Uma das coisas que mais me irrita, no dia-a-dia, são os buracos nas estradas.
Até às eleições foram arranjadas algumas estradas. Lembro-me de uma, ali ao pé do liceu Pedro Nunes, mesmo ao lado do Jardim da Estrela, que estava toda esburacada. Pensei nisso os cinco dias da semana que passava por ali. Mas antes das eleições de Outubro, rapidamente aquela rua se tornou outra.
Mas a proximidade das eleições, apesar de serem boas para aqueles que vivem em concelhos de autarcas um pouco mais desleixados, não resolve todos os problemas.
Hoje, num dos acessos que nos fazem chegar ao Eixo-Norte Sul, no sentido do Lumiar, passei numa estrada com quase nenhuma iluminação, passei num buraco enorme e a jante saltou do pneu. Por sorte, não foi direita ao autocarro, que conseguiu parar a tempo nem acertou numa senhora, já com alguma idade, que por ali passava. Foi mesmo uma grande sorte!
Já tinha falado nos buracos. Peço desculpa por voltar a falar deles. Só que penso neles quase todos os dias. São os dias em que ando de carro.
De Belém a Benfica, dos Prazeres ao Lumiar, para não falar daquelas estradas quase intransitáveis em Alcântara e na Ajuda, as estradas de Lisboa têm cada vez mais buracos e, além de causarem danos aos veículos, começam a pôr em causa a integridade física daqueles que ainda têm a coragem de andar a pé, em locais com pouca gente e com pouca luminosidade, depois do sol se pôr.
Talvez não fosse má ideia que aqueles que governam os lisboetas começassem a arregaçar as mangas e a pensar nos problemas do dia-a-dia da pessoas. Seria muito mais consequente do que as ciclovias (mal feitas ainda por cima) que poucos usam, do que aquelas fantasias de festivais aéreos, além dos, já célebres, campos de girassóis.
Falo hoje dos buracos nas estradas. Mas poderia falar das segundas e terceiras filas de estacionamento. E de uma série de problemas que um condutor enfrenta no seu quotidiano. Não é sério falar-se numa estratégia de redução de tráfego automóvel quando os transportes públicos são manifestamente insuficientes.
Os que chegam a Lisboa todos os dias de concelhos limítrofes não têm outro modo para chegar à cidade. Apenas alguns têm o combóio. Os autocarros andam perdidos nas filas de trânsito. E, mesmo dentro da cidade de Lisboa, o metro não chega a todo o lado. Além disso, o tempo que se demora em mudar de um autocarro para o outro, da linha verde para a amarela, para depois entrar num combóio que nos leve até perto(!) de casa, faz com que os transportes públicos não sejam, neste momento, uma alternativa séria à utilização do automóvel.
Se as pessoas pagam os impostos ao nível dos que estão a pagar, só têm é de exigir que os passeios sejam circuláveis, que haja espaços verdes, que as ruas estejam limpas e que não existam buracos nas estradas. E que assim seja sempre. E não apenas em algumas zonas quando há eleições à porta.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Parcialidades

Escrevo sobre este assunto depois de um jogo em que foi invalidado um golo contra o Benfica. Que foi igual a um outro golo que foi validado a favor do Benfica, há poucos anos. Golo que deu, na altura, ao Benfica o primeiro lugar no único campeonato ganho nos últimos quinze anos.
O que quero dizer com isto é que Vitor Pereira, líder máximo dos árbitros em Portugal, tinha razão quando disse que os árbitros têm sido parciais durante esta temporada.
Têm mesmo. Ou foram parciais hoje ou foram naquele outro jogo que deu o primeiro lugar ao Benfica.
Antes do jogo de hoje, do golo invalidado igual ao que foi validado, na última jornada, em Vila do Conde, ficou por marcar um penalty evidente por empurrão de Miguel Vitor a um jogador do Rio Ave. Saviola, nesse mesmo jogo, simulou duas vezes. Um penalty e um livre em zona perigosa. Os dois amarelos ficaram no bolso.
Antes de Vila do Conde, contra o Nacional, o Luisão foi amarelado por pontapear de forma agressiva um adversário e apenas um enorme roubo de Igreja permitiu que o Benfica vencesse um jogo que, se os árbitros tivessem sido imparciais, perderia com a certeza quase absoluta.
Poderiamos ir a outros jogos. Um jogo de Olhão. Um jogo de Leiria. E vários outros jogos em que a Luz do estádio, por vezes, ofuscou a vista dos árbitros.
Vitor Pereira tem razão. Os árbitros têm sido parciais. E, por isso, a classificação das competições nacionais desta temporada é uma farsa.
