segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um passeio por Lisboa


Valeu a companhia que tive para aligeirar o que senti quando passeei hoje desde os Restauradores até ao Terreiro do Paço.
Pelo caminho, lojas fechadas, ruas quase vazias, prédios devolutos davam sinais de uma cidade vazia de quase tudo.
Ao fim do caminho, uma pequena feira (se é que se pode chamar feira a um pequeno conjunto de comerciantes que estavam do lado direito do Martinho da Arcada) que não disfarçava o horror daqueles painéis que ali estão por consequência das obras.
Voltei para trás, até à Pastelaria Suíça, onde estive sentado não mais do que vinte minutos e três pessoas foram pedir-me dinheiro.
Enquanto tentava afastar-me o mais possível daqueles que nos abordaram para vender droga mesmo no meio da Rua Augusta, vi vários pedintes. Acabei por dar cinquenta cêntimos no último que vi, um músico que tocava no túnel do metro que também dá acesso ao parque de estacionamento dos Restauradores, onde deixei o carro.
No carro, passei por uma Avenida da Liberdade. Quem me acompanhou chamou-me a atenção para o local onde poderia estar hoje um Parque Mayer a sério, antes e depois de me ir dizendo que todas aquelas lojas acabavam por passar despercebidas a quem passava por aquelas ruas sombrias.
Lisboa é a capital e o grande espelho deste país. Aquele deveria ser o grande centro comercial de uma cidade que foi o ponto de partida para o grande desenvolvimento e descoberta do nosso Mundo. Mas não é. É absolutamente penoso ver aquele vazio de comércio, aquele vazio de gente, aquele vazio de esperança.
Durante todo o trajecto do passeio, vi apenas um espaço inaugurado recentemente, que dava alguma vida àquela parte da cidade. Se não tivesse de estar em casa às seis da tarde para ver o Barça-Real, tinha ido visitá-lo. Irei certamente noutro dia com mais calma. Falo, claro está, do MUDE - Museu do Design e Moda, cuja colecção foi comprada no mandato de Pedro Santana Lopes.

domingo, 29 de novembro de 2009

Uma pergunta (e uma resposta)

Quando saí do estádio, depois deste empate com sabor a derrota, fiz, ainda no meio da multidão, uma pergunta a mim próprio.

Qual é o clube do mundo que consegue encher o seu estádio, estando a uma distância considerável do seu objectivo, duas semanas depois de uma grande contestação à equipa e de uma revolução no futebol, num país pequeno, com uma conjuntura que dificilmente poderia ser pior, numa noite fria e chuvosa de um fim-de-semana prolongado?

Esse clube é o Sporting.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Unir para Ganhar


Comecei um artigo que escrevi, há algum tempo, para o Laranja Choque, dizendo que todos os dias são uma oportunidade.
O dia 3 de Dezembro vai ser uma grande oportunidade. Para que o PSD volte a ser um partido sério em Lisboa.
Porque mais do que nunca é importante a união para fortalecer.
Mais do que nunca é determinante a seriedade para que sejamos respeitados.
Mais do que nunca é vital a competência, a elevação no debate, mas também a solidariedade, a organização, a determinação, o rigor e a ambição. Uma ambição que seja fundamentada, sustentável e que possa dar frutos.
É altura de Unir Para Ganhar.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Desabafo

Tem quatro patas mas nunca deixou de ser o meu mais fiel amigo, o meu companheiro de todos dos dias.
É admirável a sua persistência, a sua força de vontade, a sua coragem.
Que tudo lhe corra bem hoje. E que volte, tão depressa quanto for possível. Com saúde. E com a boa disposição de sempre.
É esse o meu único desejo para o dia de hoje.

Decisão sensata

Esta de Vitor Pereira, de impedir Lucílio Baptista de arbitrar jogos do Sporting até final da presente temporada.
Só foi pena não ter tomado decisão semelhante em relação a um determinado árbitro que apitou o Porto - Sporting, árbitro contra o qual o Sporting tinha um processo por comportamentos desse senhor com o então treinador de guarda-redes do Sporting, facto ocorrido no estádio José de Alvalade, provado por imagens televisivas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fase determinante



A previsão do défice para os 8% é o último sinal da grande catástrofe que resulta de quatro anos e meio de ininterrupta governação socialista. E com isso quero dizer que o Partido Socialista é o responsável exclusivo pela realidade actual.
É responsável exclusivo porque, quando fez previsões, previu mal. Ou não previu a tempo. E isso conduziu a que as medidas fossem mal pensadas. Por isso, e só por isso, é que os indicadores económicos e sociais abalam a confiança dos mais optimistas, numa altura em que, supostamente, o país deveria estar em fase de retoma.

O anúncio de um novo orçamento, para endividar ainda mais o país, que para mais não serve do que para a garantia dos salários dos funcionários públicos, em altura de subsídio de Natal, e as reformas, confirma esta catástrofe.

É isto que mais me assusta. Não é a ocultação de escutas, não são domingueiras licenciaturas, não é o controlo da comunicação social por parte de um grupo de poder, não é a dependência e interferência existente entre os vários poderes, não é toda a bandalheira que tem caracterizado a sociedade portuguesa.

O tempo, também neste domínio, veio dar razão ao PSD. Que aconselhou o governo a tomar medidas, numa altura em que se dizia que o país estava imune à crise. E, afinal, não havia mesmo dinheiro para novas, megalómanas e desnecessárias obras públicas. Como é óbvio que não havia.

Aquele país das maravilhas, onde as contas públicas estavam em ordem e que estava a ser inovador e moderno nos mais diversos domínios nunca passou de uma enormíssima ilusão socialista. Ilusão que estamos pagar caro e que está já a hipotecar o futuro. Ilusão, que se traduziu numa realidade dramática, que tem dado lugar à falência de empresas, a um avolumado número de desempregados, à miséria na agricultura, pecuária e pescas, a uma profunda crise de valores, a uma guerra sem precedentes recentes na educação, a uma asfixia democrática imprópria de regimes democráticos que é sentida (e de que maneira!) nos empregos e nos órgãos de comunicação social e a um imenso caos na Justiça.

Numa sequência normal, em situações análogas ocorridas no passado por esse mundo fora, a uma fase destas segue-se a miséria e a fome.

Não podemos perder tempo a discutir questões fracturantes. Pelo contrário. Esta é a altura-chave, em que são necessárias entendimentos alargados entre os partidos e em que tem de ser feito um amplo debate social sobre a realidade portuguesa. Sob pena de condenarmos, irremediável e definitivamente, o futuro.

Porém, não chega ao PSD estar a vencer o “duelo” da razão. Convém que seja assumida a iniciativa do jogo, que se aponte um caminho que os portugueses saibam compreender e que sejamos uma oposição responsável. Os portugueses saberão reconhecer isso, se isso vier a ser feito, no futuro.

domingo, 22 de novembro de 2009

Falemos de pesca


No intervalo do jogo do Sporting, recebi várias mensagens de amigos.
Uma dela dizia "dediquem-se à pesca".
Outra dizia que "vocês não pescam nada disto"!
Pois era.
Há quem pesque pouco, há quem só pesque de vez em quando, há quem não pesque nada.
E, este ano, o Benfica já não vai pescar a Taça.
Não me digam que, numa expressão utilizada pelos pescadores, para os benfiquistas este vai ser mais um ano a dar banho à minhoca?!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Os parques em Miraflores


Na zona onde vivo, existem dois grandes parques e, pelo menos que eu saiba, mais um parque pequeno com um escorrega e umas coisas para as crianças brincarem.

