sexta-feira, 6 de novembro de 2009

As várias faces de José Sócrates


Sócrates, 1ª parte - o salvador da Pátria, que iria inovar e modernizar o País;
Sócrates, 2ª parte - o animal feroz na arrogância de uma maioria absoluta;
Sócrates, 3ª parte - suave e meigo, pedindo uma maioria absoluta;
Sócrates, 4ª parte - repetição da 2ª parte, mas sem a maioria absoluta.

Sócrates I - culpa a oposição pelo estado do País e diz-se vítima de uma governação falhada (de 2 anos e meio) do passado;
Sócrates II - atira as culpas do estado do País para a crise internacional;
Sócrates III - responsabiliza a oposição por não conseguir governar e, por esse motivo, não conseguir melhorar o estado do País.

Quem aterre neste país e ouça falar José Sócrates irá pensar que Sócrates chegou agora ao Governo. É que foram quatro anos e meio, vai agora para um segundo mandato. Entretanto, assumiu diversos papéis, vestindo a pele de diferentes personagens. Umas boas, outras más. Mas, entre todas elas, há uma coisa em comum: é que, em todas as partes, em todas as faces, em todos os momentos, Sócrates nunca assumiu a responsabilidade pelo estado em que o país se encontra mergulhado.

Os méritos de Paulo Bento



Paulo Bento foi parte uma equipa campeã nacional, em 2001/02, enquanto jogador.

Assumiu o comando técnico do Sporting numa altura em que a equipa estava ainda ressentida de uma semana negra, em que tinha perdido o campeonato e a Taça Uefa.
O campeonato tinha sido perdido nos últimos minutos de um jogo no estádio da Luz. A Uefa foi perdida porque a bola bateu duas vezes no poste e, no contra-ataque, os russos do CSKA sentenciaram a partida.
A Paulo Bento foi pedido que pegasse numa equipa deprimida e foi aí, nesse primeiro ano, que a equipa jogou melhor futebol.

Sem recursos, alguns dos indiscutíveis jogadores que o Sporting tem, que são da sua formação, foram apostas claras de Paulo Bento. Jogadores jovens que serão, certamente, mais-valias para a selecção nacional. E esses méritos, mais tarde ou mais cedo, irão ser reconhecidos por todos. Principalmente aqueles que, nesta fase difícil, não hesitaram em apontar a Paulo Bento o caminho para a porta de saída.

O principal problema que tem levado às péssimas exibições da equipa do futebol reside no facto do Sporting ser hoje um clube de perdedores conformados. Sem recursos financeiros, sem investir no futebol durante vários anos seguidos, Paulo Bento não teve a oportunidade de treinar um plantel equilibrado, quantitativa e qualitativamente, como os planteis que, neste momento, têm o Benfica, o Porto e Sporting de Braga que são, neste momento, as equipas que melhor futebol jogam em Portugal.

Claro que Paulo Bento cometeu erros. Toda a gente reconhece isso. Pôs jogadores fora da sua posição, insistiu num modelo táctico aparentemente esgotado, não apostou definitivamente num avançado para acompanhar Liedson. Mas, tirando Izmailov (que disse que queria sair se Bento deixasse de ser treinador do Sporting), Vukcevic (que Bento recuperou) e Matias Fernandez, Paulo Bento, em quatro anos, não teve mais nenhum reforço. As suas escolhas estavam limitadas ao que havia no plantel. E o que havia no plantel era demasiado fraco para se poder ambicionar ser campeão nacional.

Sem recursos, ganhou duas Taças de Portugal, duas Supertaças e sabe Deus por que razão não ganhou uma Taça da Liga. Nunca ganhou o campeonato, ficando sempre atrás de um Porto que vive a estabilidade de um trabalho começado há décadas, com jogadores que têm o nível do que de melhor há por essa Europa fora.

