terça-feira, 13 de outubro de 2015

A democracia no caixote do lixo e o fim do mundo em cuecas


Sintetizemos: mais do que em pânico ou, pelo menos, com ansiedade e expectativa, o país está incrédulo. Primeiro, porque Costa não devia ter tirado o tapete a Seguro. Segundo, porque, tendo tirado, deveria ter ganho as legislativas com maioria absoluta. Terceiro, porque perdeu as eleições e não se demitiu. Tudo o resto já é demais e faz-nos demasiada confusão à cabeça.

No meio do caos, surgiu, porém, uma evidência: caíu a máscara ao meu homónimo. O homem do rigor e da confiança transformou-se no homem da desvergonha e da instabilidade. Nada nos chateia mais do que a evidência de alguém que perde a cara, que não tem palavra e que, colocando a democracia no caixote do lixo, depois de perder nas urnas, demonstra apenas que quer o poder pelo poder.

O que se está a passar em Portugal é, como diria Pires de Lima, uma obscenidade. Eu talvez fosse mais longe do que isso e, recorrendo à expressão utilizada pelo camarada Garcia Pereira, o que se fez aos portugueses foi uma traição. Uma traição à nossa história democrática, uma traição aos eleitores. E a ideia de que há uma maioria, em Portugal, que é favorável a um governo entre o Partido da Bancarrota e a esquerda extrema, antieuropeísta e radical é o maior embuste que alguma vez alguém tentou vender.

A interpretação dos resultados eleitorais é fácil de fazer: a coligação de governo ganhou de forma clara, mas perdeu votos e deputados, o que é natural devido às políticas que foi forçada a seguir. Mas ganhou. E só ganhou porque os portugueses, nas urnas(!), disseram que não queriam que fosse o PS a governar. A conjugação desses dois fatores teve como consequência, um aumento do número dos votos de protesto, canalizados, sobretudo, no Bloco de Esquerda. Qualquer outra interpretação que possa ser tida no aumento dos votos na extrema esquerda é uma tentativa, bizarra mas clara, de enganar os portugueses, tal como nos tentaram enganar com os outdoors, ainda espalhados pelas ruas, que nos diziam que “é o seu voto que decide”.

Este filme, que contou com a intervenção cultural de Carlos do Carmo e com a participação (ainda que apenas como figurante) de Sampaio da Nóvoa, tinha todos os condimentos para consubstanciar uma grande comédia, se não fosse o facto de se traduzir num suicídio do Partido Socialista, se não fosse o facto de afundar um país que despertava para o crescimento, se não fosse o impacto que vai ter na nossa carteira. 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Futebóis 14/15 - fim de época


1 – Benfica campeão


Podemos dizer que, se fosse a exame, o campeão passaria com nota “suficiente”, um 9,5 de 0 a 20. Jogou um futebol velho e chato, cansativo para quem gosta de “futebol para a frente”. Foi o QB que bastou para superar um Porto à procura do norte e um Sporting que foi caminhando aos ziguezagues, ainda que sem comprometer em demasia.

Sendo certo que Vitor Pereira foi pai e mãe desta equipa, que aconchegou com um caloroso – e até afetuoso! – colinho, o mesmo que aqueceu as costas do FC Porto durante trinta anos, ficamos com a ideia que o Benfica vacilou menos que a equipa de Lopetegui. Mas o Benfica, mesmo na fase decisiva do campeonato, deslizou em Vila do Conde e escorregou em Guimarães. Chegou. E talvez tivesse chegado noutras circunstâncias, sem ajudas, ajudinhas, colos e colinhos. O golo em Alvalade, no último minuto dos descontos, faz-nos crer que este Benfica tinha a estrelinha que torna justa a vitória dos campeões.

2 – Taça de Portugal

Logo que foram sorteadas as bolas para a primeira eliminatória da competição onde entram os três grandes, todos davam o Sporting como eliminado. Mas o Sporting jovem e fresco de Marco Silva foi eliminar o Porto ao Dragão. Na linguagem corrente, ao som dos olés, o Sporting deixou o Dragão com três batatinhas no saco.

Seguiram-se algumas eliminatórias mais acessíveis, que culminaram com a meia-final que pareceu ganha por acaso, com um lance fortuito bem consumado por Mané, confirmado em Lisboa num dia em que os jogadores pareciam jogar contrariados.

A estrela, que o Benfica teve em Alvalade, no Dragão e no Bessa, acompanhou o Sporting até ao fim das grandes penalidades no Jamor, depois de um empate caído do céu, na sequência de um futebol frouxo, trapalhão e com pouca qualidade. Valeu pela festa (e que bonita foi a festa!) e pelo regresso ao título por parte do “novo Sporting” que acordou e já lavou a cara.

3 – Jesus no Sporting

Foi o choque do defeso, a cartada que ninguém esperava. Foi a concretização de um sonho que eu tinha, apesar de não esperar que ocorresse nestas circunstâncias.

Em primeiro lugar, há que referir que Jorge Jesus sai do Benfica por vontade do Presidente Vieira. Não quis renovar. E pior: conhecendo a situação familiar de Jesus, Vieira quis que o treinador fosse para bem longe. Pensou no dinheiro e não pensou no homem. E Mendes também. Foi feio.

Em segundo lugar, sobre a vinda para o Sporting, há que referir três pontos. O primeiro, para dizer que foi a (única) forma de Bruno de Carvalho salvar a face e reabilitar a sua imagem, depois do desentendimento com Marco Silva. O segundo, para sublinhar que se trata de uma aquisição que permitirá melhorar a qualidade do futebol do clube, dotando a equipa de melhores condições para competir pelo primeiro lugar. E o terceiro, para referir que, do meu ponto de vista, foi uma “jogada” do ponto de vista financeiro. O que se perde no salário ganha-se na venda do passe dos jogadores. E bastará que um “Cedric” saia por 15 em vez de 5 (milhões de euros) para que o “negócio Jesus” seja lucrativo.

Não tenho dúvidas de que isso se sucederá e que Jesus trará títulos e dinheiro a ganhar.

4 – A vergonha na arbitragem

Há sempre uma componente demasiado subjetiva (e afetiva) na análise a uma arbitragem. Pessoalmente, acho que Marco Ferreira não esteve bem na final da Taça. Mas nenhuma das três equipas esteve bem.

Porém, o desempenho (a meu ver, medíocre) nesse dia não apaga a ideia que tenho sobre aquele que considero como um dos três melhores árbitros portugueses. Foi despromovido. E toda a gente percebe porquê.

Com Marco Ferreira, na última época, o Benfica perdeu em Braga (2-1) e em Vila do Conde (2-1). E viu-se aflito para ganhar no Bessa (1-0). Os jogos arbitrados por Marco Ferreira foram, portanto, muito difíceis para o Benfica.


Por comparação com Capela, que, consecutivamente, nos assola com arbitragens completamente desastrosas, e terríveis para quem gosta de uma competição emocionante mas séria, o Benfica ganhou 5-0 em Barcelos, 6-0 em casa com o Estoril, 5-0 em Setúbal e 1-0, em casa, com o Gil Vicente. Foram os tais jogos em que, contra 10 e com um “penaltizito” a favor, foi preparado a festa que começou com espancamentos, atos de vandalismo, furtos e roubos e culminou à “garrafada” no Marquês.

5 – Os outros

Ainda no que respeita ao campeonato português, a grande incógnita cumpriu bem. Falo do Boavista, que voltou. Ficou a 11 pontos da descida e a 14 da Europa. Foi uma boa época.