O Benfica, em condições normais, tinha zero pontos na Taça da Liga e estaria em terceiro no campeonato, a pelo menos cinco pontos do Braga. Relembro que o Benfica já está fora da Taça.
O facto de estar, neste momento, empatado com o líder do campeonato e com a presença garantida nas meias-finais da Taça da Liga são, por isso mesmo, uma das maiores fraudes desportivas (senão mesmo a maior) que o futebol português viveu nos últimos tempos.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Também foi hoje
A RTP passou hoje uma notícia em rodapé no telejornal. Que é a mesma que foi dada há seis meses. E que nunca foi bem explicada às pessoas.
A RTP tinha a resposta à notícia que aparecia em rodapé. Mas não apareceu no telejornal das oito da noite. Nem em imagens (que a RTP tem), nem mesmo em rodapé.
Podem chamar o que quiserem a isso. Tudo menos serviço público de televisão.
A RTP tinha a resposta à notícia que aparecia em rodapé. Mas não apareceu no telejornal das oito da noite. Nem em imagens (que a RTP tem), nem mesmo em rodapé.
Podem chamar o que quiserem a isso. Tudo menos serviço público de televisão.
O Sporting fez bem
6 milhões de euros é muito dinheiro.
Mas o Izmailov, sobretudo dentro de campo, vale muito mais do que esses 6 milhões.
O Sporting fez bem em recusar essa proposta.
Mas o Izmailov, sobretudo dentro de campo, vale muito mais do que esses 6 milhões.
O Sporting fez bem em recusar essa proposta.
Foi hoje.
Foi hoje!
À meia-noite, na passagem de ano, pedem-se 12 desejos.
O meu primeiro desejo realizou-se hoje.
Foi uma vitória pessoal, na qual sempre acreditei muito.
Nas últimas três semanas, chorei, gritei, não fui ver o Sporting ao estádio, não jantei muitas vezes à mesa com a minha família, porque estava muito determinado a conseguir ter o dia feliz, que tive hoje.
Mesmo assim, poderia, e deveria ter sido, mais expressivo. Não foi, paciência.
Obrigado à Mafalda e ao Diogo, mas também ao João e à Vera. Sobretudo a eles. E eles sabem quem são.
Às vezes é preciso andarmos, por algum tempo, “às aranhas” para podermos saborear melhor uma boa vitória contra uma Theraphosa blondi gigante.
Realizado que está o primeiro desejo, esperemos que amanhã, ou nos próximos dias, se realize, já, o segundo. Que o Francisco nasça com saúde para uma vida longa e feliz.
À meia-noite, na passagem de ano, pedem-se 12 desejos.
O meu primeiro desejo realizou-se hoje.
Foi uma vitória pessoal, na qual sempre acreditei muito.
Nas últimas três semanas, chorei, gritei, não fui ver o Sporting ao estádio, não jantei muitas vezes à mesa com a minha família, porque estava muito determinado a conseguir ter o dia feliz, que tive hoje.
Mesmo assim, poderia, e deveria ter sido, mais expressivo. Não foi, paciência.
Obrigado à Mafalda e ao Diogo, mas também ao João e à Vera. Sobretudo a eles. E eles sabem quem são.
Às vezes é preciso andarmos, por algum tempo, “às aranhas” para podermos saborear melhor uma boa vitória contra uma Theraphosa blondi gigante.
Realizado que está o primeiro desejo, esperemos que amanhã, ou nos próximos dias, se realize, já, o segundo. Que o Francisco nasça com saúde para uma vida longa e feliz.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Uma espécie de Theraphosa blondi

Antes de mais, uma primeira nota, para dizer que esta imagem foi escolhida porque sei que há muita gente que tem pavor de aranhas e sendo a Theraphosa blondi a maior tarântula do mundo, fui sensível ao ponto de escolher uma imagem um pouco bem mais simpática do que a que apareceria, se eu pusesse mesmo uma imagem de uma tarântula dessa espécie.
Outra nota complementar, para explicar o título. Na verdade, fui à internet à procura de um animal que fosse o maior dentro da sua espécie, que usasse as suas características para fazer mal aos outros, sem que os matasse. Encontrei a Theraphosa blondi que, apesar de ser (relativamente) enorme e amedrontadora (para a maioria das pessoas), não consegue, com o seu veneno, matar um ser humano. Quanto muito causa náuseas ou dores musculares. Enfim, podem consultar o wikipédia, que foi precisamente onde encontrei estas informações.