Por isso, estou convencido que Paulo Bento não era parte do problema do Sporting. Os jogadores sabem isso. Os dirigentes também. Por isso, no treino que se seguiu ao conhecimento da demissão, Veloso surge abraçado a Bettencourt. E por isso, Moutinho ou Derlei defenderam o treinador no início desta semana. Para alguns jogadores, perdendo Paulo Bento, o Sporting perde tudo.

Vai ser difícil ultrapassar esta altura crítica. Mas que seja aproveitada para expurgar a mediocridade, procurar mais-valias no mercado, encontrar um treinador que seja pacífico, capaz de motivar o plantel e de nos incutir, a todos, uma cultura de ainda maior exigência e ambição.

A Paulo Bento não se poderia exigir mais. Exigia-se mais de Pedro Barbosa e até, porventura, do presidente eleito, no qual reitero a minha confiança.

Daí resulte o facto de eu pensar que o Sporting tem gente a mais e gente a menos. Espero que esta altura seja aproveitada para resolver esses dois problemas.

Por isso, sinto-me na obrigação de agradecer a Paulo Bento a defesa que fez dos seus jogadores e do Sporting Clube de Portugal, os títulos conquistados (que foram os possíveis) e o serviço prestado. E faço-o com a convicção de que, mais tarde ou mais cedo, este trabalho (de segurar o barco e de fazer omoletes sem ovos) será reconhecido pacífica e unanimemente.

Ao Paulo Bento, além do agradecimento, desejo as maiores felicidades para o seu futuro.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Já nada me surpreende

Infelizmente, já nada me surpreende. Nem mesmo as cenas de pancadaria.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Uma Grande Mulher


Tenho lido as notícias do PSD com alguma revolta.
Porque, aparentemente, para algumas pessoas, o PSD não tem líder.
Na verdade, sabemos que assim não é. O PSD tem uma líder, que tem a legitimidade para a ser, que lhe foi dada directamente pelos militantes do Partido.
Também sabemos que irão haver eleições directas para a liderança do Partido, as quais se realizarão, provavelmente, até Maio próximo. Para essas eleições, provavelmente, Manuela Ferreira Leite não se irá recandidatar.
Por isso, estou à vontade para escrever sobre a liderança de Ferreira Leite. Porque, na qualidade de militante social-democrata, lhe estou profundamente grato.
Não devemos esconder as condicionantes que, a priori, Manuela Ferreita Leite tinha. Mesmo assim, candidatou-se para a liderança do PSD. E não o fez por ela. Fê-lo pelo Partido. E pelo País.

Percorreu o país em três actos eleitorais e revelou uma energia que se evidenciou em algumas das suas aparições públicas, como aquela participação no Gato Fedorento que terá, certamente, surpreendido todos os portugueses.

Reconheço o esforço de Ferreira Leite. A quem agradeço.

E agradeço porque foi a número um de um grupo de portugueses que, numa altura em que o endividamento era de cerca de 100% do Produto Interno Bruto, se opôs a que o País agravasse essa situação, avançando para um novo aeroporto internacional, para uma nova auto-estrada entre Lisboa e o Porto, para uma nova ponte sobre o Tejo e para o TGV.
Esse grupo de portugueses não foi, todavia, contra as obras públicas. Apenas defendia a suspensão de algumas dessas obras, que fossem megalómanas, possivelmente não-reprodutivas, e que condicionassem (ou, porventura, hipotecassem) o futuro dos nossos jovens.

Agradeço também porque, na defesa de algumas ideias desse grupo de pessoas (no qual me incluo), não recorreu a nenhuma espécie de hipocrisia barata ou demagogia fácil.

Agradeço porque, corajosamente, não foi susceptível a nenhum tipo de pressão. Falou o que quis falar. Disse o que quis dizer. Fez o que queria fazer. Custasse o que custasse. Por exemplo, escolheu Pedro Santana Lopes para candidato a Lisboa. Soube pôr de lado as diferenças de estilo e escolheu o melhor candidato que o PSD tinha para a principal Câmara do país.