No que respeita a surpresas, Moreirense e Guimarães estiveram muito bem enquanto tiveram gás. E, quando o perderam, quem aproveitou foi o Belenenses que, depois de muitas épocas complicadas, regressa à Europa. E vai fazê-lo com o Ricardo Coração de Leão. Aperta com eles, Sá Pinto!


6 – E a Europa

O Sporting ainda não teve equipa para a Liga dos Campeões. Apesar do que aconteceu na Alemanha, o Sporting também deve a sua eliminação à entrada com o pé esquerdo na Eslovénia. Este tipo de erros paga-se caro. E a transição para a Liga Europa, provavelmente, salvou os adeptos do Sporting de uma ou duas noites de pesadelos.

O FC Porto cumpriu, e cumpriu bem. Deu uma boa imagem em quase todos os jogos. Foi pena não ter comparecido nos primeiros 45 minutos de Munique. Saiu sem argumentos e de forma trágica numa noite de terror.

No que respeita às competições europeias, o Benfica foi apurado para a Liga dos Campeões. Ficou no pote dos mais fortes e teve sorte no sorteio. Mas, quando foi chamado, não apareceu.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

À política o que é da política


Do ponto de vista criminal, e ainda que esteja preso preventivamente, à espera da acusação e, eventualmente, do julgamento, é importante sublinhar que Sócrates é inocente até que se prove o contrário. Como tal, nesta fase, parece-me totalmente imprudente comentar a investigação a José Sócrates, apenas me cabendo, por agora, demonstrar-me solidário para com a sua família e amigos, naturalmente abalados e surpreendidos pela notícia dos crimes que, a terem ocorrido, certamente, desconheciam.

Nesse sentido, parece-me correta a reação dos responsáveis políticos e de alguns comentadores, recusando-se a proferir comentários sobre um assunto que é da exclusiva responsabilidade do Ministério Público e dos tribunais.

Porém, se é correta a velha máxima de que “à justiça o que é da justiça”, repetida insistentemente por vários responsáveis políticos, deve-lhes ser dito que “à política o que é da política”. Se, do ponto de vista criminal, a investigação cabe ao Ministério Público e o julgamento cabe aos tribunais, deveremos relembrar que, do ponto de vista político e evitando recorrer a perigosas ironias, Sócrates – e o “seu” PS” – já foi condenado pelos eleitores.

Do ponto de vista político, o PSD não pode deixar de reavivar a memória dos portugueses, não se condicionando por processos judiciais por que o PSD, de modo nenhum, se pode responsabilizar.

Reavivemos a memória.

Sócrates chegou a Secretário-Geral do Partido Socialista, substituindo Ferro Rodrigues, após o escândalo do processo Casa Pia, tendo sido eleito Primeiro-Ministro na sequência da dissolução da Assembleia da República, pelo PS (Presidente Sampaio). Foram circunstâncias especiais, mas o que é certo é que Sócrates chegou a Primeiro-Ministro, tendo quatro anos com maioria absoluta.

Apelando à memória na perspetiva de, rapidamente, a reavivar relativamente ao primeiro governo de Sócrates, lembramo-nos de uma estratégia de desburocratização (Simplex, Empresa na Hora, etc.), do Plano Tecnológico e das Renováveis, além daqueles quase insólitos computadores Magalhães. Sendo certo que estes aspetos não reduzem o governo de Sócrates, certo também não deixa de ser que, para uns, foi poucochinho e, para outros, tudo não passou de fogo de vista.

Do ponto de vista das reformas, o resultado foi curto para quem tem maioria absoluta, apesar de nos lembrarmos da implementação de um processo de avaliação dos professores, que, pese embora as críticas naturais dessa classe, foi um ponto de partida positivo.

Sabemos o estado em que Sócrates deixou o país. Porém, é preciso rebater aquela ideia de que houve um primeiro momento antes da crise internacional e outro momento, depois desta, a que o governo socialista era alheio. Em boa verdade, não é bem assim.

Entre 2005 e 2008, o crescimento económico em Portugal foi inferior a metade do crescimento médio da União Europeia. De ano para ano, Portugal afastou-se, portanto, da média do crescimento da União Europeia. Ainda para mais, o crescimento português não era sustentando, visto que o saldo negativo da balança corrente foi sempre em crescendo.

Se o povo estava iludido? Porventura, sim. Estava confundido com o discurso otimista e megalómano, não condicente com a realidade económica portuguesa, que trazia, para cima da mesa, assuntos como o TGV, a terceira ponte sobre o Tejo e o novo aeroporto internacional de Lisboa, que, num dia, jamais poderia ser construído na margem sul do rio Tejo e, no outro, tinha de ser feito em Alcochete, na margem deserta daquele rio, tendo-se feito esse anúncio repentinamente, ignorando a opção, até então, inflexível do governo pela Ota.

A crise internacional reforçou a crise económica e deixou a nu o buraco nas finanças públicas. Como se não bastassem as promessas incumpridas (a mais célebre foi a promessa dos 150 mil postos de trabalho, num tempo em que o desemprego foi aumentando), as Agências de Comunicação tornaram-se infrutíferas e impotentes.

Ainda assim, fizeram-se grandes encenações, em torno de uma imagem de progresso, resultado da ótima conjugação entre cor e tecnologia (aliadas ao inegável dom de retórica de José Sócrates), que não condizia com a realidade. A solução adotada passou pelas questões fraturantes, contra as quais me bati, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da liberalização do aborto até às dez semanas de gravidez. E, com isso, Sócrates ganhou tempo, recuperou o fôlego que fora perdendo, também, no Jornal Nacional de Moura Guedes, mas o país ia caminhando em direção ao buraco.

Politicamente, o que deve ser discutido é o resultado do período de governação do PS liderado por Sócrates. Depois do primeiro, do segundo e do terceiro PEC, e da colaboração da oposição no sentido de tentar salvaguardar a mínima estabilidade política e financeira, o seu governo não resistiu ao quarto PEC e ao alerta de Teixeira dos Santos de que a fonte por onde corria o dinheiro tinha secado.

Forçado, pela conjuntura que criou, pediu ajuda ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, assinando um memorando de entendimento com a Troika que impôs, ao governo que se lhe seguiu e ao povo português, a austeridade que, ainda hoje, estamos a pagar.

Passaram três anos e meio de dificuldades extremas, com algumas reformas importantes, e os indicadores demonstram que o país está a melhorar. À semelhança do que ocorreu na segunda parte do governo Barroso/Santana (chamados a governar na sequência da demissão de Guterres e de se ter assumido o pântano), o PS reorganizou-se, tirando o tapete a Seguro, que, sozinho, fez a longa travessia do deserto.

Quem vemos? Ferro Rodrigues, Vieira da Silva, Lacão, Silva Pereira, Santos Silva e António Costa, que, antes de ser o autarca das taxas e das taxinhas, era o número dois de Sócrates, a cuja memória apela.

Depois do esforço histórico feito pelos portugueses na sequência do resgate, e sendo obviamente indesejável recorrer a expressões do tipo “entregar o ouro ao bandido”, há que relembrar que os senhores que agora voltam são os mesmos que estiveram politicamente com Sócrates e que deixaram o Estado de bolsos vazios, sem dinheiro para pagar aos funcionários públicos no mês seguinte. É por isso – e pelo que isso me custou, como contribuinte – que condeno Sócrates e os governos que liderou.

