sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Imagens que falam por si (VI)

Nota: Yes, we can!

"Senhoras e Senhores Deputados,

Para que nunca nos seja retirada a liberdade de termos a nossa cultura, para que nunca nos seja retirada a liberdade de virmos aos toiros e para que continuemos a ser um país de gente livre, é com grande honra e com enorme prazer que, em meu nome e em nome do Grupo de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo, lhes brindo esta minha pega!
Vai pelos Senhores e vai por todos nós aqui presentes!!”

(brinde do forcado João Caldeira aos Deputados, Lisboa, 29 de Setembro 2011)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Já não há mesmo "almoços grátis"


Até as rodelas de limão já custam mais que as acções do BCP.

Sondagens que falam por si


De acordo com o barómetro da Marktest para o Diário Económico e para a TSF, se as eleições fossem hoje, o PSD teria 47% dos votos, mais do dobro das intenções de voto no Partido Socialista.

Nota: Passaram apenas 100 dias desde a tomada de posse do novo Governo, e pouco mais de dois meses desde que tomou posse o "novo" PS.

Imagens que falam por si (V)


Primeira nota: Há quem diga que a corrida de toiros é um acto desleal. Quem o diz, não cria toiros. Jamais os criaria. A maior deslealdade ao toiro bravo seria condená-los à morte, extinguindo a espécie, não criando motivos para que se continuassem a criar, com dignidade, toiros bravos.
Segunda nota: Um dos direitos que temos é o direito à estupidez. Há quem o exerça das mais diversas maneiras. Uma delas é não se alimentar de animais. De forma estúpida e ignorante, alimentam-se, essas pessoas, de vegetais...como se os vegetais não fossem seres vivos.
Terceira nota: Se quem cria toiros bravos (abdicando de um espaço para lhe ceder todas as condições necessárias a uma vida digna, cujo fim termina no prato de cada um de nós) é visto como um criminoso, pela deslealdade ao toiro, quem se alimenta de vegetais é um assassino de seres vivos.
Quarta nota: Para não morrermos de fome, para que a espécie humana possa sobreviver, temos, muitas vezes, de ser desleais e cruéis.
Quinta nota: Quem não quer morrer de fome, quem não quer matar seres vivos, pois que se alimente de pedras.
Sexta nota: Quem pensa dessa maneira é, ele próprio, uma pedra.
Sétima nota: Ser pela festa brava é ser por todos aqueles que vivem ou sobrevivem por causa dela, é ser pelo toiro, pelo homem, pela tradição e por Portugal.
Oitava nota: Esta imagem foi "retirada" da página de Facebook da Frente de Acção Pró Taurina.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Imagens que falam por si (IV)


Nota: Passo a publicidade. Retirado do ABC do PPM.

50 anos


Há anúncios que não se esquecem. A voz, a música, as imagens. O Jackpot, o jogo grande, o Totobola.
50 anos depois, e em semana de jogo grande, o Totobola está de parabéns.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A minha identidade desportiva


Estive, obviamente, em todos os momentos que este vídeo relata. E a estes junto outros, como a remontada diante do Newcastle, o 3-1 ao Manchester United, o 2-0 ao FC Porto que nos colocou em 1º lugar e nos tornou campeões 18 anos depois, a festa do título de 2000 e de 2002, as conquistas das Taças e Supertaças dos últimos 12 ou 13 anos. E aos feitos do futebol junto conquistas memoráveis no andebol, no futsal e em várias modalidades.
É assim que vivo o Sporting, dizendo "presente" nos bons e nos maus momentos. Mas o que realço hoje é que o Sporting, depois de vitórias excitantes e de derrotas desastrosas, continuou a viver, a fazer História, a deixar histórias para contar. Passaram os jogadores e os dirigentes. Ficámos nós. Ficaremos para sempre. Aconteça o que acontecer.
Temos problemas. Mas, enquanto heróis como o Professor Moniz Pereira (um dos melhores portugueses vivos), o Sá Pinto, o João Benedito, entre tantos outros funcionários estiverem no Sporting, está tudo bem.
É com eles, com os que lhes sucederão, e com cada um de nós, que somos o Sporting, que este Grande Clube pode contar.
Saltaremos barreiras, ultrapassaremos fronteiras e obstáculos, com Orgulho, para continuar a perseguir um Sonho com 105 anos de História.
Confiantes, temos esperança em alcançar esse Sonho. Mas mesmo que falhemos, que o deixemos para gerações seguintes, morreremos a tentar. Sempre com Esforço, Dedicação e Devoção. Na busca da Glória.
Viva o Sporting!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Uma ironia do destino?