Fui procurar esse animal para fazer um texto sobre algumas coisas que se estão a passar. Feitas por homens. Contra outros homens. Homens no sentido amplo do termo. A comparação que farei daqui para a frente será, obviamente, forçada.
É que na verdade eu sei que uma tarântula dessas tem muitas patas, que utiliza para se alimentar. Eu sei que todas as tarântulas se alimentam (também) de seres da sua própria espécie. Sei que são venenosas e que não perdoam quem as ataca. Sei tudo isso. Mas os seus fins são outros. E nunca nenhuma Theraphosa blondi me tentou atacar.
Em Portugal, mesmo que não seja uma theraphosa blondi, há uma aranha com algumas semelhanças. Só que é gigante. E não utiliza as suas características para matar logo. A que existe por cá, o que quer é fazer morrer aos poucos, fazendo com que os seus alvos fiquem, quase desesperadamente, a lutar pela sua dignidade, pela sua honra, pelo seu bom-nome, pela sua própria liberdade.
Os alvos, ao contrário da theraphosa blondi, são humanos, que se quer fazer sofrer, à medida que o tempo passa e que se vai jogando o nome na lama.
Esta aranha de que falo, a que por cá existe, é diferente da theraphosa blondi original. Porque a aranha de cá ameaça primeiro e só depois, com os seus meios inúmeros, parte para o ataque.
Esta aranha muda as leis do jogo a meio do campeonato e faz com que essas leis se apliquem de forma que ou é retroactiva ou é discricionária, sem qualquer respeito por dois princípios: o da irretroactividade da lei (sobretudo aquelas que prevêem penalizações) e aquele outro que diz que a lei é igual para todos, não sei se estão a ver…
Atrevo-me a dizer que esta aranha é incompetente.
Esta aranha é mal-educada, não olha a meios para atingir os fins, agindo sempre de uma forma que, humanamente, não poderia ser mais violenta.
Esta enorme aranha age, as mais das vezes, de um modo eficaz.
Primeiro, cria um clima hostil (montado a partir de ódios pessoais) que, por assim ser, é incomportável do ponto de vista de um homem normal.
Depois, materializa a primeira ameaça da forma que acima referi. E ataca. Ataca mesmo.
Se há um alvo a abater, a aranha não o ataca só a ele. Quer logo destruir a família inteira.
Porquê? Por duas razões, creio eu.
Primeira, por causa da inveja que, sendo um sentimento feio, é bastante comum nas pessoas. E nessa aranha também.
Segunda, porque essa aranha não está sozinha. Tem muitas outras da mesma espécie por todo o Mundo e tem objectivos bem definidos.
Por cá, ela está em todo o lado. Nos tribunais, no Ministério Público, nos partidos políticos, na Assembleia da República, na comunicação social, nos clubes, nas empresas, nas escolas, nos hospitais, nas polícias, nas faculdades…
Às vezes, a aranha diz que é religiosa. Mas, se tem alguma religião de verdade, deve então ser uma daquelas mais modernas que promove as guerras e que não pensa em derrotar adversários. Pensa logo em destruí-los.
Se alguém quer denunciar essa aranha e os comportamentos obscenos, é imediatamente abafado. Abafado, calado e castigado.
Essa aranha pede desculpa por nos fazer um reparo e, logo a seguir, insulta-nos.
Ela ri-se de nós porque tem a consciência de que tem tudo para nos vencer.
De vez em quando, quando os seus adversários têm um pouco mais de visibilidade, essa aranha também faz sondagens e põe notícias nos jornais.
Nada mais nos resta, senão o sacrifício total e a cobardia de, de vez em quando, termos de ser bem-educados com essa aranha gigante.
Por aqui me fico agora. Consciente de que vencer esta pequena batalha é uma missão difícil. Mas a tentar convencer-me de que não há guerras irremediavelmente perdidas.
O resto guardo comigo. Comigo, com dois amigos, duas amigas e com uma colega.
Tinha de registar este momento grave que se está a passar. Peço desculpa aos leitores que, certamente, pouco perceberão desta história.
Resta-me pedir desculpa às theraphosa blondi. Porque as trouxe injustamente ao assunto. E também porque, comparando com esta enorme aranha, as theraphosa blondi acabam por ser animais meigos, dóceis e sem grande poder.
E só espero que aqueles que ainda não se deixaram cair nessa teia não deixem, nunca, de ter bom-senso. Espero que não haja cedências a chantagens ou pressões. E seria absolutamente maravilhoso, se eu viesse a descobrir que a aranha não tem mau-perder. Gostava muito que assim fosse. Ou que, pelo menos, as derrotas não fossem uma boa razão para agir, novamente, ainda com mais força.
