
Com a magnífica entrada do Benfica, que vai somando goleadas, são muitas as realidades que se estão a revelar.
Por exemplo, os "No Name" renasceram das cinzas. O que, podendo ser positivo por aumentar o apoio ao Benfica, não deixa de ser preocupante. Pela simples razão de que o grupo continua a ser ilegal e, ano após ano, não deixa de praticar actos criminosos: esfaqueamentos, roubos, além de terem, e isso importa relembrar, assassinado um jovem adepto do Sporting, em plenas bancadas do Jamor, há mais de uma dezena de anos.
No ano passado, falava-se de apoios a este grupo ilegal. Duvidei. Mas o que é certo é que, nas bancadas da Luz, este grupo ilegal de adeptos tem cada vez mais importância.
Quanto a Jorge Jesus, independentemente do sucesso desportivo que só revela que é um dos melhores treinadores portugueses, tem vindo a tornar ainda mais evidente a sua falta de educação. Que o impede, claramente, de treinar clubes com outras metodologias e valores.
No Sporting, era o que faltava que o líder do balneário fosse um pacóvio.
De resto, sempre defendi, aqui, que Scolari deveria ter sido despedido quando agrediu um jogador adversário. E sempre fui seguidor e apoiante do trabalho de Scolari enquanto treinador.
Porque um treinador não é só um treinador. Exige-se ao treinador, muitas vezes, o que, em algumas situações, não se pode exigir a um jogador. O treinador é um gestor de homens e deve ser tido, por todos, como um exemplo a seguir.
No último jogo, Jorge Jesus voltou a revelar a sua falta de educação. Em gestos que merecem ser alvo de castigo. Porque Paulo Bento foi, também ele, castigado por um gesto que fez sobre a arbitragem na final da Taça da Liga.
(Já quase nem importa relembrar que, no jogo contra o Monsanto, Jesus se virou para um jogador do Benfica e insultou-o, a dizer que era "tapado"!)
Não podemos ter, todos os fins-de-semana, além de penalties inventados e de expulsões inexplicáveis, um treinador que é, claramente, desencaminhador para os nossos jovens.
É que a UEFA castigou exemplarmente o Drogba. Que tinha razão para protestar. Mas, fazendo-o, não estava a dar o exemplo. E o futebol, pelo mediatismo que lhe é inerente, tem de dar o exemplo.
A Liga, já o disse, castigou o Paulo Bento. Pela linguagem gestual na final da Taça da Liga. E o protesto do treinador do Sporting, naquele momento, era compreensível. Mas não dava o exemplo e, por isso, o treinador foi castigado.
Nas duas primeiras jornadas desta Liga, Paulo Bento esteve de castigo. Por criticar uma arbitragem. O castigo entende-se. Mas surgiu tardiamente. Com prejuízo para o início da época do Sporting.
Não ponho em causa as vitórias do Benfica. Porque não merecem, a maioria delas, contestação. Mas a Justiça deve ser igual para todos.
Assim sendo, não vejo outra maneira. O Benfica deve ser castigado se continuar a ser conivente com uma claque ilegal e criminosa. O Aimar deve ser castigado pelas simulações que faz. Porque o 2-1 contra o Nacional surgiu de um penalty inventado. Porque o 2-1 contra o Leiria surgiu de outro penalty inventando. E tem sido assim sistematicamente. Principalmente quando o Benfica mais precisa. E Jorge Jesus, claro está, deve ser castigado pelo gesto feito ao treinador do Nacional.
O desporto deve ser encarado com desportivismo. E o futebol deve ser exemplar.
Fala-se muito desta onda de euforia na Luz. E encobre-se esta realidade. Ao mesmo tempo que se cria, também sistematicamente, um clima hostil para aqueles que trabalham no Sporting.
Por exempo, na última jornada, ouvi muitos assobios dos adeptos do Vitória de Guimarães. Queixavam-se de um golo que, pensavam eles, teria sido marcado em fora-de-jogo. Mas foi limpo. Tão limpo como o golo que Caicedo fez na primeira parte e que foi anulado. E que, possivelmente, faria com que o Sporting ganhasse o jogo.
Não pode haver ninguém acima da lei. Os criminosos devem ser impedidos de entrarem nos estádios, como se faz lá fora. Os simuladores devem ser punidos, como se faz lá fora. E quem é malcriado e assume comportamentos anti-desportivos deve ser exemplarmente punido, também como se faz lá fora.
Eu tenho estado atendo. E continuo à espera dos castigos. Porque com tanto teatro, parolice e anti-desportivismo, continuarei a seguir outros campeonatos e continuarei a ver os melhores jogadores portugueses irem brilhar...lá para fora.
Como diria um professor que está lá no norte, não há ninguém que pense o futebol português.
E não, não vou repetir as palavras, também elas reprováveis, de Manuel Machado.