O modo de funcionamento das Finanças de Algés é igual à maioria (para não dizer todas) as outras repartições do país: uma pessoa chega, tira a senha, espera pelo seu número até ser chamado. Há um monitor que nos diz a letra e o número da nossa senha, a que faz corresponder um número do balcão onde vamos ser atendidos.
Não sei como é nas outras repartições, mas, em Algés, entre esses números e letras, passava uma espécie de filme/documentário. Era um conjunto de slides onde se contava a História do...Escudo.
Enquanto esperava para pagar, em euros, o Imposto Único de Circulação, vi, com atenção aquela História, carregada de feitos e curiosidades. Sentado na repartição de finanças, e sabendo como estão as finanças do país, terá sido, aquela, uma ironia do nosso destino?
Roubini pensa que sim. Nós, para já, achamos que não. Mas a resposta está nas mãos de Passos Coelho, dos demais membros do Governo e de cada um de nós, portugueses. Nestes tempos de incerteza, é importante que cada um tome consciência, pelo trabalho e pelo papel que tem na vida colectiva, da responsabilidade que tem em mãos.

A Madeira


É muito fácil apontar o dedo, dizer que, por aquela estranha espécie de semi-democracia da Madeira, devem responder os titulares dos cargos regionais, o PSD Madeira, sendo que, pela dívida da Madeira, devem responder os madeirenses, enquanto titulares do direito ao voto, tendo-o exercido a favor de Alberto João Jardim.
Este é um problema complexo. É agora, mas sempre o foi. Não houve nenhum líder nacional do PSD que tivesse tido a coragem suficiente para separar águas entre o poder nacional e o poder regional do partido. A estratégia sempre foi a mesma: colher os dividendos do que Jardim fazia bem, semear o distanciamento quando se acusou, fundamentadamente ou não, a Madeira de gastar mais do que tem, num arquipélago que, muitas das vezes, convive mal com a democracia, sobretudo na parte em que a democracia nos diz que todos devem ser iguais perante a lei e perante as autoridades públicas.
Mas o problema da Madeira é um problema nacional. E, pelo poder que o PSD Madeira sempre teve, ao nível político e financeiro nessa região, o problema madeirense não se deve à falta de coragem de quem, no PSD, teve a possibilidade de enfrentar Jardim. Este é um problema de todos os social-democratas, desde Passos Coelho a mim, que sou daqueles "militantes anónimos".
Em tempo de sacrifício nacional, é muito grave que uma região que é parte integrante do território português, financiada pelos impostos de todos os portugueses, esconda a sua real situação financeira. É ainda mais grave que se diga aos portugueses do Continente e dos Açores que iremos sacrificar ainda mais a nossa qualidade de vida por força da má gestão de Jardim.
Por força do princípio da solidariedade nacional, não podemos deixar de, uma vez mais, voltar a ajudar o povo madeirense. Mas não podemos deixar de tirar as devidas consequências do que se passou e do que se continua a passar na Madeira.
Num Congresso do PSD, houve quem tivesse dito, do púlpito, que "estamos em Coimbra, estamos em Portugal, não estamos na Madeira". A Madeira, sendo diferente, é Portugal. E só com coragem, com muita coragem, os líderes e militantes do PSD podem fazer com que a Madeira seja mais parecida com o resto de Portugal, acabando, de uma vez por todas e enquanto é tempo, com tudo aquilo que faz que a Madeira, em algumas vertentes, seja diferente para pior.
Haja coragem e sentido de Estado nesta espinhosa missão de ajudar o povo madeirense. E não podemos esperar, com sacrifício para o PSD, que sejam os madeirenses a fazer justiça nas urnas.
Afinal, que futuro se pode desejar a um povo que vive entre o carnaval do PND, o circo do candidato Coelho e as extravagâncias do dr. Jardim?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um novo passo