O parque que costumo frequentar mais regularmente (quase todos os dias) é o que se situa mesmo em frente da esquadra de Miraflores. Mas, recentemente, a parte que se destina às crianças foi fechada, o que já tinha acontecido no passado. Esse mesmo parque tem um bar com um potencial como poucos terão aqui por esta zona, mas que está apenas, parte dele (pelo que me parece), destinado ao campo de mini-golfe. Ou seja, serve o interesse de praticamente gente nenhuma.

O outro parque, de onde acabo de vir (ao pé do Dolce Vita), tem um espaço verde grande e todas as coisas para as crianças brincarem. Mas fecha às seis da tarde. Ou seja, as pessoas acabam por não poder usufruir daquele espaço porque a essa hora estão a chegar do trabalho.

Passei, a caminho para casa, por um outro pequeno parte. Que é mesmo só para crianças. Também ele estava fechado, com um aviso na porta a dizer que a ASAE "anda por aí" a multar a Câmara Municipal de Oeiras.

Ou seja, existem três parques para crianças, em que dois estão fechados e o outro só abre até às seis. Quer dizer, hoje por volta das cinco e meia já lá estava a Polícia Municipal a dizer para as pessoas saírem e a fechar as portas do parque.

Quem tenha cão fica limitado a um local onde se costumam juntar vários moradores...mas onde já têm recebido avisos por fazerem muito barulho. Há ainda um outro sítio possível, bem mais perto de minha casa que é o parque...de estacionamento, que, sendo pago*, está sempre vazio. De carros, digo. Porque cócós de cão há lá vários. A outra alternativa é ir para um descampado ao pé da ribeira que...transbordou no ano passado. Descampado que, no Inverno, é só lama.

Quem quer ir para um parque só para fazer uma caminhada ou correr tem apenas uma opção.

Não sei de quem é a responsabilidade. Se é da Câmara, se é da Junta, se é da ASAE, se é de outra entididade.

Mas bonito, bonito era os parques aqui funcionarem. Sempre. E para toda a gente. Isso sim...seria uma Oeiras mais à frente.




* Sendo pago, não é alternativa para quem queira estacionar o carro. Ainda por cima, nas noites de maior aflição (em que não há lugar nenhum nas redondezas), aquele aparelho que faz o pagamento para as pessoas entrarem...avaria.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Uma pequena nota

Para dizer que Paulo Portas, hoje na Assembleia da República, fez bem em relembrar que a maioria dos portugueses votou em programas onde os partidos se propunham a suspender a avaliação dos professores. Ou melhor, dos senhores professores, como também diz, e bem, Paulo Portas. Os políticos devem ser os primeiros a dar o exemplo de como se deve tratar uma das mais nobres profissões.

A Bósnia


Apesar do sofrimento e da falta de qualidade do futebol praticado, o objectivo principal foi alcançado. Porque o que se pedia ao seleccionador nacional era o apuramento para o Campeonato do Mundo de futebol que se realizará na África do Sul, no ano que vem. E nós, diga-se o que se disser, vamos mesmo lá estar.

Mas houve uma questão, que nada tem que ver com o futebol, que me irritou particularmente nos últimos dias, que foi a forma como alguns jornalistas portugueses e comentadores desportivos criticaram alguns factos ocorridos em território bósnio. Desde a "espera" feita aos jogadores portugueses às condições do relvado.

Citei uma frase, há dias, que dizia que "o futebol não é tudo na vida". Mas, sendo um desporto de grandes massas, o futebol acaba por ter o mérito de unir nações inteiras nem que seja apenas durante hora e meia.

Isso aconteceu com a Bósnia. Que é um país relativamente recente, muitíssimo traumatizado pela guerra. E, assim sendo, um possível apuramento para o Campeonato do Mundo, no ponto de vista dos bósnios, era a maior afirmação possível que o país poderia ter neste momento. Daí vermos os jornalistas em directo com os cachecóis do seu país ao pescoço.

Pela experiência (também ela ainda relativamente) recente de viver em guerra, compreende-se que uma forma possível de empolgar o povo seria assumir um discurso desse género. Foi absolutamente normal ouvir um seleccionador bósnio pedir aos seus jogadores para se baterem como guerreiros. Do mesmo modo que, precisando de um pouco mais de sorte, não me surpreendeu a escolha de um estádio que, não tendo condições (nem de segurança, nem ao nível do relvado), era talismã.

Se tudo isso tivesse acontecido em Espanha, em Inglaterra, na Suíça ou mesmo em Portugal, seria mais condenável. Na Bósnia tem de ser mais tolerável. Oxalá que nunca tenhamos de jogar em relvados cheios de buracos e lama. Oxalá que nunca vivamos a guerra que o povo bósnio sofreu.

Claro que me senti ferido no meu orgulho quando ouvi "A Portuguesa" ser assobiada. Claro que partilhei o sofrimento dos portugueses (atletas, dirigentes, jornalistas, militates e cidadãos) que estiveram na bósnia. É óbvio que, numa primeira fase, me chocaram os insultos feitos a jogadores que representavam o meu País. Mas estou convencido de que todos os jogadores perceberam que ali isso se poderia aceitar. Possivelmente, se as circunstâncias fossem idênticas, teriamos feito o mesmo ou pior.

Parabéns à selecção bósnia que conseguiu unir um país. E por ter possibilitado o sonho aos seus compatriotas.
Parabéns à selecção portuguesa, pela forma como se bateu nestes dois jogos, sobretudo no segundo, e pelo apuramento.
Dobrámos o Cabo das Tormentas. Que se levante, no ano que vem, o esplendor de Portugal na África do Sul.

Why not?


Paulo Ferreira nunca foi um fora-de-série.
Não é um lateral que faça o estádio delirar com subidas rápidas para a frente, com cruzamentos milimétricos nem deixa de ser um jogador que consegue passar despercebido durante um campeonato inteiro.
Mas é acertado tacticamente, não comete muitos erros, ganha várias bolas aos adversários (incluindo bolas pelo ar) e não me lembro de um golo sofrido que tenha sido culpa dele.
Reparei que foi, a par de Nani, um dos melhores em campo no jogo contra a Dinamarca, em Alvalade. E tem sido assim, sempre eficaz naquilo que deve fazer, que Paulo Ferreira corresponde quando é opção no onze titular.
São muito mais aqueles que não gostam do Paulo Ferreira do que os que gostam. Mas o Paulo Ferreira não é opção no Chelsea, tem a experiência normal de quem, nos trinta anos de idade, foi campeão europeu, português e inglês. Português, com 1,82 metros de altura poderia dar uma ajuda à defesa do Sporting. Só não sei quanto é que o Chelsea quer por ele, nem a quanto é que Paulo Ferreira estaria disposto a renunciar no seu salário para ingressar no Sporting.
Se for possível, Paulo Ferreira seria uma solução muitíssimo interessante, no meu entendimento, para acabar com as fragilidades defensivas de uma equipa que precisa de ser reforçada já em Janeiro.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Desencanto


É normal que, trinta e cinco anos depois de 1974, exista uma maioria absoluta de portugueses que desconfia da classe política. Porque trinta e cinco anos depois da liberdade e da democracia terem chegado a Portugal, generalizou-se a ideia (correcta) de que há um longo caminho a percorrer na Justiça, na Segurança, na Saúde e na Educação, que são quatro pilares de um Estado democrático que se quer moderno e competitivo.