Agradeço porque foi assumiu como bandeira principal do PSD a ajuda, necessária, às pequenas e médias empresas, responsáveis pela esmagadora maioria dos empregos. Entre todas as outras ideias-chave do Compromisso de Verdade, com o qual o PSD se apresentou às legislativas. Por exemplo: a extinção do pagamento especial por conta; revisão da política fiscal no sentido corrigir algumas injustiças a nível social; a valorização da agricultura; a defesa de uma política sustentável no sector das pescas; extinção das taxas moderadoras para internamento e cirurgias; reforço das formas céleres do processo penal, na prevenção e combate à corrupção; potencialização da coordenação entre as várias forças policiais, entre tantas outras medidas a que o PSD se propôs tomar, caso viesse a ser chamado a governar.

Infelizmente (creio eu) para o País, o PSD perdeu as eleições. Mas restaurou alguma credibilidade e demarcou-se das políticas-chave da governação socialista. E foi por isso, só por isso, que aquela ideia de Bloco Central, falada a meses das eleições, deixou de ser hipótese logo que Manuela Ferreira Leite apresentou o seu Programa e defendeu as suas ideias essenciais. Por isso, também lhe estou grato.

Perdemos as eleições. Mas defendemos aquilo que estava certo. Sempre com ruídos de fundo daqueles que não queriam o sucesso do PSD. Mesmo vindo daqueles que militam neste Partido.

O PSD continua a ser um Partido cheio de diferenças internas. Simplesmente porque é transversal na sociedade portuguesa. Mas deixou de haver dois polos. Deixámos de ser vistos como uma metade que luta contra outra metade. Há diferenças. Mas agora, que Sócrates perdeu a sua maioria absoluta e estando o PSD com mais deputados na Assembleia da República, estamos muito mais perto de ser governo do que Sócrates de ter uma nova maioria absoluta. E se isso é assim, também a Manuela Ferreira Leite o devemos.

Mais ainda quando as sondagens, até aos ruídos de fundo e a um caso que aconteceu a uma semana das eleições, davam empate técnico com tendência para crescimento do PSD.

Façam-se os jogos de bastidor que se quiserem, avance quem quiser, diga-se o que se disser, mas eu não poderia partir para um novo ciclo sem agradecer e sublinhar a importância que teve, para o Partido e para o País, esta Grande Mulher.

Perseguição e má fé

É o que tem acontecido.
Ninguém se sente bem quando põem em causa a palavra das pessoas. Sobretudo quando as pessoas são sérias e educadas.
Ninguém se sente bem num sítio onde existe uma manifesta má fé.
Ninguém se sente bem num sítio onde as mudanças são feitas com o fim claro de acabar com o trabalho que as pessoas fazem à comunidade. Provavelmente suportados por fins políticos e com ódios pessoais.
Os ideais católicos promovem a aceitação, a tolerância e o sacrifício no sentido de servir o nosso mundo. E uma católica que não pensa assim, que persegue, que tem má fé, que põe em causa a palavra de uma pessoa séria é católica só de nome. E com letra pequena.
E têm sido comportamentos de católicos como estes, que o são só de nome, que têm afastado cada vez mais pessoas da religião. Afastamento que tem dado origem a um apodrecimento da sociedade, que tem perdido muitos dos valores. Valores esses em que a religião, anteriormente, tinha ajudado a incutir nas pessoas.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Jorge