As rotinas fazem parte da vida. São como um ciclo que começa, acaba e recomeça ano após ano. Entre pequenas mudanças, da creche para a escola, da escola para o liceu, do liceu para a faculdade e da faculdade para o trabalho, de um trabalho para outro, a vida vai continuando, sempre presa a pequenas rotinas. E o melhor que podemos fazer é ir enganando as rotinas, fazendo pequenos ajustes, para podermos entrar motivados num novo ano.
Há um ano, entrava motivado no velhinho edifício da Faculdade de Direito. Era o último. Foi, talvez por isso, diferente. E foi, também por isso, aquele que me fez ter muito mais empenho, deixando-me as últimas recordações.
Chegar e perguntar qual era a sala. Saber que era na 123. Ir ao bar tomar café. Vir cá fora pôr a conversa em dia. Insultar aquelas longas quartas-feiras, junto de colegas e amigos. Falar no gabinete de Direito. Preparar casos. Apresentá-los aos meus colegas. Ler. Estudar até às 5 ou 6 da manhã. Andar às voltas na expectativa de ser chamado para fazer o exame oral. Subir e descer escadas daquele velho edifício que, por ter sido a minha segunda casa, era como se fosse meu, com um cheiro próprio.
Foi um passo, de um passado que passou.
Começa agora um novo futuro. Novo edifício, novas salas, novas pessoas, novas disciplinas, nova orientação, novas expectativas, a mesma motivação.
Ao mesmo tempo, e também num novo passo dessas duas etapas de crescimento, preparo um projecto próprio na vida e outro, também novo, na blogosfera. Ambos estão ainda em fase de estudo. Mas a motivação para os concretizar é idêntica à motivação de fazer e concluir o meu Mestrado.
Espero, daqui por um ano, estar a falar dos passos que dei. Porque nesta caminhada da vida, mesmo que devagar, devagarinho, o que interessa é caminhar em frente.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

De preto


O Sporting estreia-se na fase de grupos da Liga Europa daqui por minutos. Pelo que se sabe, jogará de negro. Ora, tendo em conta que é Clube de Portugal e considerando ainda o que se passou em campos de norte a sul do país nos jogos das quatro jornadas da Primeira Liga, não fazia sentido que o Sporting, hoje, jogasse de outra cor.
Esperemos que o verde da esperança conjugado com o preto do luto não acinzente a exibição da equipa.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

As pessoas


O PS, quando quer justificar qualquer uma das suas variadas obsessivas loucuras, fá-lo justificando-se com as pessoas.
Foi, por exemplo, por causa das pessoas que o PS endividou excessivamente o país. Foi por causa das pessoas estarem a voar cada vez mais que o PS, perante um Estado pobre e endividado, se propunha construir um novo aeroporto. E, já que se fala em aeroporto, fala-se numa terceira ponte para que as pessoas possam ir de uma margem à outra, de um comboio de alta velocidade para as pessoas que têm medo das alturas, de uma nova auto-estrada para quem quer ir do "fim do mundo" para um local onde, praticamente, já não há pessoas.
Foi graças às pessoas que o PS, felizmente, deixou de ser poder. Porque o PS, estando ao leme de um Estado que vivia acima das suas possibilidades, além de empobrecer o Estado, empobreceu as pessoas. E ainda sonhava com megalomanias.
O PS, entretanto, mudou. Se mudou para melhor ou para pior, isso é ainda algo que as pessoas ainda têm de perceber. Mas mudou. E continua a falar nas pessoas. Portugal deve deixar de continuar a trabalhar para cumprir os compromissos assinados pelo PS por causa das pessoas. É isso que diz Seguro, querendo esconder o passado do PS, cortando com um passado do qual fez parte. Sim, Seguro, durante os seis anos de Sócrates foi um dos deputados socialistas que suportava aquela maioria que permitia que o Governo estivesse a afundar o país. E, mais do que o país, a vida das pessoas, as mesmas pelas quais Seguro anda tão preocupado.
Posto isto, resta-me apenas fazer uma pergunta.
Afinal de contas, quem é que os socialistas querem enganar?
(A resposta, repetidamente referida ao longo do texto, encontra-se no título).