Os portugueses sentem que, por exemplo, na Educação, o problema não está só na polémica questão da avaliação dos professores. E sabem que não se torna a Educação mais moderna e mais capaz de fazer com que o país seja mais competitivo com medidas avulsas como a distribuição de computadores às crianças.

Contudo, é a situação na Justiça que mais justifica o desencanto actual. Onde deveria haver separação de poderes, o que os portugueses verificam é a existência de uma enorme promiscuidade e interferência do poder político no poder judicial, e vice-versa, num cocktail amargo onde têm também entrado o poder legislativo e o quarto poder, que é a comunicação social.

As pessoas estão descrentes. Desencanto é a palavra que melhor caracteriza o estado de espírito dos portugueses. Sobretudo nesta altura em que, a juntar-se às manifestas insuficiências naqueles quatro pilares do Estado, o país, que não se preveniu a tempo, enfrenta uma crise que agravou o desemprego, a situação económica e social, ao mesmo tempo em que praticamente estagnou o comércio interno.

Quem vive fora dos grandes centros urbanos está ainda mais desencantado, descrente e desconfiado, tais são as dificuldades que vivem as famílias que dedicam a sua actividade à agricultura, às pescas ou à criação de gado.

Em Portugal, está quase tudo por fazer. E já nenhum português pode embarcar em discursos hipócritas de quem, em vez de governar, sacode responsabilidades e se move em função de calendários eleitorais.

São todas essas razões, entre muitas (mesmo muitas) mais, que devem fazer a direita portuguesa reflectir. E quando falo em direita refiro-me a todas as pessoas que se posicionam à direita do Partido Socialista.

Um PPD/PSD dividido e, portanto, enfraquecido não tem ajudado à solução destes problemas. Pelo contrário. Está bem que houve um outro poder que quis ocultar uma face…oculta, enquanto lançou dúvidas, suspeitas e notícias, várias delas, mentirosas sobre alguns militantes do partido. Mas um PPD/PSD como aquele que existe em Lisboa, dominado pela delinquência, incompetência e ignorância de alguns “artistas”, não pode nunca ser parte da solução.

O PP, nestas eleições, uniu-se ao CDS e, sendo certo que fez um trabalho notável na Assembleia durante a última legislatura, recolheu frutos. Essa foi uma lição que os meus companheiros de partido deveriam aprender. Apesar de tudo, o bom resultado obtido nestas eleições é insuficiente para que seja a direita a apontar o caminho da governação.

Aos partidos que estão à direita do PS exige-se muito mais. Exige-se que ponham fim a este desencanto. Que pode ser transformado em miséria tendo em conta a expressão da esquerda extrema. Ou em tragédia, no caso de sermos governados ainda mais anos pelos socialistas. Que são os principais responsáveis pela situação actual em todos os sectores. Para nos apercebermos do que pode vir a acontecer, se o futuro for igual ao presente, basta olhar para todos os ministérios, para as pastas ou matérias de que tratam, e verificar que em noventa e cinco por cento dessas matérias a situação justifica a descrença das pessoas. E que se agravará se a presente conjuntura se prolongar temporalmente.

É perturbante ouvir que só agora se fala no ensino obrigatório até ao décimo segundo ano de escolaridade. E cai-se no ridículo de dizer que essa medida vai custar caro…numa altura em que se discutem novas-estradas e um TGV. Quais serão afinal as prioridades do país?

Num país com mais de oito séculos e meio de História, a Cultura nunca foi encarada como uma das grandes apostas estratégicas que deveriam ser feitas para tornar o país mais competitivo e apelativo. É verdade que, para 2010, se perspectiva um maior investimento nesta área, mas cá estaremos para o conferir. Veremos se vai ser aposta séria ou se os milhões se iram continuar a traduzir em apenas alguns subsídios (atribuídos de forma demasiado discricionária).

Com uma localização geográfica privilegiada, só se pensa no turismo na altura de fazer campos de golf ou megalómanos investimentos públicos que o país, neste momento, não pode pagar.

Não é de agora que se diz que Portugal é um país ingovernável. Mas qualquer país em que a pessoa de quem os cidadãos mais desconfiam é a pessoa do Primeiro-Ministro é um país completamente insusceptível de ser (bem) governado.

E é assim, com este desencanto, que os portugueses vão vivendo o seu dia-a-dia, num país em que se persegue quem faz o bem às pessoas e que nunca enriqueceu pelo serviço público prestado, mas em que, nem por isso, os corruptos deixam de ser praticamente intocáveis.

Este artigo que escrevo está longe de ser taxativo ou exaustivo nos motivos que justificam o desânimo dos que vão trabalhar amanhã, a desconfiança daqueles que se abstêm do direito ao voto e a descrença generalizada.

Amanhã será um dia difícil para os portugueses. O depois de amanhã será ainda mais. E assim sucessivamente. Oxalá que a selecção nacional consiga atenuar este desencanto. Que só poderá ser eficazmente combatido no dia em que aparecer um D. Sebastião, escondido em cada um de nós, a pôr o dedo na ferida, a repensar a estratégia de governação e a apontar fundamentadamente um caminho que nos leve ao desenvolvimento e à prosperidade.

Recomendo

Depois de fazer uma pesquisa pela blogosfera, encontrei este blogue (do qual já me tinham falado por diversas vezes) que é, possivelmente, o blogue mais completo sobre futebol.
E é precisamente aos que gostam de futebol que recomendo que o visite. É o Settore Offensivo, que já adicionei nos meus links.
Quem lá for vai pensar como eu. Esse blogue é (mesmo muito) bom de bola.
Vai valer a pena ir seguindo não só o blogue como quem o escreve.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

“O futebol não é tudo na vida.”



Esta frase, aparentemente vulgar, de Theo Zwanzige, no último adeus a Robert Enke, não acaba no ponto final. Vai muito além dele.
É uma frase que poderia ser perfeitamente título de um best-seller que chegasse, depois, às salas de cinema para ser um filme marcante de uma época.
Esta frase, pelas várias interpretações que lhe podem ser retiradas, poderia, e deveria, estar afixada num local visível em todos os recintos de futebol do mundo. Para que alguns adeptos pensassem duas vezes antes de agir irreflectidamente contra…seres humanos, como nós.
Como seria se aquele rapaz que matou um adepto do Sporting tivesse pensado nesta frase antes de atirar o very-light? Como seria que iriam agir os adeptos (contra jogadores, adeptos, adversários) se fossem, na altura, confrontados com essa frase? Como se iriam comportar membros de uma claque a entrar numa academia de jovens atletas se pensassem que o futebol não é tudo na vida?
Ainda hoje são notícia os vários incidentes na Argélia e no Egipto. Hoje é notícia a recepção (apenas tolerável, na minha opinião, tendo em conta o passado recente desse país) dos bósnios à selecção nacional portuguesa. Na semana passada foi notícia a “espera” feita pelas claques do Sporting aos jogadores da sua própria equipa. Todos os anos há pessoas esfaqueadas, carros e autocarros apedrejados, cachecóis roubados e queimados. Quantos anos de vida já perderam vários adeptos por causa de um desporto que deveria ser de entretenimento? Quantas pessoas já perderam a própria vida em estádios de futebol? A década de 90 (pelos momentos trágicos que marcaram dois clássicos do futebol português deveria servir de lição. Para vivermos o futebol com muito mais tolerância.
Até a verdade desportiva seria salvaguardada se todos os dirigentes desportivos, sobretudo aqueles que agora não olham a meios para atingir certos fins, pensassem que o futebol não é tudo na vida.
Eu tinha uma grande admiração pelo Robert Enke. Pelo homem e pelo atleta. E revolta-me pensar que, na situação em que ele estava, poderia ter sido alvo dos mesmos insultos que estão a ser feitos a atletas e funcionários de várias equipas de futebol. Revolta-me muito. Assim como me incomoda o facto de algum outro jogador poder estar a viver uma situação semelhante.
Há quem pense que é fácil viver do futebol. Há quem exija o que não pode ser exigido a um jogador. Porque um jogador não é uma máquina, é uma pessoa…que tem uma vida para viver. Para viver uma só vida que está longe de ser só futebol e dinheiro.
São sobretudo essas pessoas, que exigem o que humanamente não deve ser exigível e que têm essa visão redutora da vida de um profissional de futebol, que deveriam ter sempre presente que, atrás de um jogador, há uma família, a saúde, o sofrimento próprio de um ser humano e que o futebol não é tudo na vida.

domingo, 15 de novembro de 2009

Porque hoje começa mais uma semana...

