quarta-feira, 19 de maio de 2010

Uma derrota monumental da democracia


Tem razão, Cavaco. O tempo exige máximo empenho e foco exclusivo no combate à crise.
Têm razão, os analistas. O veto político, tendo em conta a actual constituição da Assembleia da República, apenas atrasaria a possibilidade de uma pessoa se casar com outra do mesmo sexo em Portugal.
Têm razão, os críticos. Cavaco teve medo de perder uma batalha, de enfraquecer a sua posição e de perder votos.
Mas houve um grupo, de NOVENTA MIL PESSOAS, que, num período de 3 semanas juntou assinaturas para pedir que o casamento entre pessoas do mesmo sexo fosse referendado.
Ou seja, nesta novela com argumento feito em cima do joelho não foi o PS e a esquerda que venceram. Não foi a Igreja que saiu vencida, nem, menos ainda, Cavaco Silva. Foi a democracia. E os cidadãos eleitores que queriam que esta matéria, pela sua delicadeza, fosse referendada. Mas não foi. Foi imposta aos portugueses, sobretudo por socialistas e militantes da esquerda radical.
E, assim sendo, Cavaco, os analistas, os críticos e os partidos representados na Assembleia da República não podem ficar surpreendidos quando, nas eleições, uma maioria absoluta dos portugueses decidir continuar a abster-se.
Trata-se, portanto, de uma derrota monumental da democracia. Os portugueses quiseram votar. Mas não os deixaram. E já passaram mais de 36 anos...

1 comentário:

Anónimo disse...

Bem lembrada esta história do referendo que foi pedido e imediatamente ignorado.

Confesso que já me não lembrava mas aparentemente não sou o único pois, que eu tenha dado conta, nunca mais ninguém se lembrou de o referir. Sejam jornalistas, "reverenciados" politólogos ou simples comentadores ninguém mais se lembra das 90 mil assinaturas recolhidas!