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O tormento


Maria de Fátima Bravo cantava que era um tormento viver sem esperança.
Numa altura de crise como aquela que vivemos, muitos portugueses estão vergados a esse tormento. Enquanto alguns continuam na busca de trabalho, outros tomam anti-depressivos para continuar a trabalhar. Destes, alguns são explorados, justificando, pelo trabalho, um salário muito maior. Outros apenas marcam o ponto. E outros vivem na incerteza de continuar a ter trabalho, e também salário, no dia de amanhã. Sem espaço no mercado de trabalho para o empreendedorismo e qualificação dos mais jovens, estes são forçados a fazer malas e emigrar para longe.
A população activa portuguesa, por força da necessidade de endividamento para poder constituir família e ter uma vida digna, caracterizada, na sua generalidade, no parágrafo anterior, e juntando-lhe ainda vários milhares de jovens forçados a seguir um caminho que não realizará, de todo, os seus sonhos, constitui uma sociedade completamente atormentada pela falta de esperança.
Uma sociedade assim é uma sociedade completamente castrada, onde não há lugar ao sonho, que é essencial na eterna procura da felicidade e do bem-estar.
Mais do que uma questão política, esta já é quase uma questão cultural. E há que a inverter. Com relativa urgência.
Este é o tempo de ver desempregados arriscarem novos negócios, por conta própria.
Este é o tempo de fazer mudanças, de estudar e investir, de trabalhar no sentido de criar riqueza, fazendo-se o que se gosta ao mesmo tempo.
É isto que é preciso mudar. Porque quem faz o que gosta, trabalha mais e melhor. E quem trabalha mais e melhor, produz mais riqueza.
Não há futuro sem sonho. E não se realizam sonhos destruindo a esperança. Esta é, pelo menos, a minha opinião.

Um episódio caricato

A comunicação social tem um poder enorme.
Sozinha consegue construir, consegue destruir, influenciando, como mais ninguém o consegue fazer, a sociedade civil.
Consciente deste peso, a classe política abdicou das ideias e dos projectos políticos, abdicando da excelência dos conteúdos para investir na forma e na imagem.
Em suma, generalizou-se, entre a classe política, a ideia de que, para estar bem junto dos portugueses, tem de se ter uma relação estreita com a comunicação social.
O episódio do Congresso socialista, em que Seguro entra pela emissão adentro, fazendo António Costa (e com razão) levantar-se e ir-se embora, além de ser completamente caricato, demonstra bem que os portugueses, sobretudo os mais jovens, têm toda a razão para vir às ruas.
Se o país está pobre, a muito o deve à pobreza dos partidos e dos líderes, que não conhecem o país e que se vão alimentando à custa de truques, de slogans, de imagens, de episódios ensaiados e completamente caricatos e, claro está, da pobreza para onde levaram um número crescente de portugueses.
E assim fica marcado (leia-se manchado) o Congresso de um PS que, dizendo que "as pessoas estão primeiro", pensa sempre, e em primeiro, nos interesses da camaradagem e nas aspirações políticas de quem o lidera.

domingo, 11 de setembro de 2011

O Sporting da paciência


Há quem não esteja contente com a exibição, mas vejamos: equipa entra em campo sob pressão de resultados e obrigada a ganhar, trafulhice do árbitro e golo do Paços logo aos 3 minutos, golo sofrido no início da segunda parte. Vendo o tempo a passar, estando a perder por dois golos de diferença, a equipa manteve a lucidez e não desatou desesperadamente a "atirar balões lá para a frente". A frieza de marcar 3 golos em 8 minutos, virando o resultado num terreno que é sempre muito difícil, demonstra bem que este plantel, com este treinador, podem fazer mais e melhor do que haviam feito nas três primeiras jornadas, mesmo estando a jogar, ao mesmo tempo e no mesmo relvado, contra dois adversários.
É muito difícil lutar de igual contra alguns dos nossos rivais, como aquele que viu Duarte Gomes inventar, a seu favor, duas grandes penalidades numa só parte. Mas nós, Sporting, pela garra que teve a nossa equipa, podemos ter razões para continuar a sonhar com um futuro um pouco mais risonho.