...talvez faça bem à alma ouvir uma música que nos inspire para esta semana. Como a chuva não pára de caír lá fora, valha-nos então o Epitáfio cantado pelo Tim.

Espero estar errado

Anderson não foi jogador do Sporting porque quem dirigia o clube pensou que se estariam a perder 5 ou 6 milhões de euros. Anderson foi para o Porto. E rendeu, a esse clube, dezenas de milhões de euros, que poderiam ter vindo para Alvalade.

O mesmo aconteceu com Paulo Ferreira, que esteve para ser jogador do Sporting. A sua venda deu mais dinheiro ao Porto do que a venda que o Sporting fez de Cristiano Ronaldo ao Manchester United.

Com jogadores, isso tem acontecido frequentemente, sendo que temos optado por jogadores como Ronny, Tiui, Abel, Pedro Silva, Angulo, Caicedo, Alecsandro, Marcos Paulo, Mota, Bueno, Pinilla, entre vários outros desastres. Tais como Wender, João Alves (2 milhões e meio) ou...Koke (será que ainda alguém se lembra?).

Apenas um exemplo mais, de jogadores. O Pepe esteve à experiência no Sporting. Mandámo-lo embora. Transferiu-se mais tarde para o Porto...que depois o vendeu para o Real Madrid numa transferência milionária.

Mourinho não foi treinador do Sporting porque os sportinguistas, na altura, não o quiseram. Demitiu-se do Benfica...mas não veio. Foi treinar o União de Leiria e, depois, o Porto. No Porto ganhou dois campeonatos, a Taça Uefa e a Liga dos Campeões.

O Sporting, nos últimos 6 meses, poderia ter tido dois treinadores além de Paulo Bento. Mas quando Paulo Bento deixou de aguentar um clima insuportável que foi consequência de uma construção desastrada do plantel...o Sporting preferiu contratar o Carlos Carvalhal.

Espero bem que eu esteja errado. Espero que Carvalhal nos surpreenda. E que os outros dois, sobretudo este último de quem muito se falou e que estava à mercê do Sporting (bolas, é treinador da Académica!!)...não tenha o sucesso que se lhe perspectiva. Caso contrário, mais do que mudarem as caras, o que terá de mudar no Sporting é a ambição, a forma como se olha para o investimento e o planeamento do futebol.

Por este caminho, o abismo fica mais perto. Espero que esteja errado. Espero mesmo. Como também espero que Bettencourt tenha sucesso nesta sua aposta. Boa sorte ao Carlos Carvalhal.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta-feira, treze!

Que nesta sexta-feira, treze, corra tudo bem no concerto que "João só e Abandonados" vão dar na FNAC, do Centro Vasco da Gama, às 22 horas. Concerto onde não poderei estar, mas convido os leitores a irem conhecer essa nova banda portuguesa.
Que nesta sexta-feira, treze, o povo portuense compareça para na actuação de uma nova banda ("Os Velhos").
Bem precisam estas novas bandas portuguesas de ser acarinhadas pelo nosso público.
Que o sábado, catorze, seja bom para a selecção de todos nós.
Que o fim-de-semana seja marcado por mais avanços do que recuos na contratação de um novo treinador para o Sporting.
Que esteja bom tempo na Golegã, para que as famílias possam comparecer em mais uma Feira Nacional do Cavalo e comer as suas castanhas. Que não haja incidentes no Arneiro, que os participantes em competições não sofram azares, assim como todos os que forem montar (nomeadamente...eu!).
São esses os meus votos para este dia e para os dois que o irão seguir.
Bom fim-de-semana!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O casamento gay?

Com este endividamento, com este desemprego, com esta Justiça, com esta guerra na Educação, com esta degradação dos valores da sociedade, entre vários outros assuntos que importam debater e resolver...só por piada poderia eu vir aqui, nesta altura, discutir "casamentos" de um homem com outro homem, de uma mulher com outra mulher.
Eu quero saber qual é o défice, todas as questões que referi nas duas primeiras linhas e outras tantas mais. Tudo o que não for para falar desses assuntos é areia para os olhos. E isso não irei eu alimentar.

Sobre a Quadratura do Círculo...

Já passou algum tempo desde que António Costa substituiu Jorge Coelho. Mas continuo a ficar, todas as quintas-feiras, surpreendido com a presença de Costa em vez de Coelho. Porque Coelho saiu quando assumiu o lugar de administrador da Mota Engil. Tinha muito trabalho e não poderia, por causa desse trabalho, preparar e participar nesses programas. Quem o substitui é António Costa.
Curioso. Um socialista sai porque uma empresa de construção privada dá muito trabalho. Mas entra outro que é apenas o Presidente da Câmara da capital do país. Como se fosse possível amar, sentir, governar Lisboa (e fazê-lo bem) ao mesmo tempo em que se é comentador televisivo.

Também seria uma boa notícia,...

...se o futuro treinador do Sporting fosse o...



...da esquerda.

(Mas tem-se falado bastante de Pekerman. Resta-nos aguardar.)

Coração de Leão




O Sá Pinto é uma das maiores referências dos sportinguistas. Ao contrário de Figo ou Cristiano Ronaldo, não foi pela sua qualidade técnica que se distinguiu dos outros. Apesar de também a ter, foi sobretudo pela sua garra e entrega total dentro das quatro linhas que Sá Pinto se destacou de muitos outros.
No campo, a sua determinação levou várias vezes a equipa a nunca baixar os braços e a lutar sempre pelo melhor resultado. É, por isso mesmo, um dos grandes ídolos da massa associativa leonina.
Um dos momentos que recordo foi aquele em que lhe foi tirada esta fotografia. No estádio da Luz, num jogo difícil, em que eu assisti (ao frio e à chuva) no meio das claques do meu clube. Aquele gesto, depois de tantos minutos de esforço, que acabaram por se traduzir numa vitória importante no campo do nosso principal rival, em si, diz quase tudo. Sobre aquele jogo. Mas também sobre o carácter deste exemplo a seguir.
Por isso, sendo quase certa a presença de Sá Pinto na estrutura de futebol do Sporting que está a ser, ao que se sabe, ultimada, o que posso dizer é que vejo essa escolha (a de Sá Pinto) com bons olhos. Porque será um elemento pacificador dos adeptos, mas sobretudo encorajador daqueles onze que entrarem em campo com as camisolas verde e brancas.
Aqueles que vierem com o pensamento de deixar andar, conformados com um espírito perdedor vão saber que o Sá Pinto não é para brincadeiras. Exige-se mais determinação, mais carácter, mais atitude, mais coragem e mais garra de quem veste a nossa camisola.
Desejo sorte e as maiores felicidades nas novas funções (se tal vier a verificar-se) ao Ricardo Coração de Leão.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O mundo dos sonhos