Se isso acontecer, viverei daqui por alguns dias um momento pessoalmente muito feliz. E se vier a acontecer (como espero ansiosamente), o que aconteceu só irá ser reconhecido pelas cinco pessoas de que há pouco falei.
Que assim seja.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Boa pergunta
José Sócrates esteve hoje presente durante o debate do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
À saída falou sobre o debate e sobre aquele que pensava ter sido um dia histórico.
Logo de seguida, o repórter da SIC fez uma pergunta ao Primeiro-Ministro.
Perguntou ele: "e os números do desemprego, sr. Primeiro-Ministro?".
Boa pergunta!
Mas Sócrates, como em todas as boas perguntas que lhe são feitas, não respondeu e foi-se embora.
À saída falou sobre o debate e sobre aquele que pensava ter sido um dia histórico.
Logo de seguida, o repórter da SIC fez uma pergunta ao Primeiro-Ministro.
Perguntou ele: "e os números do desemprego, sr. Primeiro-Ministro?".
Boa pergunta!
Mas Sócrates, como em todas as boas perguntas que lhe são feitas, não respondeu e foi-se embora.
Grave
O que se está a passar na Assembleia da República é grave.
É grave porque a Assembleia é a Casa da Democracia, onde são representados os cidadãos.
É grave porque a Casa da Democracia desprezou aqueles que deveria representar. Aqueles que, em três semanas, conseguiram arranjar mais de 90 mil assinaturas.
Mas é ainda mais grave do que isso.
Fala-se, na AR, de discriminação.
Fala-se no sentido errado. Porque foi a esquerda que discriminou. Discriminou um número enorme de portugueses que quer referendar o casamento gay.
E, assim, a esquerda vai aprovar, contra a vontade popular, uma alteração a um pilar da sociedade.
Vão aprovar com total desprezo por um direito que os cidadãos têm. Direito que estes exerceram.
Vão aprovar, impedindo um direito que o povo também tem. E que queria exercer.
Esses dois direitos estão na Constituição. E talvez fosse útil, para uma maioria de deputados, um regresso à vida universitária, para, em Direito Constitucional e Direitos Fundamentais, pelo menos ter uma pequena noção da interpretação que deve ser dada ao Princípio da Igualdade.
E vão aprovar, proibindo a liberdade de voto aos deputados, numa questão que tem que ver, quase exclusivamente, com a consciência de cada deputado.
Pior do que isso é, na mesma bancada, alguns terem liberdade de voto e outros não.
Não deixa de ser curioso que quem ataca os outros por quererem casamentos de primeira e casamentos de segunda, promova a divisão, na sua própria bancada, entre os deputados de primeira e os deputados de segunda.
Vá lá alguém perceber isto.
É grave porque a Assembleia é a Casa da Democracia, onde são representados os cidadãos.
É grave porque a Casa da Democracia desprezou aqueles que deveria representar. Aqueles que, em três semanas, conseguiram arranjar mais de 90 mil assinaturas.
Mas é ainda mais grave do que isso.
Fala-se, na AR, de discriminação.
Fala-se no sentido errado. Porque foi a esquerda que discriminou. Discriminou um número enorme de portugueses que quer referendar o casamento gay.
E, assim, a esquerda vai aprovar, contra a vontade popular, uma alteração a um pilar da sociedade.
Vão aprovar com total desprezo por um direito que os cidadãos têm. Direito que estes exerceram.
Vão aprovar, impedindo um direito que o povo também tem. E que queria exercer.
Esses dois direitos estão na Constituição. E talvez fosse útil, para uma maioria de deputados, um regresso à vida universitária, para, em Direito Constitucional e Direitos Fundamentais, pelo menos ter uma pequena noção da interpretação que deve ser dada ao Princípio da Igualdade.
E vão aprovar, proibindo a liberdade de voto aos deputados, numa questão que tem que ver, quase exclusivamente, com a consciência de cada deputado.
Pior do que isso é, na mesma bancada, alguns terem liberdade de voto e outros não.
Não deixa de ser curioso que quem ataca os outros por quererem casamentos de primeira e casamentos de segunda, promova a divisão, na sua própria bancada, entre os deputados de primeira e os deputados de segunda.
Vá lá alguém perceber isto.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Tiques
1. Um grupo de deputados socialistas reuniu com o secretário-geral do partido para debater e tomar uma decisão em relação à liberdade (e sentido) de voto do casamento e adopção por parte de pessoas homossexuais. Contudo, esta reuniu não teve lugar nem na sede do PS, no Rato, nem em qualquer restaurante ou hotel. Ocorreu em S. Bento, residência oficial do Primeiro-Ministro, com direito a almoço e tudo.