sábado, 10 de setembro de 2011

A FPF e o Sporting


Desconfio sempre daqueles que, perante um determinado conjunto de factos, criticam uma posição oficial, quando tenho a certeza absoluta de que também criticariam uma posição oposta que viesse a ser adoptada.
Toda a gente sabe que o futebol português vive numa guerra de poder, que se intensificou desde que Luís Filipe Vieira se tornou presidente do Benfica, tendo sido ele, e quase sozinho, o único a enfrentar o clube que, até então, controlava o que havia para controlar no desporto-rei.
Apesar das denúncias que fez e dos testemunhos que prestou, o Sporting esteve sempre à margem da luta pelo poder, aliando-se a um dos rivais. A excepção terá sido com a candidatura de Hermínio Loureiro à Liga de Clubes, num tiro que lhe saiu pela culatra, já que o sportinguista Vitor Pereira fez (e continua a fazer) um trabalho terrível no sector da arbitragem, fazendo, através de nomeações, afirmações e apelos ao corporativismo desse sector, sistemáticos ataques à verdade desportiva por que anseia sempre quem dirige, com empenho, o Sporting Clube de Portugal.
Pinto da Costa tem ganho esta luta. Tem-na ganho pela antecipação, pelo controlo natural de quem está nestas andanças há anos e anos, pela influência que tem junto de associações e de clubes. E os clubes, sabendo que é o FC Porto aquele que ganha, num instinto de sobrevivência, aceitam essa aliança com trocas de favores, de atletas e sabe-se lá mais do quê.
Até hoje, o único aliado do FC Porto que não se conseguiu salvar foi o Boavista.
Há alguns anos que temos visto o Benfica mais interessado nesta batalha. Partindo atrás, assumiu uma estratégia que passava pela influência junto de outros clubes, como o Vitória de Guimarães, por uma operação de propaganda nos órgãos de comunicação social e pela redução do papel do Sporting. Tirando o peso ao Sporting, o Benfica perdia concorrência na batalha contra os dragões. Foi isso que fez. E, infelizmente, teve sucesso.
Foi esta a conjuntura que Godinho Lopes encontrou. E fez, no pouco tempo que teve, aquilo que lhe foi possível fazer.
Parece-me evidente que a forma como deixou Soares Franco candidatar-se contra aquele que será o candidato do Sporting realça alguma desorganização. E também se poderia ter feito mais, aumentando-se a influência junto de clubes que podem vir a ser amigos do Sporting.
Aos clubes da Liga Orangina poder-se-iam emprestar alguns dos jovens saídos da Academia, em idade de júnior ou no primeiro ano de sénior.
Aos clubes da Liga Sagres poder-se-iam emprestar alguns dos jogadores que não fariam parte do plantel do Sporting. E, eventualmente, poder-se-iam contratar mais três ou quatro jogadores, portugueses ou estrangeiros, ainda jovens, contratados em condições favoráveis ou em fim de contrato, colocando-os a rodar nesses clubes, de modo a que, saindo-se bem nessa aventura, esses jogadores pudessem sonhar em fazer parte do plantel do Sporting.
Não sei até que ponto uma estratégia de influência a este nível seria suportável, nesta altura, pelo Sporting. Mas parece-me que não será possível impedir os rivais de se sentarem na cadeira do poder de outra forma.
Assim, o Sporting tinha duas saídas: não tendo tido tempo suficiente para estreitar laços com clubes e associações, apenas poderia apresentar um candidato ao lado de um clube rival ou apresentar um candidato próprio.
A priori, o Sporting perderia sempre. Mas não tinha alternativa.
Recusa o candidato do Benfica (Seara), recusa o candidato do Porto e do poder (Gomes) e recusa, para já, a possibilidade de apoiar um ex-Presidente do Sporting, que conseguiu segundos lugares e títulos secundários à custa da proximidade evidente com o senhor da fruta e dos chocolates.
Será ainda possível recuar. Aliás, tudo dependerá dos apoios que Soares Franco possa vir a receber.
Para já, o Sporting apoia Hermínio Loureiro, homem imparcial e empreendedor, que já passou pela Liga e que garante equidistância.
É um bom candidato. E eu, enquanto sportinguista, apoio-o. Apoio Hermínio e apoio a solução que Godinho Lopes encontrou para este problema.
Afinal de contas, perante duas alternativas, Godinho Lopes optou por aquela que era, entre as possíveis, a menos má.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Congresso do "nada"