Conheci o Jorge desde que chegou a casa da Mafalda.
Vi a Mafalda e a tia a preparar o leite para ele beber. Para se tornar num gato ainda mais bonito, ainda mais saudável.
Vi o Jorge brincar sempre no seu jeito reguila, próprio de quem está sempre à espera de uma razão para fazer asneiras.
Era tão normal estacionar o carro, olhar para a janela da cozinha e ver o Jorge, ali, a olhar para a rua. Era tão normal ver o Jorge sair sorrateiramente de casa logo que eu entrava, para arranhar o tapete da entrada. Era tão normal ver o Jorge passar por mim quando eu abria a porta da varanda para se empoleirar ao pé das flores. Era tão normal ver o Jorge deitado num degrau das escadas de São Martinho enquanto eu via televisão…
Era ainda mais normal ver o Jorge deitado no bidé sempre que eu ia à casa de banho, mortinho para que alguém abrisse uma torneira para fazer aquilo que ele mais adorava. Porque o que Jorge gostava era de brincar com a água. Com a água da torneira, com a água do bebedouro, com a água da piscina de São Martinho.
A mesma normalidade como aquela em que, alguns dos dias em que dormi em São Martinho, dormi com o Jorge.
Por todos esses actos tão normais da minha vida, partilho a dor dos donos do Jorge. Que nos deixou de uma forma tão normal como precoce.
Resta-me a mim recordar as brincadeiras do Jorge com as bolas saltitonas, as malandrices que ele fazia, principalmente quando, inesperadamente, fugia de casa.
De facto, é um privilégio ter este dom raríssimo que é estar vivo. É uma oportunidade única. E há poucos momentos na vida tão bonitos como aqueles minutos, aparentemente normais, em que o Jorge, deitado, ronronava de felicidade.
À Mafalda, à Mariana e aos tios queria dar um beijinho de força.
Vai ser sobretudo naqueles momentos mais normais da minha vida que vou sentir a falta e a dor da perda de um amigo felino que eu tive.

Sentirei saudades tuas, Jorge. Até um dia.

Estado de espírito



"Com a saída dele o clube perderia tudo" (João Moutinho)
“Se Paulo Bento sair também não quero ficar” (Izmailov)

São estados de espírito, que revelam bem o que se sente no balneário do Sporting: eles entregam-se ao máximo, por eles, pelo Sporting, mas também pelo seu treinador.
É pena que, além de Patrício, Carriço, Veloso, Moutinho, Izmailov e Liedson, não existam muitos jogadores que combinem a qualidade com a vontade de jogar. Porque qualidade sem vontade não se torna produtiva, e vice-versa.
Ainda há quem permaneça unido ao tempo em que se fazem ataques terroristas contra o Sporting. E isso é de louvar.
Só é pena que o Sporting não tenha melhores jogadores, para poder somar a esses seis. Se os tivesse, seriamos muito mais fortes. Agora há que saber porque não os tem. E de fazer as mudanças necessárias de forma a trazê-os para o clube.

domingo, 1 de novembro de 2009

O momento do Sporting, hoje


Não estou nada convencido de que Paulo Bento seja parte do problema do Sporting.
Porque não estou nada seguro de que exista outro treinador capaz de fazer melhor com uma ala direita que se resume a Abel, Pereirinha e Pedro Silva, com uma ala esquerda que não tem ninguém além de Grimi e André Marques, com uma defesa que, além de Daniel Carriço, não tem outro jogador de qualidade. Pelo menos da qualidade que se exige de uma equipa que quer ser campeã nacional.
Um novo treinador olhará para o banco e não verá mais que Adrien, Angulo, Saleiro, Grimi ou Pedro Silva. Um novo treinador olhará para o plantel e ver-se-á forçado a ter de pôr Tonel, André Marques, Abel, Pereirinha e Postiga no onze inicial.
Mesmo que venha um treinador, que traga um novo esquema táctico, não há nenhum esquema que sobreviva com apenas um grande jogador na defesa, com quatro ou cinco jogadores no meio-campo e com dois bons avançados.

Se não fosse a infelicidade de sofrer um golo no último minuto em Guimarães e do remate do Caicedo ao poste no jogo de hoje, o que eu pensaria é que Paulo Bento, sem ovos, tinha feito omoletes. Que, nesse caso, seriam mais quatro pontos. E não posso ter um pensamento diferente por causa de dois lances.

Isto não põe em causa as mudanças que julgo urgentes na estrutura de futebol. Que devem começar pela substituição imediata de Pedro Barbosa. Os sportinguistas querem saber por que razão Hugo Viana não está no Sporting. Os sportinguistas querem saber por que razão Quaresma, que não é opção no Inter, não está em Alvalade. Os sportinguistas querem saber por que razão alguns empresários de promessas brasileiras não chegam a entrar na academia para negociar com Pedro Barbosa.