2. Nessa reunião foi imposta a disciplina de voto, sendo que nenhum daqueles que verdadeiramente acredita e quer aquilo que vai decidir poderá votar em consciência, o que constitui uma manifestação clara da imposição do pensamento único.
3. Os socialistas irão votar contra uma proposta de referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo que foi assinada por mais de 90 mil pessoas, negando, aos portugueses, o direito ao voto sobre uma matéria importante da forma como se organiza e estrutura a própria sociedade, direito ao voto que foi pedido pelos próprios portugueses.
2. Nessa reunião foi imposta a disciplina de voto, sendo que nenhum daqueles que verdadeiramente acredita e quer aquilo que vai decidir poderá votar em consciência, o que constitui uma manifestação clara da imposição do pensamento único.
3. Os socialistas irão votar contra uma proposta de referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo que foi assinada por mais de 90 mil pessoas, negando, aos portugueses, o direito ao voto sobre uma matéria importante da forma como se organiza e estrutura a própria sociedade, direito ao voto que foi pedido pelos próprios portugueses.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Os perigos da mistura entre a política e o futebol

Foi comentado na blogosfera, mas não tanto como a situação exigia.
Neste período de férias do campeonato espanhol, houve um jogo, na Catalunha, realizado no Camp Nou, estádio do Barcelona, entre a selecção argentina e uma selecção da Catalunha.
Foi um jogo transmitido, creio eu, para vários países do mundo, mas curiosamente, ao contrário do que eu esperava, não houve grandes reacções.
Numa altura em que se fala muito da intenção da Catalunha se tornar independente de Espanha, é censurável a aceitação por parte da Federação Argentina de Futebol para participar nesse jogo. Porque o que estava em causa era político.
Para ajudar à "festa", a Argentina levou uma equipa de segunda linha e a selecção da Catalunha ganhou o jogo.
Hoje fala-se que o presidente do Barcelona, que fez com que esse clube vencesse todas as competições, sendo campeão espanhol, europeu e mundial, tenciona candidatar-se à presidência da Catalunha e fazer com que seja, num futuro próximo, um Estado independente.
Se vier a acontecer, eis aqui um grande exemplo dos perigos que uma conjuntura de hegemonia no futebol podem causar politicamente.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Salvar o Jardim do Princípe Real

Ora aqui está uma boa causa do Facebook, a que aderi, eu e vários dos meus amigos.
Conta, neste momento, com mais de 4000 pessoas, mas este número cresce de dia para dia.
Ao contrário de outros temas, este não aparece nas primeiras páginas dos jornais nem abre os noticiários das televisões.
Os sucessivos atentados a Lisboa continuam a ser feitos. Pelo mesmo de sempre. Mas agora com a total cumplicidade de Roseta e Costa.
Lisboa tem sido incapaz de competir com outras cidades. Será que o caminho para fazer com que Lisboa volte a ser atractiva e competitiva é feito com campos de girassóis, com ciclovias e com abatimento de árvores em jardins históricos?
Já ouvi dizer que "está tudo maluco". Talvez esteja.
Porque cada vez fazem menos sentido as decisões tomadas por este executivo camarário. Haja alguém que ponha fim a isto. A bem de Lisboa!
Só o ano é que mudou - parte II
Esperei para ver as primeiras páginas dos jornais, para escrever sobre este assunto.
O Benfica recebeu e venceu ontem o Nacional da Madeira. Num jogo que, a julgar pelo resumo que vi, foi cheio de casos, de jogadas duríssimas e de más decisões da equipa de arbitragem favoráveis à equipa do Benfica.
Depois da vergonha da final da Taça da Liga do ano passado, esta competição não me motiva minimamente. Mas ontem, o que se passou no estádio da Luz, em directo para todos os portugueses, mostra bem como são decididos os jogos de futebol em Portugal.
Um penalty claríssimo dentro da área do Benfica, em que David Luiz atropelou um jogador do Nacional, um pontapé carregado de intencionalidade de Luisão a um jogador do Nacional (já sem bola!), um golo limpo anulado ao Nacional quando estava 0-0, uma entrada duríssima de Maxi Pereira sobre um jogador do Nacional, etc.! É evidente que, entre tantas situações, ficou, naturalmente, um jogador do Nacional por expulsar.
O Benfica ganhou o jogo, é certo. Mas, a jogar com menos um jogador (jogaria 9 contra 10), a perder por 1-0 e com um penalty a favor do Nacional, duvido que o Benfica fosse capaz de ter sequer empatado o jogo.