Há que separar os campos. Mas deve reforçar-se a ideia de que o que é da política deve ser debatido politicamente. Bancarrota, memorando, resgate, desbaratização das empresas históricas portuguesas que caem em mãos estrangeiras, perda de soberania financeira, desemprego, falências, perda do poder de compra, recessão, endividamento excessivo. Ainda que estejamos perante um processo judicial, há que separar as águas. E ninguém se pode deixar condicionar e deixar de relembrar os portugueses da política de empobrecimento que caracterizou o período em que o país foi governo por Sócrates e pelos seus camaradas.

Sintetizados os resultados das suas governações, repito: o PS que nos governou é o mesmo PS que nos quer voltar a governar!

Como tal, pese embora o que é da justiça, ninguém se pode negar ao debate político, sob pena de, à entrada para um ano de eleições, o nosso país correr o risco de ter, no governo, o regresso a um passado que não foi mesmo nada porreiro, pá.

terça-feira, 22 de julho de 2014

De Guterres a Guterres, no PS, está tudo igual


Entre os mandatos de Guterres e Sócrates, e entre Sócrates e Costa, o PS nunca viveu de convicções. Não ofereceu uma ideia ao país, uma política alternativa, apenas tendo contribuído eficazmente para aumentar o número de gente empregada no domínio do humor, inspirando dezenas de jovens, nas rádios e televisões, com as célebres e inesquecíveis frases de que as dívidas não são para pagar e que a Parque Escolar foi uma festa.

E não há melhor transição de um parágrafo para outro do que recorrendo à palavra que melhor caracterizou as últimas governações socialistas. Foram festas, com fins anunciados em pântanos ou no recurso desesperado a pedidos de resgate.

Entre esses períodos, assolado pelo terrível caso da Casa Pia, e na sequência do, nunca esclarecido, caso Freeport, os tapetes foram tirados aos líderes de transição, Ferro Rodrigues e Seguro, no mesmo dia da semana em que José Sócrates conseguiu fazer toda – ou quase toda – a sua licenciatura. Ao domingo.

Aos olhos dos portugueses, é completamente inaceitável a forma como, internamente, se movem os interesses socialistas, apenas em função do calendário eleitoral, com sequentes e consequentes tiradas do tapete.

Porventura, a golpada mais grave, do ponto de vista da estabilidade política, da ordem política e até jurídico-constitucional, ocorreu durante a presidência de Sampaio, em que se verificou uma conjugação perfeita de cenários, desde o caso Casa Pia à ida de Barroso para a Comissão Europeia, a que correspondeu a reorganização interna no PS, culminando na dissolução, nunca explicada, de uma Assembleia representativa e legitimamente eleita pelos cidadãos.

Evidentemente, não esqueço aqueles que, à direita, fizeram o jogo rasteiro do Partido Socialista, assumindo que nunca ajudei a eleger, para o que quer que fosse, a falsa moeda de Cavaco ou a conjugação desastrosa que, de um homem pequeno com voz grande, não permite fazer, de Marques Mendes, um político com pensamento, pelo menos, coerente.

Porém, quase como obrigação cívica e, porventura até, moral, não poderia deixar de relembrar alguns episódios de democracia duvidosa que espelham na postura adotada, hoje, pelos principais agentes políticos, sobretudo aqueles que, voltam agora até ao país (mais ou menos) real, para lhes pedir o voto, agora, nas insólitas eleições primárias.

Sendo evidente que se desembrulharam temas como os que se prendem com as legislativas e presidenciais, não deixa de ser curioso cair nas mesmas conclusões dos últimos 15 anos, em que o PSD (e o CDS) foi chamado a governar na sequência de governações socialistas completamente calamitosas do ponto de vista financeiro, em que o PS (e sempre só o PS) foi para o governo com base em jogadas de bastidores encenadas através da utilização dos poderes públicos e de uma espécie de segunda cara que o PS adota internamente, e que permanece como uma espécie de face oculta aos olhos dos portugueses.

Em setembro, o PS terá um António como líder, mas que surgirá, forçosa e justamente, enfraquecido aos olhos da opinião pública. Se for Seguro, é o mais do mesmo, o líder frouxo, amorfo, sem chama nem projeto. Se for Costa, tenderemos a concluir que o será por força de circunstâncias mais do que previstas, tendo iludido os portugueses (sobretudo, os munícipes lisboetas e os camaradas de partido) ao mesmo tempo em que, na sombra, delineava uma estratégia que terminou de uma forma completamente anómala, tirando o tapete ao líder do PS após duas vitórias eleitorais.

Costa, a um nível interno, não fez diferente daquilo que Sampaio foi capaz de fazer a nível nacional. E o PS, decorridos todos estes anos, continua igual. Não tem projetos, não tem ideias e vive com base numa lógica de deslealdade perante os seus pares em busca de um eterno sonho de poder que culmina, sempre, com os cofres do Estado vazios.

Em quinze anos, nada mudou no PS, o que se evidencia na consensualidade que suscita o nome do pantanoso Guterres para candidato a Belém. A propósito, e no seguimento da imperdível entrevista de Santana Lopes ao Expresso, já é tempo de se falar, à direita do PS, de um nome para Presidente. Porque o guterrismo teve o seu tempo, teve o seu preço e deixem-nos, pelo menos, pagar a fatura que ele nos deixou.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A fotografia onde todos saem mal


Apesar de ser previsível, a partir de determinada altura, um avanço de Costa para a luta pelo poder no PS, ninguém poderia prever o que estava para acontecer na noite das eleições europeias.

Resumidamente, a coligação obteve o resultado que queria, uma derrota por margens mínimas. Seguro não teve a vitória inquestionável que sublinhou no seu embaraçoso discurso de vitória. Mas ninguém esperava que, após aquele discurso, e ainda na ressaca do que não deixou de ser uma vitória, Costa avançasse para, de imediato, tirar o tapete ao líder frouxo do PS.

Despistando a tempestade que abalou o Partido Socialista, a coligação seguiu entre os pingos da chuva, enquanto as diversas fações socialistas, alegremente, continuavam a disparar tiros nos próprios pés. E não houve ninguém, no PS, que tenha saído bem na fotografia.

Naquele domingo, a maioria dos portugueses considerava Costa como um homem capaz de gerar consensos. Contido nas contas, conseguia criar convergências na esquerda, arrastando, para si também, parte do centro-direita. Presidente de Câmara consensual, animal vencedor de eleições, a ideia que os portugueses tinham de Costa era de um homem que, internamente (no PS), sabia manter o seu lugar, leal a quem sempre foi dirigindo o partido, apesar de garantir uma certa independência política própria de quem tem um pensamento.

A partir da segunda-feira seguinte, ficou descoberta a outra face de Costa, homem que, afinal, tinha uma agenda própria. Estava apenas à procura do momento oportuno para tirar o tapete ao homem a quem, tempos antes, jurava lealdade. E tirou-o na pior altura, depois de uma vitória e na sequência do último ato eleitoral antes das legislativas que, apesar de eu não o desejar, poderem determinar a mudança de governo.

Seguro, frouxo, também saiu mal, principalmente após aquele discurso fora do tempo e da realidade. Deveria, logo ali, ter anunciado a realização de um Congresso extraordinário onde, depois do partido ter vencido todas as eleições que enfrentou, apresentaria, ao PS e aos portugueses, uma estratégia de governo para os próximos anos. Com isso, retiraria o espaço a Costa e criava, no PS e, talvez também, no país, um ambiente de mobilização em torno da mudança que Seguro iria liderar.

Com isto, o PS está a perder tempo. Entre congresso, diretas ou primárias, a coligação segue o seu caminho, já no pós-Troika, apenas com a oposição feroz de um Tribunal Constitucional que julga à luz de princípios abstratos de uma Constituição, há muito, ultrapassada.