Começa hoje o 18º Congresso do PS.
Depois de ver a sala, notam-se logo algumas diferenças. As várias cores que vestiam o PS de Sócrates foram substituídas pelo encarnado e branco, bem típicas de partidos ultrapassados de esquerda. No plano, onde se viam as cores da bandeira nacional, agora multiplicam-se mãos fechadas, símbolo do partido. E ainda que tenha vários slogans, onde se fala das pessoas e da Europa, este novo PS não consegue esconder a sua maior fragilidade: conhece muito melhor o PS do que conhece o país.
Com a liderança frouxa de Seguro, ainda na ressaca de demasiados anos de poder, não se antevendo grandes alterações políticas que possam devolver o poder aos socialistas, este será um Congresso pobrezinho. Quase tão pobrezinho como o País que estes, e os outros, socialistas nos deixaram.
E não sendo poetas, são todos fingidores. Porque fingem que estão num partido unido, porque fingem que o partido pensa o país, porque fingem que esta não é uma liderança transitória, porque fingem que não foi este o PS que deixou Portugal, duas vezes, no pântano, porque fingem que este não é o mesmo PS que vinculou o país às dificuldades por que passam agora larguíssimos milhões de portugueses.
Entre a apoteose a Maria de Belém, as críticas de circunstância de Seguro aos primeiros meses do novo Governo, um ou outro apelo à união e mobilização do partido, estará sempre um António Costa à espreita. E será esse, porventura, o único motivo de algum (ainda que muito relativo) interesse deste Congresso.
Para que as pessoas estejam primeiro, é preciso pensar sempre, em primeiro, nas pessoas. E porque assim não foi, e porque assim não é, este Congresso, apesar da comparência de vários pesos pesados, passará completamente ao lado dos portugueses.
É que se, antes, queriam Defender Portugal, agora querem apenas defender o PS. Mas é precisamente por aquilo que fez a Portugal que este PS não tem defesa.
Sem nada para dizer ao país, focado apenas no plano interno, podemos, assim, concluir que este é apenas o Congresso do nada.

domingo, 4 de setembro de 2011

Imagens que falam por si

Nota: A fotografia foi tirada por mim nesta tarde de domingo, no Parque Eduardo VII, onde teve lugar o 2º Grande Prémio Red Bull.

Vozes de burro


Paulo Fernandes foi funcionário do Sporting durante seis anos.
Ao Sporting, deve tudo. Desde a sua autonomia financeira à visibilidade que conseguiu dar à sua carreira de treinador de futebol de salão.
Saiu, porventura, contra a sua vontade, tendo sido substituído pelo ex-seleccionador nacional da modalidade e substituindo André Lima no Benfica, que era uma referência para os adeptos desse clube, por aquilo que lhe ofereceu enquanto atleta.
No seu primeiro ano no Benfica, cujo orçamento para a modalidade é significativamente superior ao do Sporting, foi reforçar o seu plantel com alguns jogadores leoninos. Fez essa aposta. E perdeu.
Com uma facilidade que não se previa, o Sporting venceu o campeonato, tornando-se bi-campeão de futebol de salão.
Por estes motivos, é natural que Paulo Fernandes se sinta zangado com o Sporting. Zangado, revoltado, humilhado. Mas foram os resultados desportivos, e nada mais, que determinaram essa zanga, essa revolta, essa humilhação. Porque o Sporting, assumindo a elevação desportiva que sempre o caracterizou, nunca provocou, nunca espicaçou, nunca disse uma palavra sobre o actual treinador de futebol de salão do Benfica.
Mas ontem, fazendo jus à falta de carácter de grande parte dos profissionais do clube que representa, Paulo Fernandes, quando finalmente ganhou um título à sua ex-equipa, pela margem mínima, disse, por meias palavras, que o Sporting, que perdeu por 3-2, deveria e mereceria ter perdido por mais.
Trata-se, como não será difícil de perceber, de uma afirmação mal educada, de alguém que se sente angustiado com o seu presente e com o seu passado.
Mas enfim. O futebol de salão é muito rápido e torna o sangue mais quente. A afirmação foi feita a quente e, talvez por isso, para algumas pessoas, deva passar despercebida.
Lembremo-nos agora de João Benedito, um atleta, um profissional, um símbolo vivo e activo do Sporting Clube de Portugal.
Depois da vitória no campeonato passado, para não cair em tentações, para não perder a "máscara" do profissionalismo, pediu para não falar a quente numa altura em que o universo leonino ansiava por ouvir palavras suas.
Dele, nunca se ouviu uma palavra de falta de desportivismo. A quente, quando fala, enaltece o sportinguismo e a importância das vitórias para o Sporting.
Paulo Fernandes, pelo contrário, em vez de destacar o benfiquismo, que não sente como André Lima sentia, grita contra o seu antigo clube. Fá-lo na ignorância, pensando que afecta aqueles contra quem grita.
Não afecta ninguém. Porque, vinda de quem vem, a ofensa é como uma afirmação cheia de vazio.
A pequenez do que se diz a quente representa a pequenez que vai na cabeça de quem fala nessas circunstâncias.
E já é altura do senhor Paulo Fernandes perceber que foi por causa da pequenez do que pensa, da pequenez do que diz, que o Sporting, numa determinada altura, abdicou dos seus serviços, dispensando-o para um clube para onde se costumam dispensar os activos que já não interessam para a História e para a Grandeza da maior potência desportiva nacional.