2010 começa como acabou 2009. Com o Benfica a ser levado ao colo. Com atentados sucessivos à verdade desportiva. Com uma Taça da Liga que é, simplesmente, vergonhosa. Para ser simpático.
No futebol português, só o ano é que mudou. Porque a "porcaria" continua a ser a mesma. E continua a ser branqueada por uma simples razão: o lucro!
O Benfica recebeu e venceu ontem o Nacional da Madeira. Num jogo que, a julgar pelo resumo que vi, foi cheio de casos, de jogadas duríssimas e de más decisões da equipa de arbitragem favoráveis à equipa do Benfica.
Depois da vergonha da final da Taça da Liga do ano passado, esta competição não me motiva minimamente. Mas ontem, o que se passou no estádio da Luz, em directo para todos os portugueses, mostra bem como são decididos os jogos de futebol em Portugal.
Um penalty claríssimo dentro da área do Benfica, em que David Luiz atropelou um jogador do Nacional, um pontapé carregado de intencionalidade de Luisão a um jogador do Nacional (já sem bola!), um golo limpo anulado ao Nacional quando estava 0-0, uma entrada duríssima de Maxi Pereira sobre um jogador do Nacional, etc.! É evidente que, entre tantas situações, ficou, naturalmente, um jogador do Nacional por expulsar.
O Benfica ganhou o jogo, é certo. Mas, a jogar com menos um jogador (jogaria 9 contra 10), a perder por 1-0 e com um penalty a favor do Nacional, duvido que o Benfica fosse capaz de ter sequer empatado o jogo.
2010 começa como acabou 2009. Com o Benfica a ser levado ao colo. Com atentados sucessivos à verdade desportiva. Com uma Taça da Liga que é, simplesmente, vergonhosa. Para ser simpático.
No futebol português, só o ano é que mudou. Porque a "porcaria" continua a ser a mesma. E continua a ser branqueada por uma simples razão: o lucro!
Ídolos
Peço desculpa pelo atraso. Porque, pelo que me tenho apercebido, fui dos últimos da blogosfera a falar sobre o programa "Ídolos" que procura novos talentos da música.
Isso não quer dizer que não deixe de acompanhar esse programa e que não agradeça, à SIC, por ter trazido, de novo, esta iniciativa para Portugal. Do mesmo modo que agradeço à TVI pela sua aposta constante na promoção de actores, comunicadores, cantores, etc.!
De facto, hoje, ao olhar para os candidatos e ao ver as suas actuações, apercebi-me que aquele grupo de sete pessoas, jovens, tinham atingido um patamar de qualidade em que é muito difícil escolher um deles para vencedor.
Qualquer um deles, ao seu estilo e com a sua personalidade, pode ganhar o programa. E todos eles, incluindo o próprio Salvador (que foi expulso), têm todas as características necessárias para conseguir uma boa carreira musical.
Hoje foi a segunda vez que votei num programa de televisão. A primeira vez que votei foi no Gonçalo Medeiros, um dos vencedores da "Operação Triunfo", que foi, com a Sofia e com o Francisco, ao Festival da Eurovisão.
Hoje votei na Carolina. Não por ser melhor do que os outros, porque todos são igualmente bons. Cada um à sua maneira. Votei na Carolina porque cantou uma música relativamente pouco conhecida, de uma banda que ainda menos conhecida é. Sempre com o seu ar divertido.
Falo do programa hoje, não só para o elogiar ou para elogiar os seus finalistas, mas para dizer que o grande desafio que se coloca às rádios, às televisões e às agências de música é o passo seguinte. Não chega mostrar o talento que existe. Não basta escolher o melhor entre os melhores.
Agora que entramos numa nova década, é preciso ganhar consciência de que há um longo caminho a percorrer neste passo seguinte. Caminho que terá de passar pela Assembleia da República, pelas rádios, pelas televisões, pelas agências de música e um pouco por cada um de nós.
O que a Carolina fez hoje, no "Ídolos" foi lembrar isso mesmo. Os deputados devem exigir que a música portuguesa passe com maior frequências nas rádios e nas televisões. E devem certificar-se que isso é cumprido.
Não se trata de impor às pessoas que ouçam o que não gostam. Trata-se de promover o talento que há (em abundância, ainda por cima!) por cá. Trata-se de uma medida cultural, que pode fazer mudar a própria cultura musical dos portugueses.
Onde é que estão os vencedores da Operação Triunfo? Não tinham talento para passar nas rádios?