Falam-se em vários nomes para assumir os lugares deixados vagos pelas demissões de Paulo Bento, Pedro Barbosa e Miguel Ribeiro Telles.
Ontem escrevi um texto que apaguei, onde iria falar do Sporting dos meus sonhos. Mas apaguei esse texto quando ouvi Paulo Bento e constatei que existe uma distância enorme entre aquele que é o sonho de muitos sportinguistas e a realidade actual do nosso Clube.
Nesse texto, eu iria falar do meu treinador de sonho para o Sporting, que seria o Guus Hiddink. Mas seria só um sonho porque, na realidade, o Sporting não tem a mais pequena hipótese de poder contratar nem que seja apenas metade desse treinador.
Ainda no mundo dos sonhos, mas mais próximo da realidade, iria falar do treinador da Académica ou do treinador do Vitória de Setúbal, que seriam, na minha opinião, soluções interessantes.
Iria também falar de um sonho que tenho, que é o de ver Luís Figo no lugar de Barbosa, onde poderia representar o Sporting internacionalmente, sobretudo nas operações do Clube no mercado. Tal facto iria tornar o Sporting mais atractivo para melhores jogadores, além de que uniria e mobilizava sócios e adeptos, agora mais descrentes.
Iria ainda falar no desejo de ver Sá Pinto regressar ao balneário ou mesmo ao banco do Sporting, que é onde deve estar, com novas funções.


Nesse contexto, eu iria falar do que aconteceu com clubes como o Boavista, Salgueiros, Farense, Campomaiorense e Alverca. Da luta que o Paris Saint-Germain teve de fazer pela permanência. Da passagem da Juventus e da Fiorentina pela Série B italiana.

Não publiquei esse texto por duas razões: a distância entre os sonhos de vários sportinguistas e a realidade actual e um sonho que tenho na minha pessoal.
A primeira razão percebe-se bem.
O meu sonho pessoal terá, porventura, os mesmos anos do sonho que Paulo Bento teve de vir a ser campeão nacional no Sporting, como treinador. Tenho trabalhado muito para o concretizar o mais depressa possível, mas faltam-me os recursos para o realizar. Além desses, há sempre pequenas coisas que faltam. Daí estar sempre muito mais perto do começar do zero do que da concretização plena do sonho que tenho. Tenho as ideias todas na minha cabeça, algumas delas no computador onde escrevo e outras em folhas de papel guardadas no meu quarto. Mas a verdade é que, dia após dia, ideia atrás de ideia, falta sempre qualquer coisa para que algumas das ideias que tenho para esse meu sonho se possam tornar reais.

Falo agora de um texto que acabei por não escrever porque acordei com uma interrogação. Não temos a certeza de que venhamos a ter outra oportunidade de estarmos vivos para poder concretizar os nossos sonhos. Valerá a pena esperar por melhores condições?

Estando o meu sonho (e a realidade que o tornará, acredito eu, real) a poucos quilómetros da academia onde sonham vários atletas, dirigentes e adeptos do Sporting, uma das respostas possíveis à interrogação com que acordei hoje de manhã é dizer que a vida é só uma e não a devemos desaproveitar. Temos de procurar mais soluções, de trabalhar mais, de ter muito mais ideias. De forma a tirar a maior rentabilidade dos recursos que são escassos.

Não quero morrer sem realizar este sonho que tenho na minha vida. E um sportinguista, sobretudo aquele que teve a oportunidade (mas também o sacrifício) de ter uma função directiva no Sporting não deve querer morrer a pensar que o Sporting dos seus sonhos acabou por nunca existir na realidade.

Estes dois sonhos são duas situações parecidas. Aparente falta de meios e pequenos obstáculos. Poucos quilómetros de distância. Descrença daqueles que acreditaram nos mesmos sonhos.

Concluindo, talvez seja altura de arriscar um pouco mais, dentro daquilo que for possível, um pouco mais de sonho e um pouco mais de trabalho para que o Sporting possa encurtar a distância entre o sonho e a realidade. Assim aconteça também neste sonho que tenho na minha vida. Que aconteça quanto antes. Porque se eu morrer amanhã, sem concretizar esse meu sonho irei pensar que, na minha vida, foi muito menos o que foi feito do que aquilo que ficou por fazer. Que, sendo difícil, nunca deixou de ser possível.

No Sporting, a situação é igual. Pense-se mais e melhor, trabalhe-se mais e melhor, mas nunca se deixe de procurar o melhor caminho para a realização plena do Sporting dos nossos sonhos. Sonhos que foram aqueles que tiveram os nossos Fundadores e que nos cabe a nós, e só a nós, sportinguistas, vir a concretizar.

Vinte anos depois da queda do Muro


Nasci um ano e meio antes da queda do Muro de Berlim e, não sendo um bebé prematuro, não pude viver esse dia.
Assim sendo, invejo aqueles que viveram o 9 de Novembro de 89.
Invejo-os porque puderam viver um dia histórico.
Invejo ainda mais aqueles que foram protagonistas, que foram parte de um dia, de uma altura que mudou a História do Mundo.
Não invejo o facto de não ter vivido durante a Guerra Fria. Não só não invejo como lamento o sofrimento e as perdas que marcaram esse período triste e amedrontador. Sofrimento e perdas que aconteceram em vários conflitos nas ex-colónicas portuguesas, na Coreia, no Vietname, no Afeganistão, mais tarde, e um pouco por esse mundo fora.
Por isso, mais do que invejar os protagonistas, tenho uma enorme admiração por todos eles. Porque a geração que fez caír o muro de Berlim, que foi a mesma que extinguiu a ex-URSS e, conjuntamente, pôs termo à Guerra Fria, foi uma geração que soube merecer ser parte dos manuais de História de todo Mundo, sendo, pelo que fez, uma geração a ser seguida.
Vinte anos depois da queda do Muro, no princípio do fim (pelo menos aparente) de uma crise do capitalismo global, numa fase de grande aumento do desemprego, de agravamento das condições de vida em toda a Europa e no Mundo, numa altura em que as várias sociedades vivem de guerras entre si, o 9 de Novembro, mais do que merecer ser recordado pela queda do Muro da Vergonha (em si), deve ser lembrado como o dia em que o Mundo, pondo fim a divisões, tensões e pequenos conflitos, preferiu escolher o caminho da união, da liberdade e da paz.
Será também para recordar esse período histórico que conto estar em Berlim daqui a pouco mais de um mês.