sábado, 3 de setembro de 2011

A crise do Projecto Comum


Foi sempre em alturas de aflição que os países se fecharam mais, sendo que os Estados foram cedendo à pressão das populações, preferindo o que é nacional ao que é estrangeiro, tanto no que respeita à produção como ao consumo. Foi destas conjunturas que surgiram algumas das ditaduras recentes.

A altura que vivemos é de aflição, mas a actual conjuntura europeia, cujo ideal prevê um espaço sem fronteiras, num falso ideal de liberdade levado aos extremos, conjugado com a necessidade de preservar boas relações com o resto do mundo torna inviável a ideia de restringir algumas relações económicas.

Encarada com uma crise económica e financeira com antecedentes muito distantes, na União Europeia vive-se um ambiente de falta de coragem, sendo que o projecto europeu onde se previa uma Europa das Liberdades rapidamente seguiu um caminho desviante, estando agora, o Velho Continente, preso ao capital externo.

As crises são conjunturais. No mundo actual, seria inevitável que a Europa fosse afectada por uma crise que teve início nos Estados Unidos e que abalou todo o mundo.

O que se critica, ou o que criticam os cidadãos europeus, é a resposta europeia, que tinha de ser rápida e consensual entre todos os países da União. E a resposta que se deu, e que se continua a dar, é errada.

Numa União, independentemente do peso de cada um, exige-se solidariedade entre os países. Mas há outro ponto de que ninguém fala, senão uns extremistas e nacionalistas de direita, que é aquele que leva os cidadãos europeus às ruas em protesto. Falo da protecção que a União deveria dar aos seus povos.

Por exemplo, seria legítimo que a União, assumindo-se livre e transparente, protegesse os seus cidadãos e as suas empresas, restringindo relações económicas e imigração. Afinal de contas, como é possível que estejamos dependentes de países que não respeitam os direitos humanos e que, por isso, estejamos a empobrecer?

Como pode um comerciante de Salónica estar sem conseguir vender quando tem, como concorrência, produtos a menos de metade do preço quando os custos de produção do seu concorrente se devem a condições laborais completamente indignas num mundo que quer dignificar a vida humana?

Ou como pode um proprietário de campos de trigo em França, que se dedica à actividade agrícola, estar na miséria quando há um ditador africano que compra uma casa apalaçada de férias de dezenas de milhões de euros no sul de um outro país da mesma União?

Como pode, este Velho Continente, estar a ver algumas das suas principais empresas na falência ou a ser vendidas a troco de dinheiro sujo, que já custou milhares e milhares de vidas humanas? Será que não há volta a dar? Será mesmo incontornável?

Se as crises levam às mudanças, esta é uma altura fulcral para a coesão política entre os Estados-Membros e para a Europa rever a sua política externa, nomeadamente com economias que são deslealmente concorrentes.

São apenas exemplos, aqueles que dei. Mas os povos europeus têm razão quando saem às ruas. Têm toda a razão. Porque, por força da inacção dos seus governos, agarrados a ideias interpretadas de forma extrema, estamos todos mais pobres.