E os finalistas da primeira edição do "Ídolos"? Eram assim tão maus?
Será que não há quem saiba compor boas músicas para esses cantores?
Aqui está um desafio interessante para esta nova década.
Trata-se do passo seguinte. Que está por dar. Mas que merece ser dado. Antes de 2020.
Isso não quer dizer que não deixe de acompanhar esse programa e que não agradeça, à SIC, por ter trazido, de novo, esta iniciativa para Portugal. Do mesmo modo que agradeço à TVI pela sua aposta constante na promoção de actores, comunicadores, cantores, etc.!
De facto, hoje, ao olhar para os candidatos e ao ver as suas actuações, apercebi-me que aquele grupo de sete pessoas, jovens, tinham atingido um patamar de qualidade em que é muito difícil escolher um deles para vencedor.
Qualquer um deles, ao seu estilo e com a sua personalidade, pode ganhar o programa. E todos eles, incluindo o próprio Salvador (que foi expulso), têm todas as características necessárias para conseguir uma boa carreira musical.
Hoje foi a segunda vez que votei num programa de televisão. A primeira vez que votei foi no Gonçalo Medeiros, um dos vencedores da "Operação Triunfo", que foi, com a Sofia e com o Francisco, ao Festival da Eurovisão.
Hoje votei na Carolina. Não por ser melhor do que os outros, porque todos são igualmente bons. Cada um à sua maneira. Votei na Carolina porque cantou uma música relativamente pouco conhecida, de uma banda que ainda menos conhecida é. Sempre com o seu ar divertido.
Falo do programa hoje, não só para o elogiar ou para elogiar os seus finalistas, mas para dizer que o grande desafio que se coloca às rádios, às televisões e às agências de música é o passo seguinte. Não chega mostrar o talento que existe. Não basta escolher o melhor entre os melhores.
Agora que entramos numa nova década, é preciso ganhar consciência de que há um longo caminho a percorrer neste passo seguinte. Caminho que terá de passar pela Assembleia da República, pelas rádios, pelas televisões, pelas agências de música e um pouco por cada um de nós.
O que a Carolina fez hoje, no "Ídolos" foi lembrar isso mesmo. Os deputados devem exigir que a música portuguesa passe com maior frequências nas rádios e nas televisões. E devem certificar-se que isso é cumprido.
Não se trata de impor às pessoas que ouçam o que não gostam. Trata-se de promover o talento que há (em abundância, ainda por cima!) por cá. Trata-se de uma medida cultural, que pode fazer mudar a própria cultura musical dos portugueses.
Onde é que estão os vencedores da Operação Triunfo? Não tinham talento para passar nas rádios?
E os finalistas da primeira edição do "Ídolos"? Eram assim tão maus?
Será que não há quem saiba compor boas músicas para esses cantores?
Aqui está um desafio interessante para esta nova década.
Trata-se do passo seguinte. Que está por dar. Mas que merece ser dado. Antes de 2020.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Curiosidade
Partindo do princípio que os jornais desta última semana falaram verdade, o jogador do Sporting que marcou o golo desta noite, que se revelou decisivo no resultado final, contra o Sporting de Braga só não é jogador do Sporting de Braga porque o Sporting de Braga não quis.
Aqui entre nós, sportinguistas, ainda bem que não quis. Porque Saleiro estava do lado certo, a fazer exactamente aquilo que tinha de fazer.
Era só uma curiosidade. Para dizer que a vida dá muitas voltas. E entre essas voltas, prega-nos umas partidas.
Pessoalmente, gostava muito que Carlos Saleiro ficasse no Sporting e fizesse muitos, muitos golos.
Aqui entre nós, sportinguistas, ainda bem que não quis. Porque Saleiro estava do lado certo, a fazer exactamente aquilo que tinha de fazer.
Era só uma curiosidade. Para dizer que a vida dá muitas voltas. E entre essas voltas, prega-nos umas partidas.
Pessoalmente, gostava muito que Carlos Saleiro ficasse no Sporting e fizesse muitos, muitos golos.
As entradas em 2010

Depois de um ano que será certamente recordado pela má gestão de silêncios e do timing para fazer declarações, o Presidente da República, na sua primeira intervenção do novo ano, conseguiu três objectivos.
Em primeiro lugar , conseguiu, pela dureza do discurso assumido, adequada à conjuntura nacional, tocar em quase todos os pontos-chave, que preocupam os portugueses. Assim sendo, aos olhos dos cidadãos, Cavaco demonstrou ser parte da solução.
