não há uma exposição, não há capacidade de promoção das infraestruturas desportivas, não há nada.
As procissões, continuando dignas, estão cada vez mais tristes, contando com a participação das populações locais ou de gente que, por tradição, ali vai. A Ascenção, que é o grande motivo de interesse, perdeu o fulgor.
Isso reflectiu-se na economia local, controlada por algo que é obscuro e deseducado. Nesta terra de tradição multiplicam-se os crimes porque, como não há poder económico, também não há lei. Claro que acabou mal. O centro está deserto. As terras foram abandonadas. Por incrível que pareça, o próprio Café Central também fechou. E, assim, aqueles belos passeios construídos à beira-Tejo são uma terra de ninguém.
Feito o balanço do mandato do Presidente que cessará funções neste mandato, com a devida simpatia que me merece a pessoa, tenho poucas coisas boas para dizer.
Comparando com a Golegã, falamos do dia e da noite. E isso entristece-me.
A Chamusca precisa de voltar a ter vida. De pôr os olhos no que foi feito na Golegã. Fazendo-o, terá de sonhar alto, como sonhou Maltez e os nossos rivais da outra margem.
Se temos a Ascenção em Maio, as corridas de toiros deverão promover a lide de toiros criados pelas ganadarias locais. Se temos autênticas relíquias, pois que as juntemos, fazendo um museu, com uma exposição permanente e outras temporárias, alusivas aos temas que são características locais. Se temos alguns dos melhores campos do país, pois que se façam todos os esforços para activar a Cooperativa Agrícola. Se temos um campo de futebol com óptimas condições, pois que encontremos parceiros, promovamos torneios que tragam gente ao concelho, assim como com o pavilhão. Depois disto, que é o básico, há que puxar pela cabeça. Criar uma feira de gado (e por que não uma feira do cavalo em Julho ou Setembro?) com concursos que sejam importantes, "forçando" as pessoas a virem cá. Criar um festival alternativo de música, capaz de trazer jovens, aproveitando o espaço à beira-Tejo. Reactivar, na Chamusca, a rádio. Criar um evento de gastronomia, publicitando a restauração local. Criar condições favoráveis à criação de unidades hoteleiras. Realizar protocolos para que algumas peças de teatro possam vir à região, no nosso moderno Cine-Teatro.
Dizem-me que a Câmara não tem dinheiro. E a Golegã tinha? Então e as obras que foram feitas, que são bonitas, mas que, na prática, não servem a ninguém?
Gasta-se um dinheirão em excursões para fora quando se devia apostar no turismo, fazendo com que se fizessem excursões para cá!
Faça-se um esforço daqui para a frente. Invente-se e reinvente-se. Crie-se e recrie-se a Chamusca. Só dessa forma, as pessoas irão apreciar a vista dos nossos miradouros, admirar-se com a beleza da sintonia entre a charneca e o Tejo, surpreender-se com a dignidade das nossas Igrejas, fazer o trajecto até ao Castelo de Almourol.
Caso contrário, e voltando ao início, os chamusquenses podem continuar vergados, tristes, derrotados, inertes e humilhados perante a estrondosa vitória dos nossos vizinhos da Golegã.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Recomendo - "A Arte da Guerra"


O tempo está frio e chuvoso e os centros comerciais estão cheios, pelo que estão reunidas todas as condições para que visitem a exposição temporária "A Arte da Guerra", que está no CCB até dia 8 de Fevereiro. É uma exposição de cartazes de propaganda no tempo da 2ª Guerra Mundial, que nos permite, através dos apelos feitos nesses cartazes, perceber outras realidades que não constam dos livros de História. Vai muito além dos apelos à mobilização dos povos. Chega à racionalização de recursos alimentares, de combustível e de outros materiais que eram necessários para os fins bélicos, mas também à desconfiança que multiplicava, de um lado e do outro, apelos para que as pessoas não falassem publicamente de notícias que tinham dos centros de conflito.
É uma exposição para os especialistas e curiosos da publicidade e estratégias de comunicação, mas, sobretudo através da visita guiada, permite-nos acrescentar conhecimentos sobre aquele período da História Mundial, que revolucionou o mundo.
Tendo sido apenas 1 dos 23 mil visitantes desta exposição, não poderia deixar de, aqui, fazer a recomendação. Vale mesmo a pena ir ver!

Um presente para o Natal


O DVD do Jubas é o único presente de Natal que desvendo antes do tempo, porque os destinatários são os meus sobrinhos que farão, em Janeiro, 2 anos de idade. É uma sugestão que deixo aos homens e mulheres sportinguistas, um presente que custa pouco menos de 10 euros, que reverterão para o clube do nosso coração e que a pequenada irá adorar.
Mas este não é um presente de última hora. Foi mesmo muito ponderado. Antes que sigam por caminhos desportivamente desviantes (já que um dos meus cunhados é benfiquista e o outro prefere outro tipo de coisas), este Natal recebem o DVD do Jubas. Aos 3 anos levo-os ao estádio. Aos 6 levo-os ao museu.
Esta é a minha estratégia para que, como o tio, os meus sobrinhos não deixem de ser fervorosos e orgulhosos sportinguistas.
Quanto ao DVD, está à venda na Loja Verde.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