Veremos como serão os próximos tempos e quais serão as cenas dos próximos episódios. Até lá, vamos ganhando certezas, pois, se Seguro não tinha ideias e era fraco, Lisboa continua cheia de buracos e de lixo por recolher, pelo que vai ganhando forma, junto dos portugueses, a ideia de que nem Costa nem Seguro nos oferecem garantias para governar. 

E é por isso que, em vez de estarem a fazer o retrato do país, continuam a tirar retratos um ao outro.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A seleção, espelho de um país


Todos nós, nas nossas vidas, já tivemos derrotas com que não contávamos. Refiro-me às situações em que, apesar de estarmos bem preparados, entramos com o pé esquerdo e, na “hora h”, escorregamos e metemos a pata na poça. São coisas que acontecem, que custam a digerir, que nos tiram o sono e nos fazem ter outro tipo de preparação para os episódios seguintes das nossas vidas.

A derrota com a Alemanha custa ainda mais a digerir. E não pode haver bodes expiatórios quando foi evidente que todos estiveram a um nível inexplicavelmente baixo face aos mínimos que poderíamos expectar.
Analisadas bem as coisas, o que a seleção nacional fez naquele terrível jogo de segunda-feira foi espelhar, ao mais ínfimo pormenor, a verdadeira imagem do país. Portugal é aquilo. E não me refiro apenas à falência de uma lógica de mais do mesmo.

Comecemos pelo princípio. A fase de apuramento tinha sido muito turbulenta. E a escolha dos vinte e três retrata, na perfeição, o que está a matar boa parte das empresas portuguesas. Os jovens talentos foram preteridos. As ultrapassadas e influentes velhas guardas continuam presentes, mas escondidas, simplesmente à caça dos prémios. A estes somam-se dois ou três atletas com valor duvidoso, que estão apenas para picar o ponto e fazer número.

O chefe, mister Bento, é, mais do que os 23, o elo mais fraco. Esconde-se, não dá o corpo às balas e desresponsabiliza-se, como se tivesse feito o que podia. Com medo de inovar e de impor um espírito ganhador e de equipa, já tem o que queria. Refiro-me ao seu contrato, milionário.

Por uma questão de respeito, delicadeza e educação, não vou referir-me aos que estão acima de Bento e que chegaram às funções da forma que é pública. Digo apenas que são responsáveis pela escolha de Bento (que, olhando para o seu contrato, está para ficar), dos vinte e três e do descalabro anunciado que ocorreu no jogo contra a Alemanha.

É tudo muito fraquinho. É o que é. Mas o que, de diferente, poderíamos esperar? Que a coqueluche levasse a equipa às costas? Que o guarda-redes nos defendesse de todos os erros? Além dos jornalistas e dos vendedores de ilusões, só um tarado poderia exigir isso.


Esta seleção leva, ao Brasil, o retrato do que Portugal é hoje, dando, por isso, uma ideia de mediocridade.  Mas oxalá que, na seleção, tal como no país, os poucos que têm valor saibam ser profissionais e deixem, pelo menos, uma imagem digna, não daquilo que somos, mas do que poderíamos ser.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Justiça a Aristides, por comparação com outros heróis

Se há país de grandes homens, esse país é Portugal. Porém, a História do século XX fica marcada pela revolução de Abril que, tendo terminado com o Estado Novo, não deixou de ter os seus contras, prudentemente apagados dos manuais de História, onde não surge notícia da tomada de assalto de património privado, a nacionalização de empresas a troco da ameaça à vida e a entrega do país ultramarino, responsável pela esmagadora parte da nossa riqueza, ao Deus-Dará.

Quase totalmente apagado da História portuguesa surge Aristides, diferente dos heróis Soares, Alegre ou Almeida Santos, responsáveis pela subtração de parte da riqueza nacional. Aristides, claro está, era diferente. Nascido e criado num ambiente rural, estudou Direito em Coimbra, tendo-se instalado em Lisboa depois de licenciado, seguindo, depois, a carreira consular.

Porventura, neste país em que todos têm de ser doutores, é pouco compreensível que se destaque um mero cônsul em detrimento dos desconhecidos diplomatas. E talvez fosse uma afronta o facto de se erguer a figura de Aristides, deixando para trás aqueles tais heróis que reduziram Portugal a quase nada, deitando, no contentor do lixo, o esforço patriótico dos visionários dos Descobrimentos, como se estes heróis do século XX não tivessem criado as condições para que Portugal, na altura em que se criava a ideia de uma verdadeira União Europeia, quase se tornasse comunista, aprovando-se uma Constituição de esquerda e totalmente impeditiva do desenvolvimento nacional.

Fez, na semana passada, sessenta anos que morreu Aristides e, no ensurdecedor silêncio à sua memória, apenas justificável devido ao facto de ter exercido funções públicas no regime de Salazar, resolvi invocá-lo, a título de exemplo, ainda no espírito de quem, há menos de um mês, visitou o trauma do pequeno esconderijo de Anne Frank em Amesterdão.

Mais do que uma homenagem, sinto uma certa obrigação na invocação deste homem que serviu Salazar e o Estado Novo e, com isso também, o País, partilhando o lema, que também tenho como meu – hoje, proibido – do Deus, Pátria, Família. Essa obrigação surge do sentimento de enorme injustiça que causa o facto de, deliberadamente, se apagar um herói da História Nacional.

Aristides era católico, monárquico, nacionalista e não era, de todo, um democrata. Não poderia, por isso, integrar-se no Portugal de hoje, um país falido sem valores nem lei. A única característica que se mantém é a inexistência da democracia, daí se fundamentando e fomentando o silêncio perante o herói Aristides, sendo, agora, proibido ser-se de direita.

Aliás, se Barroso não fosse Barroso e fosse, por exemplo, Costa ou Soares, ou Alegre ou Almeida Santos, ou Constâncio ou Sampaio, ou Guterres ou Vitorino, ou, simplesmente, do PS, teria já, em Lisboa, uma estátua e uma avenida em seu nome.

Voltando a Aristides, nomeado por Salazar, depois de ter estado colocado em países como o Brasil, os Estados Unidos ou Bélgica, foi cônsul em Bordéus, desempenhando essas funções no período traumático da Segunda Guerra Mundial.

Sendo certo que a sua forma de atuar estava longe de estar conforme às boas regras da disciplina, tendo desrespeitado ordens governamentais e falsificado documentos, foi dessa forma que salvou milhares de vidas de judeus que fugiam da invasão da Alemanha de Hitler.

Se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus” é, porventura, a frase mais simbólica de Aristides e aquela que melhor representa o ato heróico de correr o risco de ser preso para salvar a vida de milhares de judeus.

À semelhança do próprio Salazar, que, evitando a entrada na Guerra, salvou Portugal e os portugueses, Aristides é um dos heróis portugueses do século passado, sendo que o segundo, menos disciplinado que o primeiro, demonstrou o seu carácter Humanitário de uma forma mais evidente.

Muito foi o que mudou desde esse tempo, sobretudo desde a altura em que começaram a erguer-se novos heróis. Deixou de haver indústria, agricultura, comércio, serviços. Já para não falar nos valores, na perseverança em defender costumes e tradições. Dizemos que estamos mais desenvolvidos, só porque todos podem ter um curso, esquecendo-nos que poucos são os que podem ter trabalho aqui.

Continuamos pobres, mas, agora sim (!) – em Abril, quarenta anos depois - “orgulhosamente sós”, são os angolanos que mandam em nós. Não reclamo do que foi feito, mas do modo que o foi.