sábado, 7 de novembro de 2009

A oposição do Sporting


Há gente má em todas as empresas, em todas as instituições, em todas as escolas, em todas as universidades, em todos os partidos políticos, em todos os clubes, em todo o lado.
No Sporting também há. São gente que vive das derrotas do próprio clube, que entra na onda de um parolo que fala na televisão aos domingos à noite, que cria sistematicamente pressão à volta de quem trabalha no intuíto de bem servir o Clube e quem tido, no passado mais recente, um certo apoio de um determinado grupo de deliquentes.
Representam apenas dez por cento dos sócios e atenção (!), porque esses dez por cento aconteceram numa conjuntura de crise financeira e desportiva. Só representam esses dez por cento por duas razões fundamentais: a primeira é a de que não têm os valores centenários que o Sporting preserva, a segunda é a de que o que move esse grupo são ambições pessoais.
Que os jornalistas desportivos não entendam, alguns deles, o Sporting, isso percebo bem. Porque, neste Clube, não vale tudo para ganhar. Neste Clube formam-se atletas nas mais diversas modalidades e, por isso, além de sermos a instituição desportiva que mais títulos tem em Portugal, somos um clube que forma os melhores entre os melhores, o que se tem mantido muito para além do futebol.
Mas não entendo esta nova oposição do Sporting. Que não se enxerga. Porque a esmagadora parte dos sportinguistas não tem o mínimo interesse em saber a opinião do Pereira Cristóvão sobre a actual situação do Clube. E fica muito feio a alguém que diz ser do Sporting aparecer logo nos primeiros momentos difíceis a tirar proveito do insucesso do Clube.
A esmagadora maioria dos adeptos do Clube repudia manifestações de adeptos, em dia de jogo, que dão origem a tiros disparados pela polícia. E pensa que devem ser intoleráveis todas as tentativas de invasão ao coração do mundo sportinguista, que é o nosso estádio.
No jogo de quinta-feira vi um grupo organizado de pessoas, concentrado num sector estratégico do estádio, ao pé de um grupo (bem menos organizado) de marginais, com lenços brancos desde o primeiro minuto, à espera de uma razão para começar a criar mau ambiente, numa lógica que tinha como único objectivo destruír. E interroguei-me, durante o jogo, por que razão estavam nas bancadas do Sporting pessoas que estavam "doidinhas" para acenar com os lenços brancos, a assobiar desde o primeiro momento e a insultar aqueles que vestiam as cores do nosso Clube.
A essa interrogação há duas respostas possíveis: ou aquelas pessoas não são adeptas do Sporting ou são completamente atrasadas mentais.
Com uma crise desportiva, que se junta a uma crise financeira, esse grupo da oposição ao(s dirigentes actuais do) Sporting é o responsável cimeiro por uma possível travessia no deserto que se pode prever para os próximos anos. Porque, a essas duas adversidades, juntou uma terceira, que tem consistido no fomento de um clima de guerrilha interna.
Não me esqueço do regresso da equipa de futebol do Sporting do jogo em que empatámos em Florença. Fomos eliminámos, mas saímos com dignidade. Em nenhum dos dois jogos contra a Fiorentina fomos inferiores, não perdemos nenhum dos jogos e tivemos duas boas prestações. É óbvio que ficámos tristes porque queriamos estar na Liga dos Campeões mas não é exigível nem obrigatório, e ainda menos no actual momento, que o Sporting elimine a Fiorentina. Nunca o foi em mais de cem anos de História do clube. Na verdade foi nessa "espera" à equipa que o ambiente se agravou.
Quanto ao argumento de que o Benfica, este ano, está a jogar mais, tenho uma resposta simples. Já ficámos à frente deles e eles já ficaram à nossa frente. De certeza que, no futuro, as duas situações irão acontecer várias vezes. O Benfica ganhará títulos e nós também os ganharemos. Sempre foi assim. Apesar de, no passado mais recente, o Porto ter sido constantemente insuperável. Oxalá isso mude e que venham mais títulos para Lisboa. Deveria ser esse o pensamento desse grupo de pessoas. Porque o Benfica é nosso adversário. Nunca nosso inimigo. Porque o futebol não é uma guerra. E se fosse, esse grupo de sportinguistas (entre ou sem estar entre aspas, ainda não percebi), numa altura em que estávamos a perder batalhas, o que fazia era disparar de modo a matar soldados do nosso exército. Seriam, portanto, eles e quase só eles os responsáveis por termos perdido a guerra.
Esta tentativa de construír opinião e de organizar manifestações pela internet consegue meter nojo. Assim como as ameaças constantes feitas a alguns dos (noventa por cento) de sportinguistas que apoiam a actual direcção.
Em suma, porque não me quero alongar muito, nada justifica as cenas tristes que têm acontecido. O que os sportinguistas (ou a maioria esmagadora deles) quer é dizer basta...mas basta deste espírito revolucionário e delinquente, basta de demagogia e aproveitamento de episódios menos felizes, basta de insultos sistemáticos aos funcionários do clube e ao próprio Sporting Clube de Portugal.
Há noventa por cento de sportinguistas que quer mesmo uma vassourada. Uma vassourada nessa gente.



A propósito, leiam-se as citações que são feitas no Mais Sporting de alguns comentários feitos num fórum restricto da net. Comentários esses que, pelo seu conteúdo, não merecem qualquer tipo de...comentário da minha parte.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

As várias faces de José Sócrates


Sócrates, 1ª parte - o salvador da Pátria, que iria inovar e modernizar o País;
Sócrates, 2ª parte - o animal feroz na arrogância de uma maioria absoluta;
Sócrates, 3ª parte - suave e meigo, pedindo uma maioria absoluta;
Sócrates, 4ª parte - repetição da 2ª parte, mas sem a maioria absoluta.

Sócrates I - culpa a oposição pelo estado do País e diz-se vítima de uma governação falhada (de 2 anos e meio) do passado;
Sócrates II - atira as culpas do estado do País para a crise internacional;
Sócrates III - responsabiliza a oposição por não conseguir governar e, por esse motivo, não conseguir melhorar o estado do País.

Quem aterre neste país e ouça falar José Sócrates irá pensar que Sócrates chegou agora ao Governo. É que foram quatro anos e meio, vai agora para um segundo mandato. Entretanto, assumiu diversos papéis, vestindo a pele de diferentes personagens. Umas boas, outras más. Mas, entre todas elas, há uma coisa em comum: é que, em todas as partes, em todas as faces, em todos os momentos, Sócrates nunca assumiu a responsabilidade pelo estado em que o país se encontra mergulhado.

Os méritos de Paulo Bento



Paulo Bento foi parte uma equipa campeã nacional, em 2001/02, enquanto jogador.

Assumiu o comando técnico do Sporting numa altura em que a equipa estava ainda ressentida de uma semana negra, em que tinha perdido o campeonato e a Taça Uefa.
O campeonato tinha sido perdido nos últimos minutos de um jogo no estádio da Luz. A Uefa foi perdida porque a bola bateu duas vezes no poste e, no contra-ataque, os russos do CSKA sentenciaram a partida.
A Paulo Bento foi pedido que pegasse numa equipa deprimida e foi aí, nesse primeiro ano, que a equipa jogou melhor futebol.

Sem recursos, alguns dos indiscutíveis jogadores que o Sporting tem, que são da sua formação, foram apostas claras de Paulo Bento. Jogadores jovens que serão, certamente, mais-valias para a selecção nacional. E esses méritos, mais tarde ou mais cedo, irão ser reconhecidos por todos. Principalmente aqueles que, nesta fase difícil, não hesitaram em apontar a Paulo Bento o caminho para a porta de saída.

O principal problema que tem levado às péssimas exibições da equipa do futebol reside no facto do Sporting ser hoje um clube de perdedores conformados. Sem recursos financeiros, sem investir no futebol durante vários anos seguidos, Paulo Bento não teve a oportunidade de treinar um plantel equilibrado, quantitativa e qualitativamente, como os planteis que, neste momento, têm o Benfica, o Porto e Sporting de Braga que são, neste momento, as equipas que melhor futebol jogam em Portugal.

Claro que Paulo Bento cometeu erros. Toda a gente reconhece isso. Pôs jogadores fora da sua posição, insistiu num modelo táctico aparentemente esgotado, não apostou definitivamente num avançado para acompanhar Liedson. Mas, tirando Izmailov (que disse que queria sair se Bento deixasse de ser treinador do Sporting), Vukcevic (que Bento recuperou) e Matias Fernandez, Paulo Bento, em quatro anos, não teve mais nenhum reforço. As suas escolhas estavam limitadas ao que havia no plantel. E o que havia no plantel era demasiado fraco para se poder ambicionar ser campeão nacional.