As coisas boas da vida


Escrevi este texto várias vezes. Nunca saiu bem. Há dias assim. Mas sinto que tinha, ainda assim, de contar esta história, partilhando-a com as mães e com as filhas, como o exemplo de alguém que dá valor às coisas. O texto inicial era gigante, ninguém o iria ler. O segundo era grande, as pessoas iriam perder o fio à meada. Escrevo-o pela terceira vez, contando apenas o essencial.
Tem oito anos, é a minha afilhada mais velha e chama-se Matilde.
Há um ano, disse-me, a mim e à família, que queria ter uma consola. Registei.
Entretanto, passaram centenas de dias de aulas, de trabalhos de casa feitos, de brincadeiras. Passou o Natal, passou o seu dia de anos. Passaram centenas de páginas de livros lidos, que a Matilde lê que se farta. Passou muita coisa.
Não sei quantas horas terá investido a estudar os preços das consolas e dos jogos. Não sei quantos dias terá perdido a imaginar-se com a sua consola. Não sei quantos sonhos terá tido em que aparecia a jogar na sua consola.
Comprou-a na quinta-feira passada com o dinheiro que juntou de uma semanada simbólica que a nossa avó lhe dá. Podia ter pedido ao pai, à mãe, aos tios, aos avós. Graças a Deus que não pediu ao padrinho. Teve a capacidade de esperar um ano inteiro para, sem pedir a ninguém, comprar a sua consola.
Sendo, para muitos, uma história banal, este feito da Matilde é, na minha opinião, um grande exemplo. Porque demonstra que é especial. Que tem a virtude de, com oito anos, dar o verdadeiro valor às coisas, não querendo depender dos outros, não pedindo nada a ninguém.
Mas o título falava das coisas boas da vida. Não falava desta história (que é apenas uma de muitas) que a Matilde me obrigaria, em razão dos actos, a ter de partilhar.
Passei a tarde e a noite do dia seguinte a jogar com a Matilde na sua consola, partilhando a alegria com ela, enquanto apreciava a felicidade genuína e espontânea que sentia naquele momento. Nem eu nem ela queríamos estar noutro lugar, a fazer outra coisa. E, quando desligámos a consola, depois de horas a fio a experimentar todos os jogos, quando saí de casa pensei que tinha estado a aproveitar uma das coisas boas da vida.
Parabéns, Matilde. E obrigado.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Uma pergunta

Sob a forma de vídeo, foi hoje feito um ataque pessoal, criminoso e gratuito na blogosfera. Para onde estamos a ir?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Imagens que falam por si (XII)

E que ninguém fala por elas. Bósnia-Portugal, Benfica-Sporting, tão iguais, tão diferentes.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ariops!


Em tempos, uma proposta que foi ao Congresso do PSD e que foi aprovada pelos militantes.
No fim do Congresso, quando os jornalistas leram finalmente o que se tinha aprovado, chamaram a atenção para o assunto.
Levantaram-se, então, as críticas. Pela forma como a notícia saiu, estavam todos, ou quase todos, contra aquela medida.
A semana seguinte ficou marcada pelas críticas vindas dos mais diversos quadrantes políticos mas também de militantes do PSD, muitos deles que tinham participado nesse Congresso.
Confesso que, pela forma como a medida foi apresentada aos olhos da opinião pública, compreendia que a generalidade das pessoas a criticasse. Mas percebia o contexto, compreendia os fins que visava atingir. Conhecendo o PSD como conheço, teria votado a favor dessa medida.
O que interessa é que os congressistas, eleitos para participarem naquele Congresso, votaram a favor. Dias depois estavam todos contra, o que sugere que havia uma maioria esmagadora de pessoas que não sabia, ao certo, aquilo que votava.
Isso é confrangedor.
Ontem, ainda que a história nos tenha sido contada de outra maneira, o que é certo é que o líder socialista, que também é deputado, anunciou um sentido de voto que, minutos depois e na bancada parlamentar, não foi seguida nem por si nem pelo seu partido.
Não se tratava, ali, de uma estratégia interna de potenciar as hipóteses do seu partido vencer eleições. Estavam em causa propostas concretas sobre o Orçamento Geral do Estado, que vai custar caro ao bolso dos portugueses.
O que aconteceu é grave, porque ficamos com a ideia de que os deputados socialistas, na sua maioria, não sabia o que votava. Pior do que isso, não sabia como votar.
É ainda mais grave tendo em conta que se tratava do Orçamento de Estado para o ano que vem e o líder socialista e, nessa qualidade, iminente candidato a Primeiro-Ministro de Portugal mudou de ideias muito mais depressa do que qualquer pessoa muda de camisa.
Isto passou despercebido aos olhos da opinião pública, porque existe uma maioria de portugueses que não percebe como existem ainda socialistas portugueses depois do que os socialistas fizeram a Portugal, não dando relevância ao que fazem ou dizem os socialistas. Mas é grave, é muito grave. É muito mais grave do que aqueles congressistas do PSD que votaram a favor de uma coisa que não sabiam o que era e que depois, quando souberam, eram todos contra.
Tudo isto afecta gravemente a visão que os portugueses têm sobre a qualidade da classe política. Mas deixa a nu que o PS mudou a cara para continuar igual: tem tanto valor a palavra de Seguro como o valor que tinha, ou não tinha, a palavra de senhores como Pinho, Lino ou Sócrates.
E, como Pinho, Lino ou Sócrates, Seguro tem também os dias contados.
Não há ninguém que queira, na política, aqueles truques de magia.
É na Ota. Ariops(!), é em Alcochete.
Acabou a crise. Ariops(!), aumento da dívida, do défice, do desemprego, dos impostos.
Voto assim cá fora. Ariops(!), estou cá dentro, voto assado!