Na verdade, talvez seja altura de mudar os manuais de História, e de alguém perguntar quanto dinheiro deram a ganhar, ou quantas vidas salvaram pessoas como Soares, Alegre, Santos, Costa, Seguro, Sócrates, Guterres, Ferro, entre tantos e tantos irresponsáveis de esquerda que, heroicamente, nos tiraram a soberania económica e a independência financeira.

É assim, aproveitando a comparação, que realço a importância de Aristides, um dos melhores portugueses vivos do século XX.


Que lhe seja feita Justiça. Que lhe seja feita Honra. Sobretudo, porque os outros heróis, os tais revolucionários do cravo caracterizados, pelos próprios, como seres de intelectualidade superior, ao pé de Aristides, são como o Romeiro de Frei Luís de Sousa. Ninguém.

terça-feira, 4 de março de 2014

Apelo aos sportinguistas,

Na altura em que escrevo, deve haver quem, no Benfica, já tenha encomendado as faixas e quem, nesse mesmo clube, já tenha recebido instruções para procurar, nos armazéns refundidos do estádio, todos os confettis e material de festa que ficou guardado das festas adiadas do ano passado.

Simultaneamente, a norte, vive-se o princípio do fim de um império que, durante décadas e imbuído de um enorme espírito de podridão, arruinou a verdade desportiva no futebol português, realidade de que quase não restam vestígios.

Não tendo sentido a necessidade de escrever sobre o Sporting, mas, passado um ano da difícil eleição de Bruno de Carvalho, que apoiei com entusiasmo desde as primeiras eleições e com noites mal dormidas pelo meio, sinto o dever de reavivar a memória daqueles que têm aquela característica doentia, ou criminosa, da memória seletiva.

Há um ano, o Sporting viveu a pior época da sua História, que não o foi apenas no âmbito desportivo, que certamente todos lembrarão. Há um ano, vivia-se um desnorte de liderança e a falência de um projeto que quase fez o clube terminar.

Certamente, poucos são o que o saberão, mas, há menos de um ano, havia uma alternativa que passava por uma espécie de refundação deste Clube centenário, entregue à banca e com algumas contas em atraso, sem poder financeiro, sem capacidade para honrar os compromissos e sem condições desportivas para, com lucro, conseguir fazer face a essas dificuldades.

O caminho seguido foi o mais duro, o menos popular, a última alternativa para salvar o Sporting, deixando o clube com uma equipa principal constituída por um plantel de quinze jogadores, baratos, complementados por soluções emergentes oriundas da Equipa B e, portanto, da formação do clube.

A conjuntura ajudou. 

Ainda que sendo, previsivelmente, campeão, com um plantel irresponsavelmente milionário, Jesus, no Benfica, já foi chão que deu (melhores) uvas. No Porto, vive-se o fim de um período que, para o mal ou para o mal, foi marcante. E em Braga, em Paços de Ferreira, a poeira acabou quando se lhe foi o vento.

Com isso, a nove jornadas do fim, o Sporting está no segundo lugar sem que, em qualquer momento, tenha cometido o erro de assumir a candidatura a um título que, face aos rivais, não tinha condições práticas para vencer.

É importante, agora, continuar com os pés no chão, olhando o futuro com a prudência de quem sabe que, se tiver o azar que não têm tido os nossos rivais, o Sporting pode, daqui a um ano, estar a competir, novamente, com clubes do seu estatuto, mas com condições financeiras e desportivas (conjunturalmente) superiores, como o Barcelona, o Bayern, o Chelsea, o Real Madrid.

E, fazendo o paralelo com o período que vive o país, é crucial que, após a austeridade (ou da intervenção externa), não se deite tudo a perder, pondo, simplesmente, a austeridade na gaveta.

Mais do que os cinco - na prática, seis - pontos que nos afastam do clube que, ao colo, tem sido levado até ao título, os sportinguistas devem continuar cientes das dificuldades que o clube atravessa, participando ativamente no dia-a-dia do clube, indo ao estádio, comprando merchandising, reunindo poupanças para ter o canal do Sporting em casa, assinando ou comprando semanalmente o jornal do clube.

E sempre, sempre olhando com desconfiança para quem segue nos lugares atrás de nós, sem vergonha de não assumir aquilo que não temos condições práticas para ser, exige-se que, no domingo, haja uma invasão de leões a Setúbal e, depois, uma enchente de gente apaixonada pelo verde, no jogo contra o Porto, em Alvalade.

Nós somos assim, diferentes e leais, cientes das nossas responsabilidades. E, sem exigir aos outros o que não exigimos de nós, este é o momento em que, mais do que nunca, a História pede pela nossa comparência.

Viva o Sporting!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A life about to start

O que muda é o nome do país,


Do you hear the people sing,
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
when tomorrow comes.

Will you join in our crusade?
Who will be strong and stand with me?
Beyond the barricade
Is there a world you long to see?
Then join in the fight
That will give you the right to be free!

Do you hear the people sing,
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!

Will you give all you can give
So that our banner may advance
Some will fall and some will live
Will you stand up and take your chance?
The blood of the martyrs
Will water the meadows of Ukraine!

Do you hear the people sing!
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Coincidências


Laurinda Alves lembra, publicamente, uma definição muito própria do que entende por coincidências, numa interpretação desse conceito que, como crente, tendo a partilhar.

“Coincidências são pequenos milagres em que Deus prefere ficar incógnito”.

Serão, desse ponto de vista, algo de demasiado maravilhoso e belo para que possam aplicar-se no jogo sujo em que se tem tornado o futebol.

Se o Benfica pode decidir unilateralmente receber o Gil Vicente em casa emprestada, sem conhecimento do clube visitante e em total desrespeito pelo Regulamento da competição, não havendo qualquer sanção para o clube, isso não é coincidência.

Se o Duarte Gomes não assinala dois penalties claros a favor do Sporting no estádio da Luz, nem vê um golo em fora-de-jogo, alterando um resultado de 2-5 para 4-3, isso não é coincidência.

Se esse mesmo árbitro continua a arbitrar, apitando jogos decisivos, marcando um livre indireto num lance de penalty claro (num Ac. Viseu – Sp. Covilhã) e, dias depois, é decisivo na vitória do Sp. Braga frente ao Belenenses, isso não é coincidência.

E o homem do talho, o senhor Mota? O facto de, depois de ter aldrabado os adeptos do futebol ao prejudicar o Sporting no jogo frente ao Nacional (que impede o Sporting de ser líder, neste momento), ser nomeado para um jogo decisivo do FC Porto na Taça que ninguém Liga também não é coincidência.

Do mesmo modo, não é coincidência o golo decisivo de fora-de-jogo de Varela no jogo frente ao Penafiel. Não é coincidência o atraso de três minutos. Não é coincidência o Porto ter estado a perder frente ao clube do presidente amigo. Não é coincidência o penalty, em que se aplica a favor do Porto a lei da intenção, num lance fora da área. E não é coincidência que o árbitro nomeado para esse circo fosse o Mota dos talhos!

Aproveitando o tema, poderia ainda referir-me a um jogador da Liga (que está em vias de ser transferido) que, a cada jogo contra o Benfica, cada auto-golo, cada penalty! Nem vale a pena Mexer nisso!

Falamos só do presente, porque o passado será julgado na altura própria. E não vale a pena dizer-se que foi por coincidência que se acabou com o Boavista, que foi por coincidência que foi no ano dos trinta pontos que se castigou o Porto com seis,  etc.

Por coincidência, aí assim, foi à ajuda divina que o senhor dos gases apelou quando tinha a justiça dos homens à perna.