Sem recursos, ganhou duas Taças de Portugal, duas Supertaças e sabe Deus por que razão não ganhou uma Taça da Liga. Nunca ganhou o campeonato, ficando sempre atrás de um Porto que vive a estabilidade de um trabalho começado há décadas, com jogadores que têm o nível do que de melhor há por essa Europa fora.

Por isso, estou convencido que Paulo Bento não era parte do problema do Sporting. Os jogadores sabem isso. Os dirigentes também. Por isso, no treino que se seguiu ao conhecimento da demissão, Veloso surge abraçado a Bettencourt. E por isso, Moutinho ou Derlei defenderam o treinador no início desta semana. Para alguns jogadores, perdendo Paulo Bento, o Sporting perde tudo.

Vai ser difícil ultrapassar esta altura crítica. Mas que seja aproveitada para expurgar a mediocridade, procurar mais-valias no mercado, encontrar um treinador que seja pacífico, capaz de motivar o plantel e de nos incutir, a todos, uma cultura de ainda maior exigência e ambição.

A Paulo Bento não se poderia exigir mais. Exigia-se mais de Pedro Barbosa e até, porventura, do presidente eleito, no qual reitero a minha confiança.

Daí resulte o facto de eu pensar que o Sporting tem gente a mais e gente a menos. Espero que esta altura seja aproveitada para resolver esses dois problemas.

Por isso, sinto-me na obrigação de agradecer a Paulo Bento a defesa que fez dos seus jogadores e do Sporting Clube de Portugal, os títulos conquistados (que foram os possíveis) e o serviço prestado. E faço-o com a convicção de que, mais tarde ou mais cedo, este trabalho (de segurar o barco e de fazer omoletes sem ovos) será reconhecido pacífica e unanimemente.

Ao Paulo Bento, além do agradecimento, desejo as maiores felicidades para o seu futuro.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Uma Grande Mulher


Tenho lido as notícias do PSD com alguma revolta.
Porque, aparentemente, para algumas pessoas, o PSD não tem líder.
Na verdade, sabemos que assim não é. O PSD tem uma líder, que tem a legitimidade para a ser, que lhe foi dada directamente pelos militantes do Partido.
Também sabemos que irão haver eleições directas para a liderança do Partido, as quais se realizarão, provavelmente, até Maio próximo. Para essas eleições, provavelmente, Manuela Ferreira Leite não se irá recandidatar.
Por isso, estou à vontade para escrever sobre a liderança de Ferreira Leite. Porque, na qualidade de militante social-democrata, lhe estou profundamente grato.
Não devemos esconder as condicionantes que, a priori, Manuela Ferreita Leite tinha. Mesmo assim, candidatou-se para a liderança do PSD. E não o fez por ela. Fê-lo pelo Partido. E pelo País.

Percorreu o país em três actos eleitorais e revelou uma energia que se evidenciou em algumas das suas aparições públicas, como aquela participação no Gato Fedorento que terá, certamente, surpreendido todos os portugueses.

Reconheço o esforço de Ferreira Leite. A quem agradeço.

E agradeço porque foi a número um de um grupo de portugueses que, numa altura em que o endividamento era de cerca de 100% do Produto Interno Bruto, se opôs a que o País agravasse essa situação, avançando para um novo aeroporto internacional, para uma nova auto-estrada entre Lisboa e o Porto, para uma nova ponte sobre o Tejo e para o TGV.
Esse grupo de portugueses não foi, todavia, contra as obras públicas. Apenas defendia a suspensão de algumas dessas obras, que fossem megalómanas, possivelmente não-reprodutivas, e que condicionassem (ou, porventura, hipotecassem) o futuro dos nossos jovens.

Agradeço também porque, na defesa de algumas ideias desse grupo de pessoas (no qual me incluo), não recorreu a nenhuma espécie de hipocrisia barata ou demagogia fácil.

Agradeço porque, corajosamente, não foi susceptível a nenhum tipo de pressão. Falou o que quis falar. Disse o que quis dizer. Fez o que queria fazer. Custasse o que custasse. Por exemplo, escolheu Pedro Santana Lopes para candidato a Lisboa. Soube pôr de lado as diferenças de estilo e escolheu o melhor candidato que o PSD tinha para a principal Câmara do país.

Agradeço porque foi assumiu como bandeira principal do PSD a ajuda, necessária, às pequenas e médias empresas, responsáveis pela esmagadora maioria dos empregos. Entre todas as outras ideias-chave do Compromisso de Verdade, com o qual o PSD se apresentou às legislativas. Por exemplo: a extinção do pagamento especial por conta; revisão da política fiscal no sentido corrigir algumas injustiças a nível social; a valorização da agricultura; a defesa de uma política sustentável no sector das pescas; extinção das taxas moderadoras para internamento e cirurgias; reforço das formas céleres do processo penal, na prevenção e combate à corrupção; potencialização da coordenação entre as várias forças policiais, entre tantas outras medidas a que o PSD se propôs tomar, caso viesse a ser chamado a governar.

Infelizmente (creio eu) para o País, o PSD perdeu as eleições. Mas restaurou alguma credibilidade e demarcou-se das políticas-chave da governação socialista. E foi por isso, só por isso, que aquela ideia de Bloco Central, falada a meses das eleições, deixou de ser hipótese logo que Manuela Ferreira Leite apresentou o seu Programa e defendeu as suas ideias essenciais. Por isso, também lhe estou grato.

Perdemos as eleições. Mas defendemos aquilo que estava certo. Sempre com ruídos de fundo daqueles que não queriam o sucesso do PSD. Mesmo vindo daqueles que militam neste Partido.

O PSD continua a ser um Partido cheio de diferenças internas. Simplesmente porque é transversal na sociedade portuguesa. Mas deixou de haver dois polos. Deixámos de ser vistos como uma metade que luta contra outra metade. Há diferenças. Mas agora, que Sócrates perdeu a sua maioria absoluta e estando o PSD com mais deputados na Assembleia da República, estamos muito mais perto de ser governo do que Sócrates de ter uma nova maioria absoluta. E se isso é assim, também a Manuela Ferreira Leite o devemos.

Mais ainda quando as sondagens, até aos ruídos de fundo e a um caso que aconteceu a uma semana das eleições, davam empate técnico com tendência para crescimento do PSD.

Façam-se os jogos de bastidor que se quiserem, avance quem quiser, diga-se o que se disser, mas eu não poderia partir para um novo ciclo sem agradecer e sublinhar a importância que teve, para o Partido e para o País, esta Grande Mulher.