Uma boa notícia

A Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa - Católica Global School of Law - integra uma lista das melhores faculdades de Direito mundiais segundo o "Innovative Law Schools Report", do Financial Times, sendo a única faculdade de Direito nacional a constar dessa lista.
Não há dúvidas de que Direito é na Católica!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Uma viagem à pré-história


Não há nada que eu possa dizer que venha acrescentar alguma coisa ao que já foi dito por Ângelo Correia, Dias da Cunha, Pereira Cristóvão, Godinho Lopes, Luís Filipe Coimbra, Luís Paulo Rodrigues ou Rui Calafate.
Posso, quanto muito, testemunhar.
Estive em Alvalade às 4, cheguei à Luz às 6.45, entrei no corredor da bancada às 9.00 horas, no início do intervalo e não me deixaram entrar na bancada.
A demora da entrada foi premeditada.
Quando entrei, senti-me mal e, com 2 amigos, tive de sair. Lavámos a cara, deitámo-nos no chão do corredor, respirámos e tornámos a entrar.
O sector estava sobrelotado. Havia duas pessoas para cada lugar e assisti à segunda parte do jogo nas escadas. Quem entrava não podia sair. Nem para beber água. Havia gente desidratada, as pessoas tinham de urinar na própria bancada.
Fomos tratados como animais, não foram respeitados os nossos direitos mais elementares enquanto seres humanos.
No fim do jogo, não houve um sportinguista a cair ao fosso, mas houve um conjunto de pessoas que caiu do varandim da bancada.
Há imagens, relatos, testemunhos de tudo isso, parte deles captados em directo.
Houve dois fotógrafos de jornais que foram violentamente agredidos no relvado no final do jogo por seguranças e, na bancada e muito antes disso, houve um segurança de bigode que teve de ser agarrado pelos outros seguranças para não agredir adeptos do Sporting.
Antes da saída, tivemos de permanecer na bancada, sem acesso ao corredor.
Foi nesse período que um grupo de adeptos pegou fogo em três locais diferentes da bancada e em alguns caixotes de lixo.
Um desses incêndios só foi controlado quando estávamos lá fora.
À saída, fomos empurrados escadaria abaixo.
Mesmo nesse período, não se pôde ir beber água nem ir à casa de banho.
É de louvar o espectáculo em campo criado por duas boas equipas, treinadas por dois grandes treinadores num jogo que foi bem apitado, tendo em conta que o árbitro apenas um cometeu um erro, grave, mas que, por ter sido único e ter ocorrido no seu primeiro derby, o desculpabiliza. O Benfica ganhou bem porque foi mais eficaz a defender e a atacar.
Quanto aos outros intervenientes, falta dizer que a polícia, apesar das limitações e dos excessos de uma minoria que abusa da autoridade (e que não vincula a maioria), evitou uma tragédia antes, durante e depois do jogo. Caso contrário, estaríamos, se é que estávamos mesmo cá, para contar outra história.
Enquanto adepto, sinto-me triste. Enquanto ser humano, sinto-me envergonhado. Mas ainda bem que os dirigentes puderam constatar o que se passou.
Havia portugueses vindos, de propósito, do estrangeiro e que só puderam ver a segunda parte. Havia gente a quem custa, e muito, pagar 22 euros. Havia pessoas a ter de lutar pela sua saúde e dignidade.
Haja agora um pouco de coragem da Liga, mas também do Estado (falo do ministro da Administração Interna), que tem de perceber, com clareza, o que se passou e porquê.
Se a colocação da gaiola era suspeita, deixou de o ser depois das afirmações de um ser humano que parece ter caído de Marte que gozou os adeptos que caíram ao fosso e de um homem ressabiado e orelhudo que diz preferir ignorar o que se passou como o homem que cospe na cara de um homem morto.
Eu não peguei fogo, não agredi ninguém, não empurrei para entrar a horas. Apenas fiz ordeiramente aquilo que a polícia ia instruindo. Mas talvez tenhamos sido, feito o balanço final, demasiadamente educados.
O Sporting não tem, por isso, de esperar por nada para contestar tudo o que se passou nas instâncias próprias. Se o fizer, que fique claro, cumprirá uma obrigação. Não o fará em nome de qualquer claque, em nome de nenhum adepto. Fá-lo-á em nome dos homens e das mulheres, de todos, seja de que clube forem. Fá-lo-á contra as gaiolas e jaulas. Fá-lo-á em nome da dignidade, da liberdade, da igualdade. Mas também do desporto e do futebol enquanto festa dos amigos e das famílias.
Caso contrário, para ir ao futebol, temos de pagar e de levar um manual de sobrevivência.
Independentemente do clube que apoiemos, esta é, tem mesmo de ser, uma luta de todos.
Permitam-me, ainda assim, que acabe com um...
...Viva o Sporting!

domingo, 27 de novembro de 2011

Património da Humanidade


O Fado é, a partir de hoje, Património da Humanidade.
A imagem é de quem apresentou a candidatura.
Obrigado.
Aos dois!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A greve


É um direito inalienável, que pode ser exercido por tudo e por nada, o tempo que se quiser.
Ao país, a greve de ontem custou, porém, 700 milhões de euros, correspondentes a cerca de 70 euros por português.
Sem nunca se ter percebido o fim que visava atingir, o que é certo é que toda a gente já percebeu, e bem, o fim que se atingiu.
Mais do que os 700 milhões, a greve de ontem custa vários postos de trabalho e, possivelmente, leva à necessidade de aumentar os impostos, para todos os portugueses, incluindo aqueles que foram, ontem, trabalhar.
No 25 de Novembro, dia da liberdade (ou será libertação?) e da democracia, o país acorda mais pobre do que no dia anterior. É triste. Mas não se pode menosprezar o real impacto de greves que, nesta conjuntura, não servem para coisa nenhuma.
Quem ontem fez greve esqueceu-se dos 700 mil portugueses que não a podem fazer.
Esqueceu-se do impacto que a sua recusa de trabalhar teria na sua empresa, no seu país, na vida dos concidadãos.
Por causa destes esquecimentos todos, e tendo em conta os atropelos necessários aos direitos dos trabalhadores, talvez valha a pena redefinir a greve, regulando-a de outra forma, muito mais rígida do que agora.
É que o país paga caro. E os portugueses também.
Vou ter de pagar os 70 euros, que é o que custa um trabalhador não querer trabalhar, que talvez seja o custo de um pequeno conjunto de charutos semelhantes àqueles que fuma o senhor que aparece na imagem anterior.
E quando se fala do inacreditável e impune buraco da Madeira, o que verificamos é que esse custa (apenas) uma semanita de greves.
O país não precisa de greves. O país não aguenta muitas mais greves.
Chega de não trabalhar nem deixar os outros trabalhar!
Ao trabalho, portugueses! Ao trabalho!

