
Cavaco fez bem em falar da Agricultura nesta fase de transição de governo, no meio de um pedido de ajuda externa, altura em que se impõe um consenso nacional relativamente à estratégia a seguir pelo Governo para dinamizar a economia portuguesa.
Depois de, no ano transacto, ter falado sobre o Mar, não há dúvidas de que Cavaco identifica bem os problemas, faz um diagnóstico quase perfeito da situação do país. E, nesse sentido, porque é bom o diagnóstico que faz, os portugueses exigem uma participação mais activa e estreita entre o Presidente da República e o Governo que, não tarda, entrará em funções.
Reorganizar o país, preparando-o para o futuro, não é tarefa fácil. Criou-se, nos portugueses, a ideia de que todos temos de ser doutores, engenheiros, advogados, mas o país precisa, entre outras profissões, de novos agricultores. O país precisa dos agricultores para que possa sobreviver e, porventura, crescer e enriquecer no futuro. É uma área decisiva, onde se poderá importar menos e exportar mais. E essa aposta na agricultura não se traduz na mudança de políticas. Acima disso, há que mudar mentalidades.
Vai ser muito exigente o futuro. Vai ser mais fácil com um Governo PSD/CDS. Mas não deixa de ser imperativo o consenso nacional, que se terá de alargar ao PS e ao PCP por via de apoios parlamentares.
Cavaco Silva falou. Falou bem. Mas tem de ser mais activo e cooperante com quem tem as rédeas do país.
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