Em segundo lugar, a eficácia na transmissão da sua mensagem de Ano Novo foi um duro golpe para aqueles que, ilusoriamente, aspiravam a uma vitória nas próximas Presidenciais.
E por fim, dignificou o Centenário da República.
É pena que o Governo e os socialistas não sigam os conselhos e aceitem as críticas feitas por Cavaco Silva. Ainda hoje recebi três e-mails, postos a circular pela net, a criticar ou levantar suspeitas sobre a pessoa do Presidente. É pena! Porque não há nada pior, tendo em conta as dificuldades actuais, do que sermos governados por uma série de pessoas arrogantes, vaidosas e conflituosas, quase todas elas pertencentes a um partido que convive mal com as regras democráticas e se dedica, exclusivamente, à paixão que tem pelo seu próprio ego.
Se os socialistas não mudarem rapidamente a sua postura, se não se dedicarem a governar de forma séria e responsável, se continuarem a "sacudir a água do capote", então não tenho dúvidas de que o cenário pode mesmo vir a ser explosivo para o país.
As noites do Miguel e a selecção

Eu sei que já foi no ano passado, mas não deixa de ser condenável e merecedor de consequências o comportamento do futebolista Miguel. Futebolista que prometeu muito, que foi grande aposta (apesar de ter sido noutra posição) do próprio José Mourinho. Que conseguiu dar o primeiro salto, ao trocar o Benfica pelo Valência. A partir daí, Miguel nunca justificou, em campo, a convocatória para a selecção nacional.
O que aconteceu na noite de Natal com o futebolista Miguel é, repito, condenável. E, volto a repetir, merece ter consequências.
É verdade que todos merecemos uma segunda oportunidade. Todos! Aliás, creio que o Pepe (apesar de ter sido devidamente castigado pelo que fez num jogo em Madrid) mereceu esta nova oportunidade. Mas, em relação ao Miguel, já não é a primeira vez que volta a ser protagonista de cenas nocturnas absolutamente reprováveis.
Não se levanta o esplendor de um país com jogadores que só são notícia pelas piores razões. Ainda por cima, por situações ocorridas longe dos relvados.
Se eu fosse seleccionador nacional, não o chamava para jogar o Mundial.
Bem pode passar o verão em Cruz de Pau a ver, pela televisão, os tiros (os outros!) dos seus compatriotas!
Só o ano é que mudou

Não sei se é uma característica dos portugueses, mas temos este hábito de vermos, em primeiro lugar, o lado mau da realidade.
No outro dia, numa viagem que fiz pelos meus links, vi uma votação para eleger o pior que aconteceu ao Sporting em 2009. Mas porquê o pior?
Ouço, todos os dias, reacções a discursos ou a intervenções em que, em vez de se aceitar os conselhos e as críticas, se entra logo numa lógica de conflito. Mas porquê?
Numa pausa que faço agora para descansar de horas seguidas de estudo intensivo, ligo a televisão e vejo que está a dar o "Eixo do Mal". Mas porquê do mal?
Bolas! Entrámos num novo ano, ouvimos ontem uma magnífica declaração do nosso Presidente da República, não está na altura de cortar um pouco com o lado negativo do passado? Pelo menos, no que for possível!
Será que nos temos de render ao pessimismo daqueles que, por serem (demasiado) pessimistas, têm sempre tempo de antena?
Eu não queria ser como o engenheiro Sócrates. Aliás, de comum, apenas teremos o facto de nenhum de nós ser verdadeiramente engenheiro! Não queria falar, nem ouvir falar, de um país das maravilhas que não existe. Mas começou agora um ano novo, logo depois de uma quadra natalícia, e será que temos de gramar sempre com a mesma coisa?
Quando é que a SIC Notícias muda o "Eixo do Mal" para o Eixo do Bem e substitui a fanática e os fanáticos que lá estão por pessoas mais independentes, que possam promover um debate político interessante e de bom humor? Já chateia esta aversão que estas pessoas têm a algumas pessoas do PSD! Já não se aguenta esta obsessão que têm por algumas pessoas, que fazem entrar sempre no debate de forma completamente descontextualizada!
Tinham um óptimo programa na "SIC Mulher", que era o "Prazer dos Diabos", feito por pessoas do humor e muito mais independentes. Pelo menos não eram nem loucos nem fanáticos.
Agora estamos condenados à banalidade, à mediocridade e aos fundamentalismos. Na política, na Justiça, na comunicação social...
E que grande oportunidade, esta que se desperdiçou para mudar a grelha!...
O ano mudou. De 2009 para 2010. O resto, infelizmente, continua igual. E agora só me resta mesmo mudar de canal!
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