Perseguição e má fé

É o que tem acontecido.
Ninguém se sente bem quando põem em causa a palavra das pessoas. Sobretudo quando as pessoas são sérias e educadas.
Ninguém se sente bem num sítio onde existe uma manifesta má fé.
Ninguém se sente bem num sítio onde as mudanças são feitas com o fim claro de acabar com o trabalho que as pessoas fazem à comunidade. Provavelmente suportados por fins políticos e com ódios pessoais.
Os ideais católicos promovem a aceitação, a tolerância e o sacrifício no sentido de servir o nosso mundo. E uma católica que não pensa assim, que persegue, que tem má fé, que põe em causa a palavra de uma pessoa séria é católica só de nome. E com letra pequena.
E têm sido comportamentos de católicos como estes, que o são só de nome, que têm afastado cada vez mais pessoas da religião. Afastamento que tem dado origem a um apodrecimento da sociedade, que tem perdido muitos dos valores. Valores esses em que a religião, anteriormente, tinha ajudado a incutir nas pessoas.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Jorge


Conheci o Jorge desde que chegou a casa da Mafalda.
Vi a Mafalda e a tia a preparar o leite para ele beber. Para se tornar num gato ainda mais bonito, ainda mais saudável.
Vi o Jorge brincar sempre no seu jeito reguila, próprio de quem está sempre à espera de uma razão para fazer asneiras.
Era tão normal estacionar o carro, olhar para a janela da cozinha e ver o Jorge, ali, a olhar para a rua. Era tão normal ver o Jorge sair sorrateiramente de casa logo que eu entrava, para arranhar o tapete da entrada. Era tão normal ver o Jorge passar por mim quando eu abria a porta da varanda para se empoleirar ao pé das flores. Era tão normal ver o Jorge deitado num degrau das escadas de São Martinho enquanto eu via televisão…
Era ainda mais normal ver o Jorge deitado no bidé sempre que eu ia à casa de banho, mortinho para que alguém abrisse uma torneira para fazer aquilo que ele mais adorava. Porque o que Jorge gostava era de brincar com a água. Com a água da torneira, com a água do bebedouro, com a água da piscina de São Martinho.
A mesma normalidade como aquela em que, alguns dos dias em que dormi em São Martinho, dormi com o Jorge.
Por todos esses actos tão normais da minha vida, partilho a dor dos donos do Jorge. Que nos deixou de uma forma tão normal como precoce.
Resta-me a mim recordar as brincadeiras do Jorge com as bolas saltitonas, as malandrices que ele fazia, principalmente quando, inesperadamente, fugia de casa.
De facto, é um privilégio ter este dom raríssimo que é estar vivo. É uma oportunidade única. E há poucos momentos na vida tão bonitos como aqueles minutos, aparentemente normais, em que o Jorge, deitado, ronronava de felicidade.
À Mafalda, à Mariana e aos tios queria dar um beijinho de força.
Vai ser sobretudo naqueles momentos mais normais da minha vida que vou sentir a falta e a dor da perda de um amigo felino que eu tive.

Sentirei saudades tuas, Jorge. Até um dia.

Estado de espírito



"Com a saída dele o clube perderia tudo" (João Moutinho)
“Se Paulo Bento sair também não quero ficar” (Izmailov)

São estados de espírito, que revelam bem o que se sente no balneário do Sporting: eles entregam-se ao máximo, por eles, pelo Sporting, mas também pelo seu treinador.
É pena que, além de Patrício, Carriço, Veloso, Moutinho, Izmailov e Liedson, não existam muitos jogadores que combinem a qualidade com a vontade de jogar. Porque qualidade sem vontade não se torna produtiva, e vice-versa.
Ainda há quem permaneça unido ao tempo em que se fazem ataques terroristas contra o Sporting. E isso é de louvar.
Só é pena que o Sporting não tenha melhores jogadores, para poder somar a esses seis. Se os tivesse, seriamos muito mais fortes. Agora há que saber porque não os tem. E de fazer as mudanças necessárias de forma a trazê-os para o clube.

domingo, 1 de novembro de 2009

O momento do Sporting, hoje


Não estou nada convencido de que Paulo Bento seja parte do problema do Sporting.
Porque não estou nada seguro de que exista outro treinador capaz de fazer melhor com uma ala direita que se resume a Abel, Pereirinha e Pedro Silva, com uma ala esquerda que não tem ninguém além de Grimi e André Marques, com uma defesa que, além de Daniel Carriço, não tem outro jogador de qualidade. Pelo menos da qualidade que se exige de uma equipa que quer ser campeã nacional.
Um novo treinador olhará para o banco e não verá mais que Adrien, Angulo, Saleiro, Grimi ou Pedro Silva. Um novo treinador olhará para o plantel e ver-se-á forçado a ter de pôr Tonel, André Marques, Abel, Pereirinha e Postiga no onze inicial.
Mesmo que venha um treinador, que traga um novo esquema táctico, não há nenhum esquema que sobreviva com apenas um grande jogador na defesa, com quatro ou cinco jogadores no meio-campo e com dois bons avançados.

Se não fosse a infelicidade de sofrer um golo no último minuto em Guimarães e do remate do Caicedo ao poste no jogo de hoje, o que eu pensaria é que Paulo Bento, sem ovos, tinha feito omoletes. Que, nesse caso, seriam mais quatro pontos. E não posso ter um pensamento diferente por causa de dois lances.

Isto não põe em causa as mudanças que julgo urgentes na estrutura de futebol. Que devem começar pela substituição imediata de Pedro Barbosa. Os sportinguistas querem saber por que razão Hugo Viana não está no Sporting. Os sportinguistas querem saber por que razão Quaresma, que não é opção no Inter, não está em Alvalade. Os sportinguistas querem saber por que razão alguns empresários de promessas brasileiras não chegam a entrar na academia para negociar com Pedro Barbosa.

A questão do Hugo Viana é flagrante. Porque o Sporting não o quis. Vinha emprestado. E acabámos por contratar um Angulo a caminho dos 33 anos e sem ritmo competitivo. Aí a ausência de recursos financeiros não é justificação.

E isto para não falar da forma como o Sporting não consegue vender alguns dos seus jogadores que têm qualidade. Dos quais Stojkovic é o maior exemplo.

O que é certo é que o sétimo lugar reflecte apenas o valor deste plantel. Assim de repente, vejo que equipas como Porto, Benfica, Braga, Marítimo e Nacional têm, de facto, um plantel muitíssimo mais equilibrado do que o nosso.

Carlão, Hugo Viana, Manuel da Costa e Quaresma são quatro nomes dos quais se falou. E que falta fazem ao Sporting!...Eles e mais dois bons laterais. Aí sim, poderíamos dizer que tinhamos uma equipa capaz. Porque não temos. E se não temos as culpas são de Barbosa. Restam saber em que medida. Mas seja ela qual for, deixou de haver razões para Pedro Barbosa continuar a ser director-desportivo do Sporting. Caso contrário, não irão haver também condições para manter o seu treinador.

Sobre uma manifestação de desagrado que houve hoje em Alvalade, o que digo é que o Sporting não são aqueles que cantavam. O Sporting somos todos.

Reitero a confiança no presidente, que ajudei a eleger. Numa eleição que não deixou margem dúvidas. E não é uma "minoria absoluta" de pessoas que vai calar a voz inequívoca de noventa por cento de sócios. Porque uma coisa é o Sporting não ganhar. Outra coisa é o Sporting poder deixar de existir. E enquanto o Sporting vive, a lenda continua.

Viva o Sporting.

Aparte

Em algumas das ruas ao pé da Universidade Católica, notei, na semana passada, que estava escrito "amo-te", em branco, no meio da estrada.
A primeira vez que vi essa palavra escrita na estrada, a palavra estava mesmo à frente das janelas de um prédio de habitação. Pensei: será possivelmente uma declaração de amor, original.
Mais à frente, perto da Clínica Malo, estava outra vez "amo-te" escrito no meio da estrada.
De quinta para sexta-feira, na avenida dos Bombeiros Voluntários de Algés, mesmo em frente do nº69 da avenida, estava também escrito "amo-te". "Amo-te" e "quero-te".
Todas estas demonstrações de amor revelam que, além de sermos um país apaixonante, somos também um país cheio de gente apaixonada.