Apesar de ser sportinguista, de me rever nesta direção e de apoiar as suas decisões, entendo que, seja lá o que for decidido, o Sporting não deve participar em mais qualquer jogo desta Taça da Aldrabice.

É que só por coincidência – os tais milagres em Deus intervém anonimamente – pode haver verdade nesta competição. E, se o Sporting alguma vez vencer uma dessas Taças, tendo em conta o que se tem passado no futebol em Portugal, meus caros: isso é coincidência!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Outros, por favor!


Apesar de, convictamente, não ser propriamente um republicano, tenho, como cidadão e eleitor, o dever de encarar a realidade no sentido de escolher, entre as escolhas que me são oferecidas, o melhor para o meu país.

Quando elegemos um Presidente da República, elegemos, de facto, uma pessoa, em função das garantias que nos oferece e da visão que lhe reconhecemos. Elegemos pelos valores que o candidato mostra ter, pelas causas que demonstra defender, pelas características que aparenta ter.

Sumariamente, entendo que o chefe de Estado, além de ser um garante da Constituição (que urge rever), deve ser um elo de ligação entre os partidos, um garante da estabilidade política, apesar dos poderes e deveres que a Constituição lhe atribui.

Gosto muito pouco de falar de nomes, mas, em Presidenciais, não nos resta outra alternativa. E, não sabendo em que candidato poderia votar, há, desde logo, um candidato em quem, em princípio, não votaria, da mesma forma em que não votei em Cavaco Silva. Esse candidato (que está entre o conhecido lote de candidatos a candidatos) é Marcelo Rebelo de Sousa.

Apesar do respeito que tenho pelo Professor Marcelo, não lhe reconheço a competência prática que se exige para um líder e, menos ainda, para um Chefe de Estado. Sendo um comentador muito mediático e um ótimo professor de Direito, fracassou no único momento em que pôde afirmar-se politicamente, numa conjuntura em que liderava o principal partido da oposição.

Idealmente, compreende-se o que Marcelo quis fazer, criando uma grande Aliança Democrática como sinal de união dos partidos à direita do PS, na perspetiva de mobilizar os portugueses em torno de um programa político alternativo. Fracassou.

Sendo certo que não podemos julgar as pessoas através da constatação de apenas um facto, e muito menos uma pessoa cuja competência é consensualmente reconhecida por todos os portugueses, eu nunca apoiaria entusiasticamente Marcelo pelas duas únicas características que julgo que tem.

Desde logo, o comentário político do Professor não me cativa minimamente. Sinto, ou sentia quando o ouvia no jornal de domingo da TVI, que Marcelo não diz o que pensa. Diz o que lhe convém, quando lhe convém, na medida em que lhe convém, tentando, na lógica de quem dá uma no cravo e outra na ferradura, ser consensual junto dos cidadãos e de todos os quadrantes.

Comentando todos os domingos, continuo a não saber o que Marcelo pensa sobre o exercício do cargo de Presidente da República, sendo que o apoio que continuamente presta ao Presidente Cavaco Silva não augura nada de bom.

Além disso, Marcelo Rebelo de Sousa é, do meu ponto de vista, um teórico e, como tal, uma pessoa que, sendo competente, oferece poucas garantias de uma perspetiva mais prática. É, do meu ponto de vista, um situacionista numa altura em que o país entra num ciclo de viragem. Não sei sequer até que ponto Marcelo como candidato, e como Presidente, poderia ser um presente envenenado para “a direita” portuguesa, atualmente liderada, no PSD, pela ala que, em teoria, é contrária à de Marcelo, e no CDS pelo mesmo Paulo Portas que deu a sentença final quando Marcelo quis formar a AD.

Pelo exposto, não poderia, pelo menos de uma forma convicta e entusiástica, apoiar Marcelo. E não posso assinar por baixo de quem escreve que é o melhor candidato que “a direita” pode ter para as Presidenciais que se aproximam. Prefiro outros.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Responsável? Ninguém.


“Novos caloiros, sejam bem-vindos à Lusófona”. É assim que inicia um breve texto de boas-vindas e de apresentação escrito pelo Presidente do Conselho de Administração dessa Universidade, no site oficial da mesma. Esta primeira fase ganha um novo sentido e uma ironia que alimenta a minha visão pouco conveniente sobre o assunto.

É certo que a Universidade não é tutora nem exerce qualquer tipo de responsabilidade relativamente aos estudantes, normalmente maiores de idade, mais ainda quando os mesmos não estão nas instalações daquela nem em iniciativas por si organizadas.

Porém, a Universidade terá, certamente, relações com a Comissão de Praxes. Pelo menos, sabe que existe. Permite que exista. Devendo ter conhecimento das suas ações, mesmo que não o tenha, conforma-se com as iniciativas, que, não se opondo, acaba por fomentar.

Não querendo encontrar bodes expiatórios, sempre fui defensor de uma cultura de responsabilidade, em que todos devem responder, equitativamente, na medida da sua culpa. Ainda que não tenha nada que ver com o assunto, não me posso conformar que os responsáveis continuem a cortar sistematicamente para canto. Muda-se uma cabeça, abre-se um inquérito e, para o ano, continua tudo na mesma.

Sabe-se, agora, que, depois do Estado “ter feito o favor” de encontrar os corpos, está a ponderar investigar o assunto. Um mês depois, o pobre doente continua com amnésia seletiva (o meio mais comummente utilizado para enganar a namorada, os pais, os professores e os nossos superiores hierárquicos) sem ter, até ao momento em que escrevo, sido ouvido pelas entidades competentes.

“Bem-dito Salazar”, é o que nos apetece dizer neste país em que ninguém é responsável por nada.

Talvez tivesse sido diferente, fosse um daqueles seis miúdos filho de um deputado, de um membro do governo, de um notável ou de um membro daquelas seitas que vão gerindo as nossas vidas e que são quase tão obscuras como a verdade que se esconde atrás desta tragédia.

Não quero alimentar conspirações, nem levantar curiosidades, mas o assunto é muito mais sério do que as autoridades portuguesas o estão a encarar. É, aliás, um tema que deve ser encarado como motivo de reflexão nacional, desde os responsáveis pelas universidades ao próprio legislador. Não estamos a falar de cortes nos salários, de finanças ou futebol. Estamos a falar da vida das pessoas.

Todos (!) têm (!) de ser chamados à responsabilidade. Universidade(s), alunos, comissão de praxes, pais, PJ, Ministério Público.

O legislador, que adora criar legislação sobre quase tudo e quase nada, poderia, também, tirar um dia para tratar da questão das praxes, regulando-as ou proibindo-as, responsabilizando, especialmente e a nível criminal, todos aqueles que, direta ou indiretamente, participam em planos que humilham, que ofendem, que matam jovens.

Normalmente, o que se faz a quente é, tendencialmente, precipitado e errado. Mas este assunto não pode cair no esquecimento. E era o que faltava que, numa legislatura, se dedicasse mais atenção ao número de cães e gatos que um cidadão pode ter em casa do que o tempo que se investe a tratar de direitos fundamentais, direitos constitucionais, direitos humanos.

Num momento em que apelo à honra e à memória dos jovens, não posso deixar de referir que este será, provavelmente, o melhor – e também o mais triste – retrato do que é a sociedade portuguesa nos dias de hoje, nos tempos em que vivemos.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

2014

2014. O meu país.

Veio ventoso e com chuva, trouxe um mar agitado e levou, para junto dos Anjos, uma referência nacional. Mal chegou, deixou-nos de luto, como quem quer marcar uma viragem definitiva na nossa História, unindo-nos e pacificando as vozes menos ignóbeis. Eis que surgiu o 2014, por que todos, ainda que prudente e ansiosamente, aguardávamos. 