A questão do Hugo Viana é flagrante. Porque o Sporting não o quis. Vinha emprestado. E acabámos por contratar um Angulo a caminho dos 33 anos e sem ritmo competitivo. Aí a ausência de recursos financeiros não é justificação.

E isto para não falar da forma como o Sporting não consegue vender alguns dos seus jogadores que têm qualidade. Dos quais Stojkovic é o maior exemplo.

O que é certo é que o sétimo lugar reflecte apenas o valor deste plantel. Assim de repente, vejo que equipas como Porto, Benfica, Braga, Marítimo e Nacional têm, de facto, um plantel muitíssimo mais equilibrado do que o nosso.

Carlão, Hugo Viana, Manuel da Costa e Quaresma são quatro nomes dos quais se falou. E que falta fazem ao Sporting!...Eles e mais dois bons laterais. Aí sim, poderíamos dizer que tinhamos uma equipa capaz. Porque não temos. E se não temos as culpas são de Barbosa. Restam saber em que medida. Mas seja ela qual for, deixou de haver razões para Pedro Barbosa continuar a ser director-desportivo do Sporting. Caso contrário, não irão haver também condições para manter o seu treinador.

Sobre uma manifestação de desagrado que houve hoje em Alvalade, o que digo é que o Sporting não são aqueles que cantavam. O Sporting somos todos.

Reitero a confiança no presidente, que ajudei a eleger. Numa eleição que não deixou margem dúvidas. E não é uma "minoria absoluta" de pessoas que vai calar a voz inequívoca de noventa por cento de sócios. Porque uma coisa é o Sporting não ganhar. Outra coisa é o Sporting poder deixar de existir. E enquanto o Sporting vive, a lenda continua.

Viva o Sporting.

Aparte

Em algumas das ruas ao pé da Universidade Católica, notei, na semana passada, que estava escrito "amo-te", em branco, no meio da estrada.
A primeira vez que vi essa palavra escrita na estrada, a palavra estava mesmo à frente das janelas de um prédio de habitação. Pensei: será possivelmente uma declaração de amor, original.
Mais à frente, perto da Clínica Malo, estava outra vez "amo-te" escrito no meio da estrada.
De quinta para sexta-feira, na avenida dos Bombeiros Voluntários de Algés, mesmo em frente do nº69 da avenida, estava também escrito "amo-te". "Amo-te" e "quero-te".
Todas estas demonstrações de amor revelam que, além de sermos um país apaixonante, somos também um país cheio de gente apaixonada.

sábado, 31 de outubro de 2009

Dia dos Bês e dos Cês

Bês - Benfica- Braga

Não acho que o Braga-Benfica de hoje seja um jogo daqueles que toda a gente quer que comece.
É apenas mais um jogo. Entre as duas equipas que jogam melhor futebol, mas que estão, as duas, em dois universos distintos.
O Benfica gastou dezenas de milhões de euros para ter uma equipa capaz de lutar pelo título. O Braga limitou-se a fazer melhorias num plantel que vem sendo construído há vários anos e que é muitíssimo equilibrado.
Por isso, o meu prognóstico é simples: acho que o Benfica vai ganhar. E que vai ganhar com clareza. Não se poderia exigir outra coisa de um clube que gasta o que o Benfica tem gasto.