Imagens que falam por si (XI)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Hoje pelo Gustavo.

Afinal...

Quem escreveu “Os Maias” foi o Egas e morreu há pouco tempo. O símbolo químico da água é PH0. Manoel de Oliveira era simultaneamente maestro e escritor. A Mona Lisa foi pintada pelo Miguel Ângelo (já agora, será o dos Delfins?) ou pelo Leonardo…di Caprio. O Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, é francês. Inglaterra é a capital dos Estados Unidos. Vasco Santana era “O Padrinho” até porque Marlon Brando era escritor. A chanceler alemã é a dona Mercury. O tecto da Capela Sistina foi pintado pelo Miguel Arcanjo. “O Evangelho segundo Jesus Cristo” não foi escrito por ninguém.
É um pequeno Ensaio sobre a Ignorância dos Universitários, que será publicado na revista "SÁBADO" no próximo fim-de-semana. Estou curioso para ler.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Benfica e o Sporting


Quando o Benfica vier visitar Alvalade, iremos disponibilizar-lhe o número de bilhetes que nos for imposto, número que poderá ser, ou não, alargado em função da conjuntura desportiva. Iremos disponibilizá-los a um valor que tenha em atenção a procura e a conjuntura económica. Mas não iremos montar redes "de segurança" tipo jaula, nem pô-los só no piso de cima, pondo em causa a sua segurança, assim como a segurança dos nossos adeptos que estiverem no piso de baixo.
Estarão benfiquistas na bancada A e na bancada B, uns em cima dos outros. Iremos tratá-los com a mesma dignidade com que recebemos os nossos adversários. Proporcionaremos-lhes, também a eles, as condições de segurança necessárias e os meios possíveis para fazerem a sua própria festa. Não sendo propriamente convidados, serão tratados como tal. Porque são, também eles, parte da festa que queremos fazer dos jogos de futebol.
Não iremos impedir a entrada de bandeiras, não lhes iremos apreender material que não seja ofensivo nem perigoso. Entrarão no estádio com prioridade, como é a nossa regra.
Não ficarão uma hora à espera para entrar. Por imperativos de segurança e porque somos obrigados pela polícia, ficarão mais tempo no estádio para sair. Mas, no fim do jogo, não lhes iremos apagar a luz, não iremos ligar a rega, seja qual for o resultado.
Tratá-los-emos como eles não nos tratam a nós. E não é subjugação. É educação. É ser elevado e cultivar o desporto enquanto festa. Enquanto festa de todos, incluindo aqueles que são nossos adversários.
Não iremos falar deles como se fossem bichos. E não mandaremos símbolos nossos virem dizer que são bimbos, parolos, mal cheirosos, ignorantes. Não responderemos também às imundas declarações dos símbolos deles quando dizem que nos odeiam porque somos elitistas e racistas. Nem aproveitamos para dizer que racista é o trinco deles que chamou macaco a um jogador do Braga.
Não. Nós somos diferentes. E temos a frieza e inteligência suficientes para não baixar a determinados níveis. Somos racionais. Somos seres humanos. Não somos seres selvagens nem vivemos na selva. Em vez disso, somos sportinguistas.
Se é para responder, pois que o façamos como fizemos no andebol este fim-de-semana. Com um resultado amigo de 26-17, só para não cansar muito.
Quanto ao jogo, queremos ganhá-lo. Ficaremos tristes, se perdermos. Ficaremos contentes, se ganharmos. Poderemos ganhar. Poderemos perder. Mas não perderemos a identidade, não perderemos a dignidade, não perderemos até a superioridade. Porque não descemos, porque nos recusamos a descer, ao nível deles.
Somos e seremos sempre diferentes.
Viva o Sporting!

Golegã 2012


Em tempos de crise, as coudelarias nacionais estão a apostar na inovação, adaptando-se aos novos tempos de mãos dadas com a ciência e com a profissionalização. Na minha opinião, esse é o caminho certo, aproveitando-se, assim e da melhor maneira, a matéria-prima de excepção de que dispomos: o cavalo Puro Sangue Lusitano.
Isso ficou demonstrado em mais uma edição da Feira Nacional do Cavalo, que teve menos gente, mas mais entendidos, menos negócios mas mais contactos. Outro factor que foi determinante e que se tem verificado ao longo dos últimos anos é o enormíssimo triunfo das coudelarias nacionais, organizadas de forma profissional, sobre aqueles que, de forma amadora, sem qualidade nem tradição, vendiam animais na Golegã, da mesma forma que também vendiam roupas falsificadas.
Esse feito enriqueceu a Feira, enriqueceu a grande festa da Golegã e do cavalo, trazendo maior visibilidade externa ao Puro Sangue Lusitano.
Para o ano há mais. E, se é que me é permitido, deixo aqui três sugestões, de modo a potenciar a Feira enquanto montra máxima deste inigualável produto português:

1 - Traje
Deve ser fixado um horário em que seja expressamente proibida a circulação de cavalos montados, na manga, por cavaleiros que não estejam devidamente trajados à portuguesa ou à espanhola, controlando-se, nas suas quatro entradas, as entradas de cavalos e cavaleiros nesse espaço, recorrendo-se à ajuda, se for necessária, da autoridade. Assim, por exemplo, das dez às vinte, só poderiam circular, na manga, cavaleiros devidamente trajados, além de cavaleiros que estejam vestidos de outra forma (por exemplo, equipamentos de horseball), para efeitos de aquecimento dos animais que irão entrar em provas. Poder-se-ia, também, admitir, num horário mais curto e, porventura, parcialmente coincidente, a entrada, naquele recinto, de cavaleiros vestidos com roupas de Dressage, Ensino, outros trajes de apresentação ou associados à criação cavalar, à lide com gado ou outros fados tradicionais portugueses ou estrangeiros.
Tratando-se da grande montra do cavalo nacional, há que ter rigor na apresentação, sob pena de manchar a imagem da Feira e do cavalo que é criado no nosso país.

2 - Seguro
Aproveitando o mesmo controlo de entradas, dever-se-ia impor que apenas entrassem no Largo do Arneiro animais com seguro, por uma questão de segurança, não só do cavalo e do cavaleiro como também de terceiros. Desse modo, iriam estar acauteladas algumas situações que forçam a sistemática entrada e saída de ambulâncias num espaço que deveria ser de convivência saudável entre as pessoas e os cavalos. Evitar-se-iam, também, bebedeiras exageradas a cavalo, quedas e outros acidentes que, infelizmente, são também inevitáveis em eventos como este.

3 - Atrelagem
Contra mim falo, que faço parte de uma família que, entre outras coisas, cria cavalos para atrelagem e que leva, com alguma regularidade, carros de cavalos para a Golegã. Mas a experiência que tive, assim como outras pessoas que, como eu, montaram na manga durante este fim-de-semana, não pode levar a outra conclusão: a quantidade de carros de cavalos no Largo do Arneiro deve estar condicionada a um determinado horário, que não coincida com os períodos em que a manga está mais sobrecarregada de cavalos. É perigoso. E dá, a quem ali monta, assim como, creio eu, a quem conduz ou é conduzido no carro de cavalos, uma sensação contínua de insegurança.

4 - Uma feira a todo o tempo
Se a Feira começa no dia 4, então é nesse dia que as coudelarias (na sua maior parte, profissionais) se devem fazer representar com os seus animais. Uma feira a todo o tempo potencia a possibilidade de negócio. É certo que isso acarreta custos, porque, possivelmente, teriam de estar, nos pavilhões, e ao longo da feira, o dobro dos cavalos presentes. Nesse sentido, dever-se-ia constituir uma comissão, eleita pelos criadores presentes na Feira que, em parceria com o Município, encontrasse soluções para financiar uma Feira que, se é para começar no dia 4, comece, logo no dia 4, em pleno.
Tendo em conta que algumas das coudelarias não se dedicam exclusivamente à criação e ao comércio do Puro Sangue Lusitano, dever-se-ia admitir a possibilidade e adoptar-se como regra o facto de que a cada dia correspondesse uma determinada raça (facto que quase já se verifica, com excepção dos dias principais), realizando-se, no Largo do Arneiro, as provas correspondentes a essa raça. Desse modo, as coudelarias poderiam, se fosse essa a sua intenção, expor os animais dessa raça. A Feira da Golegã não é, só, a feira do cavalo nacional. É a Feira Nacional do Cavalo. Desde que, no dia de S. Martinho e no fim-de-semana principal estivessem expostos maioritariamente cavalos da raça Puro Sangue Lusitano, nada impediria que, em dias determinados, se criassem as condições para que, a pretexto desta feira, as coudelarias pudessem expor, participar em concursos e vender animais de outras raças.

5 - Uma feira para o dia todo
O vinho e a água pé são parte integrante da festa de quase todos os que, anualmente, rumam à capital do cavalo. Se a tarde é para os cavalos e a noite é para a festa, restam as manhãs, que são para dormir. Mas nem toda a gente tem essa rotina. Pela manhã, limpam-se os pavilhões, tratam-se os cavalos. E a manga está vazia. Ora, nem todos os têm a mesma quantidade de cavalos montados pelo que a manhã deveria ser aproveitada, pelos criadores, para demonstrar alguns poldros à guia, mesmo na manga da Feira. É certo que isto já é possível, que é opção dos criadores não o fazer. Mas devem ser orientados para o fazer. Um cavalo passado à guia na manga (num período da manhã, dedicado só para esse efeito) pode demonstrar aquilo que não consegue quando está preso no pavilhão. Em tempos de crise, com tantos estrangeiros de visita, essa poderia ser uma boa oportunidade para mostrar os animais em acção, potenciando-se, também assim, o negócio.