Ano de partida da Troika, o tempo está propício a consensos. Portugal reconquistará, pelo menos, boa parte da soberania que perdeu no último governo de Sócrates. Porém, em véspera de eleições, com António Costa a morder os calcanhares, veremos como agirá Seguro, adivinhando-se que será, entre todos os líderes políticos nacionais, aquele que estará mais suscetível à pressão, nomeadamente aquela que vem, legitimamente, das ruas e aquela que ferve em lume brando, internamente, no Partido Socialista. 

Além das movimentações a que, certamente, iremos assistir no que respeita às Presidenciais, Seguro, que lidera as sondagens, não estará entre a espada e a parede, mas estará entre a defesa do consenso por que anseiam os nossos credores e a nossa economia e a defesa dos interesses da máquina socialista, que desespera pelo poder que já julgava ser seu por direito.

Ano que antecede eleições, parece-me que Passos Coelho estará, em 2014, mais próximo do partido e das bases, convidando a um clima de euforia e mobilização entre o fim da primavera e o verão, aumentando e endurecendo o discurso ao posicionamento do Partido Socialista, que irá - ou deverá - desafiar.

2014. O meu clube.

O ano que passou foi suficientemente duro para os sportinguistas, na medida em que, perante a pior época de sempre da equipa principal de futebol, e confrontando-se com uma direção que esticou em demasia a corda da incompetência, os sócios, mobilizados, criaram o ambiente de mudança que, meses depois, vieram a consumar, elegendo uma nova direção.

Como signatário da convocatória da AG extraordinária, que não chegou a realizar-se, ajudei, ainda, a eleger Bruno de Carvalho, sendo que estou satisfeito com o seu trabalho, do mesmo modo que me sinto orgulhoso  com a diferença que o Sporting, através dos seus sócios, veio demonstrar face aos seus rivais.

O Sporting não é candidato ao título e, provavelmente, não será campeão. Está, todavia, no rumo certo, projetando o seu futuro com pés e cabeça. 2014 será o ano decisivo para o canal de televisão, para o desenvolvimento de novas parcerias com entidades nacionais e internacionais, em que as próprias camisolas terão, além do símbolo mágico do Clube, uma nova marca.

Espero que, na vanguarda da luta por um desporto mais transparente, o Sporting marque o novo ano reassumindo, também, o estatuto de clube que se bate pela verdade desportiva, pela defesa do atleta português, continuando virado para os sócios, na defesa da sua honra, nomeadamente cumprindo com os compromissos assumidos.


2014. O meu eu.


De uma perspetiva mais pessoal, este será também o ano da transição moderada. Será um bom sinal continuar a não ter tempo para partilhar opiniões através deste blogue. 

2013 foi, para mim, uma espécie de ano zero em quase tudo. Foi o ano do meu primeiro ano com contrato de trabalho. Foi o ano em que fixei, e paguei na totalidade, um pivot de rega. Foi o ano em que comecei a gerir a criação de equinos. Apesar do incêndio, esse trauma que vivi e de que ainda não recuperei, cumpri alguns sonhos. 

2014 será o ano um. Será o ano em que nascerá o futuro da coudelaria. Adivinho que poderão nascer poldros de qualidade, com tamanho, cor, funcionalidade e boa constituição morfológica. Serão o resultado da primeira época de cobrições que planeei. Espero, em 2014, poder continuar a preparar a apresentação de cavalos em provas. Possivelmente, levaremos um animal a concurso. Logo veremos. Caminharemos sem pressa.

Como disse, o que desejei, quando passavam poucos segundos da meia-noite de dia 1, foi uma transição moderada. Que continuemos todos cá. Para nos lermos e vermos uns aos outros. E que, daqui a um ano, com voz própria - como sempre! - estejam a ler o escreveu um rapaz, com 26 anos, noivo e tio pela sexta vez.

Votos de um Feliz Ano Novo,


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Avante!

 
Em Lisboa, numa coligação com outros dois partidos, obtiveram 51 mil votos, que não chegavam para encher o estádio da Luz, e 22%, muito menos de metade dos 51% que obteve António Costa, numas eleições em que o Bloco e o PCP também foram a votos. Em comparação com o resultado de 2009, perderam mais de 50 mil votos e 3 vereadores. E a culpa é de quem? Do Paulo Rangel, do Marco Almeida, do António Capucho, da Manuela Ferreira Leite ou do Rui Rio?
 
No Porto, uma maioria absoluta de 47,5% transformou-se num 3º lugar. 21% com apenas 24 mil votos, que, mesmo bem distribuídos, não chegavam a uma meia casa no estádio do Dragão. O PSD, no concelho do Porto, é o partido das “zero freguesias”. E a culpa é de quem? Do Paulo Rangel, do Marco Almeida, do António Capucho, da Manuela Ferreira Leite ou do Rui Rio?
 
Em Gaia, de 62% desceu-se para 20%. As contas não são difíceis. São menos 42%, quase 65 mil votos. De vereadores, cortou-se a parte esquerda do 8. Agora são 3. E foi por pouco que não ficaram no lugar 3, por uma diferença de menos de 400 votos. E a culpa é de quem? Do Paulo Rangel, do Marco Almeida, do António Capucho, da Manuela Ferreira Leite ou do Rui Rio?
 
Em Sintra, outra maioria absoluta em 2009, outro 3º lugar em 2013. Feitas as contas, sempre de subtrair, são menos 31%, são menos 45 mil votos (que dava para encher 16 vezes o estádio do Sintrense, e ainda ficava gente cá fora). Como no Porto, em Sintra, o PSD também ficou sem qualquer freguesia. Zero. E a culpa é de quem? Do Paulo Rangel, do Marco Almeida, do António Capucho, da Manuela Ferreira Leite ou do Rui Rio?
 
Poderia, e talvez até devesse, continuar a exemplificar. Mas não vale a pena. Já encontraram os culpados. Culpados que são sempre os outros.
 
Mas a verdade é só uma. Quiseram que o Luis Filipe Menezes fosse para o Porto. Acharam que Seara seria a escolha natural e que, pela consensualidade, poderia remediar os previsíveis danos em Lisboa. Não quiseram apoiar Aguiar em Gaia e preferiram avançar com um candidato contra Marco Almeida, quando este já tinha apresentado a candidatura.
 
A responsabilidade também não é do governo. E não estou a ser irónico. As pessoas sabem distinguir as coisas. O problema é que, no PSD, não se preparam as coisas. Não se decide com base em projetos ou objetivos. Decide-se com base nos nomes e nas caras.
 
Daí que seja necessário perseguir quem apoia candidatos que não são apoiados pelo PSD, fazendo censura. Censura política, a que se refere o camarada Cunhal. Perdão, censura política a que se refere o camarada Aguiar Branco.
 
Avante com as expulsões e, qualquer dia, já não sobra ninguém!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Um adeus à Bê

 
Aprendi, sobretudo no último ano, que o fundamento de uma desilusão é uma grande ilusão. Conformei-me. Não vale a pena vivermos com ilusões. E, sendo certo que a maior ilusão se prende com a eternidade ou a imortalidade, temos de aceitar a falibilidade, a efemeridade e a mortalidade como algumas das poucas certezas que temos.

Por essas razões, nas alturas de maior tristeza, tendo a recuperar, na memória, as coisas boas que aconteceram, tentando confortar-me com a última festa e o último beijo que dei na manhã de ontem, naquele que foi o último dia da vida feliz da Bê.