Cês - Contas


Para um adepto irracional, as contas são apenas um problema, ao qual não se deve dar importância. O que interessa é que a nossa equipa ganhe. Seja com golos de mão ou em fora-de-jogo.
As contas do Sporting preocupam bastante quem dirige e quem é adepto do Sporting. Dessas já temos falado e ouvido falar vezes sem fim.
Mas as contas do Benfica não deixam de ser assustadoras. Com um prejuízo de cerca de 35 milhões de euros registado no ano passado, o Benfica, que não conta com as receitas da Liga dos Campeões, tem, nas finanças, um problema para o seu futuro. Que só com presenças e muitas vitórias na maior competição de equipas da Europa poderá compensar. Ou com a venda de jogadores.
Não acho que a situação seja, para já, alarmante, porque se o Benfica continuar a vencer, poderá encaixar centenas de milhões de euros em quatro ou cinco dos seus jogadores. Porque estão de facto a ser rentabilizados.
Daí não ser, neste momento, alarmante o facto de vermos que o passivo da SAD encarnada ser superior ao activo. Mas o Benfica tem de continuar a massacrar os adversários. De forma a ganhar o campeonato, chegar à Liga dos Campeões e fazer bons negócios com alguns dos seus principais jogadores. Porque se esta onda não se mantiver, o Benfica poderá estar, agora, a hipotecar o seu futuro.

O poder do oculto



A suspensão do Jornal de Sexta, da TVI, chegou ao Parlamento Europeu.

Mas os socialistas ajudaram a chumbar a emenda apresentada por dois deputados europeus do PSD.
Como acontece, ou aconteceu no passado, noutros países, os socialistas portugueses não querem que se saiba lá fora o que acontece cá dentro. Por uma razão de imagem.
Compreendo-os. De facto, a suspensão do Jornal de Sexta depois dos insultos que o Primeiro-Ministro português lhe fez, a juntar-se ao caso "Freeport", ao caso "Casa Pia", e a tantos outros casos que envolvem socialistas não iriam dar boa imagem do nosso país lá fora.
Imagem muito afectada com o caso Maddie que, directa ou indirectamente, manchou a imagem do País ou com outros casos, como o do Apito Dourado.
Ou seja, a face portuguesa, no parlamento europeu, é oculta. E tenta ocultar o que se passa por cá.
A menos que quem governa queira fazer reformas profundas, também na Justiça, tudo devemos fazer para salvaguardar a nossa imagem no exterior. Caso contrário, mais dia menos dia, ninguém vem para cá investir o seu dinheiro. Menos ainda quando a carga fiscal está apertadíssima, comparada com a dos nossos vizinhos espanhóis.
Como as políticas são de plástico e não se fazem as reformas que o país precisa, as consequências são as que estamos a ver: varre-se o lixo para baixo do tapete e esconde-se a podridão.
Dizia-me um amigo na quinta-feita: "qualquer dia já há ninguém que queira pegar nisto e levar isto para a frente".
Pois, talvez ele tivesse a sua razão. Porque não se fazem as reformas. E continuamos condicionados ao oculto: primeiro, falou-se de campanhas ocultas contra a pessoa do Primeiro-Ministro, agora fala-se do caso "Face Oculta" e os socialistas portugueses tentam preservar a nossa imagem no estrangeiro recorrendo ao poder do oculto. Que, neste caso, é o poder de ocultar a podridão que se passa por cá.

Vou estar do lado certo...


Amanhã vou estar do lado certo.
Sei que estão a ser marcadas manifestações de protesto contra o futebol do Sporting.
Sei também da "campanha" dos lenços brancos.
Se tudo correr conforme os meus planos, amanhã vou também mais cedo para Alvalade.
Vou beber um copo com um amigo, comprar um cachecol novo (que seja talismã), entrar no estádio e apoiar a equipa do princípio ao fim. Independentemente dos protestos, vou estar do lado certo: a apoiar a equipa do meu coração, para que possamos, em conjunto, dar a volta por cima.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Lisboa tem mais sentido...

...agora que já sabe esta boa notícia.

Há cada vez mais razões...


Há cada vez mais razões para se ouvir música portuguesa. Feita por portugueses. Cantada na nossa língua.
Para isso, temos que comprar os cd's, que ir aos concertos, que obrigar as rádios a passar a boa música que, por cá, se faz.
Porque o trabalho que tem sido feito por novos valores da música merece ser apoiado. Pelo menos deve ser conhecido. E reconhecido.
Depois de ter feito o convite a todos para também virem a um concerto a que fui ontem, do João Só e Abandonados (que contou com sala cheia no Santiago Alquimista), aqui fica mais uma sugestão. Mais uma canção. Do Mendes, mas que é cantada também pel' "Os Azeitonas".
Vale a pena ouvir música em português. Porque, como se tem vindo a demonstrar, a música portuguesa tem cada vez mais qualidade.