Constatando, com felicidade, que a Golegã melhora de ano para ano, estas são as minhas sugestões para melhorar o que, creio eu, ainda pode ser melhorado.
De todo o modo, para o ano há mais...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A hora de mudar


Em Portugal, há 14 pessoas presas por fugirem ao fisco. É um número que diz muito. Mas talvez ainda diga mais, se olharmos para a sanção prevista para o crime de fraude fiscal. Em Portugal, a pena máxima é de 3 anos. Pena mais baixa, na União Europeia, só encontramos na Grécia, cujo limite máximo é de 3 meses. Em Espanha, é de 6 anos. E nos países nórdicos, a pena máxima é de 30 anos, pena idêntica à prevista para o crime de homicídio.
O que quero dizer com os exemplos práticos dados no parágrafo anterior é que a lei, por ser orientadora, acaba por reflectir a sociedade que visa regular. Por assim ser, os próprios juízes, por terem de aplicar a justiça em nome do povo, acabam por não punir, com a pena principal prevista para esse tipo de crimes, quem, por não querer, não cumpre as suas obrigações fiscais.
Se formos perguntar a um português comum o que decidiria se só tivesse dinheiro para pagar a um empregado ou ao Estado, a esmagadora maioria dos portugueses não hesitaria em dizer que, nessas circunstâncias, preferia pagar ao empregado. Sem o salário, o empregado não tinha como pagar os seus débitos, deixaria de poder pagar as contas correntes. Sem pagar o salário ao empregado, a pessoa sente que estaria a pôr em causa a condição económica do mesmo, com consequências na respectiva família, na medida em que poderia deixar de poder satisfazer as necessidades familiares básicas.
A maioria dos portugueses pensa dessa forma, ainda mais quando sabe que o empregado tem filhos.
Fá-lo por uma questão de proximidade, que confunde com sensibilidade.
Mas fazendo-o, comete um erro. É isso que pensam as sociedades ricas. É nesse sentido que vai a nossa jurisprudência.
Há, neste aspecto, uma clara falha cultural, que merece ser mudada.
Até agora, ou até há dois anos atrás, quem fugia ao fisco, vangloriava-se do feito. Era tomado por espertalhão por uma sociedade que foi tolerando essa fuga.
Era menos dinheiro que ia para um nada gigante, um Estado Todo-Poderoso, entidade abstracta que servia para financiar um conjunto de pessoas que a sociedade, por distanciamento, nem conhecia.
Hoje, estou certo de que existem cada vez mais portugueses a pensar que o dinheiro daquele que foge poderia fazer a diferença. Existe uma tendência para que a própria sociedade comece a repudiar estes comportamentos. Mas estamos ainda muito longe do ponto onde deveríamos estar, o mesmo onde estão os países nórdicos, aparentemente imunes a crises.
Pagar os impostos é um dever fundamental. Porque os impostos financiam o Estado.
Ainda existe um conjunto de portugueses que pensa que "financiar o Estado" significa pagar salários à senhora das finanças que está sempre mal disposta, à senhora da junta que nos atende sempre como se lhe estivéssemos a fazer um favor, ao senhor que nunca trabalhou mas que recebe mensalmente para estar sentado à frente de um computador num desses institutos ou empresas públicas que não servem para nada.
Pensa, esse conjunto de portugueses, que o imposto que paga tem uma lógica: tira do que trabalha para poder dar a quem, por estar no Estado, finge que trabalha.
Não é assim. Não é assim, de todo.
Financiar o Estado é pagar para que possamos viver com o mínimo de segurança e bem-estar. Com os impostos, paga-se aos médicos, aos polícias, aos professores, aos bombeiros, aos juízes, a funcionários públicos e particulares (por exemplo, no que respeita aos subsídios aos agricultores) que, em razão da sua actividade, nos garantem a subsistência.
Como se muda, então, esta mentalidade? Com leis, com políticas e com comunicação. Com leis que combatam a fraude fiscal, com políticas que orientem os próprios juízes a condenar quem não paga os impostos, com uma comunicação de maior proximidade que faça, com palavras claras, com que o homem médio possa, quando paga, por exemplo, o IRS, além do valor que tem de declarar, perceba o destino que é dado aos impostos, ou seja, o motivo pelo qual existe um Estado que carece de financiamento.
Pagar os impostos, ao contrário do voto, não é um direito, e não deve ser visto como um direito. É um dever. Aliás, o próprio voto, na minha opinião poderia passar a ser um dever.
É por não terem pago o que deviam, nem ter votado como deviam que os portugueses (sim, nós todos, os portugueses) fizeram com que o país estivesse, nesta altura, a ter de vender os anéis, na iminência de ter de vender também os dedos.
O voto enquanto dever deve ser alvo de uma outra reflexão. Mas já que falamos no voto, que falamos de leis e de política a pretexto do dever de cumprir com o fisco, não poderia deixar de terminar esta reflexão com um aplauso ao Governo em que os portugueses votaram: estando em vista uma alteração legislativa que irá aumentar a pena máxima da fraude fiscal, colocando-a igual à do furto; estando a ser levadas a cabo, por necessidade, políticas de combate à evasão fiscal; só falta, para já, a estratégia de comunicação. Mas há quem, no PSD (sim, ainda existe PSD), esteja a fazer essa comunicação, nos jornais, nas televisões, em todos os meios de acesso à sociedade civil.
Não sei se ficaram por cumprir algumas promessas. O que sei, tomando este assunto como exemplo, é que falavam verdade quando diziam que vinham para "Mudar Portugal". Estava mesmo na hora.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Honra!