Subiu montados, percorreu quilómetros, sempre corajosa diante do gado bravo. Foi terna com as pessoas, protetora do território, deu sempre sinal quando julgou necessário.

 
Trabalhou dia e noite, entre o gelo dos graus negativos e o calor infernal dos verões. Brincou, caçando. Foi uma autêntica professora para a Bolota, com quem sempre demonstrou toda a paciência.

Foi leal até ao último instante. Até ao último instante. Mas, antes disso, deu a conhecer a Herdade à Bolota, que lhe faz companhia há uns meses. Levou-a a Santo Estêvão, aturou brincadeiras, mostrou-lhe o perigo das valas e ensinou-lhe as formas de passar pelas vedações. Ensinou-a a caçar coelhos, a estar desperta perante a visita noturna dos javalis e a entreter-se atrás da raposa.

A Bê foi uma lutadora, com uma dignidade e um carácter de tal forma imensos que envaidecem os seus donos. E, em vez de deixar um vazio, deixa um legado. Um legado de amor àquele local, um legado de proteção, um legado de trabalho.

Morreu ontem naquela que foi, e continuará a ser, a sua casa, vestindo a camisola até ao último segundo.

Tendo sido sempre feliz, conquistou a imortalidade pela sua postura exemplar que continuará a inspirar os vivos, continuando, por isso, a fazer parte da história das coisas boas que aconteceram na Formiga.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Liberdade para os vianenses


Haja liberdade, haja tradição e democracia.
Viva Portugal!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O escândalo de Bale


Ninguém tem dúvidas de que Bale é um grande jogador, que desequilibra, que joga e faz jogar, que traz qualidade ao jogo, que marca e dá a marcar, fazendo a diferença. Mas Bale é galês, joga no Tottenham, que, apesar de ter uma belíssima equipa que foi construída nos últimos cinco anos, “está a milhas” dos principais colossos europeus.
Por muito bom que seja, Bale valerá metade do que vale Messi, metade do que vale Ronaldo. Valerá, talvez, pouco mais do que vale Di Maria, valor que terá, neste momento, apenas por estar numa equipa com menor dimensão, sendo, por esse motivo, mais decisivo do que, previsivelmente, poderia ser numa equipa de maior nomeada.
Não sendo certo que a transferência venha mesmo a consumar-se, colocar-se a hipótese de haver um clube com um passivo milionário, de um país que vive uma crise profundíssima, disposto a pagar uma centena de milhões de euros por Bale é um escândalo universal.
Outro escândalo, da mesma dimensão, é o facto de Platini dizer publicamente que pensa que o valor é perfeitamente normal, ignorando a real situação financeira do Real Madrid (que está muito distante dos milhões virtuais que esse clube, anualmente, queima em falsos reforços), a situação económica espanhola e a profunda crise que persistentemente assola o continente europeu.
Bale não vale cem milhões. É inaceitável que se possa pensar que possa valer mais do que esses cem milhões. Ou que valha pouco menos de cem milhões mais jogadores ou outras contrapartidas.
A novela “Bale”, que marca este período de transferência, apenas tem o mérito de demonstrar, aos jovens, o exemplo que ninguém deve seguir, porque, além de ser condenável que se ofereça esta fortuna em tempos de crise, com o apoio dos principais responsáveis por essa atividade profissional, a atitude do internacional galês – que nunca chegará aos pés dos melhores jogadores do mundo – é de repudiar com veemência.
Faltar ao trabalho, incumprir o contrato, forçar a saída de um clube que tudo lhe deu é um ato vergonhoso, constituindo um sinal de absoluta falta de profissionalismo, que se está a alastrar por todos os clubes de todos os campeonatos, e que merece reprovação por parte de todos os agentes desportivos, por todos os agentes não desportivos, por todos os cidadãos do mundo.

Talvez haja motivos para desafiar a Judite Sousa, que, nesta fase da sua vida profissional, não está “a dar uma para a caixa”, a entrevistar o Florentino Pérez, sugerindo-lhe que, em vez de pagar estes milhões por quem não os vale, o clube merengue distribua essa quantia obscena pelos pobres que há no mundo, começando, claro está, pelos milhões de desempregados espanhóis.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Outra ameaça à paz mundial


O mundo é pequeno e começa a ficar cada vez mais perigoso. Não falo das tendências cada vez mais autoritárias que os alemães têm mantido em relação a uma Europa contra quem, noutros tempos, já combateram, tendo precisado da ajuda daquela para se reerguer enquanto país, e enquanto potência económica. Não me refiro, também, à constante frieza russa, país cuja relação tenta ser preservada, por todos os países, de uma forma sempre delicada. Também não refiro à persistente ameaça norte-coreana, país que, isolado do mundo moderno, continua a intimidar a mais poderosa potência económica.
A situação na Síria não faz adivinhar nada de bom para uma Europa que continua a não sair da cepa torta, que estagnou e, sem saber o que quer de si própria, continua a falar através de várias e diferentes vozes. Um ataque na Síria, com fundamentos semelhantes aos que desencadearam a guerra no Iraque, seria também ruinoso para os Estados Unidos, cuja economia continua com enormes dificuldades, sendo previsivelmente superada pelo dinamismo chinês, ainda que seja construído através de sucessivos ataques à dignidade da vida humana.
Não sei o que fundamentou o cancelamento unilatera
l (pelos Estados Unidos) do encontro que estava previsto realizar-se com a Rússia, em Haia. Não sei, também, se existe algum fundamento para crer que houve um ataque feito através de armas químicas na Síria. Mas parece-me que, ainda para mais na atual conjuntura económico-financeira, os Estados Unidos e os seus aliados europeus deveriam ser mais prudentes relativamente a uma eventual intervenção militar no país liderado por Bashar al-Assad.
É perfeitamente compreensível, para o comum ocidental, que os Estados queiram reprimir o “uso” de civis inocentes para desencadear um ataque químico que mata indiscriminadamente. É, também, compreensível que se repudie o atraso sírio em aceitar o pedido da comunidade internacional de permitir o acesso de inspetores das Nações Unidas ao local onde o referido ataque alegadamente terá ocorrido.
Impulsivamente, a posição dos Estados Unidos ficou mais dura, havendo uma pressão de alguns congressistas no sentido de enviar navios para a Síria para atacar o território através de mísseis. A má vontade, que me parece ser inequívoca, por parte dos sírios, ajuda a esse impulso.
Todavia, numa altura em que persiste o medo relativamente a ameaças permanentes, como a russa ou a norte-coreana, mas também de movimentos islâmicos radicais, há que ser especialmente cauteloso com a questão da Síria, sobretudo após os avisos do Irão e da China, que apontam para retaliações em caso de ataque.
O cenário que ficou montado com o alegado ataque químico era totalmente indesejável pela comunidade internacional, mas, depois da “agressividade” na forma como os norte-americanos disseram que esse ataque era indesmentível, defendendo-se um ataque imediato ao território sírio, não pode deixar de se ter em conta os avisos ameaçadores do Irão e da China.
A bola está no lado de Obama, que tem finalmente a sua prova de fogo, e a quem cabe evitar (ou não) um ataque que pode ter consequências gravíssimas, sobretudo na atual conjuntura, para os Estados Unidos e para os aliados ocidentais e que, a ocorrer, terá certamente repercussões, também, em Portugal.

Veremos o que nos dirão os próximos capítulos, com a expectativa de quem receia que esta história, que começou torta, possa não acabar direita.