Afinal era só "mais ou menos" a sério...


"Oeiras a sério, Oeiras a sério"...era assim em todos os cartazes. Era isso que eu ouvia, todos os dias, nos vários carros de som que o PS punha por estas ruas.
Houve até uma vez que acordei às 10 horas da manhã de um sábado com essa música na rua. Até falei disso, logo no momento, no twitter.
Lembro-me perfeitamente da apresentação da candidatura e dos notáveis socialistas que lá estavam.
Lembro-me também do dia em que Sócrates cá veio para uma arruada. Foi naquele dia dos confrontos.
Há uma parte do hino da campanha do PS de Oeiras que recordo agora: "Oeiras a sério, Oeiras a sério, melhorar o que está bem, o Marcos é mesmo a sério, melhorar o que está bem ou então ser indiferente, acreditar que é melhor, quem quer ser mais exigente".
Depois de contados os votos, verificamos que era tudo farsa. As vindas se Sócrates, a quantidade de notáveis socialistas que por cá andaram. Até o hino e o slogan de campanha. Porque só foi "a sério" durante seis meses. Depois tudo voltou ao normal. Nem Marcos Perestrello, cabeça-de-lista à Câmara Municipal, nem Vieira da Silva, cabeça-de-lista à Assembleia Municipal ficaram nos lugares para os quais foram eleitos.
Afinal não era mesmo a sério. Era só mais ou menos.
E o PS demonstrou que, na verdade, não quer nada com Oeiras.
Percebemos, agora, que o se passou em Oeiras foi apenas mais um insulto à democracia. Quase tão grande como aquele que o PS fez em Sintra e no Porto. Sempre com a devida resposta dos cidadãos locais.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O sexto mandamento do Sporting

"6. Nunca em público amesquinhes os actos de quem represente o teu Clube, roupa suja lava-se em família e o teu dever é criar em toda a parte, pelas tuas palavras e pelos teus actos, um ambiente favorável ao Sporting, enaltecendo-o;"

(José Salazar Correia, 1924)

Se há textos eternos, os mandamentos do Sporting, escritos por José Salazar Correia em 1924, são um exemplo disso. Porque 85 anos depois de escritos ainda há quem se reveja naquelas palavras.
Em 1924 como em 2009, o que o sportinguista deve sempre fazer em primeiro lugar é, publicamente, enaltecer sempre, mas mesmo sempre, o nosso querido Sporting.

O que o bom momento do Benfica tem evidenciado


Com a magnífica entrada do Benfica, que vai somando goleadas, são muitas as realidades que se estão a revelar.

Por exemplo, os "No Name" renasceram das cinzas. O que, podendo ser positivo por aumentar o apoio ao Benfica, não deixa de ser preocupante. Pela simples razão de que o grupo continua a ser ilegal e, ano após ano, não deixa de praticar actos criminosos: esfaqueamentos, roubos, além de terem, e isso importa relembrar, assassinado um jovem adepto do Sporting, em plenas bancadas do Jamor, há mais de uma dezena de anos.
No ano passado, falava-se de apoios a este grupo ilegal. Duvidei. Mas o que é certo é que, nas bancadas da Luz, este grupo ilegal de adeptos tem cada vez mais importância.

Quanto a Jorge Jesus, independentemente do sucesso desportivo que só revela que é um dos melhores treinadores portugueses, tem vindo a tornar ainda mais evidente a sua falta de educação. Que o impede, claramente, de treinar clubes com outras metodologias e valores.

No Sporting, era o que faltava que o líder do balneário fosse um pacóvio.