O Sporting Clube de Portugal é o maior de todos os clubes de Portugal. Digo isso com respeito por todos os outros, mas a grandeza de um clube não se conta pela quantidade de seguidores que tem. Conta-se, em vez disso, pela qualidade do apoio que lhe é prestado.
Independentemente de ser o clube com mais títulos em todas as modalidades, sendo o único clube português que é verdadeiramente eclético, o Sporting é grande, e maior que os demais, pela massa associativa que o segue.
É impressionante como, de uma forma completamente praticante e inabalável, os adeptos, que são o Sporting, resistiram a 18 anos de jejum. Apesar de haver clubes com mais adeptos, nunca Lisboa e o resto do país terão estado tão cheios como nos festejos dos títulos de 2000 e 2002.
A esta forma diferente de encarar o seu clube juntam-se, nos últimos dez anos, três eventos trágicos. Dois deles implicaram a própria morte de companheiros nossos.
O primeiro, no Jamor, em que um adepto do Sporting foi assassinado por um membro de uma claque adversária.
O segundo, em Alvalade, em que caiu um varandim da nossa velhinha Casa, implicando a perda de elementos da Juventude Leonina.
O terceiro, na noite de ontem, em que dois membros da Torcida Verde caíram ao fosso no momento em que um dos nossos artistas lhes ia oferecer a camisola que vestiu em mais uma vitória.
Ontem, felizmente, não morreu ninguém. E não vou aproveitar esta oportunidade para reclamar o fecho do fosso, sabendo, todos os sportinguistas, que essa é uma intenção anunciada pelos actuais dirigentes, em obras que serão feitas no final desta temporada.
Queria, em vez disso, prestar a minha homenagem a todos aqueles que, complementando o trabalho que é gloriosamente feito em todas as nossas modalidades, honram o Clube, prestando-lhe um apoio regular e incondicional.
Com votos de rápidas melhoras aos nossos companheiros feridos após a queda de ontem, aproveito a oportunidade para referir a importância destes, e de todos os outros, heróis para a Grandeza inigualável deste nosso Clube.
Esta é a hora de, na honra de um grande silêncio, recordar e engrandecer todos os adeptos, funcionários, dirigentes e atletas que viveram e pereceram pelo Sporting Clube de Portugal.
Honra lhes seja feita.
Viva o Sporting!

domingo, 6 de novembro de 2011

Portugal e a Grécia


"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesma baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que, pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal."

Eça de Queirós, Farpas, 1872

sábado, 5 de novembro de 2011

A praia de Madrid


Além do aproveitamento da zona económica exclusiva e de uma aposta forte na agricultura, na especialização nos serviços e no turismo e de uma nova aposta nas indústrias sectoriais de excelência do nosso país, como o calçado, Portugal deve simplificar nesta hora de reerguer o país.
Um dos factores que poderá relançar a economia portuguesa prende-se com a afirmação do país, publicitando pelo mundo fora e com agressividade os recursos únicos de que dispomos.
Se é argumento dizer que o TGV nos permite sair da periferia, ligando-nos a uma Europa da alta velocidade, como poderemos pensar privatizar os Aeroportos de Portugal, sabendo, de antemão, que a ANA será adquirida pelos espanhóis?
Isso é o mesmo que deitar no lixo, oferecendo aos espanhóis, o argumento de que somos a porta de entrada na Europa via Atlântico. O que farão, os nossos vizinhos, é o mesmo que fizeram com os aeroportos espanhóis, criando uma plataforma giratória, assumindo Madrid como o grande aeroporto ibérico, tornando periféricos todos os outros.
Não percebo as pessoas que dizem que, por princípio, são contra ou a favor das privatizações. Porque depende. Depende do que se trata. E, ao contrário do que acontece, por exemplo, na comunicação social (que, de estratégico, nada tem), sou totalmente contra a oferta da ANA aos espanhóis.
Muita coisa mudou no país nos últimos tempos. Até mudou o governo. Mas há uma coisa que, pelos vistos, não mudou nos governantes, que é a subordinação aos interesses europeus em detrimento da defesa consistente do que é estrategicamente de claro interesse nacional.
O que será deste país quando constatar que, aos olhos do mundo, Lisboa é mesmo a praia de Madrid?

Imagens que falam por si (X)

Nota: Não é mesmo preciso dizer mais nada. Bom fim-de-semana!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Fito,


Sabendo que insubstituíveis somos nós, os adeptos, nós não esqueceremos.
Esse teu jeito de jogar, a forma como tratavas a bola, a forma à antiga com que te equipavas, o modo raçudo que te fazia correr muito mais que os adversários.
É que sabes, amigo Fito, porque somos humildes sabemos reconhecer que nós não tivemos, ao longo da nossa vida, muitos jogadores iguais a ti.
Foste um dos melhores que por cá passou.
Admiraremos, aconteça o que acontecer, o teu trabalho e a tua personalidade. Tu és um craque.
Iremos tratar-te como tu mereceste ser trabalho, como um fora-de-série.
Estivemos todos, os sportinguistas como tu, os admiradores da tua classe, ansiosos por receber notícias. Sabemos que foi grave, que provavelmente vais ter de parar até ao final da época.
Aguardamos, com expectativa, notícias tuas. Fazemo-lo, não pelo Sporting, mas por ti. Partilhamos profundamente essa igualmente profunda dor.
Desejamos-te as rápidas melhoras. E sabemos que, com empenho na recuperação, vais estar onde mereces, entre os melhores. Queremos-te campeão no Sporting. Queremos-te campeão com a Argentina. Vai demorar, mas vais conseguir. Porque és um campeão.
E já que falamos em campeões, queremos que fiques connosco na bancada. Mesmo sem a relíquia no meio-campo, continuamos a acreditar que, ainda assim, com Domingos e com os teus colegas, vamos ser campeões nacionais este ano.
Nós, adeptos, na bancada, e eles, jogadores, no campo, vamos empenhar-nos ainda mais. Vamos fazer os possíveis e os impossíveis para tentar ganhar este campeonato. Pelo Sporting. E por ti. Porque, como mais ninguém, mereces vestir a faixa, colocar a medalha e levantar bem alto o troféu de campeão.
Somos diferentes. Custa-nos mais perder-te a ti do que perder um jogo.
O que fica? A memória e a gratidão.
Obrigado por nos teres feito sonhar.
Estamos contigo.
Estaremos sempre contigo.
Agora tens de ter força.
As melhoras, companheiro!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Caiu a máscara