Sem medos de passados que ainda assombram a História recente deste nosso continente, teremos, nós, europeus, e sem os extremismos derrotados num passado relativamente recente, de encontrar um equilíbrio entre a liberdade democrática e a necessidade de proteger os povos.

Nesta fase, não é só a condição de vida do cidadão europeu que está em causa. A cada dia que passa, e não se notando grandes progressos económicos (pelo contrário!), começa a estar em causa o próprio Projecto Comum.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Numa equipa que ganha não se mexe!


É uma daquelas frases fáceis, correntemente utilizada nas mais diversas circunstâncias, fruto de vários episódios da História que deram origem à sabedoria popular.

Pois é. Numa equipa que ganha não se mexe.

Dir-me-ão, contrapondo, que, havendo uma nova maioria parlamentar a suportar uma nova liderança política no país, não há nada mais natural do que uma alteração dos titulares de cargos públicos. Dir-me-ão que é estratégia. E estratégia será.

Vejamos o que acontece numa empresa. Havendo alteração de líderes, é natural que sejam escolhidas novas pessoas, da confiança dos novos líderes.

Ora, no país, que não é uma empresa, é igualmente natural que o Primeiro-Ministro e demais membros do Governo prefiram nomear pessoas que mereçam a sua confiança política. Estando ou não filiadas nos partidos que suportam a maioria, têm de partilhar ideias nucleares sobre o caminho que o país deve seguir.

É esta a lógica que fomenta o clientelismo: os subordinados superiores têm de se rever nas ideias daquele que os nomearam.

Mas há, nesta teoria, um pouco que está errado. Porque os titulares dos cargos públicos não devem subordinar a sua actividade a quem lidera politicamente o país. Subordinam-na aos portugueses e ao País. Se assim não for, entramos na lógica da confusão entre o interesse partidário e o interesse nacional.

Olhemos para as limpezas gerais protagonizadas pelos ex-Primeiros-Ministros António Guterres e José Sócrates. Lembremo-nos do que aconteceu na Direcção-Geral dos Impostos, em que os socialistas, por populismo puro e duro, afastaram o homem que, auferindo mensalmente mais dinheiro do que aquele que deveria receber, era uma mais-valia do Estado Português, dado que tornava eficaz a política fiscal. Foi “despedido”.

Nessa altura, e com a comunicação social praticamente controlada pela liderança socialista, houve algumas vozes social-democratas que protestaram contra esse “despedimento”. Não o fizeram pela amizade que possivelmente nutriam por Paulo Macedo nem pelos interesses do PSD. Fizeram-no porque sentiam que este, agora Ministro da Saúde, era um dos homens-chave do Estado, independentemente de quem estivesse na liderança do Governo.

Enterrado que está o terrível passado socrático, o tempo não é, de todo, de vingança. Pelo contrário. Os terríveis tempos que ainda vivemos são de união e solidariedade nacionais. E nem tudo foi mau nos últimos seis anos.

Voltamos agora ao ponto por onde começámos: numa equipa que ganha não se mexe. E é assim que chegamos ao exemplo da EPAL, agora que estamos no período final do mandato do actual Presidente do Conselho de Administração.

Escrevia o Jornal de Negócios, há poucos meses, que “a EPAL mostra que empresa pública não rima com ineficiência. Em primeiro lugar, a empresa dá lucros. Em segundo lugar, tem uma boa relação com os consumidores, conseguindo que 88% sejam atendidos em menos de 15 minutos. Em terceiro lugar, melhorou o serviço”. Diz-se ainda que a EPAL, liderada por João Fidalgo, conseguiu obter crédito a uma taxa 1,8% menor do que aquela que foi concedida ao Estado.

Não podemos confundir o fim de um mandato com a imperatividade de fazer rolar cabeças.

É preciso mudar muita coisa. Mas, nos tempos difíceis que vivemos, mais do que apelar à união, é preciso chamar o valor, a experiência, o rigor e a excelência.

Também se dá um bom sinal ao país, mantendo-se o que de bom e de melhor veio do passado.

A EPAL é um exemplo disso.

Não há, portanto, clientelismo nenhum que justifique a substituição do actual Conselho de Administração. E estratégia é ficar com quem ganha…