De resto, sempre defendi, aqui, que Scolari deveria ter sido despedido quando agrediu um jogador adversário. E sempre fui seguidor e apoiante do trabalho de Scolari enquanto treinador.

Porque um treinador não é só um treinador. Exige-se ao treinador, muitas vezes, o que, em algumas situações, não se pode exigir a um jogador. O treinador é um gestor de homens e deve ser tido, por todos, como um exemplo a seguir.

No último jogo, Jorge Jesus voltou a revelar a sua falta de educação. Em gestos que merecem ser alvo de castigo. Porque Paulo Bento foi, também ele, castigado por um gesto que fez sobre a arbitragem na final da Taça da Liga.

(Já quase nem importa relembrar que, no jogo contra o Monsanto, Jesus se virou para um jogador do Benfica e insultou-o, a dizer que era "tapado"!)

Não podemos ter, todos os fins-de-semana, além de penalties inventados e de expulsões inexplicáveis, um treinador que é, claramente, desencaminhador para os nossos jovens.

É que a UEFA castigou exemplarmente o Drogba. Que tinha razão para protestar. Mas, fazendo-o, não estava a dar o exemplo. E o futebol, pelo mediatismo que lhe é inerente, tem de dar o exemplo.

A Liga, já o disse, castigou o Paulo Bento. Pela linguagem gestual na final da Taça da Liga. E o protesto do treinador do Sporting, naquele momento, era compreensível. Mas não dava o exemplo e, por isso, o treinador foi castigado.

Nas duas primeiras jornadas desta Liga, Paulo Bento esteve de castigo. Por criticar uma arbitragem. O castigo entende-se. Mas surgiu tardiamente. Com prejuízo para o início da época do Sporting.

Não ponho em causa as vitórias do Benfica. Porque não merecem, a maioria delas, contestação. Mas a Justiça deve ser igual para todos.

Assim sendo, não vejo outra maneira. O Benfica deve ser castigado se continuar a ser conivente com uma claque ilegal e criminosa. O Aimar deve ser castigado pelas simulações que faz. Porque o 2-1 contra o Nacional surgiu de um penalty inventado. Porque o 2-1 contra o Leiria surgiu de outro penalty inventando. E tem sido assim sistematicamente. Principalmente quando o Benfica mais precisa. E Jorge Jesus, claro está, deve ser castigado pelo gesto feito ao treinador do Nacional.

O desporto deve ser encarado com desportivismo. E o futebol deve ser exemplar.

Fala-se muito desta onda de euforia na Luz. E encobre-se esta realidade. Ao mesmo tempo que se cria, também sistematicamente, um clima hostil para aqueles que trabalham no Sporting.

Por exempo, na última jornada, ouvi muitos assobios dos adeptos do Vitória de Guimarães. Queixavam-se de um golo que, pensavam eles, teria sido marcado em fora-de-jogo. Mas foi limpo. Tão limpo como o golo que Caicedo fez na primeira parte e que foi anulado. E que, possivelmente, faria com que o Sporting ganhasse o jogo.

Não pode haver ninguém acima da lei. Os criminosos devem ser impedidos de entrarem nos estádios, como se faz lá fora. Os simuladores devem ser punidos, como se faz lá fora. E quem é malcriado e assume comportamentos anti-desportivos deve ser exemplarmente punido, também como se faz lá fora.

Eu tenho estado atendo. E continuo à espera dos castigos. Porque com tanto teatro, parolice e anti-desportivismo, continuarei a seguir outros campeonatos e continuarei a ver os melhores jogadores portugueses irem brilhar...lá para fora.

Como diria um professor que está lá no norte, não há ninguém que pense o futebol português.

E não, não vou repetir as palavras, também elas reprováveis, de Manuel Machado.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vai valer a pena ir amanhã ao Santiago Alquimista!


Eu, pelo menos, vou lá estar. Às nove e meia da noite.
Vou ver e ouvir "João Só e Abandonados".
E convido toda a gente a aparecer lá amanhã. Vai valer a pena!