Com uma amostra de treinador, foi com estrondo que o FC Porto caiu hoje no Chipre. Depois de um ano de ouro, ninguém estava preparado para a fuga de Villas-Boas. Nem o próprio Villas-Boas, que, em Stamford Bridge, tem sido uma amostra de mini-Mourinho. Tudo correu mal. E tudo corre mal.
Não falo apenas do resultado. Falo, antes, da exibição, da forma derrotada com que os jogadores do FC Porto disputaram este jogo. Perderam contra uma equipa medíocre que só precisou de um minuto para matar o jogo a seu favor, depois de um penalty que, tendo sido bem assinalado, por ter ocorrido naquele momento, foi mesmo caído do céu.
Já não há como esconder o erro de Pinto da Costa. Já não há como remediar esta sua derrota. E não é com arranjinhos feitos com o seu amigo da Madeira que se esconde ou remedeia. É com vitórias. Com vitórias a sério.
O FC Porto 2011/2012, no que respeita à liga portuguesa, é produto da ficção. É uma pura criação de um misto de arranjinhos e arbitragens manhosas.
Com justiça, esta seria uma liga disputada a dois. Entre Benfica e Sporting, com o título a ficar em Lisboa. Essas são as duas melhores equipas, as que têm melhores jogadores e treinadores, as que jogam melhor futebol. Por isso, vingam. Em Portugal e na Europa.
Caiu a máscara. Este Porto precisa mesmo da Liga e da Federação para esconder o futebol que se deixou de jogar no Dragão.
É nesses campos que o FC Porto de Pinto da Costa é "simply the best".

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Para onde caminhamos?!


O Estado são as pessoas. Existe por força de uma necessidade colectiva de convivência. Existe para servir. E existe porque as pessoas o financiam. Quanto mais dinheiro circular na economia, mais dinheiro têm as pessoas. E, assim, mais dinheiro vai para o Estado.

Como se resolve o problema da dívida pública? Fazendo com que o Estado fique com mais dinheiro. E o Estado fica com mais dinheiro com uma política de finanças públicas que assuma dois vectores: poupança de despesas e aumento das receitas.

Mas o Estado existe. Para curar o doente, para ensinar a criança, para formar o jovem, para garantir a justiça, para salvaguardar alguns direitos das pessoas, para fazer que o convívio social seja feito com segurança. E, recompensando aqueles que produziram riqueza, o Estado garante o sustento dos mais velhos. Além disso, o Estado ainda tem uma função de garante de um determinado conjunto de bens que são considerados fundamentais ao quotidiano de vida das pessoas.

De um ponto de vista geral e básico, é para isso que existe o Estado. É para isso que deve existir.

Como é que, numa altura de crise nas finanças públicas, o Estado pode seguir uma via de poupança de despesas? Cortando no secundário, no supérfluo, no acessório, no excessivo. Saindo de onde não deveria estar. Despedindo aqueles de quem não precisa.

Esse é um vector. O outro passa pelo aumento das receitas fiscais.

De um ponto de vista legislativo, o Estado pode fazer mais tanto num vector como no outro.

No primeiro, por exemplo, perseguindo, julgando e condenando os corruptos, tratando, com mão pesada, uma série de políticos e não-políticos que enriquecem ilicitamente à custa do erário público.

No segundo, por exemplo, perseguindo, julgando e condenando os que fogem ao fisco, tratando, com mão pesada (e pena aumentada) aqueles que, fugindo ao fisco, deixam de contribuir para o financiamento de actividades básicas do Estado.

Mas a minha maior dúvida prende-se, sobretudo, com o segundo vector de que falei. Voltando ao primeiro parágrafo, quanto mais dinheiro circula na economia, mais dinheiro têm as pessoas. E, assim, mais dinheiro tem o Estado.

Interpretando essa banalidade “a contrario” poderemos concluir que existe um grave problema quando o dinheiro não circula na economia. Porque as pessoas têm menos dinheiro. Porque o Estado não consegue financiar-se.

O que interessa, ou deveria interessar, ao Estado? Que as pessoas tivessem mais dinheiro disponível para consumir. Que as empresas tivessem mais dinheiro para produzir e criar emprego. Que a economia funcionasse.

O que tem acontecido? O Estado aumenta os impostos de uma forma cega e errada. Com o aumento dos impostos sobre o consumo, as pessoas vão consumir menos, as empresas vão ter menos receitas. Isso irá reflectir-se na tributação do rendimento, sobretudo, das pessoas colectivas.

Mas aumentará o desemprego. E, assim, na liquidação dos impostos sobre o rendimento das pessoas singulares, o Estado irá receber menos dinheiro.

O que quero dizer é que, dentro de pouco tempo, o aumento das taxas corresponderá a uma diminuição das receitas. E, porque assim será, porque temos também de pagar aquilo que devemos, não irá haver dinheiro para as necessidades básicas que o Estado visa assegurar.

Nessa altura, os impostos sobre o rendimento só vão servir para pagar os juros da dívida pública.

Nessa altura, os impostos sobre o consumo só vão servir para pagar parte dos subsídios de desemprego.

Chegaremos a um ponto onde não vai circular dinheiro na economia, onde as empresas vão ter de fechar portas, onde as pessoas não vão ter dinheiro disponível. Ou seja, não vai haver dinheiro para pagar impostos. Para pagar o Estado Social. Para pagar a dívida.

Vai o dinheiro. Fica a dívida pública, fica a dívida privada. Fica a estagnação económica, fica a recessão. Fica o défice. Fica o desemprego, fica a fome, fica a miséria.

A menos que eu esteja a ver mal as coisas, é para aí que caminhamos.